Eneaotil

Tchau, tio

27 Julho, 2009 · 5 Comentários

** Às vezes dá uns paus no blog lá da TPM, então vou postar aqui também quando estiver assim.

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titio

Papai, mamãe, eu no colo da Tia Vilma e Tio Paulo

Quando eu estava na escola, não existia nada mais fora de contexto do que encontrar algum professor passeando pela rua. Nunca imaginei a professora Creuza desfrutando um maravilhoso desjejum acompanhada de seus três filhos pequenos. Nem o professor Fatigatti tomando um solzinho na Praia Grande (graças a Deus). Muito menos a professora Heloísa comprando produtos orgânicos na feira de sábado do Parque da Água Branca.

Porque, dentro da minha cabeça, só existia a versão professora da Marta, da Neusa, do Glauco, da Cláudia, da Silvia, do Darcy, da Sakuya e de tantas outras pessoas que passaram pela minha vida dos dois aos 23 anos, quando me formei na universidade.

Mas há também o outro lado. Eu nunca estudei história do Brasil com o Professor Paulinho em qualquer uma das escolas em que ele lecionou, lá em Olímpia, no interior de São Paulo. Nem história antiga, nem história contemporânea, nem história mundial, nem história natural. O único tipo de história que ele me ensinou foi sobre a minha família. Porque eu conheci o Tio Paulo.

Lembro-me das noites quentes de Olímpia em que, desde pequenina, sentava com os Martin na varanda daquela casa grande e malacaba na Rua João Aidar e ouvia o tio Paulo contar causos e causos sobre o vovô Abdon e a vó Leonor, os bisavós, os primos todos, a cidade, os vizinhos, os cachorros, os gatos e os papagaios.

Lembro-me que o tio tinha que manobrar seu fusca amarelo da mesma varanda no começo do dia para que eu, meu irmão, a Ana e a Márcia brincássemos com o Juninho, o João Paulo e a Juliana, da casa de cima.

Lembro-me de partilhar um pernil tenro e suculento feito pelo tio, acompanhado de um guaraná Arco-Íris, naquela mesa grande em que cabiam as três gerações da família. Lembro-me dos lanches taturana, de filé e queijo, com a cerveja estupidamente gelada no boteco do Tião, já falido.

Lembro-me de ser escalada para ir até a rodoviária comprar cigarros com o tio e de odiar isso. A recompensa era voltar com os bolsos cheios de Dadinho, aquele doce de amendoim que talvez o Lucas nunca tenha comido. Lembro-me de apostar com meus primos e meu irmão quem conseguiria ir descalço até o mercado da esquina, pisando no asfalto pelando daquela cidade quente. E eu sempre perdia com minha pele de bebê (porque eu era a mais novinha de todos eles).

Lembro-me das tardes no Clube de Campo, onde o tio se gabava sempre de ter passagem livre. De me refrescar escorregando no chão ensaboado do corredor da casa do tio, dos fogos de artifício miseráveis que queimavam em Olímpia na virada do ano, dos cafés com rosca caseira na casa das Tias Lídias, de ir ao cemitério no domingo cedo com a mamãe e com o tio para acender uma vela a todos os Martin que não mais poderiam compartilhar tudo isto.  

Lembro-me de 26, quase 27 anos, de férias na casa do tio Paulo. E em todas essas andanças, não houve um dia lá em que não ouvi alguém cumprimentá-lo pelas ruas, efusivamente, e chamá-lo de professor Paulinho.

Até então, eu conhecia o tio Paulo, meu padrinho, que me segurou no colo em um altar e aceitou ser meu segundo pai diante de Deus. O tio Paulo irmão mais velho da minha mãe. O tio Paulo, que cuidou da cabeça e do coração da Tia Vilma por tantos anos. O tio Paulo assalariado que criou duas filhas com um salário miserável. O tio Paulo avô apaixonado que queria ver a Júlia crescer. O tio Paulo cozinheiro de mão cheia, dono dos melhores assados. O tio Paulo mais teimoso que uma mula, que não negava o sangue espanhol. O tio Paulo historiador e contador de causos. O tio Paulo que ensinou o Lucas a colocar gravata com três anos. O tio Paulo cético que acendia vela no cemitério. O tio Paulo inteligentíssimo, leitor até de rótulo de shampoo. O tio Paulo impulsivo que não segurava a vontade de se perder em uma ou outra dose. O tio Paulo que não queria ser médico na Espanha. O tio Paulo colecionador de álbum de figurinha. O tio Paulo amigo, conhecido na cidade toda. O tio Paulo que demonstrava seu amor quando passeava orgulhoso comigo e me apresentava para todos os seus conhecidos em Olímpia. O tio Paulo guerreiro, que lutou contra um câncer de pulmão até o último respiro.

E eu só me dei conta de que também tinha conhecido o tio Paulo professor, mesmo sem ter sentado com ele diante de um caderno e um quadro negro, agora.

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“Professor Paulo Martin,

 Fomos colegas de escola por muitos anos e amigos também. Um dia, ele chegou a mim e disse:

- “Casa”, vou propor-lhe um acordo: se eu morrer primeiro, você fala alguma coisa sobre mim antes do caixão baixar, se você for primeiro, falo eu.

Meu amigo foi primeiro, então eu digo: Paulo foi um colega leal, um amigo fiel. Cultuava o saber e abominava sua falta. Sempre muito sincero. Nunca foi meio termo.

A verdade dele era soberana. A gente se encontrava sempre e gostávamos de relembrar aqueles tempos da velha escola, do velho “Capitão”. Eu gostava muito dele. Tenho-o em minhas orações e continuarei tendo-o. Adeus amigo.

Professor Casagrande”

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A tal da novidade

13 Abril, 2009 · 29 Comentários

Lembra, gente, que eu disse que assim que voltasse de Buenos Aires eu teria uma novidade? Pois então: http://revistatpm.uol.com.br/blogs/eneaotil.

Por favor, atualizem seus links. É lá que eu, Luquinhas, Dona Rose, Seu Fausto, meus amigos, a ONG, o Corinthians, o Kung Fu e os bêbados de busão moramos agora. Uhu!

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400 mil

4 Abril, 2009 · 18 Comentários

Tá chegando, hein?!

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Para que? Paraguayyyyyyyyyyyyyyyyyyo – Parte II

1 Abril, 2009 · 33 Comentários

argentina

Da outra vez que escrevi sobre Buenos Aires, fiz uma espécie de diário e separei as histórias por dia: segunda, terça, quarta, quinta, sexta e trálálá. O que ninguém sabe é que esse esquema acabou não dando certo nem daquela vez porque as histórias eram inúmeras e eu, por exemplo, deixei de descrever a minha ida ao Uruguai, o meu passeio de bicicleta por toda a costa de Colônia do Sacramento banhada pelo Rio da Prata e outros acontecimentos incríveis que vivi em 2007. E olha que daquela vez fiquei apenas oito dias. Nestas férias, foram 12 dias e escrever um diário seria impossível. Assim, pensei em outro esquema para contar as histórias de lá e… não cheguei a nenhuma conclusão.

  • *

Ok, acho que vou escrever por capítulos.

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1º Capítulo: La Plata que é lo bronce, pero vale oro

- Tarjeta o efectivo? – me perguntou o caixa do supermercado.

- No – eu respondi.

- Lelê, ele perguntou se vai pagar com cartão ou dinheiro. Você não pode responder simplesmente “não” – me alertou o Mandioca.

- Então, sí.

Tudo bem, eu não sou tão boa assim no espanhol, mas não se apeguem aos detalhes. O que interessa aqui é a maneira como o caixa do supermercado chamou o dinheiro: “efectivo”. Jamais eu conseguiria entender que ele estava se referindo ao dim dim, porque desde quando o peso argentino é efetivo, Joelmir Beting?

Chamasse de dinero, moneda, plata, metálico, mas efetivo é forçar a barra.

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Lembra que você acreditava que era mais barato ir para Buenos Aires do que ir para o nordeste brasileiro? E saía dizendo isso por aí com toda a convicção do mundo? Eu me lembro. Em 2007, eu engrossava o coro-da-classe-média-chavão:

- Ah, mas ir para Buenos Aires é muuuuuuuuuuito mais barato do que ir para o nordeste brasileiro!

Mesmo nunca tendo ido ao nordeste brasileiro.

Porque eu realmente acreditava que não era possível pagar 9 pesos (ou cerca de 7 reais) em um sanduíche de filé mignon lá em Fortaleza. E em Buenos Aires era, juro!

Mas as coisas mudaram na capital portenha. Agora eu saio dizendo por aí que seguramente Buenos Aires é a cidade mais cara da América Latina, mesmo sendo a Argentina o único país da América Latina que eu conheço (ok, conheci o Uruguai, mas passei apenas um dia lá, então não conta, né?). Ou será que para tomar um cafezinho no Chile a gente também tem que desembolsar cerca de 7 reais?

É isto mesmo, não estou exagerando. Quando Mandioca, Wandeko, Alê e eu abrimos o cardápio naquela confeitaria da Recoleta quase caímos para trás. Tudo bem que o lugar parecia o saguão do Copacabana Palace, cheio de empresários ricos recém saídos de uma partida de golf, acompanhados de suas senhoras louras lotadas de botox e bronzeadas artificialmente, mas o café de 9 pesos era a única coisa que podíamos pagar naquele lugar.

Também é bem verdade que o café vem cheio de bugigangas. Cada um acompanha dois petit fours, uma dose de água com gás e uma dose de suco de laranja passada, mas não dá para pedir só o café e pagar, por exemplo, 5 pesos. Que, fazendo rapidamente a conversão, ainda estará caro (cerca de 3 reais).

Sabe o que é o pior de tudo? O café de lá ainda é horroroso! Aguado, gorduroso, fraco. Imagina só quanto deve custar um café bom?

  • *

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Parece que inflacionar os preços foi a maneira que Buenos Aires descobriu para sair da crise. Não a crise mundial que nos atinge agora, mas aquela velha crise que começou há 4 ou 5 anos na Argentina e durou um bom tempo. Não sei dizer se ainda dura. O que sei é que de dois anos para cá, os preços em Buenos Aires mudaram completamente.

Se antes eu pagava 8 pesos para beber uma Quilmes de um litro em algum bar, hoje não sai por menos de 15 pesos (isso dá cerca de 11 reais). Para comer uma boa carne (sem nenhum acompanhamento) com uma garrafa ¾ de vinho em um lugar bacana, mas não muito fino, é preciso desembolsar uns 70 pesos.

Em uma conversa com o Martín, namorado da Lígia (amiga brasileira que largou tudo para viver em Buenos Aires depois de se apaixonar por lá), ele me disse que a cidade já não é mais para os argentinos, mas para os turistas. Quem é de lá não consegue acompanhar esse ritmo inflacionário porque os salários não sobem na mesma proporção. É o que geralmente acontece quando uma cidade é voltada totalmente para o turismo.

Mal comparando, isto também aconteceu com Olímpia, cidade do interior de São Paulo onde está a minha família materna. Acontece que há uns bons anos algum caipira maluco acreditava que embaixo das terras de Olímpia tinha um lençol de petróleo e resolveu cavar uns buracos. A única coisa que encontrou foi água quente. Muito quente.

Então outro maluco achou que seria legal demais fazer um clube de água quente em uma terra onde as temperaturas chegam a 40°. E deu certo! Foi assim que surgiu o Thermas dos Laranjais e foi assim também que Olímpia virou a “Caldas Novas” de São Paulo.

Há uns três anos, quando recebemos uma herança de uma prima falecida do papai, decidimos que compraríamos uma casa para Dona Rose e Seu Fausto passarem a velhice em Olímpia. Então visitamos uma imobiliária e adivinha? Por causa do Thermas, havia uma especulação imobiliária tão grande que uma casa de dois quartos, cheia de infiltração, na cohab de Olímpia, custava cerca de R$ 100 mil. A prima do meu pai precisaria morrer mais três vezes para comprarmos um barraco lá.

  • *

O que Olímpia tem a ver com Buenos Aires? Nada. Me perdi um pouco. Foco, Leonor, foco.

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Em comparação com São Paulo, os transportes públicos continuam baratos em Buenos Aires. Aliás, parece que serviços em geral são bem mais baratos por lá. O Marcelo Barbão, amigo do Wandeko que vive na capital Argentina, estava contando que o aluguel na cidade é muito caro, mas água, luz e gás são pagos bimestralmente por cerca de 20 pesos cada um.

O metrô, apesar de bem mais barato, me lembrou São Paulo. É quente, sem ar condicionado, lotado em horário de pico. Alguns têm um banco com um carpete aveludado dos anos 80, cheio de ácaro. A passagem está custando 1,10 peso.

Os ônibus continuam velhos, caindo aos pedaços, emitindo poluentes aos baldes e deixando o ar de Buenos Aires tão pesado quanto o de São Paulo, embora a cidade seja considerada uma das mais arborizadas da América do Sul. A passagem aumentou de 0,80 pesos para 1,20 o trecho mais longo a ser percorrido. Sim, você paga por trecho. O curto sai por 1,10. Ao entrar no ônibus é preciso informar para o motorista onde você vai, colocar as moedas em uma máquina e emitir um bilhete. Esse bilhete deve ser guardado para ser mostrado caso haja uma fiscalização. É assim que eles descobrem se você mentiu ou não. Se pagar por um trajeto curto e fizer o longo, pode tomar uma multa.

As máquinas dos ônibus só aceitam moeda. Isto é importante porque se você quiser andar de ônibus só com notas não vai conseguir. É por isso que as moedas na Argentina valem ouro, apesar de terem o peso de uma titica de galinha. Elas estão em falta e tem gente que chega a vendê-las pelo dobro do valor. Uma boa dica é trocar seu dinheiro em um Burguer King. Eu comprei um lanche em um deles e recebi 9 pesos em moeda como troco. Uma verdadeira relíquia.

NOTA: Desculpo-me publicamente com nuestros hermanos porque trouxe os 9 pesos em moeda de volta na mochila, o que quer dizer que metade do patrimônio argentino está na comigo na Pompéia.

  • *

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Lucas me deixou ir para Buenos Aires por 12 dias se em troca eu lhe trouxesse uma caixa do Playmobil Jurássico. É que quando eu fui para a Argentina pela primeira vez e os preços eram ridiculamente menores, eu lhe presenteei com três caixas de playmobil.

Então, quando fui me despedir do Lucas antes de ir para o aeroporto a única coisa que ele me disse foi:

- Não esquece o playmobil!

Era isso ou todos os bonequinhos do Star Wars na versão Lego. E eu rodei Buenos Aires. Entrei em todas “El Mundo del Juguete” que vi pela frente e nada. O playmobil tinha sumido das prateleiras. O Lucas todo dia pelo telefone perguntava do presente:

- Achou meus bonequinhos?

- Não, mas comprei uma camiseta do Maradona na época em que ele jogava no Boca Juniors. Original.

- Quero o playmobil ou o lego!

(…)

- Achou meus bonequinhos?

- Não, mas comprei um toy art genial no Museu de Arte Latino-Americana.

- Quero o playmobil ou o lego!

(…)

- Achou meus bonequinhos?

- Não, mas comprei os DVDs da Mafalda!

- Quero o playmobil ou o lego!

(…)

- Achou meus bonequinhos?

- Não, mas comprei um ovo de páscoa Havanna!

- Pô, mãe…

(…)

- Achou meus bonequinhos?

- Achei!

Mas era mentira. Só que se eu não tivesse dito isso, eu iria à falência. E achar o playmobil virou uma questão de honra.

Nos últimos dias, eu encontrei uma loja grande de brinquedos na Avenida Córdoba chamada Tio Mário, ou algo do tipo. Nem precisei procurar muito, havia uma prateleira lotada de playmobils de todos os tamanhos. E adivinha quanto custava o tal do Jurássico que o Lucas queria?! Quase 500 pesos! Sim, eu disse 500 pesos. Nem meu rim em uma parrillada valia 500 pesos em Buenos Aires.

Faltando dois dias para a minha volta a São Paulo eu tive uma idéia. Entrei na americanas.com e o Playmobil Jurássico estava por R$ 199, quase metade do preço da Argentina.

- Mãe, compra aí no Brasil e deixa escondido que eu entrego quando chegar.

Porque para o Lucas não faria a menor diferença um playmobil com mullets ou sem mullets. Quando eu cheguei, entreguei os quase 10 presentes que comprei para ele e a caixa do playmobil.

- Trouxe de lá da Argentina!

E o olho dele brilhou como brilharia se eu tivesse trazido o presente da 25 de março. Fosse daqui uns anos, ele teria se ligado que a caixa está todinha escrita em português.

  • *

Desde que voltei para o Brasil, estou achando tudo de graça. Dei risada quando paguei R$ 2,80 por um café (bom!!) no Bourbon. Achei baratíssimo um ovo de páscoa por R$ 28 no supermercado, já que em Buenos Aires um ovo da Nestlé pequenino custava em média 38 pesos. E é capaz de só por isso eu presentear todos os meus amigos com chocolates nesta páscoa.

Ok, 1° de abril.

  • *

Tabela de conversãopara leigos

Quando fui pela primeira vez para a Argentina, o dólar estava R$ 1,95 aqui no Brasil e lá em Buenos Aires ele valia 3,10 pesos. Desta vez, quando saímos daqui o dólar estava R$ 2,40 e poucos e lá valia 3,60 pesos. Eu, como não sou nada boa em matemática, fingi que entendi quando meus amigos disseram que era mais vantajoso levar tudo em real para lá e trocar por peso. Mas fazia sentido não pagar duas taxas de conversão de moeda.

Como chegamos em um sábado e os bancos estavam fechados, tivemos que trocar em uma casa de câmbio no shopping por uma conversão ridícula. R$ 1 era igual a 1,22 peso. Troquei o suficiente para viver durante um fim-de-semana, crente que nos bancos seria mais fácil e mais vantajoso converter real por peso. Seria, mas banco nenhum faz isso.

Na segunda de manhã, Mandioca, Wandeko e eu (o Alê ainda não tinha chegado) fomos até a Avenida Santa Fé em busca de um banco para trocar. Entramos no La Nacion, no Galicia, no Itaú (!!!) e nenhum trocava real por peso. Apenas dólares e euros, por uma cotação muito boa (quando saímos de lá, um euro valia cinco pesos). Então perguntamos em um banco onde tinha uma casa de câmbio nas imediações da Santa Fé e o caixa nos explicou que ali mesmo, na Avenida, tinha uma pequenina.

Quando a achamos, o lugar não parecia nada confiável. Uma casinha dessas em que aqui no Brasil a gente faz aposta de jogo do bicho. Mas pensamos que se o dono do banco indicou é porque o dinheiro não deveria ser falso. Troquei R$ 200 porque se por acaso fosse falso não teria perdido toda a grana e voltaríamos no dia seguinte com a polícia. O atendente não perguntou meu nome, não pediu meu RG e trocou o dinheiro por uma cotação muito boa. Nos primeiros dias, ele nos pagou 1,45 peso por R$ 1. E nos últimos dias, ele nos pagou 1,50 peso. Ah, sim. Nós voltamos lá porque o dinheiro não era falso. Todos os atendentes argentinos conferem até as notas de 2 pesos e nossas notas eram legítimas. Só no La Viruta Tango que o garçom nos devolveu uma nota de 10 pesos e disse que era falsa, mas para falar a verdade eu não vi nenhuma diferença daquela para a verdadeira. Ele ainda alertou:

- Cuidado com os taxistas!

Porque, segundo ele, essa categoria de profissional costuma passar notas falsas (aliás, os taxistas de Buenos Aires renderão um capítulo à parte). Por via das dúvidas, saí do La Viruta, entrei em um táxi e entreguei os 10 pesos, falsos ou verdadeiros. Para não quebrar a tradição.

(continua…)

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Para que? Paraguayyyyyyyyyyyyyyyo* – Parte I

30 Março, 2009 · 20 Comentários

*O título é uma piada interna, mas que dividirei com vocês ao longo das postagens.

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Impossível escrever tudo de uma vez só. Então aí vai a parte I.

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Foram 12 dias em Buenos Aires e somente em Buenos Aires. Nos primeiros planos, havia uma bodega em Mendoza, uma escaladinha no Aconcágua, uma esticadinha em Santiago do Chile, uma atravessadinha no Rio da Prata de navio até Montevideo, uma subidinha em Macchu Picchu, uma descansadinha na Cordilheira dos Andes, uma carreirinha na Colômbia e uma tarde em Itapuã. Mas aí a gente chegou a Buenos Aires e não conseguiu sair mais de lá. E desconfio que pelo menos um de nós quatro voltará à capital argentina nos próximos meses com todas as roupas, livros, discos, DVDs e papagaio para passar o resto da vida caminhando 15 quadras por aquelas ruas largas e cheias de merda de cachorro (calma, mãe, pode enxugar as lágrimas porque, infelizmente, não sou eu).

Mas por que Buenos Aires de novo?

Essa é uma pergunta que muita gente me fez antes de eu embarcar no dia 14 para Buenos Aires. Os “UAU, que legal!” ouvidos há dois anos (quando fui pela primeira vez) ao contar que estava indo para a Argentina deram lugar a um “De novo?” seguido de um muxoxo terrível desta vez.

É bem verdade que eu podia ter juntado dinheiro e ter ido para qualquer outro lugar como o Peru, a Bolívia, a Guiana Francesa, Valinhos ou Tocantins. E é bem verdade também que eu tinha ido há muito pouco tempo, fui em 2007 para comemorar um ano de namoro com um cara que já virou ex há mais de um ano. Jesus, como o tempo passa.

Talvez, e muito talvez, isto esteja relacionado ao fato de ter escolhido novamente Buenos Aires como destino. Quando as coisas são mal terminadas, mal resolvidas e mal lembradas é preciso que a gente cuide disso de alguma maneira. Então eu decidi lembrar de Buenos Aires de uma forma diferente toda vez que ouvisse falar no Maradona, no Gardel, na Mafalda e em frente fria. Mas para isso eu precisaria criar melhores ou piores, mais ou menos felizes, mas novas lembranças.

Aí você poderia me dizer: “pô, Leonor, paga uma terapia que é mais barato” e eu diria que dificilmente o terapeuta teria a cara do Gael Garcia Bernal e me ofereceria uma Quilmes acompanhada de uma empanada de Roquefort.

Um outro forte motivo é que o blog, de certa forma, se tornou uma referência para pessoas que procuram no Google dicas sobre Buenos Aires. Muitos acessos diários vêm de lá e eu me sinto um pouco irresponsável ao dar dicas desatualizadas para pessoas. Por exemplo, o busão não está mais 0,80 centavos de peso. Nem os banheiros mais tão sujos. Mas a água continua com gosto e isto será tratado capítulos à frente.

Fora isso o que mais me incomoda em deixar aquilo tudo desatualizado é a quantidade de gente que me escreve mandando beijinho para o falecido: “Leonor, adorei seu blog. Um beijo para você e um beijo para o namorado”. Porque a maior parte dessas pessoas que entra para ler as dicas de Buenos Aires só lê isso e não se interessa pelo resto do blog. Então fica a dica: vou mandar um beijinho é para a concha de tu madre, falô?!

Tá bom, gente. Vou procurar uma terapia.

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Pero, quien somos nosotros?

Então já disse que mudei de parceiro de viagem. E como queria conhecer o Lado B de Buenos Aires (nada tão romântico, sem passeio de barco no Rio Tigre e sem jantar a luz de velas em Puerto Madero) fui logo com três amigos homens para chutar o pau da barraca. Não, não, vocês entenderam errado. Eram apenas 3 amigos homens. Não tem pau e nem barraca nesta história.

Acabou que eu era o elo de ligação entre os três porque o Mandioca não conhecia o Wandeko, que é amigo do Alê, mas não conhecia o Mandioca. Eu conheci o Alê por causa do Wandeko, conheci o Wandeko por causa do Kung Fu e conheci o Mandioca porque gosto de raízes por causa do Corinthians. Mas o Wandeko é palmeirense e o Alê é bambi. Ai, deu pra sacar? Então vou explicar melhor quem é cada um. Se nós fossemos anões da branca-de-neve:

O Wandeko seria o
anao-zangado
Zangado

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O Mandioca seria o
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Dunga

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O Alê seria o
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Feliz

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E eu seria o
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Ned

Agora sim deu para entender, né?

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(continua…)

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Ziriguidum-Portenho-Chama-Chuva

27 Março, 2009 · 10 Comentários

Tá bom, tá bom. Enquanto organizo fotos, histórias e dicas, fiquem com uma autêntica escola de samba argentina.

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Voltei

27 Março, 2009 · 8 Comentários

\o/

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Férias

12 Março, 2009 · 42 Comentários

Meu povo e minha pova,

só saio de férias amanhã, mas, a não ser que aconteça algo bizarramente divertido hoje, é bem provável que não escreva mais até voltar da Argentina com milhares de dicas e boas histórias. Aguardem também porque na volta acho que teremos uma novidade bem bacana no Eneaotil.

Besosyllamamé!

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Gratidão filial

9 Março, 2009 · 23 Comentários

Quando minha mãe viaja, sou eu quem pilota o fogão lá em casa. Cá para nós, eu herdei a mão da família Martin para a culinária e cozinho bem. Não tão bem quanto minha mãe, que cozinha maravilhosamente bem, mas não tão bem quanto minha avó cozinhava, que cozinhava não tão bem quanto minha bisavó cozinhava e por aí vai. Mas isso não significa que a minha comida não seja de lamber os beiços.

Já a família Macedo não tem muita tradição na cozinha. Meu pai sabe fazer um arroz não tão empapado quanto o que a minha avó fazia, que não era tão empapado quanto o que a minha bisavó fazia e por aí vai.

Enfim, a minha mãe foi viajar. Teve que ir às pressas para o interior de São Paulo, cuidar do meu tio que não anda muito bem de saúde. E sobrou lavar a roupa, arrumar a casa, acordar meu pai, me acordar e cozinhar, entre outras coisas.

Então hoje, às 7h15 da manhã, lá estava eu preparando um filé de frango a parmegiana, um arroz e batatas antes de ir para o trabalho. Fiz o molho com tomate de verdade, cortei os filés com destreza e temperei-os com tempero caseiro que eu mesma fiz. Ralei mussarela para colocar em cima dos filés. Preparei um arroz soltinho como nunca. Piquei as batatas em palitos milimetricamente calculados e iguais. Ou seja, botei pra foder no almoço.

Quando estava tudo prontinho, fumegando nas panelas, o Lucas, que brincava na sala, perguntou:

- Mãe, está sentindo esse cheiro?

Eu dei um sorriso largo e imaginei ele correndo em minha direção, me abraçando e me rodopiando na cozinha enquanto gritava que me amava e que eu era a melhor mãe que ele podia ter. Depois imaginei a Ana Maria Braga me convidando para ensinar a receita do meu almoço incrível na televisão e a produção do Globo Repórter invadindo a minha casa e me entrevistando para o especial: “Como é difícil a vida de uma jovem linda, chique e elegante mãe que trabalha fora e ainda consegue preparar o melhor almoço do País”. E me vi na capa daquelas revistas de pais e filhos sob a manchete A MÃE DO ANO!

- Que cheiro, filhinho? hihihihihihi – e eu já abri os braços esperando o abraço mais apertado do mundo.

- Esse bruta cheiro de feijão queimado! Quem será que vai comer essa porcaria?

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Adivinha quem é?

5 Março, 2009 · 26 Comentários

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Traduzindo melhor a última linha: “queria que eu tivesse QUINQUILHÕES de reais”. Eu nem preciso. Com um filho desse, é melhor que ganhar na loteria.

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Os malucos de MSN voltaram de novo!

5 Março, 2009 · 9 Comentários

Essa eu tive até que dar um print para não a emoção dos emoticons!

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Devia ter respondido que eu sou a Leonor do Restaurante do Cadarço, como eu fiquei conhecida aqui nas ruas de Pinheiros.

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Apesar da letra miúda, espero que tenham conseguido ler esta conversa imperdível. Mesmo assim, vale a publicação do nick da Michele em letras garrafais:

“O SR…fará o seu deserto c/ o Éden, e a sua solidão c/ o jardim; gozo e alegria se achará nela, ação de graças e voz de melodia!

Amém!

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Besos, chico!

2 Março, 2009 · 22 Comentários

Agora é oficial: comprei as passagens e dia 14 embarco para Buenos Aires novamente, com uma tremenda vontade de esticar em uma bodega em Mendoza e assistir Nacional X River Plate em Montevideo. Talvez eu só fique na vontade, mas desde já sei que será uma viagem incrível, ao lado de amigos. Criando novas e melhores lembranças, atualizando minhas dicas, provando outros temperos, me aventurando com menos dinheiro. Até lá, as atualizações por aqui continuam normais, mas depois do dia 14 elas devem sumir até o dia 26. Iupi.

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Gabi Gabriela

27 Fevereiro, 2009 · 39 Comentários

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Todo mundo que entra no Eneaotil e deixa aqui o seu comentário com um link tem sua página visitada. Mesmo que seja uma visitinha de médico, que eu entre correndo e passe os olhos rapidamente, que eu leia um ou dois posts para voltar depois. Assim, quando a Gabriela Barreto me escreveu um e-mail dizendo que era fotógrafa, eu já sabia.

“Leio sempre seu blog e comento algumas vezes. Gosto muito das coisas que você escreve. Sou fotógrafa recém formada em imagem e som pela UFSCAR e moro em Campinas.”

Já tinha entrado no site dela depois de um comentário e devorado todas as fotografias porque, além de eu ter certa fascinação por fotos, as que são captadas pela Gabriela são incríveis.

E ela me escreveu justamente oferecendo todo o seu talento depois de ler no Eneaotil a idéia do livro para e sobre o Luquinhas.

“Lembro de ter lido aquele post seu dizendo que está guardando tudo que escreveu sobre o Lucas para fazer um livro para ele. Quando li, pensei que seria legal se tivesse fotos também. Bom, minha proposta é a seguinte:
vou para Sampa num final de semana e passo o dia fotografando vocês. Não te cobraria nada porque sei bem como é a vida de quem resolve fazer comunicação social (caí nessa besteira também).

(…)

E te dou as fotos pra você guardar. O que você me diz?”

A gente pergunta para o macaco se ele quer banana? Lógico que aceitei. Porque, mesmo nunca tendo visto a Gabriela antes, eu sabia que uma pessoa com a sensibilidade que ela tem para congelar a vida em uma imagem não seria nenhuma maníaca seqüestradora de criancinhas. E; sem contar a minha coleção de armas brancas e o Kung Fu; tenho certeza de que se alguém levar o Luquinhas embora, o devolverá em 20 minutos.

A idéia da Gabriela era a mais legal de todas as idéias que eu já tinha ouvido sobre fotografias de mães e filhos porque não implicava ficar em um fundo branco fazendo poses, colocando dedinho na boca, dando beijo na testa, olhando fixamente para os olhos uns dos outros. Isso não funcionaria comigo e com o Lucas porque nenhum de nós dois (e talvez ninguém em toda a galáxia) se sente confortável quando tem uma câmera apontada para a fuça.

Parece que quando a gente está diante de uma câmera não se lembra daquela fotografia que saiu bonita e que enfeita a mesinha logo na entrada da casa da mãe. Eu, pelo menos, me lembro de todas as vezes que saí mais feia que o Tevez, das fotos da família inteira reunida em que só eu saí de olhos fechados, ou daquelas em que o ângulo desfavorável me deixa mais gorda que a Jô manicure (era esse o nome de uma mulher muito gorda dos anos 80 que só saía de casa com ajuda do Corpo de Bombeiros?).

Fora que se o Lucas percebesse que estava sendo fotografado, faria sua careta clássica em todas as aparições. E não quero que aquele que ler seu livro no futuro pense que ele tem lábios leporinos ou estrabismo.

Enfim, a idéia era que a Gabriela pudesse nos fotografar no dia-a-dia: vendo um jogo do Corinthians em que o resultado era inesperado (amém ganhou!), comendo macarrão e sujando a roupa de molho, tomando um tombo de patins, não cabendo em cima da bicicleta, dando e tomando bronca, conversando em família, recebendo cafuné no sofá, bocejando, espirrando, com olheiras, descabelada, enfim. Sem que a gente nem se desse conta de que ela estava ali.

O caso é que não deu muito certo. Não as fotos, que ficaram lindas, mas o fato de fingir que a Gabriela não estava ali, nos observando e vivendo um domingo conosco. Porque no momento em que passou da porta para dentro do pequeno apartamento de 80m² na Pompéia a Gabriela virou Gabi. Recebeu uma cerveja, comeu o macarrão da Dona Rose, jogou videogame, ensinou o Lucas a andar de bicicleta. Emprestou sua lente para o meu e o olhar do Lucas, nos deu sua simpatia e amizade. Fez o Lucas pedir que eu a contratasse como sua babá, já que ela mora longe e não teria como ser sua amiga todos os dias (e ele até disse que abriria mão de comprar um brinquedo no fim de ano para pagar os serviços da Gabi como babá com a quantia acumulada de R$ 100). Misturou-se e se tornou uma de nós.

Foi assim que eu e o Lucas ganhamos muito mais do que fotos lindas para um livro. Foi assim que eu e o Lucas (e a mamãe e o papai) ganhamos a Gabi para a vida.

**

Ela também escreveu sobre nosso encontro em seu blog. Vão lá conferir!

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Algumas das cerca de 500 fotos que nosso domingo rendeu:

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Stefhany ahaza!

20 Fevereiro, 2009 · 22 Comentários

Para o Daygo e para a Érica, especialmente:

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Lucas, os capangas e a minha vontade de socá-los todos

20 Fevereiro, 2009 · 20 Comentários

Parece que André, ex-melhor amigo do Lucas, se tornou seu maior desafeto. Tudo por causa de uma partida de futebol.

- Mãe, nunca mais quero olhar para a cara do André.

- Ué, mas ele não era o teu melhor amigo?

- Acho que nunca foi meu amigo, mãe. Ele me sacaneou na aula de educação física.

- O que ele fez?

- Eu estava jogando futebol e era o goleiro do meu time. Ele estava no outro time. Então ele ficava com a bundona na minha frente para me atrapalhar e não me deixava ver a bola.

Então eu me lembrei que não fazia nem uma semana que o Lucas tinha me dito, todo orgulhoso, ter feito a mesma coisa com outro menino no futebol.

- Ué, você não me disse que fez a mesma coisa com outro menino no futebol, na semana passada? E ainda por cima achou o máximo?

- Mas, mãe, o menino não era meu amigo! E o André dizia que era.

**

Aí ontem eu fui buscar o Lucas na escola e ele me disse:

- Mãe, não tenho mais com o que me preocupar. Contratei três seguranças para bater no André.

- QUE?

- É. Basta ele me encher o saco para o João Gabriel, o Lian e o Rafael entrarem em ação.

- Mas não eram esses três que você odiava?

- É, mas agora eles são meus seguranças.

- Lucas, você precisa parar com isso. O André é super bonzinho e esses três são umas pestes. E a professora disse na reunião que na sua turma só tinha brigão e que ela ia começar a colocar de castigo!

- Ah, ela já começou.

- Já? Você já ficou de castigo?

- Opa se já! – e ele começou a rachar o bico.

- Que beleza, hein?! E você ainda dá risada?

- Mãe, é o maior barato. Eu fiquei sem recreio e todos os meus amigos também ficaram. Aí a gente ficou na sala de aula, todo mundo junto brincando.

Que professora burra, my god.

- Então eu vou escrever um bilhete para a sua professora pensar em outra forma de castigo já que esse você adora.

- Não vai não!

E ele começou a fazer uma espécie de sapateado flamenco na Avenida Pompéia.

- Lucas, pára com esse show. Quando chegar em casa a gente vai conversar.

- Ah não, pelo amor de Deus, odeio conversar!

- Então cala a boca.

Fomos em silêncio o resto do caminho. Entrei no prédio e apertei os botões do elevador com violência. Aí ele resolveu quebrar o silêncio:

- Eita, o que que foi, mãe? Quer um tempinho para esfriar a cabeça? Se precisa de um tempinho para pensar e relaxar é só me pedir. Tudo bem. Quando estiver bem calminha, me chame. Estarei lá na portaria.

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Protegido: Prêmio Pé na Bunda 2009

18 Fevereiro, 2009 · Digite sua senha para ver os comentários

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Cesta básica de cultura para Blumenau

16 Fevereiro, 2009 · 31 Comentários

O leitor 300 mil nasceu com o rabo virado para a lua. Decidi comprar seu presente pelo submarino para evitar a taxa de entrega do correio que seria astronômica. Mas o frete do site era ainda maior (acho que Santa Catarina ainda está sem estradas, não é possível), a não ser que eu gastasse a quantia x, porque então o frete seria gratuito. Eu pensei: “prefiro gastar esse dinheiro em mais produtos do que na taxa de entrega” e foi assim que enviei para o Jaime:

- o filme A pequena loja dos horrores;

- o filme Mamãe é de morte;

- o DVD da Amy Winehouse;

- o CD da Amy Winehouse e

- o livro As boas mulheres da China.

Fui à falência (e vou repensar a promoção dos 400 mil ou torcer para a audiência cair assustadoramente), mas contribuí para aumentar o bom gosto da população brasileira.

Taí a foto e o depoimento do Jaime para provar que toda a minha generosidade é verdadeira. Porque esse lance de que quem faz não se vangloria é balela.

jaime

“Oi Lê, tudo bom??

Recebi os prêmios na segunda-feira (09/02), e só não mandei o email agradecendo por que eu estava doente. Agora como estou um pouco melhor, venho te agradecer.

Fiquei impressionado pelo seu bom gosto para música, cinema e para literatura. Realmente me surpreendeu (tendo em vista que o mesmo bom gosto não se estende ao futebol rsrsr). Ainda não comecei a ler o livro, mas já assisti os dois filmes (muito bons), e o DVD da Amy (cá entre nós, ela realmente ela é um talento).

Obrigado, que você continue sendo essa pessoa querida e carismática;

E que o eneaotil continue sendo esse sucesso de blog!

Beijos.

Jaime”

**

Desconfio que a foto com essa camiseta foi pura provocação!

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Feliz aniversário para a minha melhor mãe do mundo

12 Fevereiro, 2009 · 20 Comentários

mamae1

Se mãe é tudo igual e só muda de endereço, eu só posso concluir que o mundo todo (exceto os que são filhos de chocadeira ou foram encontrados em um pé de repolho) é feliz demais, assim como eu, por ter sido criado (e ser criado todos os dias, até o fim da vida) por uma mãe tão fantástica como a Dona Rose.

Parabéns, mamãe. Que a sua data seja comemorada por todos os filhos que se tornaram grandes pessoas graças a mães exatamente como você. Te amo tudo.

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Pimenta no fiofó dos outros é refresco

11 Fevereiro, 2009 · 29 Comentários

Um amigo querido leu o texto Mais grosso que um dedo destroncado e me mandou este e-mail com o seguinte relato:

Diálogos surreais – Telefônica

- Telefônica, Edilaine, boa tarde, em que posso ajudá-lo?

- Boa tarde, Edilaine. Meu nome é Alfredo, eu sou assinante. O número do meu telefone foi alterado sem a minha autorização e eu preciso saber o novo número.

- Senhor, as alterações de número só são feitas a pedido do assinante.

- Pois é. Como é mesmo seu nome?

- Edilaine, Senhor.

- Pois é, Edilaine. Só que a minha ex-mulher, que hoje mora na minha casa e utiliza o meu telefone, resolveu mudar o número para que eu não ligasse mais para lá. Ela mudou o número do meu telefone sem a minha autorização, você entende, Edilaine?

- Senhor, as alterações de número só podem ser feitas pelo assinante, mediante a confirmação de dados cadastrais que só são de seu conhecimento.

- Pois é, Edilaine. Mas a minha ex-mulher, que não sou eu, conseguiu trocar o número. E eu nem estou puto com isso. Até deveria, pois a Telefônica fez uma coisa que não poderia ter feito. Mas tudo bem. Edilaine, só me informe o número novo para que eu possa ligar para a minha filha.

- Eu não posso informar o novo número, Senhor.

- Como assim, Edilaine?

- Senhor, o assinante pediu que o novo número não fosse divulgado…
Até então eu estava inacreditavelmente calmo. As patuscadas da minha ex-mulher estavam me tornando uma pessoa mais tolerante. Mas tudo tem limite.

- MINHA FILHA, A PORRA DO ASSINANTE SOU EU. EU NÃO PEDI PARA MUDAR PORRA DE NÚMERO NENHUM, ENTÃO COMO É QUE EU POSSO TER PROIBIDO ALGUMA COISA???

- Entendo, Senhor. Mas não posso fazer nada. São as normas.

- QUE NORMAS O CACETE. SERÁ QUE EU VOU TER QUE PERDER O MEU TEMPO PROCESSANDO ESSA EMPRESA DE MERDA?

Quanto mais eu berrava, mais a Edilaine ficava calma, o que me deixou à beira de um colapso nervoso.

- O Senhor deseja mais alguma informação, Senhor Alfredo?

- NÃO, EDILAINE, SÓ DESEJO A PORRA DO NOVO NÚMERO QUE VOCÊS ALTERARAM SEM A MINHA AUTORIZAÇÃO.

- Como eu já disse, Senhor, não é possível atender à sua solicitação, pois o assinante não permite a divulgação do novo número.

- CRIATURA, O QUE EU PRECISO FAZER PARA QUE VOCÊ ENTENDA QUE O DESGRAÇADO DO ASSINANTE SOU EU? SOU EU, EDILAINE, ENTENDEU?
POR FAVOR, TRANSFIRA A LIGAÇÃO PARA O SEU SUPERIOR. E PELAMORDEDEUS, NEM PENSE EM FAZER A LINHA CAIR, HEIM?

- Perfeitamente, Senhor. Um momento.

Minutos depois, quando eu já estava certo de que a Edilaine derrubaria minha ligação, surge a Gláucia.

- Boa tarde, Senhor. Em que posso ajudá-lo?

- Gláucia, espero que a Edilaine tenha te explicado o meu problema e que você possa me informar o novo número do telefone, cuja alteração eu não solicitei.

- Infelizmente eu não posso, Senhor. O assinante proíbe a divulgação.

- PROÍBE O CACETE, MINHA FILHA. EU SOU O ASSINANTE. EU NÃO AUTORIZEI NADA E NÃO POSSO TER PROIBIDO NADA. VOCÊS ATENDERAM A UM PEDIDO DA LOUCA DA MINHA EX-MULHER E FIZERAM O QUE NÃO DEVERIAM TER FEITO. AGORA, ALÉM DISSO, VOCÊS NÃO VÃO ME DIZER O NÚMERO. EU SOU O ASSINANTE. EU, EU, ENTENDEU, EDILAINE?

- Meu nome é Gláucia, Senhor.

- QUE SE DANE O SEU NOME. QUERO A PORRA DO NÚMERO DO MEU TELEFONE.

- Não será possível, Senhor.

- MINHA FILHA, QUE TAL SE VOCÊ CONFIRMAR OS MEUS DADOS CADASTRAIS? MEU RG É TAL, MEU CPF É TAL, O NÚMERO DA MINHA CUECA É TAL.

- Não adianta. Quem me garante que o Senhor é o Senhor?

Naquele momento eu me senti o próprio Kafka. Não havia mais saída. Um muro intransponível surgiu diante do meu nariz.  Para tornar a situação ainda mais surreal, eis que toca o meu celular. Não reconheço o número, mas atendo. Precisava de alguns instantes para pensar em uma resposta para a Gláucia. Era a minha ex-mulher, ligando do meu novo telefone.

- Gláucia, querida, o novo número é 3831-XPTO?

Sem conseguir disfarçar a surpresa, ela sussurra:

- Isso mesmo, Senhor.

- Ok, então VÁ PARA A PUTAQUEAPARIU E LEVE A EDILAINE JUNTO. O ASSINANTE ESTÁ AUTORIZANDO. Boa tarde!

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Chuvinha de verão

9 Fevereiro, 2009 · 31 Comentários

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***

Essas fotos foram tiradas no sábado pelo fotógrafo Robson Fernandes, da Agência Estado, e são lá da esquina de casa. A quantidade de água molhou até o fiofó da minha vizinha no 5º andar, que estava sentada no sofá vendo televisão. Meu porteiro pôde pescar a mercadoria perdida das Lojas Americanas ali mesmo, da cadeirinha confortavelmente posicionada na encharcada portaria do meu prédio. A classe média do Edifício Ana Capri terá de se contentar em nadar numa piscina de lama nos próximos dias de calor porque a água limpinha e cristalina deu lugar ao barro puro que veio da rua. Alguns carros quase alagados na garagem foram retirados por vizinhos solidários, como o pai do Lucas e a Thaís, enquanto outros moradores assistiam tudo pela televisão, sem nem lembrar das janelas do apartamento.  Era só olhar e estava ali: uma transmissão ao vivo do caos pompeiense. Sem narração, sem apresentador escandaloso pedindo justiça para São Pedro. Só água e lixo. O muro detrás do meu prédio veio abaixo. O Ford Eco Sport não conseguiu ser salvo e foi guinchado pela seguradora. Ninguém conseguiu avisar seu dono, o morador do 2º andar, que dormia pesadamente na hora da enchente. Depois que a água conseguiu ir embora pelos ralos das casas e boeiros entupidos das ruas, foi hora de contar o prejuízo. Mas nem vai dar tempo de contar muito porque a previsão do tempo já avisou: serão 6 dias de chuva. A classe média alta que mora no baixo só se fode mesmo.

***

Meus agradecimentos especiais para a dupla Thaís e Ricardo pelo salvamento do Corsinha 98, meu carro que, igual a mim, não sabe nadar. Eu não estava em casa, mas minha família estava. Todos estão bem, obrigada. Eu sabia que colocar o Lucas na escolinha de natação era um investimento.

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Aleluia!

6 Fevereiro, 2009 · 37 Comentários

Senhor, hoje eu vi um verdadeiro milagre. A Santa não chorou lágrimas de sangue nem apareceu no reflexo do espelho. Não curei minhas chagas do Kung Fu com um simples toque, muito menos fiz um tetraplégico andar com apenas um olhar. Foi ainda melhor. O litro da cerveja belga Stella Artois estava a R$ 1,29 no Makro. Que se foda que vencerá na próxima segunda-feira, comprei 12 litros. E o Seu Makro tem que ser canonizado, Senhor. Amém.

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Mais grosso que um dedo destroncado

4 Fevereiro, 2009 · 42 Comentários

Atenção: essa porra de post é repleta de palavrões

Ontem estava dentro do ônibus, pensando na coisa mais grosseira que já me disseram em toda a minha vida (eu sei, é falta do que fazer, mas tinha esquecido meu livro aqui no trabalho). Lembrei de muitas brigas que tive na adolescência com a Dona Rose, outras tantas que travei com meu irmão já no começo de nossa vida adulta, os insultos que ouvi de ex-namorados, as besteiras que nossos chefes costumam falar todos os dias, os xingamentos do instrutor da auto-escola, as explosões do papai de vez em quando, as pataquadas que nossos amigos deixam escapar e pensei que nada disso vale.

Não vale porque foram ditas no calor da emoção, quase sempre em um momento de irracionalidade. Não que não tenha me magoado, até porque se eu encontrar meu instrutor da auto-escola passo por cima dele com o carro. Mas grosserias deste tipo a gente costuma relevar e até perdoar.

Então fiquei pensando nas que eu jamais consegui superar e nem conseguirei. Estão na categoria das grosserias que a gente leva para casa de graça, que “a gente poderia ter dormido sem”, que chegam quando a gente menos espera. Do tipo que deixa a gente tão desconcertada que fica completamente sem reação, sem saber o que fazer. E, horas depois, fica se lamentando por não ter dado um soco na cara da pessoa. Aquele tipo de grosseria que faz a gente mudar de postura para que nunca aconteça nada de parecido, que nos traumatiza de verdade e que dá vergonha alheia só de lembrar.

**

Tipo aquela vez que liguei na TIM para resolver um problema na minha conta e fui maltratada o tempo todo pelo atendente. Até que resolvi dizer:

- Moço, não vista tanto a camisa da sua empresa assim. Não vale a pena.

E ele soltou a pérola:

- O que eu faço ou deixo de fazer no meu trabalho é um problema só meu.

Aí eu perguntei se não dava para ser atendida pelo funcionário do gerúndio, porque eu preferia, mas deveria tê-lo mandado enfiar um dedo na bunda e outro na boca e ir trocando.

Resultado: eu nunca mais ligo na TIM. Posso me tornar a melhor amiga do dono da empresa, mas eu nunca vou ligar para ele a fim de saber como é que está a vida. Mudei de operadora, escondi o chip antigo em um sarcófago e quando eles me telefonam para saber se quero voltar para a TIM eu começo a tremer.

**

Aí me lembrei de uma vez também que uma mulher de uma empresa de cobrança ligou no telefone do serviço (sim, eu disse TELEFONE DO SERVIÇO) e começou a gritar comigo. Era uma funcionária de empresa contratada pelo Grupo Santander, para quem eu estava devendo certa quantia no cheque especial.

- VOCÊ NÃO TEM PALAVRA. VOCÊ NÃO PAGA SUAS DÍVIDAS EM DIA.

Juro, ela não me disse nada mais nada menos do que isto.

Eu respondi que eu não sabia nem quem ela era para falar comigo daquela maneira, que eu não devia nenhum real para ela e que se ela não calasse a boca eu faria um B.O. porque aquilo era assédio moral. Mas eu deveria mesmo era tê-la mandado tomar no centro social e urbano do seu devido cu.

Aí ela bateu o telefone na minha cara e eu ganhei mais uma úlcera, que batizei carinhosamente de Silvia, o nome da filha da puta.

Quando parei de tremer, liguei para a empresa e gritei uma hora no ouvido do chefe da piranha, para ele ver como é gostoso.

Resultado: eu paguei minhas dívidas e nunca mais fiquei devendo para o banco Eu nunca mais consegui simpatizar com ninguém que tem este nome.

**

Mas a campeã da grosseria não foi nenhuma destas. Aquela que eu jamais conseguirei superar aconteceu há 16 anos. Foi também em uma época de mudança de escola, quando passei da quarta série para a quinta e fui estudar no Miss Browne, um colégio estadual ali da Pompéia.

Nesta época eu já tinha vivido três anos de Tenente José Maria Pinto Duarte, então estava um pouco mais delinqüente, mas nada comparada aos internos da Febem que estudavam no Miss Browne em regime semi-aberto.

No meu primeiro dia, ou na minha primeira semana, não lembro bem, eu saí para o recreio sem conhecer ninguém daquela escola. Aí uma menina olhou nos meus olhos e por dois minutos eu achei que ela queria fazer amizade. Esbocei um sorriso e já ia perguntar-lhe o nome quando ela gritou:

- QUE FOI QUE ESTÁ OLHANDO, PORRA? TÔ COM A BUCETA NA CARA???

Juro, eu nunca tinha ouvido ao vivo e a cores  a palavra “buceta”, embora soubesse o que queria dizer. E ela tinha gritado não só para eu ouvir, mas para toda a escola, que por uns 10 minutos ficou me olhando como se eu fosse um extraterrestre. Acho que todo mundo esperava que eu respondesse:

- Considerando o seu cavanhaque e o seu bafo de peixe, acho que está com a buceta na cara sim…

Mas a minha reação foi zero vezes zero. Nenhuma. Nenhuminha.

Resultado: toda vez que fico mais de dois minutos olhando na cara de alguém, vejo uma periquita.

Traumatizante é pouco.

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Feliz

2 Fevereiro, 2009 · 32 Comentários

Vocês se lembram da votação do Tchananã Awards 2008, do site Judão? O Eneaotil tinha sido indicado como melhor blog do ano passado e concorreu com outros 14 blogs nesta categoria. Blogs bem legais, como o Crônico, do amigo Louback; o Olhômetro, da também amiga Ana Freitas; o bonitinho Bichinhos de Jardim; e o divertido Wagner & Beethoven; entre outros.

Pois então, o resultado saiu agora de noite. O Eneaotil não foi vencedor pelo voto popular, mas foi escolhido como o melhor de 2008 entre todas as pessoas da equipe do Judão. E, segundo o Borbs, editor do site, foi quase uma unanimidade.

Eu fico feliz à beça. De verdade. Isto me deixou com um sorriso largo no rosto que não vou perder nem dormindo. O Eneaotil tem recebido cada vez mais comentários, cada vez mais links e eu tenho recebido e-mails carinhosos e divertidos quase todos os dias. Jamais imaginei que chegaria sequer a um terço disto tudo. Só tenho a agradecer todo mundo da equipe do Judão e todos os leitores que entram aqui diariamente e tornam o Eneaotil um dos momentos mais divertidos do meu dia. Um abraço apertado a todos.

judao

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Luquinhas, o sexo e a lógica

29 Janeiro, 2009 · 38 Comentários

Lembrei de uma outra.

Terça-feira fui buscar Luquinhas na escola e voltamos conversando sobre seus novos coleguinhas de sala.

- E aí, Lu?! Está gostando dos novos amiguinhos?

- Estou sim. Ainda não arranjei nenhuma namorada nova.

- Mas foi só o segundo dia! Sossega o pito.

- Ah, mãe. Um dia eu vou arranjar 3 namoradas e elas vão gostar de mim e eu vou ficar pelado com elas.

- Putaqueopariu Lucas! Você só poderá ficar pelado com UMA namorada quando for grandão.

- Grandão quanto?

- Assim, do tamanho do seu tio! – foi a primeira coisa que eu pensei porque meu irmão tem 1,96 cm.

- Mas, mãe, o titio já ficou pelado com a namorada dele?

Ai, meu deus.

- Lucas, não sei.

- Pergunta para ele, mãe.

- Lucas, seu tio está no Rio de Janeiro.

- Liga pra ele, mãe. Liga! Liga! Liga!

- Pára com isso.

- Pergunta! Pergunta! Pergunta!

Meu irmão namora há 5 anos e eu sabia a resposta, mas lá fui eu mandar um SMS para o Digo.

“Digão, o Lucas quer saber se você já ficou pelado com sua namorada”

“QUÊ?”

- Mãe, o que foi que ele respondeu????????

- Ficou indignado, Lucas. Mas não respondeu nem que sim nem que não.

- Pergunta de novo! PERGUNTA! PERGUNTA!

Acho que ele até babava.

“É isso mesmo que você leu, Digo”

“Mas ele perguntou isto do nada?”

- E agora? O que ele respondeu???

- Ainda nada, Lucas. Vou perguntar pra ele se sim ou se não.

- Ai, por favor, SIM, SIM, SIM, SIM – e juro que ele fez figuinhas, torcendo para que meu irmão não fosse mais casto.

Então eu mandei uma outra mensagem explicando tudo e meu irmão só respondeu:

“Hahahahahahahahahahaha”

Mostrei para o Lucas e ele disse:

- Olha, mãe. Se o meu tio não quer responder eu só posso concluir que ele já ficou pelado mais de 20 vezes.

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Chantagista

29 Janeiro, 2009 · 10 Comentários

Lucas me pediu para ficar com ele na cama até dormir.

- Filho, você é um menino grande. Dorme sozinho desde piquitico. Não começa com essas frescuras, hein?

- Que droga! Eu queria uma mãe que ficasse comigo o tempo todo.

- Mas, Lucas, já pensou que chato vai ser quando você crescer, começar a namorar e eu ficar ali, grudadona do seu lado?

- Ah, mãe. Eu deixo. Por exemplo, quando eu quiser namorar no seu quarto, você pode ficar lá…

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Creuzado

26 Janeiro, 2009 · 26 Comentários

Hoje o Lucas voltou para a escola e começou sua segunda série do Ensino Fundamental. Não chorou nem uma lágrima e arrisco dizer que sequer sentiu vontade. Foi todo seguro para dentro da sala, sentou junto com novos amiguinhos, reviu outros e praticamente se esqueceu de dar tchau para mim.

Então eu fiquei tentando lembrar da minha segunda série e comecei a ter calafrios. O ano era 1990 e eu troquei o ensino particular pelo público. Fui do pequeno Colégio São Domingos para a grande Escola Municipal de Primeiro Grau Tenente José Maria Pinto Duarte. Ficava (fica, porque ela ainda existe) no alto de um morro e as janelas davam para a barulhenta Avenida Sumaré. As paredes eram todas pichadas e atrás da escola crescia um matagal gigante, onde espécies peçonhentas se proliferavam para, posteriormente, grudar nos nossos cabelos, na hora da fila.

Eu estudava de tarde, porque de manhã eram as classes de 5ª à 8ª série. E era de manhã que acontecia o batismo feito pelos alunos da 8ª nos pré-adolescentes da 5ª. Um tipo de rito de passagem, que marcava o momento em que a gente deixava a infância e já podia ser espancado por gente mais velha durante a hora do recreio. Quem me contou isso foi meu irmão, quando ele fez a 5ª série e passou um ano todinho se escondendo no banheiro durante o intervalo das aulas.

O máximo da agressão que acontecia de tarde entre os alunos mais novinhos era guerra de pão de mel, distribuído de merenda pela Prefeitura. E o pão de mel era tão duro, mas tão duro, que eu tenho certeza que a diretoria da escola abafou todos os casos de traumatismo craniano que ocorreram ao longo dos meus dois anos no Tenente. Graças à Virgem Santíssima, mamãe me tirou destea inferno escola quando terminei a 4ª série.

**

Mas eu não descobri tudo isto no primeiro dia. No primeiro dia de Tenente, na 2ª série, eu descobri que teria aula com a Professora Creuza. Isto mesmo, CREU-ZA. No próprio nome da minha professora já tinha erro de português. Porque, me desculpem as Creuzas, é a mesma coisa que falar probrema.

A Professora Creuza tinha os dentes separados, as unhas compridíssimas e usava um batom vermelho borrado. Era loira tingida do cabelo palha de aço e em seus dedos cabia cerca de 175 anéis pendurados. E a bicha era mais brava que o capeta na andropausa. Se eu precisasse contratar alguém para assustar uma casa com dois cômodos, certamente eu começaria minha pesquisa de preço pela Professora Creuza.

Eu vim para o Tenente toda catita, pequenininha, com minhas canelas finas e minha franjinha reta, falando baixinho e com um nó na garganta. Eu tinha tido na primeira série aulas de educação musical, ensino religioso e ciências com a Tia Marta. Aí meus pais me colocaram para estudar com o demo.

- Tia Creuza, posso ir ao banheiro?
- Eu já andei de calcinha na sua casa? Já empurrei carroça com a sua mãe? Então, puta que pariu, não sou sua tia. Me chama de PRO-FES-SO-RA.

Nem sei se foi nesse momento em que mijei nas calças na sala de aula.

**

O caso é que com o passar o tempo eu fui me transformando nesse monstro e a Professora Creuza começou a gostar de mim. Não sei se era cumplicidade por causa de nossos nomes, ou se ela realmente admirava meu desempenho. Enfim, eu virei o xodó da Professora Creuza e há quem diga que ela gostaria que eu a chamasse de tia.

Até que em um certo dia, sei lá porque cargas d’água, eu esqueci de fazer a lição. Era uma redação simples, mas vagabundiei e não fiz. A professora sempre chamava meia dúzia para ler a redação, por isto todos tinham que fazer porque nunca sabiam quando seriam chamados.

Eu respirei fundo e comecei a rezar. Se eu tivesse muita sorte não seria escolhida justo naquele dia. Só que eu não tenho nem pouca sorte, que dirá muita. E adivinha qual foi o primeiro nome que a Professora Creuza chamou?

- Leonor!

Lógico que foi o meu.

O fato é que desde pequena eu sei contar histórias e naquela tarde abri meu caderno, olhei para a página em branco e inventei uma historinha emocionante sobre o Lumbo: um elefantinho orelhudo que era tirado dos braços da mãe para fazer um número de circo e um dia conseguiu voar.

Causei uma comoção geral na sala de aula e chegou até a escorrer uma lágrima de sangue dos olhos de Creuza. Todo mundo aplaudiu de pé.

- Muito bom, Leonor. Agora traga a redação para mim, sim?
- O que?
- Traga a redação que você escreveu aqui na minha mesa.

Me fodi.

- Não pode ser depois do recreio?
- Não. Qual é o problema de me entregar agora?
- É que… é que… eu não fiz.

Chego a acreditar que a Professora Creuza já sabia que eu não tinha feito a redação, mas quis ver até onde eu iria aquele dia. E eu fui até o “e eles viveram felizes para sempre”. E perdi o direito de descer para o recreio, porque tive que inventar uma nova história, desta vez no papel.

Pensando melhor em tudo isto, nos pães de mel, no batismo, nos bichos peçonhentos e no Tenente, acho que vou procurar a Professora Creuza para agradecer por ela não ter me deixado descer àquele dia. No fim das contas, ela foi bem mais que uma tia.

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Lucas pela primeira vez no avião

21 Janeiro, 2009 · 39 Comentários

Eu não fui, mas estava lá.

**

Observações gerais:

  • O empolgado que filmou o Lucas foi meu irmão. Valeu, Digo, por compartilhar esse momento comigo e com mais tanta gente que ama o Luquinhas.
  • O vídeo é grande, tem mais de 10 minutos.

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Minha vida na rodoviária

19 Janeiro, 2009 · 22 Comentários

Aqui em São Paulo, madrugada de segunda são as horas que antecedem a manhã de segunda. Nem a reforma ortográfica conseguiu mudar essa definição.

Mas parece que em Olímpia, no interior bem lá para cima, beeeeeeeeeem depois do Trópico de Capricórnio, de onde vem a família de minha mãe, as coisas não são assim.

- Lelê, tem como você me buscar na rodoviária Tietê na madrugada se segunda-feira? Meu ônibus chega às 6h30 da manhã.

- Putaquel Claro!

**

Xinguei até a 5ª geração da família da minha mãe quando ela me acordou hoje, às 5h15. Me arrumei rápido e fui para a rodoviária. Ainda estava totalmente de noite, ou seja, madrugada de segunda-feira. Não tinha erro.

Aí deu 6h20 e encostou um ônibus da mesma empresa que traria minha prima. E nada da mulher descer.

- Olha lá a Márcia, Lelê!

- Nada a ver, mãe.

E não tinha nada a ver mesmo. Minha prima é baixa, magra, branca, do cabelo preto liso. E a mulher confundida tinha 1,80m, 160kg, era negra, do cabelo crespo loiro. Mas era realmente muito cedo e mamãe, além do sono, estava tomada pela esperança de sair dali o mais rápido possível.

**

A esperança da mamãe se evaporou às 7h30, quando ela decidiu, preocupadíssima, perguntar no guichê de informações o que tinha acontecido com o ônibus. Dez minutos depois ela voltou:

- E aí, mãe?

- E aí que eles disseram que o ônibus já deve ter chegado. Aprontei um esparrame. Ninguém sabe dar uma informação.

A gente imaginou a Márcia completamente perdida em São Paulo, com a filha pequena a tira-colo, chorando, desesperada sem saber chegar na minha casa. Depois de dois anos, desmemoriada e vivendo como mendiga pelas ruas da cidade grande, ela pediria ajuda ao “De volta para minha terra”, do Programa do Gugu.

**

- Já sei, mãe. Vou ligar para o papai passar o telefone celular dela lá de Olímpia. Quem sabe ela não atende?

**

Tu…Tu…Tu…Tu…

- Alô?

- Alô, Márcia?

- Oi, Lelê!

Não tinha sirene de ambulância, gritaria, choradeira, helicóptero de resgate. Nenhum barulho no fundo.

- Peloamordedeus me fala que seu ônibus caiu em uma ribanceira! Onde você está?

- Em Olímpia, ué.

- Como “ué”? Não era hoje que você vinha?

- Não, é só amanhã às 6h30 da manhã.

- Ah, vá se foder! Putz.

**

Ou seja, amanhã vou ter que acordar às 5h15 de novo. Eu sei que muita gente vai dizer “por que você não diz para ela pegar um metrô?” e a resposta é uma só: vai dar mais trabalho mudar de sobrenome daqui a dois anos, depois de vê-la no  Gugu.

→ 22 ComentáriosCategorias: Família

O leitor 300.000

15 Janeiro, 2009 · 20 Comentários

eneaotil2

Dessa vez, a promoção do leitor 300.000 teve vencedor. O prêmio que estava acumulado (DVD + livro) foi arrematado por Jaime Custódio da Luz Junior, leitor do blog desde junho de 2008.

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Foto meramente ilustrativa

Na época, a namorada de Jaime ganhou uma viagem para Buenos Aires com direito a um acompanhante. Depois de muita chantagem emocional muito insistir com a namorada, o rapaz ganhou o direito de ir junto para a capital Argentina e começou a procurar dicas de sobrevivência. “Até que um dia digitei no google ‘dicas de Buenos Aires’ e a minha vida mudou completamente (risca) e o seu blog era um dos primeiros no resultado da pesquisa. Li tudo o que você escreveu antes de viajar e quando voltei li novamente. As coisas que vi e que vivenciei em Buenos Aires começaram a fazer mais sentido. Foi a partir daí que comecei a acessar o Eneaotil regularmente”, ele conta.

Jaime mora em Tangamandápio Blumenau, Santa Catarina (me fodi para enviar os presentes), tem 24 anos, é torcedor do São Paulo e me proibiu de fazer qualquer piada relacionada com sua idade e seu time. É formado em administração de empresas e trabalha no planejamento de uma grande empresa do ramo do vestuário, cuja marca não será aqui divulgada porque não embolsei nenhum dim dim esse blog não faz post pago. No mês que vem, o jovem empreendedor iniciará sua especialização em logística e negócios internacionais.

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Jaime por Jaime:

“Meu nome é Jaime Custódio da Luz Jr., filho de Jaime Custódio da Luz e Rosa Custódio da Luz. Tenho um irmão e uma irmã, sou o caçula da casa, o único que ainda mora com os pais. Sou padrinho de duas meninas lindíssimas (Samara e Nicole), ambas com 10 meses de idade. A primeira é filha da minha irmã e a outra do meu irmão.

Tenho três cachorros, um papagaio, enrolo namoro há 4 anos a garota mais linda do mundo. Sou coordenador (e agora candidato a vice-presidente) da Sociedade Recreativa Cultural e Beneficente Equipe @rromba (equipe de gincana da cidade de Blumenau). Trata-se de um trabalho socialculturalrecreativodivertidoparacaralho que fazemos em nossa cidade. Só para você ter uma noção, cada equipe é composta por, em média, 100 integrantes e na cidade são cerca de 15 equipes. Eles se envolvem e beneficiam em torno de 1000 pessoas, direta e indiretamente.

Moro no mesmo lugar desde que nasci. O meu orkut diz que tenho 600 e poucos amigos, mas se for para contar os amigos mesmo não chegam a cinco. Sou um cara que nem sempre está de bom humor, mas os dias de bom humor prevalecem. Amo minha família, faço o que for preciso para ajudar meus pais e meus irmãos.

Tenho um Gol bola 97 que comprei do meu pai, não sou pobre, muito menos rico. Trabalho há 5 anos e meio na mesma empresa (aliás, a primeira que me deu oportunidade). Neste ano vou para São Paulo ver um jogo do São Paulo na Libertadores.

Pretendo casar daqui a uns 10 anos, mas antes disso tenho que fazer a minha especialização, mestrado, doutorado, morar no exterior, voltar e abrir a minha empresa. Daí, quem sabe?, eu pense em noivar para posteriormente morrer casar.”

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Jaime receberá a ajuda humanitária os presentes em Blumenau muito em breve.

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Sobre como a gente descobre que o filho não tem nadado pelado no Rio de Janeiro

15 Janeiro, 2009 · 9 Comentários

Pelo telefone:

- E aí, Luquinhas? Vai voltar negão de tanto ir na praia?

- Ah, mãe. Só a minha bunda que não.

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