Até janeiro, vou escrever aqui, ó:
http://cinconocelta.wordpress.com
Boas férias, bom Natal e bom Ano-Novo pra todo mundo.
<3
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Boas férias, bom Natal e bom Ano-Novo pra todo mundo.
<3
Arquivado em Dia-a-dia
E aí, pessoal? Vocês escolheram o que queriam ganhar da MasterCard e concorreram ao brinde da primeira semana do Reality Shopping. Quem venceu foi a leitora Aíla Muniz, de João Pessoa, e ela deve receber o seu kit surpresa (opção escolhida na enquete) na semana que vem. Como o kit é surpresa, vou deixar a Aíla recebê-lo antes e depois mostro o que foi aqui.
Nesta segunda semana, vou fazer um novo sorteio. Vocês tem o dia de hoje para votar na enquete e escolherem o que querem ganhar. Aí eu saio no fim-de-semana para fazer as três compras com o meu cartão de Débito da MasterCard e na segunda-feira conto aqui quem venceu, certo? Enquanto isso, eu concorro a um carro zero km por semana e um presente a minha escolha: uma viagem ou uma repaginada na casa ou a um guarda-roupas completo ou um kit high tech. Se você tem o Débito da MasterCard, pode concorrer a esses prêmios também toda a semana. É só fazer três compras por semana e automaticamente já está participando.
Bom, queridos leitores. Participem da enquete aí embaixo. Eu, particularmente, adoraria dar um kit do Coringão pra alguém (mas não quero influenciar no voto, longe de mim!). Ah, e aproveitem pra seguir o twitter do @MasterCardbr e participar dessa e de outras promoções. E curtam a página da MasterCard no facebook: www.facebook.com/MasterCardBrasil.
Valeu!
UPDATE: Votação encerrada. Em breve anuncio aqui quem ganhou!
Arquivado em Publi
Quando você é mãe solteira de um moleque, é bem provável que você tenha que fazer as vezes do pai em algumas situações. Mesmo que o pai seja um cara presente, como no caso do Lucas: eles se amam, moramos no mesmo prédio e a convivência é ótima e frequente. Mas não é igual estar ali todos os dias, então é contigo que o moleque vai ter confiança pra perguntar como nascem os bebês, contar das namoradinhas de escola e, mais pra frente, querer saber tudo (tudinho mesmo) sobre sexo. É contigo que ele vai querer discutir os lances do futebol e pedir pra bater uma bolinha no fim do dia. Talvez ele te pergunte como é que faz uma pipa, como se joga bolinha de gude, como se brinca de bafo, ao invés de querer brincar de barbie. É preciso estar preparada.
No meu caso, deu muito certo ser mãe solteira de um moleque porque a vida me preparou pra isso. Eu cresci com meu irmão e meu primo jogando bola na rua, eu aprendi a fazer pipa com um ex-namorado da minha prima mais velha, meu tio me levou ainda pequenina aos estádios e nunca mais parei de ir, eu conheço as regras do futebol. E eu sou mulher, ou seja, não há conselho sobre mulheres que um homem possa dar melhor do que eu porque eu me conheço, pô! Sei o que é TPM, quais filmes de mulherzinha assistir, o que a gente gosta de ganhar de presente, o que a gente quer ouvir.
Ainda, sei beber cerveja igual a um menino, jogo sinuca e meus amigos às vezes me mandam fotos de mulheres peladas por engano, de tão mano que eu sou deles. Não foi nem uma nem foram duas vezes que eu era a única mulher da mesa com mais de 20 caras ouvindo que nós somos loucas, que nós não sabemos o que queremos, que mulheres são bipolares. Enfim, prefiro os filmes sanguinolentos aos filmes com a Meg Ryan, entendo mais da política do Corinthians do que do movimento feminista, no kung fu eu dava uma surra em uma penca de caras e preferiria trabalhar na construção civil do que fazer faculdade de moda.
E antes que vocês achem que eu sou uma hermafrodita e comecem a me chamar de Buba, digo que, apesar de tudo isso, sou 100% mulherzinha. 100%.
Então, talvez por me conhecer quase melhor do que ninguém, o Lucas sempre me perguntou tudo o que quis saber e para o pai reservou mais respostas do que dúvidas.
**
Já faz algum tempo que o Lucas me pediu uma revista Playboy. Antes de ter 10 anos, acho que antes de ter nove e talvez antes mesmo de ter oito. Não é nenhuma taradice: é uma curiosidade por saber que existem outros peitos que não os da mãe. Amém! Lucas é um menino curioso e quando se esgotaram as perguntas infantis, ele passou a me perguntar coisas um pouco mais sérias que eu não costumo levar tão a sério assim.
Por ter meu blog dentro da Revista TPM, de vez em quando recebo as Trips, com algumas mulheres peladas entre as suas reportagens super legais. As revistas sempre ficaram escancaradas em casa, mesmo quando eu morava com meus pais: mulher pelada nunca foi algo guardado a sete chaves. E Luquinhas, curioso, descobriu as revistas e viu todas, como eu já contei por aqui.
Um dia, ele chegou pra mim e perguntou:
- Qual é a diferença entre uma Trip e uma Playboy?
Eu disse a ele que a Trip era uma revista com muitas reportagens e pouca mulher pelada e a Playboy era o contrário: mais mulher pelada do que reportagem. É claro que ele preferiria uma Playboy, então, porque entendo a curiosidade para ver mulheres peladas, mas não entenderia se ele quisesse ler artigos extensos sobre preconceito, desigualdade social, higiene íntima e outras coisas. Lucas prefere ver as figurinhas e começou a me pedir uma Playboy incansavelmente.
- Quando eu vou poder ter uma?
- Ah, Lucas. Acho que na Copa – em casa, como bons amantes do futebol, contamos tudo “até a Copa” ou “a partir da Copa”, mesmo sabendo que a possibilidade de irmos aos jogos com meu salário de jornalista é quase nula.
- Meu Deus, só em 2014? Só quando eu tiver 12 anos?
Ele pareceu meio desesperado e isso me fez pensar porque é que eu não deveria dar uma Playboy a ele aos 10 anos. E não encontrei nenhum motivo. Acho que é mais nocivo tratar a nudez como algo proibido do que matar a sua curiosidade. Tem o outro lado também: o contraponto é criar o Lucas como um cara preparado para lidar com as mulheres, para saber o que dizer na hora certa, fazer o cafuné que a gente gosta de receber, respeitar chororô na TPM e assistir o filme da Meg Ryan quando é essa a vontade.
**
Perguntei no Twitter se a tal da Cacau, a capa da Playboy do mês de aniversário do Lucas, era uma boa mulher pra ser a primeira do Lucas, mesmo que fosse impressa. Me responderam que sim e lá fui eu, junto com a minha mãe (sim, a avó do Lucas!), na Livraria Cultura comprar uma. Claro que quando eu cheguei lá, não achava a Playboy de jeito nenhum e tive que perguntar:
- Por favor, onde ficam as revistas masculinas?
Eram duas meninas no caixa que me olharam com cara de “Uééééééééééé”, enquanto um outro atendente corria pra me tirar daquela situação embaraçosa. Logo ele me entregou uma Playboy e eu disse:
- É para o meu filho.
E as duas me olharam ainda mais aterrorizadas. Fui mandar embrulhar a revista e passei pelo mesmo estranhamento de outra atendente:
- É pro meu filho! – me expliquei de novo, um pouco constrangida.
- O que me espanta é você ter um filho de 18 anos que já possa ler essa revista – ela me disse.
- O que me espanta é você não saber que se meu filho tivesse 18 anos, ele poderia vir comprar essa revista sozinho e eu não teria que passar por isso – respondi.
- É verdade.
E encerramos aí as explicações.
**
Na manhã de aniversário do Lucas, ele pulou na minha cabeça cedinho, como faz todas as manhãs. A Playboy não era o único presente, é claro. Entreguei alguns CDs (Elvis, The Baseballs), um quadrinho do Hobbit e o último pacote foi o que ele não esperava. E ele ficou mais feliz com a revista do que quando ganhou a primeira bicicleta.
Mas demorou alguns minutos pra abrir, ficou ali olhando a capa por um tempo. Eu fui pra sala, pensando que ele queria ficar um tempo sozinho com a Cacau, mas não deu dois minutos e ele veio atrás:
- Posso ler aqui contigo?
“Ai, meu Deus, respeite os limites de uma mãe”, eu pensei.
- É claro que pode.
Logo no índice, tinha uma foto do Jô Soares e ele arremessou a revista longe:
- MEU DEUS, MÃE!!! NÃO ME DIGA QUE O JÔ SOARES ESTÁ PELADO NESSA REVISTA.
Expliquei pra ele sobre as famosas entrevistas da Playboy e, depois que ele parou de tremer, ele avançou página por página. Até chegar na tal da Cacau e, em uma das fotos, ela encheu a periquita de granulado:
- O QUE QUE É ISSO, MÃE? É BICHO????
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Contei no Twitter que tinha dado a Playboy ao Lucas e um cara veio me dizer que eu tirei dele o gostinho de fazer isso escondido. Talvez fosse, se ele não tivesse me pedido isso. E foi simbólico eu ter dado. Significa um: “você não me contará tudo, mas estou aqui pra tudo”. Sem limites.
**
No domingo, Luquinhas foi ao estádio comigo ver o Corinthians ganhar do Atlético Paranaense e ficar mais perto do título do Brasileiro. Em famílias antigas, o gosto pelo futebol até podia ser passado de pai pra filho, mas em casa isso também foi diferente. O corinthianismo e o gosto pelo futebol Luquinhas herdou da mãe. Graças a Deus.
Fui eu quem deu a primeira camisa e o levou pela primeira vez no estádio e explicou a ele o que significa impedimento. Fui eu quem mostrou a ele o que é uma torcida apaixonada, como é ficar debaixo do bandeirão, que gosto tem um sorvete de limão no estádio. Fui eu quem o apresentou os encantos e os desencantos do futebol e é assim que será sempre, daqui até o fim da vida dele. Graças a Deus.
Por isso, outro presente que o Luquinhas ganhou foi entrar no campo com os jogadores do Corinthians antes da partida e ver a torcida por outro ângulo. Eu sempre quis conseguir isso pra ele, mas ele sempre morreu de vergonha. Até que, há menos de um ano, ele começou a me pedir para entrar e eu disse a ele que conseguiria perto de seu aniversário.
E assim foi feito: comprei pra ele o calção e o meião que faltavam para Luquinhas ter o uniforme completo e poder entrar no campo. Marquei com a assessoria do Corinthians, contei com a ajuda de uma amiga querida (obrigada pra sempre, Maricota) e lá fomos nós ao portão 23.
Eu parecia mãe de miss, só que ao contrário: mãe de um maloqueirinho nato que entrou em campo com o Ralf (“Ele é raçudo, mãe!”), saudou a torcida do Corinthians, apareceu na TV e voltou correndo pra me contar como foi com os olhos cheios de lágrimas:
- A torcida, mãe! A torcida é a coisa mais bonita que eu já vi!
Eu ali, com um nó na garganta de me fazer perder o fôlego, agradeci demais por esse menino. E agradeço todos os dias.
Luquinhas com Ralf em 1m28s
Dia desses a MasterCard me convidou pra participar de um reality shopping como forma de divulgação da sua promoção de Débito. Funciona assim: você compra três coisas no período de uma semana com o seu cartão de débito da MasterCard e já está automaticamente concorrendo a um carro zero km por semana e um presente a sua escolha: uma viagem ou uma repaginada na casa ou a um guarda-roupas completo ou um kit high tech. Pode ser qualquer compra: abastecer o carro no posto, levar a família pra jantar, comprar flores pra namorada, etc etc, desde que tudo seja pago com o seu cartão de débito.
Topei participar porque poderei sortear os prêmios do reality shopping para os meus leitores do blog e seguidores do Twitter. Durante duas semanas, vocês, leitores, vão me ajudar com dicas do que posso comprar e dos lugares onde posso fazer essas compras (não vale ser online).
No final desse período, vou sortear tudo isso pra vocês.
‘Bora participar?
É só votar aí embaixo e colocar seu nome, cidade e um e-mail para contato! Ah, e responda rapidinho pra eu aproveitar o feriadão pra comprar. Na semana que vem, tem mais três opções de presentes aqui no blog.
UPDATE: As votações estão encerradas para essa semana. Participaram 166 pessoas e quem ganhou os três presentes da MasterCard foi a leitora Aíla Muniz, de João Pessoa – PB. Ela escolheu o kit surpresa e vou entrar em contato logo mais.
Fiquem ligadinhos aqui para uma nova votação nessa semana!
Arquivado em Publi
Filho,
Chegamos aos teus 10 anos. DEZ! Essas datas redondas são significativas por algum motivo que não sei bem explicar. Aos 10, você larga a decoração infantil das festas e pede para a sua mãe um bailinho com DJ só porque você quer dançar agarradinho com a menina mais bonita da classe; aos 20, você acorda com um cachorro de rua lambendo a sua boca depois de tomar o maior porre da vida em um bar com seus amigos para se despedir da adolescência; aos 30, você se torna balzaquiano e tem a certeza de que passará o resto da vida solteiro – e termina a noite tomando um porre de vinho com teus amigos e combinando com algum deles que se chegarem aos 40 solteiros, vocês se casam. Aos 40, a vida começa de novo e por aí vai…
E é assim pra todo mundo, filho. A vida não é tão surpreendente em um só aspecto: ela acontece todos os dias, ela não pára pra ninguém, independentemente de qualquer surpresa que possa surgir. Eu já te contei antes, em outras cartas, que você foi uma surpresa, não é? Me pegou de calças curtas, me deixou tonta, suando frio, com medo do futuro, cheia de dúvidas e acho que foi assim com todo mundo. Mas a minha vida nunca parou, Lucas. Você não deixou a minha vida parar um só minuto.
Um dia desses, uma menina que conheceu a nossa história me escreveu para contar que a sua irmã adolescente tinha tido um filho e que andava um pouco triste porque achava que a sua vida tinha parado. Quer dizer, ela tinha essa impressão porque deixou de estudar pra cuidar do filho, não saía mais com os amigos, não namorava mais, não tinha tempo pra cuidar dela mesma, enfim. Aí eu contei pra ela exatamente isso que eu estou te contando: que por mais que a gente não perceba, a vida está rolando, no gerúndio mesmo, o tempo todo. E que filhos, mesmo aos 19 anos, mesmo de uma forma não planejada, não significam renunciar à própria vida, pelo contrário. Significam ter que dar o melhor da sua vida.

Parece um grande livro de auto-ajuda tudo isso, mas quero te contar como tudo rolou pra mim (ou melhor, para nós!) porque no decorrer da tua vida, seja em datas redondas ou não, você vai se deparar com situações que parecem imobilizadoras, mas não são.
Nós sempre fomos de uma família classe média (e #classemédiasofre, filho!): sua avó deixou de trabalhar para cuidar de mim e do seu tio quando nascemos e vivemos a vida toda com o salário de jornalista do seu avô, que nunca foi grandescoisa (embora nunca tenha nos faltado nada). Estudamos em escolas públicas, mas sempre moramos em um bairro legal de São Paulo. Fui andar de avião pela primeira vez aos 23 anos, acho, mas nunca deixamos de viajar nas férias, mesmo que tenha sido o mesmo destino todo ano: Olímpia, cidadezinha no interior de São Paulo para onde você ama ir.
Enfim, filho, quando eu engravidei de você aos 18 anos, já tinha terminado o colegial e estava sem estudar há algum tempo porque não tínhamos a menor condição de pagar uma faculdade. Eu trabalhava em uma creche como auxiliar de escritório das 7h às 17h e ganhava R$ 400 por mês. Naquela época, R$ 400 era o equivalente a R$ 400, ou seja, uma miséria. E aí, eu engravidei. Quer dizer, que perspectiva eu tinha de criar você com R$ 400, trabalhando o dia inteiro e sem a menor chance de crescer profissionalmente sem ter feito uma faculdade?
A situação parecia imobilizadora e desesperadora e é por isso o suadouro, o medo, as incertezas. Eu andava com uma cara de “E agora?” pra cima e pra baixo, mas uma das primeiras coisas que eu ouvi de seus avós quando contei que estava grávida foi:
- Agora você vai estudar.
E eles me disseram que ficariam contigo enquanto eu estivesse na faculdade e eu teria todo o tempo que fosse preciso para tentar arrumar as coisas. A vida te dá esse tempo, filho, mas você tem que fazer a sua parte. E meu tempo era curto. Quando você tem um filho, você pisca e ele já anda, você pisca de novo e ele já fala, você pisca mais uma vez e ele te pede uma playboy de aniversário!
Aí eu olhei a lista de universidades que estavam com vestibular aberto, me inscrevi em alguns e fui fazer a prova. Em uma delas, na que me formei jornalista, o vestibular foi um dia antes do seu nascimento. Um dia! Eu fui enorme, mais grávida impossível, com você pesando 4,100 kg dentro de mim, com mais uns 4 kg de placenta, água e blá blá blá.
Era um domingo chuvoso, me lembro bem. Fui a única (ou uma das únicas) a poder subir de elevador porque meu local para fazer a prova era láááááááááá no último andar. Eu parecia uma astronauta andando na lua, parecia uma velhinha de 100 anos andando devargazinho, mas com cara de moleca. Todo mundo na rua me olhava como se eu fosse uma extraterrestre quando estava grávida de você.
Quando eu cheguei à sala, avisei aos fiscais da prova que a minha cesariana estava marcada para o dia seguinte e passei o telefone do seu pai, dos seus avós, do seu tio, para qualquer emergência, caso eu entrasse em trabalho de parto naquele momento. Acontece, filho, principalmente quando as mulheres ficam muito nervosas e um vestibular costuma deixar as pessoas nervosas. Mas eu não fiquei em momento algum. Todo aquele meu nervosismo do começo já tinha passado porque eu sabia que a vida me daria todas as horas que eu precisasse pra te fazer um menino feliz.
Fiz a prova, voltei pra casa e no dia seguinte fui pra maternidade. Você nasceu e dois dias depois eu soube que tinha errado somente quatro questões de 80, tirei 10 na redação e era a 15ª colocada em 15 mil pessoas que tinham prestado o vestibular. Ok, a prova tinha sido fácil, é verdade, mas eu sequer me lembro de uma questão que caiu: minha cabeça estava em você o tempo todo.
Seus avós ficaram contigo todas as noites que eu precisei para poder estudar, ir ao bar e aprender a jogar sinuca em algumas aulas chatas, fazer melhores amigos, conhecer outro tanto de gente, namorar. Mas não é só isso que é viver, não é mesmo? Viver é um conjunto de coisas e a principal delas me esperava em casa quando eu saía, me acordava no meio da noite e me colocava em movimento o dia inteiro. Você sempre me impulsionou a seguir em frente.
De lá pra cá, filho, eu consegui um financiamento estudantil para pagar a faculdade (e terminei de pagar só esse ano), me formei jornalista, arranjei dois estágios ao mesmo tempo, muitos freelas, fui efetivada em todos os lugares pelos quais passei, nunca fiquei um dia só sem emprego. Sustento, junto com seu tio, seus avós, que cuidam de você todos os dias, desde o primeiro.
Você estuda em uma boa escola que eu posso pagar com a ajuda do seu pai, fez kung fu (e vai voltar, né?), fez natação (e enjoou, né?), fez escolinha de futebol (e era um desastre, né?), escolhe onde comer de vez em quando, vai em quase todos os jogos do Corinthians, viajou de avião pela primeira vez com 6 anos de idade e vai pra Disney no fim do ano. Tua vida é boa demais como a minha sempre foi e sou feliz por poder (por podermos, no plural) te proporcionar isso.
Aos 10 anos, Lu, não é cedo pra te ensinar que no decorrer de toda a sua vida, você vai se deparar com situações difíceis, muito difíceis. Que às vezes vai suar frio, se desesperar, chorar escondido. Vai ter insônia, vai ter muitas dúvidas. Mas existem respostas para todas elas. Basta você ter se cercado, a vida inteira, de gente que te move, que te impulsiona, que te faz caminhar em frente. De gente que não te atrasa, que não te imobiliza, que não te joga pra baixo. Olhe pro lado, Lucas, e veja a família que você tem, olhe para os seus amigos. São eles que vão te dar uma porção de respostas, mas é preciso que você queira buscá-las, uma por uma. Até que surja na tua vida alguém tão absurdamente importante quanto você é pra mim. E vai surgir, e vai ser maravilhoso!
Enquanto isso, estou sempre aqui. Nas datas redondas e quadradas. Desejando que a vida te traga todas as certezas que um dia você quiser encontrar.
Te amo muito.
Feliz aniversário.
Mamãe.
Arquivado em Família
O futebol é feito de muitos personagens. Geralmente, a gente só se lembra do torcedor sofredor, do jogador craque e do perna de pau, do cartola corrupto e do juiz ladrão. Mas os personagens são incontáveis: tem o massagista, o roupeiro, o bilheteiro, o cambista. Tem a mãe do juiz (que é sempre lembrada), a cheerleader fazendo piruetas atrás do gol, o repórter de campo, o fotógrafo tentando congelar a melhor jogada, o vendedor de amendoim que para de vender para dar uma olhadinha no jogo. Tem a tia que limpa o banheiro antes e depois (coitada) de uma partida. Tem o organizador da partida, que na maioria das vezes só desorganiza. Tem o policial que distribui cacetadas em vagabundo e trabalhador, em mulher e em criança. Tem a tiazinha que resolveu encher o isopor de cerveja pra fazer um trocado no domingo e foge do rapa. Tem o rapa, tem o tio do pernil pra matar a nossa fome na saída do jogo. E tem outro sem número de personagens, bons e ruins, que fazem o nosso futebol exatamente do jeito que ele é.
Ontem, um deles se foi e deixou o futebol muito mais triste. E foi um dos mais importantes da minha vida (e da vida de qualquer corinthiano que costuma ir ao Pacaembu), sem ao menos a gente se dar conta disso.
O Seu Milton era dono daquela voz forte que ecoava nos alto-falantes do Pacaembu. Durante boa parte da minha vida, ouvi o Seu Milton anunciar as substituições no Corinthians, a criança perdida, a carteira encontrada, os parabéns no aniversário do nosso time, os gols dos adversários, as mensagens de paz nos estádios, os avisos da Federação, as festas nos Gaviões. O Seu Milton era o dono da voz que conversava comigo sem ouvir nada de volta às quartas, aos sábados e aos domingos. Aquela voz que eu ouvia desde criança e que, pra mim, era tão familiar quanto um ente querido, tão inconfundível quanto o Cid Moreira, tão importante quanto nenhum jamais será.
Estamos nos despedindo aos poucos do Pacaembu: em breve não sentaremos mais naquela arquibancada amarela para ver o Corinthians e nos sobrará a saudade de um estádio que nasceu antes da gente, mas nos acompanhou na melhor parte de nossas vidas. A nossa primeira despedida é do Seu Milton. A ele, o meu muito obrigado corinthiano por todos esses anos fazendo com que eu me sentisse ainda mais em casa dentro do Pacaembu.
Vá com Deus, Seu Milton.
Arquivado em Futebol
Eu queria entender: por que é que todos os pais e mães acham que seus filhos têm potencial pra serem modelos? É alguma bactéria que se pega na maternidade? Não importam as orelhas de abano, as espinhas, o excesso de gordura, o metro e meio, a vesguice, não importa nada. O que faz a gente achar que nosso filho pode ser um modelo internacional deve ser a mesma coisa que nos faz ter a certeza de que TODAS as mulheres do mundo querem dar para o nosso namorado – não interessa o quão feio ele seja.
Não é segredo pra ninguém que eu acho o Lucas o menino mais bonito do mundo. O mais inteligente e mais esperto também, mas quando ele me olha com aqueles olhos verdes, eu derreto qualquer pedra de gelo que tenha sido formada por alguma má-criação (e minha doença é tanta que só eu consigo enxergar que o Lucas tem olhos verdes, porque, na bem da verdade, são castanhos claros).
Só que, ao contrário da minha mãe que achou que eu fosse arrasar nas passarelas de Paris, eu nunca imaginei que o Lucas pudesse ser modelo. Nunca. Aliás, nunca imaginei o Lucas médico, jogador de futebol, engenheiro, ator de cinema, cientista ou chef de cozinha. Vou deixar que ele vire um vagabundo de 40 anos que ainda mora com a mamãe me surpreenda.
**
Quem me convenceu de que ele poderia ser modelo foi a segunda mulher a abordá-lo no shopping se dizendo ser de uma agência:
- Seu filho é lindíssimo, não quer levá-lo na agência pra fazer um teste?
Estávamos no Bourbon, dentro do supermercado, quando isso aconteceu. Já tinha rolado algo parecido no Shopping Center Norte e eu tinha me perguntado quem caraleos procura potenciais modelos no Center Norte?
Mas o Lucas nunca quis nem ouvir falar.
- Odeio tirar foto.
E é verdade. Toda vez que ele tira fotografia sai fazendo caretas e eu fico imaginando como será o seu álbum de casamento.
Nesta segunda abordagem, resolvi explicar que ele não faria nada de graça.
- Lucas, pode te pintar uma grana. Se você quiser, todo o dinheiro que ganhar será seu para comprar o que quiser.
- Jogo de videogame?
- Sim.
- Um iPad?
- Pode, ué.
- Uma piscina de M&M’s?
**
Mexi com o lado judeu do menino e ele passou a semana fazendo planos de juntar toda a grana que conseguir para um dia comprar uma Ferrari. A mulher da agência me ligou e marcamos o teste de fotogenia. Antes de irmos, fizemos combinados…
- Lucas, é o seguinte: se nós chegarmos lá e eu vir que é uma biboca, nem entramos, certo?
… e fomos.
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A agência não era nenhuma biboca. Mas, ao abrir a porta daquela casinha na Vergueiro, eu nunca tinha visto tanta criança feia junta na minha vida. E comecei a desconfiar da minha própria falta de senso: como é que o Lucas deve ser na vida real? Quer dizer, será que ele tem um grave defeito na aparência que o meu amor de mãe não permite identificar? Será que um olho é virado pra direita e o outro pra esquerda, será que os dentes são muito grandes, será que ele herdou o nariz gigante do pai? Será que ele manca, que ele tem uma corcunda?
Porque era esse o naipe daquelas crianças. Todas, sem exceção, tinham sido abordadas em shoppings de São Paulo. Do Iguatemi ao Pirituba Mall. Os meninos, fora o Lucas, estavam com topetes do Neymar; e as meninas, fora eu, estavam de botinha e meia calça. Deve ser um padrão, porque elas estavam vestidas como eu estava no meu book, tirando as ombreiras e o bustiê.
E tinha mãe esperando a sua grande chance, porque estava mais arrumada do que a criança. Passou no Helena Hair, o salão do bairro, e fez escova, bigode e olhos esfumaçados achando que pudesse ter o seu talento descoberto, mas se esqueceu de que não servia nem pra ser manequim da Ultragaz (não, gente, não era eu. Juro).
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Quando chamaram o nome do Lucas também chamaram os nomes de mais três meninas. Subi com ele até uma sala onde tirariam as medidas do busto das meninas e do peitoral do meu filho, que tem apenas 9 anos, ou seja… 10 cm de peitoral, chutando alto.
A mais alta das meninas tinha 13 anos e 1,79 cm. Tinha tudo pra ser modelo não fossem o rosto e os ossos largos. Um bruzundunzão que tem um puta de um potencial, mas pra ser jogadora de vôlei. As outras duas eram o oposto: 15 anos e 1,40 cm. Quer dizer, um puta de um potencial pra serem anãs de jardim.
Aí eu comecei a me sentir mal por estar ali, pelas expectativas do Lucas, por ter convencido o menino de que poderia ser uma boa pra ter a sua própria grana e não ficar dependendo do meu salário de jornalista que não compra nem uma fita de Atari.
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Quem tirou a foto dele foi uma menina de dezessete anos. Isso não é proibido por lei? Quando ela disse que ela mesma tiraria a fotografia, eu achei que ela fosse sacar um celular Motorola com uma câmera de 2.1 megapixels e colocaria a nossa cara de idiota em seu perfil do Orkut. Mas a máquina fotográfica era até que boazinha. Ela só precisou apertar o botão.
- Lucas, você sabe fazer poses? – ela perguntou.
Antes que ele fizesse uma careta, eu expliquei o que era pra fazer e ela disse:
- Geralmente, homem modelo tira foto com as mãos nos bolsos.
Lucas enfiou as mãos nos bolsos, fez cara de jeca e eu fui tentar ajudá-lo. Aí a fotógrafa-estagiária disse:
- Nossa, como você é bonita. Faz o teste de modelo também, vamos tirar uma foto.
Isso valeu mais do que foto de celular pra me mostrar que aquele não era um lugar sério. Primeiro, porque a minha forma física de modelo está morta e enterrada desde os meus 15 anos. Depois, porque eu estava com uma calça de dormir e um all star furado. E por último, começar uma carreira de modelo aos 28 anos é como querer começar uma carreira de jogador de futebol aos 60.
Quando eu desci, contei pra minha mãe (que foi junto) que eu também tinha tirado foto e ela se escangalhou de rir. Nem mesmo a minha mãe ainda acha que eu posso ser modelo e isso diz tudo.
**
Depois da fotografia, tínhamos que passar por uma entrevista com uma produtora de moda. Aí ela me explicou que – caso o Lucas fosse aprovado no teste de fotogenia pela menina de 17 anos – eu teria que providenciar um book até o dia 22 e fazer, com eles, um composite para apresentar aos clientes. Claro que isso teria um custo (pequeno, de R$ 250) e não garantiria trabalhos para o Lucas.
Saí dali pensando que no dia seguinte TODAS as mães daquelas crianças e daqueles adolescentes receberiam uma ligação dizendo que eles tinham sido aprovados. Provavelmente, até eu teria sido aprovada. Aí desembolsaríamos os R$ 250 (no meu caso, R$ 500) achando que seríamos a próxima Gisele Bündchen, mas nunca seríamos chamados para porcaria nenhuma. Porque eles lidam exatamente com isso: quem é que nunca achou o seu próprio filho o moleque mais bonito do mundo?
**
Entramos no carro e já ia explicar para o Lucas que não rolaria quando ele se adiantou:
- Não curti, mãe. Não quero ser modelo aí. Se um dia eu for ser modelo, que seja em um lugar melhor.
É ou não é o menino mais foda do… ok, ok. Parei.
Arquivado em Família
Com a licença de toda a torcida do Corinthians (não sou porta-voz sequer do meu filho), peço, em nome da nação, que fique bom logo. Duvido que algum dos mais de 30 milhões de corinthianos espalhados pelo mundo não tenha rezado para São Jorge pedindo sua pronta recuperação ao saber da notícia de sua internação na sexta-feira. Em casa, acendemos vela para Ogum, demos cachaça ao Santo, oferecemos flores coloridas. Tudo pra você sair logo dessa cama.
Desde sexta-feira, vi corinthiano, palmeirense e são-paulino torcendo pela sua melhora. E aí, eu que andava desiludida com o futebol, com esse processo de exclusão do nosso povo travestido de “modernização”, pensei que ainda há esperança. Que o nosso povo ainda quer mudança e que, sobretudo, a gente precisa de alguém que fale pela gente. E são tão poucos pra falar hoje em dia, Doutor, que a sua recuperação é ainda mais urgente.
Claro que depois de tudo isso você deve é tirar umas boas férias (e eu acho que deve!). Esquecer um pouco de toda essa merda que estão fazendo com o nosso Corinthians, que perfura mesmo o nosso estômago e que nos faz um pouco mais doente a cada dia. Mas enquanto você viver, Doutor, se faz presente a indignação que nos move, que nos arma e que nos empurra pra frente.
Receba minhas palavras como forma de agradecimento ainda com toda a sua vida pela frente – desdizendo o que dizem sobre o nosso povo e a sua mania de homenagear as pessoas só depois que elas já não estão mais aqui para sentirem orgulho de si próprias.
Obrigada pelos títulos do Campeonato Paulista de 82 e 83, por todas as vezes que entrou em campo defendendo a nossa camisa e pelo golaço que foi a Democracia Corinthiana. Obrigada pela inspiração em cada texto, em cada depoimento. Obrigada pela manhã/tarde e todos os 200 chopes que bebemos no Pinguim do Santa Úrsula, quando te liguei humildemente para falar sobre o meu trabalho de conclusão de curso da universidade e você, prontamente, me recebeu. Você nem sabe o quanto foi importante ouvir tudo o que eu ouvi. Foi a minha melhor ressaca.
Que São Jorge te proteja e te ajude a sair daí logo para cuidar da sua família, dos seus filhos.
Muito Axé.
Leonor
Arquivado em Futebol
Ela é filha de espanhol.
Ele é uma mistura de turco e português.
Ela tem os cabelos lisos, escorridos.
Ele tem os cabelos cacheados (na verdade, ele quase não tem mais cabelos).
Ela queria aprender a dançar.
A coordenação motora dele é zero.
Ela foi criada subindo em árvores, de pé no chão, na roça.
Ele viveu a vida toda em apartamentos.
Ela come miúdos, fígado e buchada.
Ele não pode nem sentir o cheiro.
Ela morre de vontade de passar um carnaval em Olinda.
Ele gosta de dormir cedo, às 8h da noite.
Ele é espírita.
Ela não acredita muito em religiões, mas faz suas rezas.
Ele é jornalista.
Ela deixou de trabalhar quando os filhos nasceram.
Ninguém cozinha igual a ela.
Ele não sabe nem fritar um ovo.
Ela é ligada no 220v.
Ele é desligado.
Ela gosta de Ramones.
Ele cantava “Te amo, espanhola” pra ela.
Ela nunca pede desculpas.
Ele pede desculpas até quando está certo.
E hoje eles fazem 32 anos de casamento. O Neguinho e a Neguinha – como eles se chamam desde então. A dupla imbatível de campeonatos de Buraco na casa dos vizinhos. O casal impossível que só quem convive, entende. Meus pais. Meu exemplo maior de companheirismo, mesmo com todas as brigas, com todas as panelas de quiabo que já voaram pela casa em momentos de fúria. O começo de tudo. Meu começo. Meu colo. Os dois meios que me fazem uma inteira.
Feliz aniversário de casamento, papai e mamãe. E obrigada por me ensinarem, todos os dias, a acreditar no amor.

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Então hoje, na hora do almoço:
- E o fulaninho da minha classe que virou menina? – disse o Lucas, cuspindo a comida de tanto rir.
Eu já ia levando o garfo à boca e parei por dois segundos para pensar no que dizer. Pensei que o molequinho tivesse dado uma desmunhecadinha e, pronto!, foi o motivo para a sala zoar o pobre o dia todo. Já tinha preparado a bronca:
- Por que, Lucas? Ele trocou o pênis por uma vagina?
Aí ele se babou todo de tanto gargalhar.
- Não, mãe. Ele escreveu aquelas coisas que só as meninas escrevem…
- E o que é que uma menina escreve e que menino não pode escrever?
- Ah, cartinhas de amor. Isso é coisa de menina. A professora que disse isso quando ela achou a carta (e aí Luquinhas afinou a voz e imitou a vaca): “Ih, fulano! Tá escrevendo essas coisinhas é? Tá virando menininha?”
Minha feição mudou de tal forma que o Lucas parou de rir imediatamente.
Contei para ele que as grandes cartas de amor da humanidade, as maiores, foram escritas por homens. Falei de Vinicius, Neruda, Pessoa, Chico, Aldir. Perguntei se, ao namorar de verdade com uma garota, ele vai lhe dar um tapa na cabeça ou uma carta de amor.
- Uma carta de amor, lógico.
Ufa. Um idiota a menos no mundo.
**
Hoje à noite vou mostrar-lhe todas as cartas de amor que já recebi. Dezenas delas. Das mais simples às mais rebuscadas. Dos bilhetes curtos às mais prolixas. Das escritas no começo de tudo às mais doloridas. Das mais antigas, amareladas, às últimas. Guardo todas.
E estou pensando em contactar o marido dessa professora. Porque já passou da hora da dita cuja mal amada receber uma carta de amor escrita por um homem de verdade.
Dia desses, levei o Luquinhas em uma festinha no prédio da minha mãe. Lá pelas tantas, uma menina de sete anos, toda bonitinha e serelepe, veio falar comigo:
- É verdade que o Lucas já teve 11 namoradas?
- Sim. Por que? Ele está te paquerando?
- Tá sim! Quer dizer, nós dois já estamos namorando. Mas só até o fim da festa.
Tipo ficando, sabe?
**
O caso é que, apesar de ser a 12ª namoradinha do Lucas (e contando!), ele foi o primeiro namorado dela. Aquele que ela vai lembrar por bastante tempo, talvez. E quando as filhas dela, no futuro, perguntarem quem foi seu primeiro namorado, ela vai responder, com aquele sorrisinho no rosto de quem tem saudades da infância, que o nome dele era Lucas.
Do mesmo jeito que eu me lembro do Rafael, meu primeiro namoradinho do maternal. Acho que já contei aqui no blog sobre ele: um molequinho que comia bolachas do chão. Quando ele se mudou de escola, passou um tempo ligando em casa, aos prantos, para dizer que tinha saudades.
Logo depois, no pré II, eu namorei outro Rafael. Esse foi um namoro longo, durou acho que um ano, até que ele me trocou pela Ana Elisa. Depois vieram Flávio e Antônio ao mesmo tempo, porque, veja bem, eu era uma mulher magoada e precisava me vingar. Lembro que, durante o recreio, eu sentava na área do bebedouro, no meio dos dois para receber cafuné.
Aí eu enfrentei uma longa seca, da primeira série até o segundo colegial, quando eu conheci o Luiz. Às vezes cometo o equívoco de dizer que ele foi o meu primeiro namorado, ignorando a existência do Rafael. E, na bem da verdade, o Rafael me ensinou tudo o que eu sei sobre o amor, afinal quem é que continua amando vendo o outro comer bolacha do chão?
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Logo, a festa toda sabia do namoro dos dois e eu dei o azar de a família inteira da menina estar no evento. Aos poucos, tio por tio veio falar comigo:
- Ela me contou que eles estão namorando, mas acha que não vai dar certo porque o Lucas é muito galinha.
Como ele poderia não ser se as meninas só querem namorar com ele até o fim da festa? Meu filho é tipo uma unanimidade: 12 das 12 meninas que ele já namorou meteram-lhe a bicuda.
Ainda assim, preciso explicar para ele que algumas coisas em um namoro não devem ser ditas, mesmo que a companheira ou o companheiro queiram saber. Isso é um bom conselho para a vida toda. Não vale a pena perguntar o que você não quer ouvir. Nem dizer aquilo que ninguém quer ouvir. Acho que a gente tem uma mania meio sadomasoquista, desde criança, de querer saber sobre o passado dos outros sabendo que não vai gostar da resposta. Então eu aprendi que é melhor não perguntar. E se te perguntarem, é melhor não responder.
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Daí veio a avó da pequena. Estávamos sentados no sofá: eu, meu namorado (o terceiro Rafael) e um amigo do Lucas jogando videogame. Ela, de pé na porta do prédio, puxou papo. Contou que era o primeiro namorado da menina e que achava tudo muito avançado para a idade. E o amiguinho do Lucas jogando videogame.
Eu lhe expliquei que o Lucas já tinha tido várias namoradinhas, mas namorar para ele era brincar junto na hora do recreio. Que nem pegar na mão ele pegava. Que eu conversava muito com ele. E o amiguinho do Lucas jogando videogame. Até que ele abriu a boca, ainda jogando videogame:
- É, o Lucas até pediu para eu falar com ela para ver se ela queria… você sabe.
O que? Namorar com ele? Brincar com ele? Achei até fofo o menino ter feito as vezes do cupido.
- Não sei – respondi, ainda sorrindo. O que?
Ele soltou o DS e fez aquele gesto de foder. Sabe? O “TOP”? Ele fez exatamente isso. Só um top.
- O QUE???????????????? – dei um grito.
E aí ele fez vários tops. TOP! TOP! TOP! TOP! TOP! TOP!
Te pergunto: o que se faz em uma hora dessas? Porque eu sabia que a avó da menina estava ouvindo aquilo e que eu não passaria de estado sólido para gasoso em segundos só para evitar a situação de ter que olhar para ela. Pensei em sair correndo, pelada, gritando pelo prédio para desviar a atenção, mas meus pais ainda moram lá e eu não poderia comprometer a moral de TODA a família, já que parte dela tinha sido perdida ali, naquele momento.
Meu namorado pegou o celular e começou a jogar compulsivamente só para não ter que olhar pra véia. Eu me virei, lentamente, para encará-la. Ela me olhava com aquela cara de “O HORROR! O HORROR!” e eu só disse:
- Um minuto. Vou conversar com ele.
Saí daquela cena e fui até o parquinho, onde os dois brincavam de gangorra. Chamei o Lucas de canto e contei mais ou menos o que tinha acontecido, poupando-lhe dos gestos obscenos:
- MÃE, PELO AMOR DE DEUS, EU NÃO FALEI NADA DISSO!
Ele ficou bem desesperado.
- O que foi que aconteceu, então?
- Eu estava com vergonha e pedi que ele fosse conversar com a menina porque eu queria namorá-la. Só isso. Nunca disse sobre transar com a menina. Nunca transei com ninguém.
Ufa!
- Bom, se todo dia a gente aprende uma lição, a de hoje é que você não pode contar certas coisas para certas pessoas porque elas podem te colocar em situações como essa, Lucas. E agora?
- Conversa com a avó dela, por favor? Diz que eu não quero transar com a neta dela.
Tem cabimento? Eu tendo que ir falar para a avó de uma menina de 7 anos que meu filho de 9 anos não quer transar com ela? Nem por um cacete cravejado de diamantes. Mas fui até a senhora e expliquei que tudo tinha sido um mal entendido. Assim, com poucas palavras.
**
Passei o resto da festa sentada no parquinho, olhando os dois brincarem. Não que eu tenha achado que eles iam transar se eu não estivesse ali. Fiquei olhando com saudade desse tempo que logo passará. Sei que em breve as coisas ficarão mais sérias para o Luquinhas. Daqui a alguns anos, espero, as brincadeiras de gangorra darão lugar a cinemas, sorvetes e telefonemas demorados com “desliga você”, “não, desliga você primeiro”. E as brincadeiras de trepa-trepa, bem, serão brincadeiras de trepa-trepa.
Eu sempre soube que o melhor dos presentes são as cartas. Hoje recebi três do Luquinhas:
“Mãe, você é a pessoa mais especial de todo o universo! Te amo muito!!! Beijos Lucas.”
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“Mãe, você é o amor da minha vida, eu te amo muito, mais (sic) muito mesmo, eu te amo o planeta inteiro, você já me deu muitos presentes, agora está na hora de retreboir (sic) e um dos maiores presentes que você me deu foi a luz, você foi corajosa de ter tido um filho com 19 anos e ter aceitado, e mais uma coisa: você me ensinou a viver. Eu te amo. Beijos Lucas.”
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“Mamãe, eu te amo muito, você é a pessoa mais fofa de todo o mundo, você é muito linda, eu sei que eu já disse isso, mais eu te amo muito, muito, muito, muito, muito, é muito mesmo. Eu estou fazendo um trabalho de dia das mães, uma sandália, eu sei que eu menti falando que era um coração pregado mais é porque eu te amo muito mesmo. Todas as malcriações que eu já fiz para todo mundo e principalmente para você, eu não sabia o que estava fazendo mais agora eu cresci e sei o que estou fazendo. Quando eu era um bebê você nem pensava que eu levaria advertência um dia e eu levei, mais isso não importa, o que importa é que eu te amo muito, muito, te amo. Nenhuma mãe é mais legal do que você, você é a mãe que o mundo todo gostaria de ter, você é a mamãe mais querida de todo o mundo, quando eu tiver dinheiro, eu compro tudo o que você quizer (sic), amor de filho é sempre assim, meu amor por você é infinito, você é minha raiz, sem você eu não existiria. Beijos Lucas.”
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Faço do Lucas as minhas palavras. Mãe, te amo infinito, o planeta todo.
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Nem tenho uma história divertida pra contar, na verdade. Esse post é só pra não ficar em evidência aquele outro chato, logo aí embaixo. O assunto já deu o que tinha que dar – já rendeu dor de cabeça, chateação e muito olho gordo. E esse blog é pra ser um espaço alegre e feliz, como eu sou em boa parte do meu tempo.
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Nos últimos dois dias, eu não consegui fazer outra coisa senão responder às pessoas sobre meu entrevero com a jornalista Gabriela Yamada. Não ia me pronunciar aqui no blog, afinal o caso ficou sob a responsabilidade de meu advogado e amigo, Eduardo Goldenberg. Mas rapidamente me vi transformada de vítima a algoz e achei que tivesse direito a respostas. E também, para a próxima pessoa que me perguntar o que rolou, vou mandar esse link.
Na terça-feira, lá pelas 16h, recebi um e-mail de uma leitora do blog com dois links para o blog de Gabriela Yamada, o qual eu desconhecia totalmente. O subject do e-mail era: “terá sido mera coincidência?” e no corpo do e-mail ele dizia: “Lelê, acho que já li esses textos no seu blog”.
Os links para o blog de Gabriela Yamada eram esse e esse, mas não vai adiantar mais acessá-los porque ela os tirou do ar. Quando li os textos, fiquei estarrecida porque os dois textos eram praticamente iguais a outros três textos meus.
Em “Carta aberta ao meu filho”, Gabriela misturou trechos de duas das minhas cartas ao Lucas, que eu costumo escrever em seu aniversário (aqui e aqui). Não era apenas a “estrutura do texto igual”, como a mesma afirma, mas frases e parágrafos inteiros exatamente IGUAIS. O mesmo aconteceu a “Igual nossos pais”, texto originalmente publicado em meu blog sob o título “Como nossos pais”. Nenhuma referência à “fonte de inspiração” de Gabriela foi feita: não havia nenhum link para meu blog, nem meu nome no fim do texto, nem menção nos comentários, nem nada. A jornalista, inclusive, não me deu os créditos em resposta aos comentários que diziam: “Nossa, Gabriela, como você escreve bem!”, ou “Você sempre tem a palavra certa para descrever esse sentimento”, ou “Chorei demais. Você sempre me emociona”. Ficou ali, na miúda, colhendo todos os louros para ela, porque, cá pra nós, é sempre bom ser elogiado.
Enfim, eu tuitei os textos para meus seguidores – boa parte, leitores do blog que já conhece o conteúdo do Eneaotil – com uma pergunta irônica: “Amigos, isso é plágio ou homenagem?”. O que aconteceu foi uma comoção generalizada no Twitter: gente que eu conheço e que jamais vi afirmando que era plágio, que era uma sacanagem, que a situação era absurda – afinal, se tratava de textos pessoais, meus sentimentos como mãe, como filha, de histórias que somente EU tinha vivido. Gabriela Yamada podia ter engravidado aos 19 anos, podia se ver nas minhas linhas, mas aquilo tinha sido escrito para o Lucas, e não para o seu filho.
Menos de dois minutos depois do meu tweet, a jornalista Gabriela Yamada trancou seu perfil, tirou os textos do ar e desativou temporariamente o BLOG TODO, dando a entender que mais textos ali dentro haviam sido plagiados. Talvez um pedido de desculpas de Gabriela tivesse minimizado a situação, mas o que ela fez gerou uma reação ainda mais intensa por parte das pessoas, principalmente as ligadas a esfera jornalística.
Abre parêntese. Digo isso porque a única referência sobre Gabriela no blog, aquela descriçãozinha famosa sobre o blogueiro que quase todos os blogs trazem, o tal do “About Me”, era sobre o seu trabalho como editora na EPTV Ribeirão Preto, filiada a Rede Globo. Ela se identificou como orgulhosa profissional da casa e deixar isso lá era como cometer o crime de plágio usando a camiseta da Rede Globo. Fecha parêntese.
Contatei meu advogado com todas as provas na mão, que haviam sido “printadas” antes de Gabriela tirar os textos do ar, e ele passou a me instruir dali para frente. Quando o Comunique-se me ligou para uma entrevista, meu advogado notificou a EPTV porque, a essa altura do campeonato, o nome da rede já estava envolvido pela própria Gabriela, ao deixar aquele “About Me” estampado como um carimbo na testa. Também porque, ao copiar o texto, Gabriela não se deu conta de que estava afetando a Editora Trip, já que meu blog está hospedado dentro da editora, pela Revista TPM, e com contrato assinado. Outras instâncias já tinham sido afetadas, sem ao menos ela se dar conta.
**
No dia seguinte, acordei disposta a sequer tocar mais nesse assunto, mas Gabriela tinha reativado o blog sem três textos – os dois “inspirados” nos meus e outro, cuja a autoria era estrangeira, mas não havia nenhuma referência também.
Ela havia retuitado amigas, indignadas com a tremenda “injustiça” feita a ela. Uma delas insinuava que me xingaria no Twitter para seus seguidores me xingarem também. Gabriela apenas disse: “a justiça eu deixo para a Justiça” e mencionou outro tweet dizendo que tiraria prints do que foi falado e que também estava “orientada”, provavelmente por um advogado. Insinuações de que entraria na Justiça contra mim ou contra outras pessoas.
Isso fez com que eu tocasse no assunto mais cem vezes durante o dia. No meio da tarde, o Comunique-se publicou uma matéria sobre o caso, com declarações de Gabriela dizendo que “havia me escrito um e-mail pedindo desculpas”, que “aquilo não era plágio, mas homenagem”, desculpas famosas pra quem já foi plagiado (sim, já passei por isso antes).
Até aquele momento, eu não havia recebido NENHUM e-mail de Gabriela me pedindo desculpas. Tuitei isso a ela e a jornalista, supostamente, me “reencaminhou” o e-mail que tinha mandado no dia anterior, mas não tinha chegado. No e-mail ela pedia desculpas, assumia o erro em não ter referenciado o meu blog, mas tornava a repetir que não era plágio. E afirmou que na época do texto havia me mandado um e-mail pedindo autorização para usá-lo em seu blog. Até dei uma busca na minha caixa entrada, porque poderia ser bem possível eu ter recebido algum e-mail e não ter lido, mas NÃO HÁ NENHUM E-MAIL ENVIADO PELA GABRIELA YAMADA ANTERIORMENTE a esse. Nem pedindo autorização, nem dizendo que o texto era lindo, nem nada de nada. Neste e-mail enviado para mim ontem, 20/04/2011, Gabriela Yamada também afirma que se assustou quando eu a acusei de plágio e foi imediatamente ver o link de seu próprio texto porque ela tinha CERTEZA DE QUE HAVIA PUBLICADO OS CRÉDITOS, mas ao abrir o link, constatou que não tinha.
Ora, acho muito estranho porque nos próprios comentários do texto os amigos creditavam as linhas para a Gabriela Yamada e ela nada disse. Reenviei o e-mail a meu advogado, que me instruiu a não respondê-la até que decidíssemos qual seria o próximo passo.
Ontem a noite, vivi uma vida absolutamente normal. Comentei em casa sobre a Gabriela Yamada, vi Indiana Jones e a Última Cruzada e dormi. Acordei disposta a fazer meus trabalhos domésticos e recebi o e-mail de uma amiga dizendo que tinha um post no blog de Gabriela Yamada sobre o ocorrido. No texto ela afirma que apenas usou a minha estrutura do texto, pede desculpas, não faz NENHUMA REFERÊNCIA A TER ME ESCRITO PEDINDO A AUTORIZAÇÃO PARA O USO (o que me faz duvidar que tenha mesmo escrito) e também pede a seus leitores que não me julguem.
E é por isso que escrevo esse texto agora, passando por cima das orientações do meu advogado, porque não vou admitir que eu seja a errada dessa história e ela seja a vítima.
Durante esses dois dias, fui acusada de bullying e oportunismo. Um comentário no blog de Gabriela Yamada diz que “a tendência é sempre ficarmos do lado do maior e que agora, depois do texto dela, via a situação com outros olhos”. O maior, no caso, parece ser eu, Leonor Macedo. Mas por que eu sou MAIOR nesse caso? Por que tenho mais seguidores? Veja bem, não sou eu a ter um trabalho na Globo – eu trabalho como editora em uma casinha amarela pertencente a uma Fundação bem menor do que a Globo -, não sou eu a ficar dando entrevistas em restaurantes chiques, não sou eu a ser identificada como a BLOGUEIRA Leonor. Não tenho casa própria, vivo com meu salário, não faço publieditoriais e esse blog só me rendeu bons amigos e bons leitores. Sequer o utilizo como portfólio, como faz Gabriela Yamada.
Quando é que denunciar plágio virou autopromoção? E que autopromoção é essa que me faz continuar sem um real a mais no bolso? Por que eu, há 10 anos na profissão de jornalista, quase sempre ligada ao terceiro setor, com um blog com milhares de acessos diários, me autopromoveria em cima de Gabriela Yamada, que eu sequer tinha ouvido falar antes de tudo isso?
Quanto ao bullying, é melhor aprendermos a falar disso de uma vez por todas. Porque estamos prestando um desserviço quando utilizamos o termo assim. Estamos ajudando a banalizar a ação. Como diz meu amigo Marcos Donizetti (opa, é sempre bom dar os créditos), “um homem passa a mão na bunda de uma mulher dentro do busão, ela grita, xinga ele de tarado, e está cometendo bullying”. Não sou responsável pelos xingamentos que Gabriela Yamada possa ter recebido no Twitter, definitivamente. As pessoas, todas elas, respondem pelos seus atos.
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A discussão também foi para um lado interessante: jornalistas têm o direito de viver uma vida pessoal sem serem punidos na vida profissional. Concordo em gênero, número e grau. Sou contra, por exemplo, os casos de demissão que rolaram na Folha de S. Paulo, por comentários despretensiosos e nada ofensivos no Twitter. Mas cada caso é um caso. Nesse caso específico de Gabriela Yamada, a EPTV deveria ser notificada porque quem vestiu a camisa da empresa fulltime foi ela. Nós, jornalistas, temos a nossa responsabilidade também nessa história de os patrões utilizarem nossas vidas pessoais contra nós. Porque boa parte dos profissionais adora dizer por aí que é “jornalista o tempo todo”, que “jornalista é jornalista 24 horas”, que “estamos sempre atentos à notícia”. E conheço um sem número que está de folga, mas vê uma desgraçada rolando e se escala pra “ajudar na cobertura”. Tem um montão de nós que se acha super-herói. Claro que o fato de a DC ter feito um super-herói cuja identidade secreta é um repórter bobão deve ter ajudado a pensarmos assim, mas está na hora de aprendermos a separar a nossa vida pessoal da profissional. Tá na hora de não darmos munição ao patrão, my god. Tá na hora da gente se apresentar em uma festa como “mãe do Lucas”, “zagueiro do time do bairro”, “filha da dona Maria”, ao invés de “editora do site da Rede Globo”, “repórter policial da Gazeta”, “jornalista da Record”.
Abre parêntese. Uma boa parte dos leitores desse blog sabe que eu sou corinthiana e pertenço a uma torcida organizada (meu deus, que bandida!). E boa parte de vocês também devem achar que se um fulano bate no ciclano usando uma blusa de uma torcida organizada, a liderança dessa torcida deve ser notificada, certo? Mesmo se esse fulano não for associado, ele está identificado como tal. Ele está usando uma camisa daquela torcida, a torcida tem uma liderança e supostamente tem uma ideologia. Ele cometeu um crime vestindo uma etiqueta. Foi exatamente o que fez Gabriela Yamada. E a etiqueta dela está lá estampada até agora. Então se quisermos ter uma vida pessoal sem sermos afetados no trabalho, temos que assumir essa postura desde já.
**
Agora, o meu recado é para a Gabriela Yamada.
Gabriela, ao contrário do que MUITOS acham, eu não vou te processar. Não vou exigir de você grana, serviços comunitários, doação de cestas básicas, nem quero que perca o seu emprego (embora eu ache que quem faz isso no blog também pode fazer isso na vida profissional – não há muita distância entre uma coisa e outra).
Não vou te processar em consideração a um amigo meu que conhece teu filho e teu ex-marido e me pediu isso. Me pediu que deixasse barato. Mas a mentira, mesmo que seja inofensiva, não intencional, como você diz que foi, tem perna curta. E mais cedo ou mais tarde, as pessoas descobrem.
Não vou te processar, mas não faça papel de vítima nessa história. A vítima sou eu que tive minha memória “adaptada” para uma realidade que não é minha. Eu estava quieta, trabalhando, no meu canto, quando fui avisada de que você, Gabriela Yamada, estava sendo elogiada por textos que eram meus. Portanto, a postura tem que ser: “Errei muito. Me desculpe”, ao invés de: “Errei mais ou menos, por favor, não julguem a Leonor”.
Não sou maior ou menor que você, eu sou só EU, com a minha identidade própria, com a minha vida, com tudo o que eu passo no MEU dia a dia. Não vou te processar em consideração a TEU filho, de sete anos. Sei que engravidou cedo, assim como eu, e que deve ter sido difícil pra caramba assumir essa bucha. Mas aja correto. Ensine a ele o que é certo. Porque se você optar pelo mais “fácil”, não vai ter adiantado nada ter assumido a bucha.
E agora dá licença que eu vou lavar roupa.
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Hoje vou postar aqui duas pérolas de um amigo do Lucas. Fui buscar meu filho na escola e ele logo veio:
- Tia, tia! Espera o meu pai chegar, ele já tá vindo me buscar. Desde que ele te viu ele tá me enchendo o saco pra te dar uma carona!
**
Aí não deu dois minutos e ele virou pro Lucas:
- Sabe qual filme minha irmã está baixando no notebook dela? TROPA DE ELITE TRÊS!
E eu:
- Mas Tropa de Elite 3 nem foi feito ainda. Faz pouco tempo que foi lançado o 2.
- Ah, tia. É que o notebook dela é italiano. Lá chega tudo antes.
**
Não, não esperei a carona.
Arquivado em infância
Herdei o herpes labial de um ex-namorado. Porque eu já herdei algumas coisas nessa vida: roupas velhas, sapatos usados e doenças – boa parte delas é terminada em ITE.
A relação devia estar naquele momento bom, o começo de tudo, onde a gente lambe até a ferida alheia, tira remela do canto do olho um do outro, e acha lindo espremer os cravos do cara à beira do lago do Parque do Ibirapuera. Ele deve ter me avisado que tinha o herpes aberto no canto da boca e eu, na vontade louca de beijá-lo, nem liguei. Tasquei-lhe logo a língua em cima do pus.
Depois, de vez em quando me surgia um herpes, bem ali no beiço, me deixando dias sem conseguir comer direito e me fazendo aprender a lidar com todo aquele ardume. Aprendi novos nomes de pomadas, a ficar mais quietinha em dia de herpes, a morder a comida no canto contrário do machucado. Mas tudo ainda valia a pena.
Até que o amor degringolou e abriu feridas muito mais profundas. Restou-me nada, a não ser aquele herpes. E ele apareceu tantas e tantas outras vezes (e ainda aparece), solitário, no canto da boca. Primeiro vermelho, depois roxo, depois amarelo, depois branco, depois some. Me deixa mais feia por uns dias, mais quieta, mais desajeitada para comer. E enquanto ele lateja, me faz pensar em não sair por aí metendo a língua na ferida dos outros, porque tudo o que é bom um dia pode terminar e é bem provável que só restem essas tranqueiras pra gente cuidar.
Arquivado em Amar é...
Lucas chegou hoje pra mim e disse:
- Mãe, preciso de 18 reais pra levar segunda na escola.
- Pra que isso?
Aí ele, gaguejando:
- É pra fazer uma atividade…
- De páscoa?
- Isso, de páscoa.
Não deu dois segundos:
- Mãe, quando é o dia das mães?
Arquivado em Família
Aí que ontem o marceneiro foi lá em casa fazer a estante de DVDs e, de noite, eu e Luquinhas começamos a organizar os nossos filmes.
- Mãe, você tem algum outro filme tipo esse Férias Frustradas?
- Tenho sim, filho. Tenho alguns. Vê aí nas comédias. Tem Corra Que a Polícia Vem Aí, tem Um Dia a Casa Cai, tem…
- Não, mãe. Não tô falando de comédia. Tem algum outro filme onde aparece uma mulher pelada?
Eu sempre respiro muito fundo quando entramos nesse assunto porque sei que virão perguntas muito mais cabeludas e terei de responder a todas. Assim, sem demonstrar espanto, já que qualquer movimento brusco o fará nunca mais contar nada pra mim.
Dito e feito, passamos mais de meia hora falando sobre mulheres peladas, revistas de mulheres peladas, filmes de mulheres peladas e jogos de videogame de mulheres peladas. Até que o papo evoluiu para camisinha (assim, muito superficialmente, porque o moleque tem 9 anos e não vou mandá-lo encapar o peru ainda) e sexo, não necessariamente nessa mesma ordem.
Então veio a pergunta valendo um milhão de reais:
- Mãe, você já transou?
Pelo visto, meu filho não entende muito de processos.
- Já sim, Lucas.
- QUEEEEEEEEEEEEEE??? COMO ASSIM, MÃE?????? VOCÊ JÁ TRANSOU????? – a essa altura, ele aparentava um desmaio próximo.
- Ué, Lucas. Já.
- COM QUEM, MÃE?
(Sem movimentos bruscos… Sem movimentos bruscos…)
- Com o seu pai?
- ÃHM????? COM O PAPAI????
Aí eu resolvi perguntar pra ele o que diabos era transar, porque parecia que não falávamos sobre o mesmo assunto.
- Mãe, transar é namorar pelado.
É verdade. E agora ele acha o pai dele um safado, mas eu continuo imaculada.
Arquivado em Família
Expliquei um pouco para o Lucas sobre o que aconteceu no Rio de Janeiro. Assim, leigamente, no meio da minha revolta por me colocar mesmo que seja 1% no lugar dos pais e mães que deixaram seus filhos na escola pela manhã e nunca mais os terão. Impossível mensurar essa dor. Mesmo assim, conversamos porque é também nas tragédias (ou principalmente nelas) que temos a chance de ensinar certos valores.
A conversa terminou mais ou menos assim:
- Também é por isso, Lucas, que não se pode comprar uma arma. Quem tem a necessidade de andar armado, tem um problema. Tem uma agressividade dentro dele que não é normal. É uma pessoa que, pelo menos, não sabe dialogar, não tem sequer vontade de resolver algumas questões com palavras. É uma pessoa que, ao menos uma vez na vida, já sentiu vontade de matar. Só a polícia deveria possuir armas.
- Mas, mãe, se ninguém tiver arma, não vamos precisar de polícia.
Claro que esse mundo do Luquinhas, onde não existe nem bandido nem polícia, é um mundo ideal. Sei também que não é só portar uma arma que faz de alguém um assassino, mas tê-la é o primeiro passo. Sei também que quem é capaz de entrar em uma escola e matar uma, duas, três, dez crianças, sofre de graves problemas mentais. Talvez ele tivesse dado algum sinal, talvez não.
Quando se acontece algo assim, nesse grau de insanidade, vejo muito se dizer por aí sobre pena de morte, tolerância zero, diminuição da maioridade penal (nesse caso, o assassino tinha 23 ou 24 anos, mas fosse ele um menino de 17, cairiamos nessa discussão), questionamentos sobre os direitos humanos. Quando morrem 10 crianças assassinadas dentro de uma escola surgem dúvidas de como essa pessoa entrou na escola e a tendência é que a sociedade passe a pedir grades até nos banheiros, polícia armada na porta das classes, cadeado no portão, sem lembrar que a escola (principalmente a pública) é um espaço aberto e integrador na comunidade. Ela é pública.
Temos a tendência a ficar ainda mais duros e intolerantes e esquecer que intolerância gera intolerância que gera intolerância que gera intolerância. A verdade é que pouco se discute sobre os valores que estamos cultivando nessa nossa sociedade, a ponto de criarmos sociopatas tão dementes. No fim das contas, se você reparar direitinho, quem pede a pena de morte é a mesma pessoa que votou contra o desarmamento no Brasil, naquele plebiscito que nem faz tanto tempo assim, e que, nem tão indiretamente, permitiu que um sóciopata de 23 anos entrasse em uma escola portando DUAS armas e muita munição. É a mesma pessoa que acha que o Bolsonaro tem “liberdade de expressão” para falar contra negros e homossexuais na TV. É a mesma pessoa que acha que aqui tinha que ser igual a NY: tolerância zero. São todos também sociopatas militantes da intolerância, em maior ou menor grau.
Estamos (e digo isso de forma geral) cada vez mais intolerantes. Praticamos todos os dias a intolerância religiosa, racial, sexual, no futebol, no trânsito, no dia a dia. E nos esquecemos de criar nossos filhos em uma cultura de paz para que no futuro lutem por um mundo onde sequer precisem de polícia.
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Atire a primeira pedra quem nunca se apaixonou por um professor ou uma professora quando era criança. Agora, abaixa porque lá vai pedrada! Eu NUNCA me apaixonei por um professor.
Primeiro porque, quando eu era criança, só tive professorA. Do maternal até a quarta série, todas foram mulheres. E aí, na quinta série, eu já tinha um pouco mais de discernimento. Segundo porque todos os meus professores eram bêbados, feios, véios e cuspiam enquanto falavam, o que nunca me atraiu. E isso não é uma crítica: se eu fosse professora de escola pública eu também beberia pra caralho – (ok, eu nem preciso ser professora de escola pública pra isso).
Meus colegas de classe sim, se apaixonaram por professoras pelo menos duas vezes. Na quinta série, eu tinha aula de geografia com a Monalisa, uma mulher alta, de cabelos lisos até a bunda, que por sua vez era gigante. Ou seja, tudo o que um pré-adolescente precisava para passar horas no banheiro. E na sétima série, eu tinha aula de educação física com a professora Silvana.
A Silvana renderia pelo menos dois posts aqui no blog (um contando sobre uma suspensão que tomei e outro debatendo sobre a ética profissional), mas não vou me alongar sobre ela. Tudo o que precisamos saber é que ela devia ter uns 20 e poucos anos e dava para os alunos da sétima e da oitava série. Sim, não estou exagerando! Ela pegava a molecada e chegou a se apaixonar loucamente pelo Alemão, um menino de QUATORZE anos na época.
Em 1995, eu não sabia muito bem o que era pedofilia. Achava tudo aquilo um absurdo, principalmente porque ela desvirginou boa parte dos meninos mais bonitos da escola. Para todas nós restava um mero bagaço de uma porção de babacas – os meninos sequer olhavam para nós, pobres meninas despeitadas e de canelas roxas, depois de terem comido a PROFESSORA DE EDUCAÇÃO FÍSICA. Sei que alguém a denunciou – talvez a própria mãe do Alemão – porque ela não durou seis meses na escola.
NOTA MENTAL: Um ano depois de o Alemão sair da escola, eu o encontrei em uma festa junina do SESC Pompéia. Ele me contou que a Silvana passou um bom tempo o perseguindo, louca, desesperada. Nesse dia, eu peguei o Alemão.
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Essa não foi uma introdução para dizer que o Lucas está apaixonado pela sua professora. Ela é uma senhora com a idade da minha mãe e não é lá muito atraente, amém. Espero, inclusive, que nenhuma Silvana cruze o caminho do Lucas, embora muitos meninos que estão lendo esse texto desejassem uma professora dessas em suas vidas. Acho perigoso, desequilibrado, doentio e criminoso.
Eu sempre gostei das pessoas da minha idade. Quer dizer, quando entrei na 5ª ou 6ª série, os meninos da 8ª pareciam mais atraentes, mas eles tinham dois anos a mais do que eu. Lembro-me de, aos 13, pensar que eu SEMPRE ia querer namorar os meninos de 14, mesmo quando eu tivesse 30 e poucos. Isso me tornaria uma Silvana, mas não me cabia na cabeça gostar de alguém com bigode, barba e pança. Ainda bem que eu não tinha nenhum problema e, conforme eu fui crescendo, me desinteressei pelos caras de 14 e fiquei a fim dos que estavam na mesma faixa etária do que eu. E hoje, já adulta, curto mesmo é uma barba com pança (embora o meu namorado seja magro e de cara pelada).
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Ainda no ano passado, o Lucas saiu da escola me contando que algumas adolescentes da escola queriam namorá-lo. No colégio dele, crianças e adolescentes ficam separados: estudam em prédios diferentes e usam até uniformes de outras cores. Nunca me preocupei se isso é bom ou ruim, mas pensando agora ao escrever esse texto, essa separação servirá como um importante rito de passagem. Antigamente, beeeeeem lá nos antigamentes, meninos usavam calças curtas e homens calças compridas. Naquela época, ganhar uma calça comprida devia ser mais legal e libertador do que tirar uma carteira de motorista. Do mesmo jeito que trocar a camiseta amarela pela branca significará ao Lucas – e a mim também – que ele definitivamente cresceu.
Ok, fecha parênteses. Acontece que, lá na escola do Lucas, a cantina e o bebedouro são os mesmos para os grandes e os pequeninos e esses são uns dos poucos momentos de interação entre as duas turmas.
Estava o Lucas lá, todo pimpão, tomando água, quando desviou o olhar e viu três meninas mais velhas olhando para ele. Elas apontaram e disseram que ele era bem bonitinho. Ele até engasgou.
O fato é que ele entendeu tudo errado. Tá certo, o Luquinhas é BEM bonitinho mesmo, mas as três não diziam isso no sentido bíblico da frase. Foi mais um: “nossa, que criança bonitinha”. E aí o inconsciente dele já imaginou um passeio no shopping de mãos dadas, filhos e um lanche apimentado na cantina da escola, enquanto todos os amiguinhos dele o invejavam.
- Elas me querem, mãe!
Nesse dia, tentei explicar para ele que as coisas não eram bem assim, mas o Lucas tem uma auto-estima inabalável e ele encasquetou com aquilo. Eu resolvi não dar muita bola, até porque sabia-se lá quando ele encontraria essas meninas novamente.
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Nem todos sabem, mas eu saí da casa dos meus pais e agora moro com o Lucas e meu irmão (sim, ainda vou escrever sobre isso). Assim que nos mudamos, poucos dias depois, encontrei uma menina no elevador, voltando do inglês. Troquei meia dúzia de palavras com ela porque descobri que ela morava no apartamento em frente ao meu. No dia seguinte, eu descia o elevador com o Luquinhas pela manhã para irmos à escola e encontramos a menina com sua mãe. Ela também estava com o mesmo uniforme do Lu, mas de cor branca.
Na hora, percebi que meu filho ficou laranja e emudeceu. Nem cumprimentou ninguém no elevador e se escondeu atrás de mim, como se tivesse dois anos. Quando estávamos sozinhos de novo, subindo a Avenida até a escola, ele me contou:
- Lembra daquelas três adolescentes que queriam me namorar? Nossa vizinha é uma delas.
É por isso que eu sempre digo: não se pode foder ninguém nessa vida porque ela realmente dá muitas voltas. Graças a Deus, ninguém fodeu ninguém nesse caso e a situação era mais simples do que parecia.
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A vergonha era tanta que o Lucas passou dias se escondendo da menina, querendo sair mais cedo ou mais tarde de casa para não calhar de irmos à escola no mesmo horário do que ela. Só que eu e a mãe dela ficamos amigas e ela me ofereceu carona para eu não ter que subir nove quarteirões a pé até o colégio do Lu.
Quando eu contei a ele sobre isso, ele nem cogitou a possibilidade de aceitar a carona e quase se ajoelhou pedindo PELO AMOR DE DEUS para não irmos.
- Lucas, você tá com medo de ser estuprado? O que tá rolando?
Ele tinha tanta certeza que elas eram apaixonadas por ele, mas na hora, peidou na tanga.
Até que, em um dia de chuva, nós tivemos que aceitar a carona. Lucas parecia uma pedra dentro do carro e cheguei a pensar que ele estava sem pulsação e batimentos cardíacos. Quando estacionamos na frente da escola, ele desceu correndo e nem ao menos me deu tchau. Tive que justificar para a mãe da menina dizendo que ele era uma criança muito tímida. MUITO.
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Aceitamos a carona mais algumas vezes e o Lucas, aos poucos, foi se soltando. Até que ontem ele já estava soltinho da silva. Fomos os quatro conversando no carro e a menina contou que tinha ido a um show no domingo.
- E a minha mãe que foi ao show do Ozzy no sábado porque ganhou ingresso de R$ 600???? – Luquinhas completou.
Vi que ele não estava normal: era uma mistura de ansiedade com contar vantagem, tudo isso aos gritos dentro do carro. Falou mil vezes que ia para a Disney com o pai em julho e que teria que faltar na escola para tirar um passaporte francês, porque ele tinha direito a cidadania francesa. O problema é que era tudo de uma forma descontextualizada.
Não sei quem voltou para o assunto dos shows e o Luquinhas, que nunca foi em nenhum, emendou:
- E eu que já fui na casa de Santos Dumont?
- MEU DEUS, Lucas? O que tem a ver o cu com as calças? – não agüentei.
- Ué, são passeios culturais.
Quando chegamos na porta da escola, ele me disse:
- E aí? Se ligou?
- No que, Lu?
- Já ganhei um sorrisinho dela, mãe.
- Como assim?
- Você não viu o sorrisinho que ela me deu na garagem?
Aí tudo fez sentido: a auto-estima do Lucas continua inabalável e ele, com a certeza de que ela o ama, queria só se aparecer. Só que é ruim demais no xaveco.
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Ontem, quando eu estava pensando em escrever esse texto, lá pelas 22h, tocaram a campainha lá de casa. Olhei pelo olho mágico e vi a menina na porta de casa, de pantufas e pijama.
- Oi, você pode me emprestar a sexta temporada de Friends?
Mandei ela entrar e esperar um pouquinho, enquanto eu procurava os DVDs. O Luquinhas já estava dormindo. Na saída, ela agradeceu e me chamou de Gabi.
Hoje de manhã, contei para o Lucas:
- Adivinha quem veio ontem de noite aqui em casa?
Ele não acreditou.
- Ainda bem que você estava dormindo, porque senão você iria infartar achando que ela veio em casa de pijaminha atrás de você.
- Ia ter uma parada cardíaca, mãe – ele me sorriu um sorriso sacana.
Contei que o pijama não era nada sensual, que era um conjunto de algodão com algum bichinho estampado na frente, como toda menina de 15 anos deve usar.
- Ela até deu uma bizoiada no teu quarto, Lu. Sorte que você não tava com a cueca de elefantinho!
- Pára, eu nem tenho uma dessas! – ele riu.
Não tem mesmo. Mas estava usando uma do Bob Esponja.
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Vou é deixar rolar. Não sou eu que vou dizer para o Lucas que ele não atrai meninas de 15 anos ainda, nem que o futebol dele é ruim demais, por isso não dá para ele ser jogador. A vida vai mostrar. Porque lá na frente, o tempo vai passar e todos, no fim das contas, terão a mesma idade novamente. Como eu, que sou quatro anos mais velha do que o Rafa. Quando eu o conheci, ele era um menino de 16 anos, cheio de espinhas e um aparelho nos dentes, andando pela quadra dos Gaviões da Fiel. E eu já tinha um filho pequeno nos braços. O tempo passou e cá estamos. O importante nisso tudo foi termos alimentado boas histórias enquanto os anos fizeram seu trabalho. Pra gente não ter que viver o resto da vida se escondendo no elevador quando o destino morar bem no apartamento da frente.
Arquivado em Amar é...
Vocês já devem ter lido por aqui que quando nasce um filho, também nasce uma mãe. Isso quer dizer que a mãe de um filho perfeito não deixou um manual escrito com o passo a passo para um final feliz.
Você acabou de parir, tem seu filho nos braços pesando 4,100 kg (o Lucas nasceu gigante) e não faz a menor idéia do que fazer com aquele pititico que cabe em uma caixa de sapatos. Quer dizer, sabe que vai ter que dar de mamar de 5 em 5 minutos, que vai ter que limpar o cocô e o xixi pelos próximos anos, e vai ter que se lembrar de algumas canções clássicas de ninar porque de vez em quando seu filho vai ter dificuldades para dormir.
Mas você não vai encontrar na Livraria Cultura um manual sobre como fazer com que o seu filho faça a lição de casa, nunca use drogas, respeite os pais e trate sempre bem as mulheres. Deve haver uma porção de auto-ajuda referente a isso, mas nenhuma realmente eficaz que dê dicas sobre como tornar o seu filho um grande homem.
Tudo o que você fará dali por diante, do momento em que o seu filho saiu de dentro do seu útero até o fim da vida (pelo menos até ele quase completar 10 anos, que é onde estou agora), é uma mistura de instinto, bom senso e todos os exemplos (também bons, de preferência) que você aprendeu até então. Você se lembra da sua mãe, da sua tia, da sua vizinha, da sua avó, daquela reportagem na televisão, de filmes, de livros. O que você vai ensinar para o seu filho faz parte de todo o repertório que acumulou em vida (e quando se tem um bebê aos 19 anos, você teve pouco tempo para acumular qualquer coisa, então é bom que tenha vivido com qualidade). E, olha, posso te dizer que, ainda assim, você vai errar pra caralha.
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Lembro-me de, durante a minha adolescência e no auge da minha revolta, muitas vezes ter pensado em não querer ser como a minha mãe quando tivesse um filho. Eu pensava: “eu nunca vou agir assim” e a culpava por ser autoritária, super protetora, severa e gritar tão alto quanto podia (oi, mãe! Sei que você está lendo isso, mas não desista do texto agora). Dela, eu queria levar para os meus filhos a força, a objetividade, a paixão quando estivesse prestes a virar uma pedra, e a razão quando estivesse prestes a perder a cabeça.
É bem verdade que não fui uma adolescente fácil. Eu dei trabalho, muito trabalho. Discuti muito, briguei muito, preocupei muito e namorei muito. Meus hormônios ferviam dentro de mim e eu meus pais, coitados, devem ter envelhecido uns 30 anos nesse período.
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Tudo isso foi pra contar que em um dia desses, na semana passada, cheguei na escola do Lucas e, enquanto eu o esperava sair, uma coleguinha dele me avisou que ele tinha tomado uma advertência. Todas as mães riram da minha cara (existe bullying de mães na escola?) e eu senti uma vontade de entrar em estado gasoso. Depois, eclodiu dentro de mim uma vontade de matar, de gritar, de fazer exatamente como a minha mãe fazia. Demorou alguns minutos para eu me lembrar de como eu era, de como eu falava o tempo todo, de como eu infernizava o colégio, das advertências, suspensões, bilhetes e reclamações que eu já tinha levado para a casa depois de um dia como qualquer outro na escola.
Enquanto eu pensava e ainda esperava o Luquinhas, a mesma coleguinha (fofoqueira, desgraçada!) me pediu que subisse até a sala porque ele ainda estava copiando a lição e demoraria a descer. A professora também queria falar comigo. Subi, ainda espumando, mas tentando ventilar meu cérebro, e quando cheguei na sala a professora me olhou um tanto feio como se eu tivesse culpa. Talvez tivesse, talvez aquilo tudo fosse genético. Naquele dia, três crianças da sala do Lucas tomaram advertência: ele, um menino e uma menina. Ele era o único que copiava a lição aos prantos e quando cheguei, mal conseguiu me olhar nos olhos.
Na advertência veio escrito que ele falava o tempo todo, era desrespeitoso e atrapalhava a aula. E eu me lembrei que eu fazia isso todos os dias – e não faz tantos anos assim. Desci a rua com ele puxando a mala de rodinhas e pensando no que falaria. Metade de mim dizia que aquilo era uma besteira, que ninguém nasceu pra ser uma múmia, que conversar em sala de aula é normal, que atire a primeira pedra quem não atrapalhou uma aula. Mas a outra metade, a que falou alto para o Luquinhas escutar, foi exatamente a que eu sempre neguei que seria. Eu gritei, dei castigo, esperneei, disse que JAMAIS queria que aquilo se repetisse (mesmo sabendo que, provavelmente, na semana que vem vai acontecer de novo). Depois fiquei pensando que com a minha mãe devia ser a mesma coisa: metade dela devia querer fazer um cafuné e dizer que aquilo tudo era mais do mesmo e a outra metade tinha a responsabilidade de nos ensinar, aos gritos, o que podia e o que não podia. E deve ser por isso que nunca ninguém escreveu um manual: porque a nossa responsabilidade é só com quem a gente põe no mundo – e já é gigantesca.
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Fui dura com o Luquinhas nesse dia, bem dura. E trabalhei o resto do dia chateada, pensando se podia ter pegado mais leve, porque ser mãe é uma via de mão dupla. Realmente existe aquele papo de “isso vai doer mais em mim do que em você”. Em casa, ele achou uma foto que eu estava sorrindo com ele bebezinho, ainda no meu colo, e caiu no choro. Depois disse pra minha mãe:
- Eu vejo a minha mãe tão feliz comigo ainda bebezinho e ela mal sabia que eu iria crescer e deixar ela tão triste.
Quando eu cheguei na casa da minha mãe, ele me chamou no meu antigo quarto. Em cima do sofá tinha uma caixinha de música com um bilhetinho escrito ABRA. Ao abrir, vi que ele tinha dado corda na caixinha antiga, que malemá toca Pour Elise. Do lado da bailarina dando piruetas, tinha mais dois bilhetinhos: “DESCULPE” e “EU TE AMO”.
E uma cartinha, com a nossa foto bem no meio. Nela, estava escrito assim:
“Mãe, por favor me desculpe. Nenhuma malcriação que eu fiz na minha vida eu queria ter feito, me desculpe. Eu prometo que não vou fazer mais malcriações em casa, na escola e em qualquer lugar. Por favor, me dê mais uma chance. Eu nunca mais vou te decepcionar na minha vida e também não vou fazer você passar vergonha. Por favor, me desculpe e me dê mais uma chance.”
Seja mãe, ou seja filho, a gente sempre tem a chance de acertar mais do que errar. O Luquinhas não me deixa a menor dúvida.
Na quinta-feira passada, uma menina do meu prédio se matou. Cortou a tela de proteção da janela do quarto e pulou do oitavo andar. Caiu de bruços na beirada da piscina, na frente de três pessoas – duas crianças e um adolescente.
Menina mesmo, aparentava ter uns 22 anos. Eu não a conhecia. Não sabia seu nome, o que fazia, nem quantos anos tinha de verdade. Depois descobri que se chamava Diana, que ela morava por aqui há quase um ano, sozinha, sem os pais, mas com dois gatos. E que, às vezes, Diana comentava com a faxineira do prédio, enquanto ela limpava o elevador, que era muito triste morar sozinha.
Mas quando eu descobri tudo isso ela já estava ali, deitada, defenestrada, estatelada, como se estivesse tomando sol em um dia útil descompromissado, sorrindo até, só que morta.
Fico pensando nessa nossa mania classe média de não querer se meter, do “ai, meu deus, o que os outros vão pensar?”, do medo de ser taxado de fofoqueiro, intrometido, entrão, de ouvir um “e o que você tem a ver com a minha vida?”. Essa mania individualista de não perguntar o que é que se passa com o outro, de não querer saber, de não se apresentar e trocar nomes.
Fico pensando em quantas vezes, nos encontros casuais no elevador, na portaria, ou nas calçadas do bairro, eu não negligenciei um “tudo bem?” depois do “bom dia!” para a Diana. Quantas vezes eu – e todo mundo – lhe neguei a partilhar de seus problemas, mesmo que ela não quisesse, mesmo que ela me achasse a maior das intrometidas, mesmo que ela dissesse “vá para a puta que te pariu e cuide da sua vida!”
Porque eu sabia que tinha alguma coisa errada com ela – e todos sabiam: a menina da limpeza, os pais que não moravam com ela, o zelador que contou que em um ano ela não recebeu nenhuma correspondência (nem as contas), a vizinha que viu Diana nadar na piscina gelada em um dia que fazia um frio do caralho no inverno passado. Eu que peguei elevador com ela no sábado e comentei com meu namorado que ela me parecia uma menina triste.
Não sei se perguntar à Diana ou a qualquer outro desconhecido se está tudo bem, se quer conversar, faria mudá-los de suas decisões. Acho que ela não seria mais ou menos feliz, não teria mudado a história da sua vida nem de sua morte. O que acho é que, por pelo menos cinco minutos, durante o “tá tudo bem!” ou “não tá tudo bem e blá blá blá”, ela teria se sentido menos invisível. Naqueles cinco minutos (ou 10, ou 20, ou 30, sei lá), Diana teria sabido que alguém se importava com ela.
Arquivado em Dia-a-dia
Por muitas vezes eu devo ter desejado que meu irmão, o Rodrigo, fosse levado embora de casa pelo Homem do Saco. Principalmente na época em que eu era criança/adolescente e tínhamos que dividir o mesmo quarto naquele sobradinho pequeno no bairro das Perdizes, aqui em São Paulo. Porque dividir quase nunca é legal: se meus pais tinham R$ 100 para o presente de Natal, os dois ganhavam um de R$ 50 cada um, se a garrafa de Coca-Cola só dava para metade de um copo, os dois bebiam ¼ divididos a conta-gotas.
Quando se tem um irmão, nada é só seu por completo. Nem os pais nem a escola nem os brinquedos nem os amigos nem os presentes nem a Coca-Cola nem o banco detrás do carro. Lembro-me da eterna briga pela janela detrás do banco da mamãe ou do papai até chegarmos a um consenso.
Nas viagens de 500 km até Olímpia, nos chutávamos – mesmo que sem querer – o caminho todo para encontrarmos uma posição minimamente confortável e mesmo assim sempre chegávamos entrevados. Não existe Lei da Física para irmãos que dividem o banco detrás de um FIAT 147 e dois corpos são OBRIGADOS a caber no mesmo espaço.
E em Olímpia, tinhamos que partilhar o mesmo colchão durante dias e dias – cada um dormia virado para um lado, com os pés apontados um para a cara do outro. Coisa de irmão.
Até os 12 ou 13 anos, nem as festas de aniversário eram só minhas. Como nascemos em outubro e novembro, mamãe escolhia uma data no meio do caminho para chamar os nossos amigos em casa. Nossos.
Assim crescemos: ele uma criança do capeta e eu uma menina doce. Depois, ele um jovem doce e eu uma adolescente do capeta. E nós dois sempre dividindo comparações.
Não me lembro em que época mais ou menos eu aprendi que irmandade é somar, não só dividir. Sei que, mesmo com as brigas, com os chutes no carro, com o chulé na cara, com as discussões por espaço, por mais refrigerante, pelo chocolate do sorvete napolitano, mesmo com tudo isso eu consegui me tornar a melhor amiga do meu irmão. E ele o meu melhor amigo.
Claro, sempre tem um esforço monumental dos pais para que essa relação dê certo, mas muito veio de nós dois. Das nossas conversas antes de dormir sobre qualquer assunto, de todas as vezes que ele brincou comigo de casinha e eu tive que brincar com ele de Comandos em Ação, das roupas que eu sempre herdei depois que não serviam mais pra ele, do primeiro computador que a gente comprou junto, com o dinheiro das nossas poupanças. Nossas. Veio de todas as vezes que ele me defendeu na escola e de todas as vezes que eu levei ele pra passear em lugares legais porque os amigos dele eram nerds e os meus amigos eram porra-loucas. De todas as velas que assopramos juntos e as palmas e os parabéns e os presentes coletivos.
De repente, e durante todos esses anos, ele era o meu melhor amigo e padrinho do meu filho e, ainda, o meu irmão mais velho que abria trilhas para eu caminhar depois. Foi ele quem pode ir pela primeira vez na mercearia da esquina sozinho e voltou inteiro para que a mamãe tivesse confiança em me deixar fazer isso depois. Foi ele que decidiu, quando o papai ficou desempregado, vender os salgadinhos que a mamãe fazia lá na escola para ajudar em casa e me deixou esse legado para o resto de minha vida. Foi ele que voltou depois da meia noite pra casa pela primeira vez e fez com que meus pais se tornassem pais de adolescente. Foi ele que fez a primeira tatuagem e acabou com o preconceito da mamãe em relação a isso – e hoje eu também tenho as minhas sem ter que ter ouvido um a para isso. Foi ele quem saiu de casa para morar sozinho antes de mim.
E, cara, como foi difícil vê-lo sair e ir embora para o Rio de Janeiro. E deixar os pais só pra mim, o quarto só pra mim, as contas só pra mim, a Coca-Cola só pra mim e o chocolate do sorvete napolitano só pra mim (e engordei horrores por causa disso). Como foi difícil, durante quase sete anos, saber que nos veríamos por cinco ou seis vezes no ano, em datas comemorativas, e que eu teria que contar tudo pra ele rapidinho porque não tínhamos mais conversas antes de dormir.
Não me lembro quantas vezes desejei que o Rodrigo fosse levado embora pelo Homem do Saco, mas me lembro todas as vezes em que desejei que ele voltasse pra São Paulo.
E agora ele voltou!
Voltou de vez! Voltou com todas as roupas que comprou durante esse tempo, as garrafas de bebidas, a cafeteira italiana, a tatuagem nas costas, os CDs, os DVDs, os livros, o chapéu panamá e um cavanhaque. E, por mais zona que esteja a casa nesse momento, por menos espaço que eu tenha pra caminhar entre os móveis que já tinha no apartamento e mais toda a tralha que ele trouxe, fazia tempo que eu não me sentia tão feliz. Porque essa noite nós vamos assistir a um seriado qualquer, bebendo todo o refrigerante que a gente puder tomar e depois conversaremos sobre um assunto sem importância, tanto faz.
O que importa é que a família está completa novamente. Seja bem-vindo, Digo. Você fez uma falta danada por aqui.
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- Mãe, hoje um monte de criança estava fazendo bagunça e a professora colocou pra fora da sala de aula.
- Você não, né?
- Não!
- Que bom! Até porque no dia que isso acontecer, você perderá todos os dentes!
- E a fada do dente vai me deixar milionário…
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Lá em casa tem um monte de Revista Trip e, como muitos devem saber, em toda edição tem um peitinho de fora. Na sexta, o Luquinhas achou uma no quarto da minha mãe e me chamou lá:
- MÃÃÃÃÃÃÃE! Posso ler essa revista?
Eu bem vi que logo na capa a menina estava toda peladona e pensei em não tratar aquilo como um demônio, porque senão meu filho poderia ser, em um futuro não muito distante, um daqueles blogueiro que acampam na Campus Party.
- Pode sim, Lucas – e fui pra sala.
Não deu 20 minutos, ele apareceu para buscar outra Trip que estava em cima da mesa do computador e voltou para o quarto da minha mãe.
- Lucas, onde você vai?
- Vou ler essa daqui agora. Aquela lá eu já li seis vezes!
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Contei essa para um amigo e ele disse:
- Ele tem 9 anos??? Tá chegando na fase crítica! Espera até os 11, 12. Quando eu tinha essa idade, a Cássia Kiss era estrela de um comercial de câncer de mama. Ela fazia o autoexame e mostrava o peito na TV. Eu gravei o comercial e assistia 20 vezes por dia. Acabei com a fita!
Não tô preparada.
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Hoje quem vai blogar é o Lucas:
“um dia uma menina foi acampar, ai ela se perdeu da familía, ela tentou voltar pra casa com o cachorro mas ela não conseguio, então ela decidio morar na natureza, um tempo depois ela conheceu o homem da vida dela na natureza e ai ela se casou com ele, um tempo ela deve 2 filhos com ele, Xavier e Amanda, um dia ela teve a ide…ia de fazer um piquenique. no dia seguinte ela estava morrendo de tédio e decidio fazer uma pintura (a filha dela) eo filhoconheceu a menina dos seus sonhos, ele começou a namorar ela, ai elacompro uma bicicleta pra ele e também adotou um gato pra ele, um tempo depois ele teve um filho com ela ea irmã virou vaxineira e com o dinheiro que ela ganhava ela comprou um sitio e comprou um trator,ela teve 1 filho que adorava jogar. Fim.”
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Quando o Lucas me mostrou os seus primeiros rascunhos, ele tinha escrito “DESCIDIU”.
- Filho, decidiu é com C.
E ele corrigiu para “DECIDIO”.
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Oi, Papai Noel.
Estou te escrevendo nos penaltis já. Espero que de tempo porque os pedidos são simples e dá pra fazer depois.
Esse ano alguém resolveu me testar muito. Eu consegui um emprego muito legal e tive que sair dele, depois consegui entrar em outro, que foi a maior furada que entrei. Aí pra completar não arrumei nenhum namorado legal, alias, você está me testando há anos, hein?
Meu time (o Cruzeiro) foi roubado o ano todo. Além de não termos mais estádio ( o Mineirão tá sendo reformado), sofremos muito. Roubalheira danada. No finalzinho do ano, Deus resolveu levar meu papai pra perto dele, o que foi a cereja do bolo de coisas ruins.
Então eu só quero que nesse Natal (e em 2011 inteiro), eu receba apenas notícias boas. Sobre qualquer coisa, não quero ouvir que Fulano morreu, que Ciclano foi roubado ou que Beltrano tá mal no hospital. E, se não for pedir demais, faz soltar rápido o resultado do concurso que fiz, porque eu to descabelando já.
Beijos
Jordania
Arquivado em Carta para o Papai Noel
Gordo Noel,
Eu não acredito em você, nem em JC, mas estou aqui porque vai que eu estou errada!
Queria pedir que as pessoas no mundo todo parassem de olhar para o próprio umbigo e agissem com amor em relação ao planeta e todos os outros seres viventes. Queria pedir que as pessoas adotassem animais, e não os comprassem. Que parem de abandonar e maltratar os bichinhos.
O senhor não está dando o exemplo, viu? Pobres renas tendo que puxar o senhor tão gordo e carregado de presentes. Caminhe com suas próprias pernas. O senhor vai emagrecer e ter melhor saúde!
Natali, nem um pouco natalina!
Arquivado em Carta para o Papai Noel
Querido Papai Noel, decidi que esse ano precisava fazer algo diferente. Algo tão diferente quanto escrever uma carta para o Senhor…
Não estou muito no espírito natalino das coisas, mas vamos tentar, né?
* Primeiramente, gostaria de pedir ESPERANÇA! Sim, porque o ano está em seus últimos dias de vida e pela primeira vez eu não faço planos e promessas para um novo ano que irá começar. Só que antes gostaria de pedir que 2011 realmente pudesse ser um ano de realizações.
* Quero uma bolsa de estudo de no mínimo 50% para o curso de Rádio e TV. Só que antes disso eu gostaria de saber se é isso que realmente quero fazer na faculdade.
* Quero que eu e meu namorado prossigamos sem tantas brigas. Só que antes disso precisava saber se nós realmente vamos ser felizes um com o outro.
* Quero/preciso de MUITO dinheiro. Só que antes disso queria sabedoria para saber usá-lo.
Bom papis Noel, como sei que tens muito trabalho a fazer atendendo todos esses pedidos do blog da Leonor, fazemos um trato: realize apenas o primeiro pedido de cada tópico, o segundo eu me encarrego de descobrir e arcar com as conseqüências
.
Fran de França
Arquivado em Carta para o Papai Noel
Papai Noel,
Você que me acompanha há um bom tempo, sabe que de 2006 a 2009, meu casamento acabou e eu perdi minha mãe. Para não dizer que eu não ganhei nada, eu ganhei 20 kg, sendo que eu precisava perder 20kg!
Em 2010, eu me comportei, não roubei, não fumei, trabalhei, cuidei do pai… Tá na hora de ser recompensada, né?
Eu quero:
- achar o amor da minha vida
- perder 40kg (não se choca!)
- ah, se der para fazer uma viagem pra Europa, vou achar legal.
Mereço, né?
Beijos
Mara
PS: à portadora dessa missiva, a subversiva, um feliz natal!
Arquivado em Carta para o Papai Noel