Eneaotil

Menininhos são de Marte, menininhas são de Vênus

9 fevereiro, 2010 · 15 Comentários

O namoro do Lucas tem novos capítulos todos os dias. E, como todo namoro, já tem altos e baixos.


Alto:

- Mãe, a Rebecca também é corinthiana. Passei o recreio inteiro ensinando musiquinhas de estádio para ela.


Baixo:

- Mãe, estou me sentindo pressionado. A Rebecca não pára de me chamar para ir à casa dela. O que eu falo?

- Diz que a mamãe não deixa.


Alto:

- Mãe, a Rebecca me deu um carrinho de presente!


Baixo:

- Mãe, me dá um dinheiro para comprar um presente pra Rebecca? Preciso retribuir o que ela me deu.

**

Mas o que mais me chocou foi esse diálogo pelo MSN. Preciso parar de ler as conversas do meu filho.

Lucas diz:
oi amor

Rebecca diz:
oi corinthiano
lucas

Rebecca diz:
Lu

Lucas diz:
oi

Rebecca diz:
ta dormindo?

Lucas diz:
não

Rebecca diz:
intão

Lucas diz:
o que

Rebecca diz:
seila

(…)

Rebecca diz:
Lu
aloo

Lucas diz:
oi

Rebecca diz:
oque vc ta vasendo?????????????????????????????????

Rebecca diz:
lucas me renponde

Lucas diz:
o que?

Rebecca diz:
que vc ta vasendo
???????????????????????????????????????????????????????????/
???????????????????????????????????????????????????????????/
????????????????????????????????????????????????????????????

Lucas diz:
conversando com vc
ora

Rebecca diz:
eu falo alguma coisa e vc não me responde
so depois de um tenpão

Lucas diz:
è

Rebecca diz:
ta

Lucas diz:
ta o que

Rebecca diz:
tabom
iai vc vem na minha casa

Lucas diz:
te amo
não

Rebecca diz:
e eu te adoro

Lucas diz:
vc  è uma gatinha

(NOTA DA SOGRA: Lucas virou mesmo um homenzinho. Olha a estratégia do garoto para mudar de assunto: “Vem na minha casa conhecer meu pai, Lucas?”, “Te amo, Rebecca”. “Estou gorda, Lucas?”, “Te amo, Rebecca”)

Rebecca diz:
meu

Lucas diz:
o que?

Rebecca diz:
vc vai comesar de novo
de novo

Lucas diz:
com o que

Rebecca diz:
de vc  fica falando de mim que vc sabe que eu fico com vergonha
lucas
alooooooooooooooooooooo

Lucas diz:
ta eu paro

Rebecca diz:
para mesmo

Lucas diz:
paro

Rebecca diz:
fala assim
eu te amo muito

Lucas diz:
eu te amo muito

(…)

Rebecca diz:
se ouvil o telefone
era eu
gosto

Lucas diz:
liga então

Rebecca diz:
ligei

Lucas diz:
è

Rebecca diz:
fala auguma coisa
se não eu vo na piscina
que eu to esperando para ir na piscina
a vem na minha casa
porfavorr
pera ai
vc pode vir aqui

Lucas diz:
oi
perai
vou te ligar

Rebecca diz:
fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala falqa fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala
fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala fala
fala fala fala fala fala fala

Lucas diz:
Rebecca vai pro telefone
vou ligar

Rebecca diz:
não eu te ligo porque o a vc sabe

Lucas diz:
vai ligar?

Rebecca diz:
não não liga eu te ligo o telefone que vc tem não ta fonsionando

**

“Fonsionando”. Tava na cara que era corinthiana.

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Sogra

4 fevereiro, 2010 · 56 Comentários

“Aqui jaz a minha sogra que viveu enchendo o saco,
não tendo mais o que encher,
veio encher esse buraco.”

(Desconhecido)

Sogra do mês

Virei sogra. Não estava preparada ainda. Eu sabia que um dia isso iria acontecer, mas achei que fosse ser em 2025, mais ou menos. Não com um filho de 8 anos.

Até então eu só tinha sido meio sogra. Só gra. Ou melhor: ogra. Porque o Lucas tinha namorado outras cem vezes, mas as meninas não. Ele namorava sozinho. Milenca, Giovana, Gabriela, Morgana. Elas nem imaginavam que já tinham tido o seu primeiro namorado.

**

Não sei ser sogra. Já experimentei de vários tipos: nova, velha, palmeirense, corinthiana, descolada, reacionária, legal, chata, boa cozinheira, péssima cozinheira, que me fazia rir, que me fazia chorar, maldita, abençoada, mãezona, sogra sogra. Me dei bem com a maioria delas, mesmo quando tive que engolir uma sopa de couve ou um caldo de chuchu com macarrão integral. Ainda assim, perdoei.

Se eu tivesse feito um filho aos 30 e meu filho tivesse arrumado uma namorada aos 30, eu seria daquelas sogras com dupla personalidade, que faz um cachecol para a nora e em seguida envenena os bolinhos de chuva.

Se eu tivesse feito um filho aos 19 e meu filho tivesse arrumado uma namorada aos 15, eu seria daquelas sogras que dá o primeiro porre na nora e vai parar na cadeia depois de ser processada por oferecer bebida alcoólica para menor de idade.

Mas eu fiz um filho aos 19 anos e o dito cujo resolveu arranjar a sua primeira namorada aos 8 anos! Agora eu não posso nem dar um porre de cerveja na criança sem matá-la, muito menos envenenar bolinho de chuva. Porque eu não sei fazer bolinho de chuva!

**

O Lucas sempre namorou sozinho até conhecer a Rebecca. Foi tudo muito rápido, uns dois dias depois de conhecer a Morgana. A Rebecca também é da escola nova do Lucas. E tenho que dizer, meninas, que a Rebecca podia fazer uma apostila de abordagem masculina porque venderia como água.

Acompanhe:

Na segunda-feira desta semana, a Rebecca se tornou amiga do Lucas. Na terça-feira, ela pediu seu MSN e telefone. Ligou 17 vezes durante a tarde, sem exagero. Lá pela 16ª vez, o Lucas já estava escondido de medo da Rebecca e não podia nem ouvir o telefone tocar que começava a tremer. Tive que mentir e dizer que ele havia saído, porque senão teríamos a madrugada toda de telefonemas. Na quarta-feira, ela deu uma sumida e o Lucas sentiu sua falta. Até que ela conectou no MSN de noite e apareceu na webcam para ele, com um monte de emoticons de coraçãozinho. Nesta altura do campeonato, a Morgana já tinha ido para o espaço. Hoje a mãe dela me cumprimentou na porta da escola e eu achei aquilo tudo muito estranho.

**

Na volta da escola, o Lucas me contou:

- Mãe, acho que a Rebecca gosta de mim. Ela me olha a aula toda.

- Ih…

- Toda vez que eu olho, ela olha…

- Ih…

Aí chegamos em casa, não deu nem 5 minutos e a pentelha Rebecca ligou. Eu disse que ele ia almoçar e que ligasse depois. Vim trabalhar e minha mãe me contou via gtalk:

- O Lucas está há meia hora no telefone com a menininha, fechado no quarto.

E me mandou a seguinte conversa, que o Lucas deixou aberta no MSN:

Lucas diz:
porque na aula voce fica o tempo todo olhando para mim?

Rebecca diz:
eu não fico

Lucas diz:
fica sim
não minta

Rebecca diz:
eu não to mintindo

Lucas diz:
ta sim
fala a verdade

Rebecca diz:
não to

Lucas diz:
eu quero a verdade
vc gosta de min?
não tenha vergonha de falar a verdade
e ve se fala a verdade

Rebecca diz:
fala vc primeiro sinao eu não falo

Lucas diz:
eu não vou falar para niguem
isso e verdade

Rebecca diz:
senão eu não falo

Lucas diz:
ta eu falo

Rebecca diz:
fala

Lucas diz:
vc promete que não conta para nimguem

Rebecca diz:
sim eu juro

Lucas diz:
verdade

Lucas diz:
quer dizer que vc gosta de min?

Rebecca diz:
descubril
descubriu

Lucas diz:
liga para min

Rebecca diz:
ta

Lucas diz:
ta bom

Rebecca diz:
pera

**

Não deu cinco minutos desta conversa com a minha mãe e ele me chamou no MSN:

Lucas diz:
mãe

Leonor Macedo diz:
oi amor

Lucas diz:
Não fala para niguem
eu vou te contar uma coisa

Leonor Macedo diz:
conta sim
pode contar
não vou falar pra ninguém

Lucas diz:
eu to namorando a Rebecca

Leonor Macedo diz:
tá namorando????

Lucas diz:
sim

Leonor Macedo diz:
você gosta dela???

Lucas diz:
sim e ela de min

Leonor Macedo diz:
mas como é namorar, Lu?
namoro de criança é diferente, né?

Lucas diz:
è
esse namoro è dar as mãos

Leonor Macedo diz:
só isso, né?

Lucas diz:
é sim

Leonor Macedo diz:
você é um fofo!

Lucas diz:
so sim

**

Não deu cinco minutos, eu chamei minha mãe no gtalk, mas esqueci que quem estava usando o computador era o Lucas:

eu: MORRI

Rosemarí: porque

eu: ele tá namorando
pediu pra não contar pra ninguém
vou contar pro mundo já já
mas você não sabe, hein?

Rosemarí: sou eu mãe, no gtalk da vovó
e não conta para o mundo, purfavor

**

Sou uma vaca de estar aqui dividindo isso com vocês.

**

Parece que nesta conversa de meia hora pelo telefone que ele e a Rebecca tiveram, ela o pediu em namoro. E ele aceitou. Porque se convenceu de que ama a Rebecca.

“Foi um verdadeiro milagre alguém ter aceitado namorar comigo, mãe”, ele me disse pelo telefone. Lindo daquele jeito. Homem é tudo besta.

Então expliquei para ele que ele só tinha 8 anos e que era natural que nunca ninguém tivesse aceitado namorar com ele. Contei da corrente que acredita que a vida começa aos 40 e pedi para que ele pensasse nisso.

- Tá, tá… Quando eu posso chamá-la para vir em casa?

**

Alguém sabe uma receita rápida de bolinho de chuva?

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Educação britânica

3 fevereiro, 2010 · 1 Comentário

O Lucas para a madrinha dele:

- Dadá, você se importaria se eu soltasse um punzinho silencioso?

- Sim, me importaria. Por que?

- Porque eu já soltei três.

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luispaulo@rpartners.com.br

1 fevereiro, 2010 · 21 Comentários

No meio de janeiro, vazou na internet um modelo da terceira camisa do Corinthians:

Apesar de ostentar o símbolo do Corinthians, está entre as roupas mais feias que já vi. E olha que sou freqüentadora do Brás. Mesmo sendo apenas um boato, alguns torcedores mandaram e-mails indignados para o Luis Paulo Rosenberg, do marketing corinthiano, tentando reverter as coisas. Uma das torcedoras recebeu, na época, a seguinte resposta:

Eu fiquei um tanto quanto aliviada porque o Rosenberg disse que não seria lançada mais uma camisa roxa, mas uma camisa rocha. Achei que o Corinthians fosse lançar uma armadura para homenagear a idade média, as cruzadas e seus cavaleiros, enfim. Ele sempre rompe as tradições e nada me surpreenderia. Tudo menos aquele forro de caixão.

Até que hoje o Corinthians apresentou sua nova terceira camisa:

Eu juro que eu não sei o que que o Alessandro fez de errado na vida, mas nem se ele tivesse feito três gols contra ontem ele teria merecido ser o modelo a vestir essa camisa. Aí eu tive que escrever pro Rosenberg:

Clica no thumb pra ler

Colocarei a resposta por aqui assim que ele responder. Juro.

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Amor pra vida toda

27 janeiro, 2010 · 14 Comentários

Durante 2009 todo, o Lucas foi apaixonado por uma menina da escola chamada Gabriela. A Gabriela era realmente bem bonitinha: tinha os olhos verdes e usava maria-chiquinha dos dois lados do cabelo.

Na primeira vez que a vi, ela estava com a cabeça espremida em uma touca porque dali a cinco minutos faria uma aula de natação e mesmo assim a achei bonitinha. Um caso raro de bom gosto infantil, já que a primeira menina que o Lucas gostou na vida se chamava Milenca, era uma ciganinha e tinha os dentes podres. Quem já não fez merda nesta vida, né?

Nas férias de julho, o Lucas não deixou de falar na Gabriela um só dia. Pela primeira vez ele descobriu o quanto dói uma saudade e contou os minutos para voltar para a aula. Quando voltou, teve sua primeira desilusão amorosa:

- MÃÃÃÃÃÃÃÃE, O QUE ACONTECEU COM A GABRIELA?????? ELA TÁ… TÁ… TÁ BANGUELA!!!!!!

Mas os dentes crescem e o amor sempre renasce: poucos meses depois, ele recomeçou a falar na Gabriela como se ela nunca tivesse tido seus dias de Tião Macalé.

E o namorico ia bem: ele continuava olhando a menininha de longe, cheio de vergonha, e ela, sempre que se aproximava dele, metia-lhe a mão. Parece que, às vezes, quem metia-lhe a mão era a melhor amiga da Gabriela, cheia de ciúmes.

**

Paralelo a isso, eu e Lucas tomamos a decisão de que em 2010 ele trocaria de escola. Estudaria em uma mais perto de casa, com outra professora, sem o demente do professor de Educação Física, com mais diálogo entre família e direção, talvez.

Lucas se empolgou com a possibilidade de fazer novos amigos, de ficar longe do professor de Educação Física, de estudar pertinho de casa e nem se lembrou de que não veria mais a Gabriela.

Até chegar o penúltimo dia de aula:

- Mãe, amanhã é o último dia de aula e preciso dar um jeito de pegar o telefone da Gabriela porque senão não vou mais vê-la.

- E como vai fazer, Lucas?

- Não sei, mas só há um jeito de conseguir o telefone dela: se a Carol não for. Ela é uma amiga muito ciumenta, mãe. Não me deixa chegar perto da Gabriela.

Mulheres…

**

No dia seguinte, Lucas me ligou depois da festinha de encerramento:

- Mãe, tenho uma notícia boa e uma má. Qual você quer primeiro?

- A boa!

- A Carol não foi para a escola hoje!!!!

- Que bom, Lucas! Pegou o telefone da Gabriela?

- Essa era a notícia má. Eu esqueci!

Homens…

**

Então ele saiu de férias e, verdade seja dita, falou na Gabriela todos os dias. Quando eu voltei do Rio e ele ficou por lá, ele me chamou no MSN para pedir que eu comprasse o livro O Poder do Amor, que ele tinha visto na Livraria da Travessa:

Leonor Macedo diz:

qual é o livro que você quer?

poder do amor?

Lucas diz:

o poder do amor

Leonor Macedo diz:

por que você quer esse livro?

Lucas diz:

não fala isso pro titio, tá?

Leonor Macedo diz:

mas por que você quer?

Lucas diz:

por que esse livro me faz lembrar de uma pessoa

Leonor Macedo diz:

você tá com saudade dela?

Lucas diz:

to

Leonor Macedo diz:

e como vamos fazer pra achá-la agora que as aulas acabaram?

Lucas diz:

com o livro eu lembrarei dela

Leonor Macedo diz:

vou comprar para você, tá?

onde vende esse livro?

Lucas diz:

na livraria travessa na parte infantio

Leonor Macedo diz:

tá, vou comprar, tá?

quando você chegar estará aqui

Lucas diz:

e valeu por você ter dito que compra pra min

você já vai gastar 700 reais

Leonor Macedo diz:

com o que?

Lucas diz:

o meu material escolar

=~~

**

Minha mãe comprou o livro na Livraria da Travessa e ele continua em casa, jogado em um canto, ainda dentro da sacolinha.

- Eu nunca vou esquecer a Gabriela, mãe. Nunca!

Ele repetiu essa frase umas 300 vezes durante os últimos dias de férias.

- Tomara que não, Lucas. Mas tomara que encontre um novo amor, na nova escola.

- Nunca, mãe! Ela será eternamente o meu amor.

**

Hoje começaram as aulas do Lucas e eu fui buscá-lo.

- E aí, Lucas? O que achou da escola nova.

- Gostei muito. Ah, e estou apaixonado por uma menina da minha sala. Você acertou…

- É???? Já???? Qual é o nome dela????

- Não me lembro, né? Hoje é só o primeiro dia!

Na hora do almoço, ele se lembrou:

- Morgana!!! Meu novo amor se chama Morgana!!!

**

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Vó, você conheceu os dinossauros?*

27 janeiro, 2010 · 1 Comentário

Lucas mudou de escola e um dia antes das aulas começarem rolou uma reunião para conhecer a nova professora. Então fomos, eu e mamãe, às 7h da manhã e neste horário era impossível achá-la uma boa pessoa. Mas ela até que é boazinha.

Aí eu vim para o trabalho e minha mãe voltou para casa e contou as novidades ao Luquinhas:

- Lucas, sua professora é uma senhora muito bacana.

- Senhora????? Quantos anos ela tem????

- Ah, ela é mais velha ou tem a mesma idade que a vovó.

- Nossa, vó!!! Então ela é MUITO velha! MUITO!!!

* Sim, o Lucas perguntou isso um dia para a minha mãe.

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Timing

11 janeiro, 2010 · 3 Comentários

Dia desses o Lucas estava assistindo aquela novela do macaco (ele assiste todas, se deixar) e a protagonista tinha tido um filho prematuro, que foi direto para a iNcubadora.

- Vó, eu também nasci antes da hora e fui para esse negócio, né?

- Não, Lucas. Você nasceu certinho, de 9 meses.

NOTA: É bem verdade que ele nasceu de 8 meses e meio porque foi tirado antes da hora, já que nasceria gigante – com mais de 5 kg – se tivéssemos esperado completar os 9 meses.

- Vó, como assim eu não nasci antes????? A mamãe sempre fala que quando eu nasci, ela tinha 19 anos. O melhor seria que ela tivesse uns 25, 26…

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Carta para o Papai Noel – por Carol Canossa*

25 dezembro, 2009 · 1 Comentário

Querido Papai Noel,

Acho que faz uns 18 anos que eu não escrevo cartas para o senhor. Esse seria só mais um para a fila, mas as cartas escritas no site da Lele ficaram tão legais que até eu me animei – além disto, é um otimo motivo para tirar a poeira do meu próprio blog. Então, vamos lá antes que eu desista.

Até que 2009 não foi ruim. Óbvio que poderia ter sido melhor (como sou reclamona!), mas o balanço final é bom. Até realizar o sonho de pular de paraquedas eu realizei. Baita presentão antecipado!

Visto isso, acho que os pedidos são, em geral, apenas um aperfeiçoamento deste ano. Então, vamos lá:

- Queria um montão de organização. Isso, sem dúvida, transformaria bastante a minha vida. Menos stress, mais facilidade para achar as coisas, mais tempo para fazer outra. Seria aquele típico presente que traz vários outros, já que a tal da “correria” faz a gente perder um monte de coisa bacana (e, no meu caso específico, tirar kilos de papel do armário a cada três meses).

- Queria também mais saúde, especialmente para minha avó. Ela é nova ainda, mas os dois últimos anos foram meio complicados neste sentido e, apesar de a equipe do Hospital do Servidor ser sensacional, seria ótimo ficar um tempão sem vê-los.

- Em termos profissionais, seria legal poder fazer mais viagens e ter mais telefonemas atendidos (com educação, de preferência). Dinheiro também ajuda, é claro (e o senhor tem uma boa chance de resolver este já na semana que vem, com a tal da Megasena da Virada).

- Em termos esportivos, peço encarecidamente menos vexames para o time verde da Pompéia (2009 foi foda neste sentido). Quanto aos “outros”, só espero que o senhor seja justo e dê a eles o mesmo presente que foi dado a todos os times que “comemoraram” o centenário até agora. Lembre-se: filhos devem ganhar presentes iguais.

- No âmbito pessoal, será que o senhor poderia mandar um dedo bom igual ao que eu tenho para escolher amigos em substituição ao dedo podre que eu tenho para escolher namorado?

- Ah: eu sei que o senhor não é de fazer milagres, mas seria legal o Rubinho ser campeão em cima do Schumacher só para eu e o Raul provarmos para o restante da humanidade que não somos loucos de pedra…

- E antes que o senhor me mande para aquele lugar com tantos pedidos, um último (a cereja do bolo, vai): é que eu queria aprender a falar español bem para poder conversar daquele jeito que só os hispanohablantes conseguem…

Desculpe o tanto, é que eu me empolguei no fim das contas!

Beijos e um Feliz Natal!

Carol Canossa*

**

*Carol Canossa e eu não nos conhecemos, mas temos vários amigos em comum. Ambas somos jornalistas, gostamos de futebol, mas torcemos para times rivais!Carol merece quase todos os pedidos atendidos, menos os de cunho futebolístico. Feliz Natal!

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Carta para o Papai Noel – por Maurício Gaia*

25 dezembro, 2009 · 1 Comentário

papai noel, tudo bem?

quero sonhos. vários deles. diversos.

a realidade é inevitável, mas a fantasia é indispensável

beijos

mau*

**

*Mau é uma das minhas TOP 5 pessoas preferidas no mundo, um dos meus futuros sócios. Abandonaremos nossas carreiras profissionais juntos e abriremos a tão sonhada livreria/café.

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Carta para o Papai Noel – por Gabriela Abrunheiro*

25 dezembro, 2009 · Deixe um comentário

Bom velhinho, quanto tempo, não é? Costumava escrever quando era pequena, quer dizer, não que eu tenha crescido muito. É que depois dos 10 a preguiça de escrever aumenta e passa a ser mais interessante ir buscar os presentes no shopping mesmo. Mas esse ano a coisa está realmente complicada. Já apelei para todos os santos possiveis e imagináveis; e você com essa barba branca, com esse corpinho esbelto e com todos esses pedidos, bem me faz lembrar um. Não custa tentar, não é mesmo?

Então, meu presente nem precisa ser para o dia 25. Na verdade, ele tem que ser para o dia 4 de janeiro. Acontece que agora com 20 aninhos parei de trabalhar para estudar e tentar entrar num faculdade de jornalismo, entenda, numa faculdade boa. Leia-se a Casper Libero. Ouvi muito dos meus pais, primeiro porque tiveram que me bancar e segundo porque não gostam do curso. Aguentei firme e forte; me dediquei, me empenhei. Entretanto, não foi o suficiente, acho que de tanto que eu enchi o saco dos anjinhos lá de cima, eles resolveram me pregar uma peça. A lista de aprovados saiu hoje, dia 21, e o ultimo colocado que fez 68 pontos, ficou na posição 100. Eu fiquei na posição 109 com 67 pontinhos. Um pontinho só! Dia 4, sai a segunda chamada, preciso de 9 desistências. Então, quero que você, querido Noel, dê aos 9 concorrentes um Natal maravilhoso, se possivel cheio de álcool, drogas e rock’n'roll, para que eles tenham aminésia e esqueçam de fazer a matrícula.

Ok, se achar que eu estou exagerando na malvadeza, peço só que coloque meu nomezinho na lista. E eu já vou ser uma pessoa quase-completamente-feliz. Depois para completar o ano com chave de ouro, claro, você daria a mim e aos outros milhões de corinthianos-maloqueiros-e-sofredores a oportunidade de comemorar o titulo da libertadores e do mundial. E eu juro, que se atender aos meus pedidos, só volto a te procurar depois de 4 anos. Ah, e sem cara feia, bom Velhinho, meus pedidos são bem mais simples do que a paz mundial, vai?

**

*Gabriela Abrunheiro é leitora nova do blog, sonha em ser jornalista (já vou avisando que é pesadelo, Gabi) e é fanatica pelo Corinthians. Conseguirá a desistência dos 9 casperianos e se matriculará em breve na universidade. Feliz Natal!

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Carta para o Papai Noel – por Gabi Bianco*

25 dezembro, 2009 · Deixe um comentário

Querido Papai Noel,

Meu pedido de Natal é segredo.

*sussurra coisas no ouvido do Papai Noel*

Ouviu? Não conta pros elfos.

Pode me trazer mesmo assim sem eu dizer abertamente na cartinha?
Agradeço muito. =)

Da sua netinha,

Gabi Bianco*

**

*Gabi Bianco é minha amiga desde os tempos de guaraná com rolha. Já passamos poucas e boas juntas, inclusive um show do Engenheiros do Hawaií. Por isso, a gente vai pro céu e merece ganhar qualquer coisa que pedir para o Papai Noel.

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Carta para o Papai Noel – por Samya Fernanda

25 dezembro, 2009 · Deixe um comentário

Querido Papai Noel,

Cá estou com os meus vinte e poucos anos e a velha mania de te escrever. Mas o senhor bem sabes que nunca deixei de ser uma menininha que todo final de ano fica com os olhos brilhando ao encontrar seus sósias pela cidade iluminada.

Mais um ano, Noel! E Dois Mil e Nove teve um sabor diferente dos outros. Em abril, perdi meu amado Vozinho, um ser humano indescritível de tão lindo que era. Nunca tinha perdido ninguém e nem sei explicar qual foi a sensação. Apenas sei que era uma dor que tomava o meu corpo e minha alma a ponto de me deixar sem forças. Chorei todas as lágrimas possíveis e impossíveis, pensava que jamais a tristeza sairia do meu peito. Mas o tempo foi passando, e a dor foi cedendo lugar a saudade. Como sinto falta dele. Sinto falta de rir das piadas, de escutar a voz dele me chamando carinhosamente de “Miquinha”, de conversar sobre política e principalmente de ver pelos olhos dele o quanto ele acreditava que eu era capaz de realizar todos os meus sonhos. Como ele torcia por mim, Noel. E sei que de algum modo ele continua torcendo por mim em algum lugar. E tenho essa dívida com ele, de buscar a minha felicidade.

Também nesse ano, concluí minha vida acadêmica. Nossa, que alívio em ter cumprido mais uma etapa, mas ao mesmo tempo já sinto saudades da convivência da faculdade.

Posso afirmar que Dois Mil e Nove foi o ano mais difícil da minha vida, mas o ano que mais cresci como ser humano. Os obstáculos foram colocados na minha frente e tive que enfrentá-los com dignidade. Eu consegui e me orgulho disso.

Meu bom velhinho, não irei colocar meu sapatinho trinta e cinco na janela, porque não há o que pedir, apenas agradecer e muito por poder passar mais um Natal ao lado de pessoas especiais e poder abraçá-las comemorando o aniversário do cara lá de cima.

Que Deus te abençoe e te permita continuar a trazer sorrisos para tantas crianças!

Um abraço bem apertado da tua eterna criança,

Samya Fernanda*

**

*Samya mora em Teresina, Piauí, e mandou sua cartinha para agradecer apenas. Que 2010 seja o ano mais feliz da sua vida, para compensar todos os obstáculos de 2009. Beijos grandes.

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Carta para o Papai Noel – por Júlio Augusto*

25 dezembro, 2009 · 1 Comentário

Fala Papai Noel, beleza??

Outro dia eu tava pensando, é uma pena que o senhor não nasceu no Brasil, pois se tivesse nascido não usaria essas roupas pesadas, compridas nesse calor todo….mas fazer o que, né…tradição é tradição!!

Eu antes de pedir qualquer coisa para o senhor, primeiro eu gostaria de agradecer o ano de 2009 que foi fenomenal…igualzinho à camiseta que usei na passagem de ano…eu dei de presente pro pessoal do escritório, e acredite o senhor ou não, de 10 pessoas que trabalham no meu escritório, 9 são corinthianos e apenas um é porquinho mas ele é gente boa, tanto que dei pra ele aquela camiseta verde-limão marca texto.

Eu agradeço, pois esse ano nasceu o Rafael, meu segundo filho, a Bruna fez 14 anos e continua linda e terminou o nono ano, inclusive hoje, dia 18/12 é o dia de sua formatura com colação de grau e baile e o senhor precisa ver o discurso que ela fez pra professora dela, foi bonito e ela ficou brava comigo pq perguntei se tinha sido ela mesmo que fez o discurso. E foi.

Obrigado pelo que o Corinthians fez no primeiro semestre, na verdade eu tinha certeza que aconteceria, pois a Bruna nasceu em 1995 e nesse ano o Coringão ganhou o Paulista e a Copa do Brasil e como o Rafael nasceu nesse ano o Coringão ganhou de novo mais um Paulista e a Copa do Brasil.

Ah, obrigado por eu ter ido até à TV participar do programa da Adriane Galisteu responder sobre o Coringão, que eu acompanho desde moleque e faz tempo, sabe, pois nasci em 1964 e me recordo do primeiro jogo que eu fui com o meu pai claro que tinha que ser contra o Palmeiras onde ganhamos de 4 a 3.

A partir daí parece que me hipnotizo, pois lembro de cada jogo e cada história, pois pra mim o Corinthians é como uma aula de literatura, a gente não precisa ter, a gente é!!

Mas como o intuito principal e sem lenga lenga é pedir um presente para o senhor eu gostaria de pedir do fundo do meu coração a recuperação da Marlene, sabe, ela é minha ex-esposa mas é hoje como se fosse a minha grande amiga, afinal ela sempre foi companheira e principalmente ela é a mãe da Bruna, e se a Bruna é quem eu amo mais nesse mundo e ela é a mãe dela, eu tenho que gostar dela.

Sabe Papai Noel, parece que foi diagnosticado uma coisa bem ruim na mama da mãe da Bruna, tão ruim que eu não gosto de falar o nome, mas agora em janeiro ela vai operar lá no Hospital do Câncer, vai ter que fazer reconstrução da mama e depois aquele tratamento muito chato e dolorido.

Papai Noel e Deus, dê muita força e energia para que a Bruna passe dessa. Afinal, em 2010 a Bruna vai fazer 15 anos e vamos fazer uma festa pra ela. O Rafa vai fazer 1 ano e vou fazer uma festa pra ele tb.

Em 2010 o Coringão vai disputar a Libertadores e queremos todos torcer!! E Papai Noel, obrigado pela minha vida, pelo meu trabalho, pela Atlante Seguros, pelas pessoas que trabalham comigo, obrigado pela minha família, pelo meu pai que já foi, pela minha mãe que amo tanto e que é a mulher mais carinhosa do mundo, obrigado pelos meus irmãos, obrigado pelos meus sobrinhos, obrigado pelos meus amigos e obrigado principalmente pela Karina, que é a minha companheira e a mulher mais maravilhosa,compreensiva e linda desse mundo.

Sou feliz!!Valeu!!

**

*Júlio Augusto é corinthiano, maloqueiro e sofredor, pai carinhoso de dois filhos e um bom marido para a Karina.  Estamos todos torcendo pela recuperação da sua ex-esposa, amiga e mãe da Bruna. De todos os pedidos desse blog, tenho certeza de que esse será ouvido e atendido.

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Carta para o Papai Noel – por Tayra*

23 dezembro, 2009 · 2 Comentários

Papai Noel,

não sei te dizer se fui ou não uma boa menina. Até porque acho isso muito vago, uma vez que nem todo mundo é bom ou mau 100% do tempo, né?! Tentei ser boa a maior parte das vezes, mas também aprontei das minhas, é fato.

Ainda assim, continuei reciclando 95% do lixo aqui de casa, ajudando pessoas que precisam (o ano todo e não só na época do Natal), fui uma torcedora dedicada na alegria e na tristeza, acreditei sempre no melhor das pessoas (característica que não muda nunca), trabalhei demais (e tomei mais calotes ainda) e tentei ser uma boa esposa, boa filha, boa “mãe”, boa amiga etc.

Por isso acho que não é demais pedir pra entrar em 2010 com o pé direito e ao menos conseguir passá-lo sem dívidas (que só surgiram por conta dos mil calotes que tomei). Além disso queria ter um ano menos turbulento do que foi 2009, afinal de contas, não é tanto e eu, sinceramente, acho que mereço.

Bom, é só isso Papai Noel.

Na esperança que meus pedidos sejam atendidos, deixo um beijo e um abraço com carinho.

Tay*

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* Tay é, sem dúvida, umas das melhores pessoas que apareceu na minha vida nos últimos tempos. Além de ser vizinha, se tornou uma das minhas melhores amigas e uma das tias preferidas do Luquinhas. Sua casa é palco dos mais divertidos churrascos, das mais deliciosas conversas, dos mais aconchegantes encontros de amigos. Amo e desejo só o melhor.

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Carta para o Papai Noel – por Gabi Cesar*

23 dezembro, 2009 · Deixe um comentário

Oi, seu Noel!
É chato dizer isso, mas às vezes acho que o senhor não me ouve direito, né? Ano passado, o senhor bem sabe, passamos por um bom aperto, não? A empresa em que eu trabalhava usou a “crise mundial” como desculpa para não pagar o décimo terceiro salário de todo mundo e aproveitou a falta de caráter pra emendar um calote básico no sálario de Janeiro… Fiquei bem mal das pernas! E, além disso, recebi más notícias relacionadas à minha saúde e meu vô faleceu no comecinho de Dezembro…
Ê Natal difícil! Ê Natal complicado! Sabe aquela máxima de “saúde e paz, o resto a gente corre atrás”? Então, pôxa, nem isso eu tive. Por isso, o pedido desse ano será mais humilde, mas de coração bem mais aberto pra enfrentar as durezas da vida. Afinal de contas, em vez de ser um mês de confraternização, Dezembro do ano passado foi um mês de perder muita gente querida, perder dinheiro, descobrir que estou perdendo a audição… Ok, ok, ganhei uma coisa, sim: ganhei muito em maturidade.
Por isso, no Natal desse ano, quero uma coisa muito simples: a família reunida.
Que os chefes não sejam chatos e liberem todo mundo pra passar o Natal no aconchego de nossas companhias, no calor de nossas risadas, na felicidade que é reencontrar esse monte de gente querida que eu amo tanto. Não quero um iPhone, não quero um carro, não quero pedir pra viajar pra Alemanha ano que vem. Isso tudo, sinceramente, ficou pequeno pequenininho depois que tive de passar por tudo que passei.
É isso, Noel! Quero minha família! Quero todo mundo junto e misturado pra fazer uma farofada bem boa, que eu tô precisando de ânimo!
Bitocas.
Gabi*
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* Gabi Cesar vai ter saúde, família reunida, felicidades e risadas. Vai continuar acompanhando as histórias minhas e do Luquinhas no blog e vai sempre escrever e-mails queridos, como o que recebi junto dessa cartinha. Feliz Natal, Gabi!

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Carta para o Papai Noel – Por Juliana Teixeira*

23 dezembro, 2009 · 1 Comentário

Querido Papai Noel,

Eu fui uma boa menina em 2009, passei em todas as matérias – tirei até um 10! – melhorei minha performance como dona de casa e exercitei minha paciência como nunca antes na história deste país.

Por isso acho que o senhor podia me dar alguns presentinhos, que nem precisam chegar no dia 25 de dezembro, não. Durante 2010 tá bom.

Que o meu contrato seja renovado pra eu morar mais alguns anos no mesmo apartamento. Tá tudo muito bom lá. Se não der, que o senhor me arrume um lugar ainda mais legal e que também esteja ao lado de um Extra e um Habib’s, ambos 24h;

Que a linha amarela do Metrô fique pronta e não desabe;

Que os meus filhos continuem sendo os mehores do mundo e com muita saúde;

Por falar nos meus filhos, acho justo eu pedir um presente pra cada um deles: que o Rubinho volte a jogar futebol na escolinha, que a autoestima do Pedro triplique e ele perceba o quanto é especial, e a discografia do Michael Jackson pro Giovanni, que é fã de verdade.

Que meu casamento siga em paz;

Que as bandas do meu marido, Alex,  façam cada vez mais sucesso. Mas se fizer muito sucesso a ponto de tocarem fora do país, que o cachê seja bom pra eu poder ir junto;

Falando em bandas e cachês, se o Alex e seus companheiros pudessem receber uma graninha por todos os shows que fizerem seria muito bom também. Merecido pra quem passou quase 2 anos tocando de graça, né?

Que o Metallica não cancele os shows no Brasil – esse é urgente, hein? Tem até dia 30/01 pra se realizar;

Que o Pearl Jam volte ao Brasil e eu possa ver, grávida ou não;
Que o Santos seja campeão Brasileiro e que eu possa estar no estádio para ver;

Que as contas bancárias minha e do Alex saiam do cheque especial e assim permaneçam;

Que eu consiga vaga nas disciplinas que me faltam;

Que as chuvas em SP não caiam no horário de pico – eu sei que esse é o departamento de São Pedro, mas quem sabe se o senhor tiver um papo aberto com ele…

E o mais importante de tudo: que o Serra não seja eleito presidente. Se isso acontecer, que o senhor arrume um bom emprego pra mim em outro país, pra eu poder passar 4 anos fora com toda a minha família.

Muito obrigada pela atenção!

Feliz Natal!

Juliana Teixeira*

**

*Juliana Teixeira é mãe de 3 filhos, esposa de um rockstar, e, portanto, merece ter (quase) TODOS os seus pedidos atendidos. Inclusive o último. Desculpa, Juliana. Eu só quero que o Santos se foda, mas de resto, desejo tudo igual.

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Carta para o Papai Noel – por Roberta Nina*

23 dezembro, 2009 · 1 Comentário

Papai Noel, velho batuta,

Por favor, não passe de um filho da puta neste final de ano e atenda os meus pedidos. Eles são simples e objetivos, te juro! Gostaria que as coisas na minha vida funcionassem assim, de maneira rápida e direta. Por isso, vou agir com o Senhor do mesmo modo que gostaria que agissem comigo.

Quero receber milagres materiais e pessoais. Será que rola uma ajudinha em algum aspecto?

Vamos aos pedidos. Primeiro os materiais:

  1. Primordial: DINHEIRO
    Se o Senhor me der de presente um aumento significativo, os outros pedidos vem facinho. Caso contrário, eu terei que suar o bigode e fazer muita economia para conseguí-los.
  1. Um CARRO
    Não precisa ser zero, não. Sendo conservado (e não muito rodado) já está de bom grado. Cansei de ser pedestre. Meus pés só querem ter o trabalho de acelerar e brecar. Só! Ah, apenas uma exigência: Fiat Uno, NUNCA!
  1. VIAGEM
    Quero muito conhecer a Europa esse ano. Quero sentir a neve, passear por várias cidades, provar o gostinho que cada país tem. Ah, e passar pelo Café “Les 2 Moulins”, em Paris e me sentir um tiquinho de Amelie Poulain.
    Agora os pedidos pessoais, mas sem discorrer sobre, afinal, se eu preciso de paciência, é pq eu sou uma pessoa desprovida da mesma. Portanto, não preciso nem falar nada, né?!
    1) Animo, esperança, paciência (óbvio), fôlego e paz.
    Se couber nesse setor, eu queria ter menos dores de cabeça também. Sério.
    Também quero aprender a nadar. Afinal, to pagando essa merda de natação e preciso de resultados.
    Acho que é isso.
    Ah, prosperidade? Cabe aqui também? Hehehe!
    Avalie com carinho os meus pedidos. Fui uma boa menina esse ano. Acho que mereço certa atenção da sua parte.
    Agora, se resolver me dar somente o dom da paciência, por favor, enfie-a no meio do seu cu.
    Beijos carinhosos,

Nina*

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* Roberta Nina tem um tremendo mau gosto: torce para aquele time fresco do Morumbi e é jornalista formada. Estudou na mesma universidade que eu, embora em salas diferentes, mas, desde que nos formamos, mantemos mais contato do que as pessoas que estudaram comigo na mesma sala. Nos tornamos amigas queridas, mas ainda falta enchermos a cara em qualquer boteco da Zona Leste.

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Carta para o Papai Noel – Por Kassia Waldhelm*

21 dezembro, 2009 · Deixe um comentário

Querido Papai Noel,

obrigada pelos presentes do ano passado! Adorei o guia de “como esquecer aquele fdp” e mais ainda o que você mandou de brinde “cara ideal: como reconhecê-lo”.

Realmente funcionou. Eu nem tava esperando nada pra esse ano, mas acredita que eu encontrei? Falando sério, MUITO OBRIGADA. Uma das melhores coisas de 2009!

Ah sim… Obrigada pelo ano sem grandes acidentes. E pela volta do meu time pra série A.

Pro ano que vem eu quero pouca coisa.

Quero um laptop pra escrever a tese. Sabe como é né? Os computadores sempre queimam com os nossos arquivos dentro quando estamos escrevendo tese. É tipo um carma. Se não rolar o lap, só me promete que não vai deixar o Google sumir com os meus arquivos salvos então, ok?!

Eu queria eliminar os 5 kilos que recuperei. Se possível, 6.. 1 a mais só por garantia! Preciso ficar slim pra defesa.

Por falar nela, sabe como é né? 2010 será complicado. Tenso mesmo. Preciso MUITO de um guia de “como escrever uma tese sem parar pra dormir, pra jogar e pra ficar no msn”.

Queria também que o tempo passasse bem devagar, pra dar tempo de fazer tudo o que falta. Maaaaas, naqueles dois meses, que você sabe quais serão, por favor, faça o tempo passar mais rápido pra eu não morrer de saudades.

Se puder dar uma forcinha pro doutorado eu agradeço também!!!

Não precisa ser tudo pra agora não. Pode vir em prestação. Mas vê se não atrasa né?!

Ah siiiim… Não vou pedir o Wii de novo porque o resultado do guia que você me mandou de brinde trouxe de brinde consigo um Wii, com direito a Super Mario agora. Então tá valendo!

Bom trabalho e Feliz Natal!

=)

bjs

Atenciosamente

Kassia Waldhelm*

**

* Kassia escreveu no ano passado e parece que boa parte de seus pedidos foram atendidos! Pelo que entendi, falta o vale Fernando de Noronha, mas o acompanhante ela já arranjou. Em breve teremos uma farmacêutica doutora, que joga Wii e Super Mário.

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Carta para o Papai Noel – Por Franz*

21 dezembro, 2009 · Deixe um comentário

Oi seu Noel, tudo bem?

Nem vou ficar com aquele blábláblá de sempre do tipo “eu fui um bom menino esse ano e tal”. Eu não sou um bom menino mesmo, nem ligo! Mas mesmo não sendo um bom menino cá estou com a minha já quase tradicional “cartinha para o Papai Noel pro blog da Lelê”.

Mas antes de começar com os pedidos tenho uma reclamação a fazer. Ano passado, entre outras coisas, eu pedi saúde para os joelhos do Ronaldo Fenômeno. Acho que o senhor deveria ter sido esperto o bastante pra perceber que o pedido também valia pro resto do corpo né? Mão, coxa, uma barriga menor… Mas tudo bem vai, certas coisas podem fugir do controle.

Pra esse ano que se inicia eu peço – peço não, exijo – uma coisa antes de todas as outras. 2010 né, 100 anos de Corinthians! Quero tudo! Da copa SP da molecada ao (bi)mundial da FIFA no fim do ano. Sem choro e sem achar que é pedir muito. E de tabela fica aqui o lembrete: “100 anos, sem roxo”.

Agora os meus pedidos pessoais (se segura velho!), lá vai:

Saúde e felicidade pra mim, pros meus e pras minhas. Se o senhor for um bom entendedor vai logo sacar que o “felicidade” significa eu ganhar na mega-sena da virada, mandar o trânsito de SP pro quinto dos infernos e ir morar na praia (mas uma praia bonita, não me venha com Santos ou Praia Grande hein, já tenho o Rio Tietê aqui!).

Terminar uma maratona. Mas terminar os 42.195 metros bem. Nada de ambulância ou em 5 horas.

Continuar muito criterioso com as amizades e com as pessoas em geral. Chega de Zé Povinho na minha vida.

Que a minha festa de 33 anos seja na mansão da Playboy e sem aquele velho escroto por perto, só eu e as coelhinhas. Talvez eu leve uma meia dúzia de amigos vai, não sou egoísta.

Desejo também pra esse 2010 que eu não monte ou entre em banda alguma. Sempre que eu desisto de tocar aparece alguém me chamando pra alguma banda e lá vou eu passar horas de raiva dentro de algum estúdio.

Espero muito que nesse ano de 2010 a gente não precise mais presenciar políticos enfiando dinheiro nas meias, cuecas… Mas espero que se eles resolverem enfiar coisas em algum lugar, que sejam outras coisas e em outros lugares (tipo juízo na cabeça, vergonha na cara e essa outra coisa pornográfica que o senhor pensou).

Ah, claro, quero também que a Lelê continue publicando essas cartinhas dos amigos todos os anos pq eu acho isso bem legal e dou algumas boas risadas ao ler.

É isso aí Noel. E rua é nóiz!

Franz*

**

*Franz quase é herdeiro de uma famosa rede de cafés, mas errou por uma letra. A única coisa que herdou (e talvez a mais precisa delas) foi o corinthianismo da Dona Marlene, que se indigna na arquibancada com mulheres e seus gritinhos histéricos para jogadores de futebol. Em 2009, Franz bem que tentou me tirar do ostracismo e me levou para correr com ele. Logicamente, eu desisti, mas espero voltar ao atletismo em 2010. Não desiste de mim, Franz!

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Carta para o Papai Noel – Por Luiz Guilherme*

21 dezembro, 2009 · Deixe um comentário

Querido Papai Noel,

sei que o senhor está meio ocupadão com as crianças famintas da África subsaariana, e que está preocupado com a regulagem dos seus freios, afinal de contas, a força exercida por uma frenagem na velocidade da luz (é a velocidade que o senhor anda, não é?) não deve ser agradável.

Eu não queria pedir nada material neste ano, já tenho tudo que eu preciso na minha casa. O que eu gostaria, na verdade, é que o senhor fosse até a embaixada da Inglaterra, França ou Portugal e me conseguisse um asilo político. Sabe, Noel, as coisas aqui no Brasil estão péssimas. Eu sinto que a única coisa que eu conseguirei fazer até o fim da minha vida é pagar Imposto de Renda e mais nada. A coisa aqui tá braba! É uma desvantagem muito grande ser brasileiro, entende? Ainda mais quando você não nasce uma mulata bunduda que pode fugir do ensino médio para ganhar dinheiro rebolando na televisão. Como eu sou um homem feio e sem-graça, o que me resta é estudar e batalhar, mesmo. Só que aqui no Brasil eu não sou reconhecido financeiramente (e às vezes nem moralmente) pelo que faço. Então eu queria fazer coisas diferentes num lugar diferente. Pode me ajudar?

Olha, cuidado com as viagens na velocidade da luz porque isso pode atacar os rins, tá bom?

Um efusivo amplexo,

Luiz Guilherme*

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* Luiz Guilherme não é uma mulata bunduda, mas um publicitário caipira e corinthiano (embora saiba o que é amplexo). Costuma pedir mulheres em casamento, mas só depois do meio dia.

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Carta para o Papai Noel – Por Thaís Pacheco*

21 dezembro, 2009 · Deixe um comentário

Querido Noel,

Confesso que nos últimos 24 anos eu não gostei de você. Afinal são mais de duas décadas sem ter os pedidos atendidos. Cadê a coleção de Barbies que pedi aos 7 anos?  E meus 7 quilos a menos que peço desde os 20? Mas, vou fazer uma última tentativa…Porque sou brasileira e não desisto nunca.

Ainda quero meus 7 quilos a menos, mas como agora estou mais velha, não basta emagrecer, tem que enrijecer. Please, quero o corpo da Bombom.

Quero conseguir comprar, finalmente, o meu carro. Então se você fizer uma forcinha e pedir um favor para o Santo Padroeiro dos Vendedores de Carro, faça com que um me conceda um desconto de 70% na compra de um 0km ou semi-usado.

Quero um novo amor. Um só. Chega de 20 amores por ano. Quero um que saiba cozinhar, que me mime, que seja corinthiano, pode até não ser um galã de novela, mas que seja educado. Fica a dica: Gosto muito de morenos e argentinos.

Falando em Corinthians, já passou da hora de atender o pedido de mais de 30 milhões de corintianos. Tá na hora da Libertadores né, Noel? Eu sei que o Senhor, pela idade, deve ser Santista, mas o Santos não tá participando esse ano, então dá uma força aí vai.

Fora isso, quero saúde, para mim e para todos os amigos e para família.

Feliz Natal, Noel.

Thaís Pacheco*

PS: Na minha casa não tem lareira, tem um cachorro manco e minha mãe tranca muito bem as portas. Então, quando chegar me chama. Beijo, me liga.

**

* Thaís Pacheco é conhecida mundialmente por namorar vendedores de Zona Azul, sacoleiros do Brás, operadores de telemarketings, fatiadores de laticínios, falsificadores de DVD e motoboys. Sendo assim, não podia torcer para outro time, senão o Coringão. Uma das recentes e mais divertidas  aquisições no meu hall de amigos.

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Tchau, El Malak

17 dezembro, 2009 · 14 Comentários

Eu tenho algumas segundas casas nessa cidade: lugares onde eu me sinto tão à vontade que posso andar só de calcinha e meia, e abrir a geladeira para pegar uma cerveja gelada. Não literalmente, lógico, porque mal faço isso em casa já que a minha mãe odeia que eu ande só de meias.

A casa da minha tia, durante muito tempo, foi um desses lugares. Por 17 anos, nossas casas eram uma de frente para a outra. Fomos criados, eu e meu irmão, com nossos três primos e tomávamos banho todos juntos (eita, povo de mente poluída), derretíamos queijo em um microondas gigante e eu dormia no sofá de lá sempre que eu sentia sono. Ainda faço isso nas tardes do dia 25 de dezembro, depois de morrer de comer os restos da ceia.

O Pacaembu é outro desses lugares. Cada canto dali me faz lembrar de uma história e eu realmente me sinto voltando para a casa toda vez que atravesso a Avenida Pacaembu, com a minha camisa do Corinthians, pensando em quantos gols o time fará nos próximos 90 minutos. E lá na Praça Charles Miller encontro tanta gente que é como se tivesse recebendo meus amigos, minha família, na minha casa.

Outra segunda casa minha é o El Malak, um bar-boteco-restaurante árabe ali na Alameda Santos, pertinho da Paulista. A diferença é que, ao contrário da casa da minha tia e do Pacaembu, faz pouco mais de dois anos que eu me empanturro de esfiha de queijo minas com salsinha e cerveja Original gelada toda semana por ali.

Nem lembro quem me apresentou o El Malak. Devo ter conhecido em um desses encontros onde nós, nerds, falamos de arrobas do Twitter, games, Web 3.0, PC X Macintosh, e, na bem da verdade, eu nunca entendo nada, mas vou porque gosto de beber.

Sei que desde a primeira vez que eu entrei no El Malak eu sabia que ali seria uma segunda casa. Porque logo quando cheguei, dei de cara com o Bigode, o garçom mais conhecido dos Jardins, mas que eu conhecia há muito mais tempo do que qualquer um ali. Durante os 17 anos que morei de frente para a casa da minha tia, ele era garçom da lanchonete Hobby, nas Perdizes, onde eu também ia toda a semana desde que criei dentes. Quando me mudei, a freqüência de idas ao Hobby diminuiu, até que o Bigode sumiu sem que pudéssemos dizer tchau um para o outro. Desencontros que a cidade de São Paulo proporciona todos os dias e que a gente acaba se acostumando.

E eu o reencontrei, anos depois, no El Malak. Trocamos o Hot Dog pelas esfihas, homus e babaganuche, e o Milk Shake pelas cervejas. E, apesar dessas mudanças, nos reconhecemos porque o Bigode ainda era o Bigode e eu ainda era eu. Encontros que a cidade de São Paulo, estranhamente, também proporciona e que a gente acaba se surpreendo.

Quando o Bigode não me atendia, quem me trazia comida e bebida era o “Marcelinho”, garçom são-paulino que até hoje não sei o nome real, mas que é idêntico ao Pé-de-anjo. No começo ele torcia o nariz toda vez que era chamado pelo apelido, mas depois se acostumou em ganhar nome de craque. Até riu quando lotamos o El Malak, bar de paredes verdes, com dezenas de corinthianos para comemorar os 99 anos do clube.

Cerveja gelada e esfiha boa e barata a gente até acha em qualquer outro canto da cidade, mas Bigode e Marcelinho juntos eram ali no El Malak. E a soma de tudo isto era o que fazia eu me sentir em casa toda vez que sentava naquela cadeira de madeira e o Bigode já trazia para mim um copo da minha cerveja preferida sem eu nem pedir. Era isso o que me fazia freqüentar o El Malak para além dos encontros nerds: foi o que me fez levar o Lucas, meus pais, o pai do Lucas, o Rafael, meus amigos corinthianos e meus amigos anti-corinthianos. Foi isso que fez a Carol chegar do aeroporto, depois de um ano todo morando na Espanha, e ir direto para lá tomar uma cerveja brasileira.

Mudei o tempo verbal do texto para o passado sem nem perceber: comecei dizendo que o El Malak é minha segunda casa e terminei escrevendo no passado porque fiquei sabendo hoje que o bar fecha definitivamente na sexta-feira. Foi comprado pela gráfica ao lado porque, ao que parece, tem muito mais gente precisando de fotocópia do que de cerveja, neste mundo pós-moderno.

Eu queria algum jeito de salvar o único bar dos Jardins onde se pode comer e beber a um preço justo, com dois garçons que sabem exatamente o que você quer e se preocupam com sua saúde mental e física se você diz que não vai beber.

Queria organizar um abraço de nerds, maloqueiros, familiares, namorados e ex namorados, árabes e judeus no quadrilátero Alameda Santos-Brigadeiro-Alameda Jaú-Joaquim Eugênio de Lima. Que nem fizeram os torcedores do Coxa, lá em Curitiba. Mas sei que isso não salva nem bar de fechar nem clube de cair para a segunda divisão.

Parece coisa de pinguço (e talvez o seja) chorar porque um bar vai fechar, mas os melhores amigos que fiz e as melhores situações que vivi nos últimos tempos foram sempre ao redor de uma mesa de boteco, dividindo uma esfiha de queijo minas com salsinha e uma Original estupidamente gelada.

Ao contrário de 17 anos atrás, vou tentar me despedir hoje do Bigode – e também do Marcelinho – esperando que a cidade me surpreenda novamente.

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Amor nos tempos de cólera

17 dezembro, 2009 · 2 Comentários

Ontem, lá pelas tantas, o Rafael sentiu fome e quis passar em um Mc Donald’s. Quando estávamos chegando naquele da Henrique Schaumann, um carro emparelhou com o nosso. Parecia aquela piada de quantos palhaços cabem dentro de um fusca porque dentro dele estavam seis jovens, cheios de tatuagens, alargadores nas orelhas, dreadlocks nos cabelos e cachaça ns cabeças.

Logicamente, eles mexeram comigo. Não logicamente porque me acho linda e maravilhosa nem logicamente por conta da cachaça, porque não me acho tão baranga assim. Logicamente porque eles estavam em seis palhaços e o Rafael estava em um. Não que o Rafael seja um palhaço, enfim. Vocês entenderam.

O Rafael ainda tentou intimidá-los com seu olhar que lhe salva dos perigos da Zona Leste paulistana, mas foi devidamente ignorado pelos rapazes, que, ainda por cima, riram loucamente.

Entramos no estacionamento do Mc Donald’s porque tínhamos perdido a dignidade, mas não a fome, e os rapazes entraram atrás. Eu estacionei meu possante e, bem na vaga ao lado, pararam os seis playbas. O Rafael ainda tentou lançar um segundo olhar e nada.

Dentro do Mc Donald’s, escolhemos a fila que andava mais devagar. Na nossa vez, eu pedi uma tortinha de maçã e o Rafael pediu um número um. E os rapazes pediram sei lá o que porque também não fiquei prestando atenção.

Aí o Rafael comeu o sanduba e saiu equilibrando um refrigerante gigante, uma batata frita gigante e um potinho lotado de mostarda, para terminar de lanchar no caminho.

- Você vai derrubar mostarda no meu carro – eu disse.

- Não vou não…

E ele me olhou com um sorrisinho de canto de boca e eu saquei tudo. Ele ia jogar um pote cheio de mostarda no vidro dianteiro do carro dos rapazes enquanto eles, inocentemente, lanchavam no andar de cima do Mc Donald’s e atormentavam outras meninas comprometidas. Ele recuperaria a nossa dignidade e terminaríamos a noite vingados, felizes e com dois pontos a menos para entrar no céu.

Olhei para ele com um ar cúmplice, autorizando a atitude, entrei no carro e já acelerei porque tinha certeza que sairíamos a 200 km/h, atropelando os cones do estacionamento, como dois jovens transviados em um filme do James Dean. Então ele entrou no carro equilibrando um refrigerante gigante, uma batata frita gigante e o potinho lotado de mostarda.

- QUE ACONTECEU? VOCÊ NÃO JOGOU A MOSTARDA NO VIDRO DIANTEIRO DO CARRO DELES?

- Tá louca? Da onde você tirou essa ideia? E desperdiçar minha mostardinha?

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Cartas para o Papai Noel

17 dezembro, 2009 · 3 Comentários

No blog passado, quando a minha vida era recheada de horas e eu podia atualizá-lo com mais frequência, uma das principais tradições eram as cartas para o Papai Noel, enviadas por amigos e leitores e publicadas por mim. Alguns pedidos foram atendidos, outros talvez não, mas o fato é que todo mundo se diverte lendo aquilo que os outros desejam. E como tradição é tradição e tem que ser respeitada, aqui não podia ser diferente.

Se você quiser ver a sua cartinha por aqui publicada, basta enviá-la para subversiva@gmail.com, de hoje até o dia 25 de dezembro. Até lá!

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Tchau, tio

27 julho, 2009 · 7 Comentários

** Às vezes dá uns paus no blog lá da TPM, então vou postar aqui também quando estiver assim.

**

titio

Papai, mamãe, eu no colo da Tia Vilma e Tio Paulo

Quando eu estava na escola, não existia nada mais fora de contexto do que encontrar algum professor passeando pela rua. Nunca imaginei a professora Creuza desfrutando um maravilhoso desjejum acompanhada de seus três filhos pequenos. Nem o professor Fatigatti tomando um solzinho na Praia Grande (graças a Deus). Muito menos a professora Heloísa comprando produtos orgânicos na feira de sábado do Parque da Água Branca.

Porque, dentro da minha cabeça, só existia a versão professora da Marta, da Neusa, do Glauco, da Cláudia, da Silvia, do Darcy, da Sakuya e de tantas outras pessoas que passaram pela minha vida dos dois aos 23 anos, quando me formei na universidade.

Mas há também o outro lado. Eu nunca estudei história do Brasil com o Professor Paulinho em qualquer uma das escolas em que ele lecionou, lá em Olímpia, no interior de São Paulo. Nem história antiga, nem história contemporânea, nem história mundial, nem história natural. O único tipo de história que ele me ensinou foi sobre a minha família. Porque eu conheci o Tio Paulo.

Lembro-me das noites quentes de Olímpia em que, desde pequenina, sentava com os Martin na varanda daquela casa grande e malacaba na Rua João Aidar e ouvia o tio Paulo contar causos e causos sobre o vovô Abdon e a vó Leonor, os bisavós, os primos todos, a cidade, os vizinhos, os cachorros, os gatos e os papagaios.

Lembro-me que o tio tinha que manobrar seu fusca amarelo da mesma varanda no começo do dia para que eu, meu irmão, a Ana e a Márcia brincássemos com o Juninho, o João Paulo e a Juliana, da casa de cima.

Lembro-me de partilhar um pernil tenro e suculento feito pelo tio, acompanhado de um guaraná Arco-Íris, naquela mesa grande em que cabiam as três gerações da família. Lembro-me dos lanches taturana, de filé e queijo, com a cerveja estupidamente gelada no boteco do Tião, já falido.

Lembro-me de ser escalada para ir até a rodoviária comprar cigarros com o tio e de odiar isso. A recompensa era voltar com os bolsos cheios de Dadinho, aquele doce de amendoim que talvez o Lucas nunca tenha comido. Lembro-me de apostar com meus primos e meu irmão quem conseguiria ir descalço até o mercado da esquina, pisando no asfalto pelando daquela cidade quente. E eu sempre perdia com minha pele de bebê (porque eu era a mais novinha de todos eles).

Lembro-me das tardes no Clube de Campo, onde o tio se gabava sempre de ter passagem livre. De me refrescar escorregando no chão ensaboado do corredor da casa do tio, dos fogos de artifício miseráveis que queimavam em Olímpia na virada do ano, dos cafés com rosca caseira na casa das Tias Lídias, de ir ao cemitério no domingo cedo com a mamãe e com o tio para acender uma vela a todos os Martin que não mais poderiam compartilhar tudo isto.  

Lembro-me de 26, quase 27 anos, de férias na casa do tio Paulo. E em todas essas andanças, não houve um dia lá em que não ouvi alguém cumprimentá-lo pelas ruas, efusivamente, e chamá-lo de professor Paulinho.

Até então, eu conhecia o tio Paulo, meu padrinho, que me segurou no colo em um altar e aceitou ser meu segundo pai diante de Deus. O tio Paulo irmão mais velho da minha mãe. O tio Paulo, que cuidou da cabeça e do coração da Tia Vilma por tantos anos. O tio Paulo assalariado que criou duas filhas com um salário miserável. O tio Paulo avô apaixonado que queria ver a Júlia crescer. O tio Paulo cozinheiro de mão cheia, dono dos melhores assados. O tio Paulo mais teimoso que uma mula, que não negava o sangue espanhol. O tio Paulo historiador e contador de causos. O tio Paulo que ensinou o Lucas a colocar gravata com três anos. O tio Paulo cético que acendia vela no cemitério. O tio Paulo inteligentíssimo, leitor até de rótulo de shampoo. O tio Paulo impulsivo que não segurava a vontade de se perder em uma ou outra dose. O tio Paulo que não queria ser médico na Espanha. O tio Paulo colecionador de álbum de figurinha. O tio Paulo amigo, conhecido na cidade toda. O tio Paulo que demonstrava seu amor quando passeava orgulhoso comigo e me apresentava para todos os seus conhecidos em Olímpia. O tio Paulo guerreiro, que lutou contra um câncer de pulmão até o último respiro.

E eu só me dei conta de que também tinha conhecido o tio Paulo professor, mesmo sem ter sentado com ele diante de um caderno e um quadro negro, agora.

titio2

**

“Professor Paulo Martin,

 Fomos colegas de escola por muitos anos e amigos também. Um dia, ele chegou a mim e disse:

- “Casa”, vou propor-lhe um acordo: se eu morrer primeiro, você fala alguma coisa sobre mim antes do caixão baixar, se você for primeiro, falo eu.

Meu amigo foi primeiro, então eu digo: Paulo foi um colega leal, um amigo fiel. Cultuava o saber e abominava sua falta. Sempre muito sincero. Nunca foi meio termo.

A verdade dele era soberana. A gente se encontrava sempre e gostávamos de relembrar aqueles tempos da velha escola, do velho “Capitão”. Eu gostava muito dele. Tenho-o em minhas orações e continuarei tendo-o. Adeus amigo.

Professor Casagrande”

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A tal da novidade

13 abril, 2009 · 29 Comentários

Lembra, gente, que eu disse que assim que voltasse de Buenos Aires eu teria uma novidade? Pois então: http://revistatpm.uol.com.br/blogs/eneaotil.

Por favor, atualizem seus links. É lá que eu, Luquinhas, Dona Rose, Seu Fausto, meus amigos, a ONG, o Corinthians, o Kung Fu e os bêbados de busão moramos agora. Uhu!

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400 mil

4 abril, 2009 · 18 Comentários

Tá chegando, hein?!

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Para que? Paraguayyyyyyyyyyyyyyyyyyo – Parte II

1 abril, 2009 · 34 Comentários

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Da outra vez que escrevi sobre Buenos Aires, fiz uma espécie de diário e separei as histórias por dia: segunda, terça, quarta, quinta, sexta e trálálá. O que ninguém sabe é que esse esquema acabou não dando certo nem daquela vez porque as histórias eram inúmeras e eu, por exemplo, deixei de descrever a minha ida ao Uruguai, o meu passeio de bicicleta por toda a costa de Colônia do Sacramento banhada pelo Rio da Prata e outros acontecimentos incríveis que vivi em 2007. E olha que daquela vez fiquei apenas oito dias. Nestas férias, foram 12 dias e escrever um diário seria impossível. Assim, pensei em outro esquema para contar as histórias de lá e… não cheguei a nenhuma conclusão.

  • *

Ok, acho que vou escrever por capítulos.

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1º Capítulo: La Plata que é lo bronce, pero vale oro

- Tarjeta o efectivo? – me perguntou o caixa do supermercado.

- No – eu respondi.

- Lelê, ele perguntou se vai pagar com cartão ou dinheiro. Você não pode responder simplesmente “não” – me alertou o Mandioca.

- Então, sí.

Tudo bem, eu não sou tão boa assim no espanhol, mas não se apeguem aos detalhes. O que interessa aqui é a maneira como o caixa do supermercado chamou o dinheiro: “efectivo”. Jamais eu conseguiria entender que ele estava se referindo ao dim dim, porque desde quando o peso argentino é efetivo, Joelmir Beting?

Chamasse de dinero, moneda, plata, metálico, mas efetivo é forçar a barra.

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Lembra que você acreditava que era mais barato ir para Buenos Aires do que ir para o nordeste brasileiro? E saía dizendo isso por aí com toda a convicção do mundo? Eu me lembro. Em 2007, eu engrossava o coro-da-classe-média-chavão:

- Ah, mas ir para Buenos Aires é muuuuuuuuuuito mais barato do que ir para o nordeste brasileiro!

Mesmo nunca tendo ido ao nordeste brasileiro.

Porque eu realmente acreditava que não era possível pagar 9 pesos (ou cerca de 7 reais) em um sanduíche de filé mignon lá em Fortaleza. E em Buenos Aires era, juro!

Mas as coisas mudaram na capital portenha. Agora eu saio dizendo por aí que seguramente Buenos Aires é a cidade mais cara da América Latina, mesmo sendo a Argentina o único país da América Latina que eu conheço (ok, conheci o Uruguai, mas passei apenas um dia lá, então não conta, né?). Ou será que para tomar um cafezinho no Chile a gente também tem que desembolsar cerca de 7 reais?

É isto mesmo, não estou exagerando. Quando Mandioca, Wandeko, Alê e eu abrimos o cardápio naquela confeitaria da Recoleta quase caímos para trás. Tudo bem que o lugar parecia o saguão do Copacabana Palace, cheio de empresários ricos recém saídos de uma partida de golf, acompanhados de suas senhoras louras lotadas de botox e bronzeadas artificialmente, mas o café de 9 pesos era a única coisa que podíamos pagar naquele lugar.

Também é bem verdade que o café vem cheio de bugigangas. Cada um acompanha dois petit fours, uma dose de água com gás e uma dose de suco de laranja passada, mas não dá para pedir só o café e pagar, por exemplo, 5 pesos. Que, fazendo rapidamente a conversão, ainda estará caro (cerca de 3 reais).

Sabe o que é o pior de tudo? O café de lá ainda é horroroso! Aguado, gorduroso, fraco. Imagina só quanto deve custar um café bom?

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Parece que inflacionar os preços foi a maneira que Buenos Aires descobriu para sair da crise. Não a crise mundial que nos atinge agora, mas aquela velha crise que começou há 4 ou 5 anos na Argentina e durou um bom tempo. Não sei dizer se ainda dura. O que sei é que de dois anos para cá, os preços em Buenos Aires mudaram completamente.

Se antes eu pagava 8 pesos para beber uma Quilmes de um litro em algum bar, hoje não sai por menos de 15 pesos (isso dá cerca de 11 reais). Para comer uma boa carne (sem nenhum acompanhamento) com uma garrafa ¾ de vinho em um lugar bacana, mas não muito fino, é preciso desembolsar uns 70 pesos.

Em uma conversa com o Martín, namorado da Lígia (amiga brasileira que largou tudo para viver em Buenos Aires depois de se apaixonar por lá), ele me disse que a cidade já não é mais para os argentinos, mas para os turistas. Quem é de lá não consegue acompanhar esse ritmo inflacionário porque os salários não sobem na mesma proporção. É o que geralmente acontece quando uma cidade é voltada totalmente para o turismo.

Mal comparando, isto também aconteceu com Olímpia, cidade do interior de São Paulo onde está a minha família materna. Acontece que há uns bons anos algum caipira maluco acreditava que embaixo das terras de Olímpia tinha um lençol de petróleo e resolveu cavar uns buracos. A única coisa que encontrou foi água quente. Muito quente.

Então outro maluco achou que seria legal demais fazer um clube de água quente em uma terra onde as temperaturas chegam a 40°. E deu certo! Foi assim que surgiu o Thermas dos Laranjais e foi assim também que Olímpia virou a “Caldas Novas” de São Paulo.

Há uns três anos, quando recebemos uma herança de uma prima falecida do papai, decidimos que compraríamos uma casa para Dona Rose e Seu Fausto passarem a velhice em Olímpia. Então visitamos uma imobiliária e adivinha? Por causa do Thermas, havia uma especulação imobiliária tão grande que uma casa de dois quartos, cheia de infiltração, na cohab de Olímpia, custava cerca de R$ 100 mil. A prima do meu pai precisaria morrer mais três vezes para comprarmos um barraco lá.

  • *

O que Olímpia tem a ver com Buenos Aires? Nada. Me perdi um pouco. Foco, Leonor, foco.

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Em comparação com São Paulo, os transportes públicos continuam baratos em Buenos Aires. Aliás, parece que serviços em geral são bem mais baratos por lá. O Marcelo Barbão, amigo do Wandeko que vive na capital Argentina, estava contando que o aluguel na cidade é muito caro, mas água, luz e gás são pagos bimestralmente por cerca de 20 pesos cada um.

O metrô, apesar de bem mais barato, me lembrou São Paulo. É quente, sem ar condicionado, lotado em horário de pico. Alguns têm um banco com um carpete aveludado dos anos 80, cheio de ácaro. A passagem está custando 1,10 peso.

Os ônibus continuam velhos, caindo aos pedaços, emitindo poluentes aos baldes e deixando o ar de Buenos Aires tão pesado quanto o de São Paulo, embora a cidade seja considerada uma das mais arborizadas da América do Sul. A passagem aumentou de 0,80 pesos para 1,20 o trecho mais longo a ser percorrido. Sim, você paga por trecho. O curto sai por 1,10. Ao entrar no ônibus é preciso informar para o motorista onde você vai, colocar as moedas em uma máquina e emitir um bilhete. Esse bilhete deve ser guardado para ser mostrado caso haja uma fiscalização. É assim que eles descobrem se você mentiu ou não. Se pagar por um trajeto curto e fizer o longo, pode tomar uma multa.

As máquinas dos ônibus só aceitam moeda. Isto é importante porque se você quiser andar de ônibus só com notas não vai conseguir. É por isso que as moedas na Argentina valem ouro, apesar de terem o peso de uma titica de galinha. Elas estão em falta e tem gente que chega a vendê-las pelo dobro do valor. Uma boa dica é trocar seu dinheiro em um Burguer King. Eu comprei um lanche em um deles e recebi 9 pesos em moeda como troco. Uma verdadeira relíquia.

NOTA: Desculpo-me publicamente com nuestros hermanos porque trouxe os 9 pesos em moeda de volta na mochila, o que quer dizer que metade do patrimônio argentino está na comigo na Pompéia.

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Lucas me deixou ir para Buenos Aires por 12 dias se em troca eu lhe trouxesse uma caixa do Playmobil Jurássico. É que quando eu fui para a Argentina pela primeira vez e os preços eram ridiculamente menores, eu lhe presenteei com três caixas de playmobil.

Então, quando fui me despedir do Lucas antes de ir para o aeroporto a única coisa que ele me disse foi:

- Não esquece o playmobil!

Era isso ou todos os bonequinhos do Star Wars na versão Lego. E eu rodei Buenos Aires. Entrei em todas “El Mundo del Juguete” que vi pela frente e nada. O playmobil tinha sumido das prateleiras. O Lucas todo dia pelo telefone perguntava do presente:

- Achou meus bonequinhos?

- Não, mas comprei uma camiseta do Maradona na época em que ele jogava no Boca Juniors. Original.

- Quero o playmobil ou o lego!

(…)

- Achou meus bonequinhos?

- Não, mas comprei um toy art genial no Museu de Arte Latino-Americana.

- Quero o playmobil ou o lego!

(…)

- Achou meus bonequinhos?

- Não, mas comprei os DVDs da Mafalda!

- Quero o playmobil ou o lego!

(…)

- Achou meus bonequinhos?

- Não, mas comprei um ovo de páscoa Havanna!

- Pô, mãe…

(…)

- Achou meus bonequinhos?

- Achei!

Mas era mentira. Só que se eu não tivesse dito isso, eu iria à falência. E achar o playmobil virou uma questão de honra.

Nos últimos dias, eu encontrei uma loja grande de brinquedos na Avenida Córdoba chamada Tio Mário, ou algo do tipo. Nem precisei procurar muito, havia uma prateleira lotada de playmobils de todos os tamanhos. E adivinha quanto custava o tal do Jurássico que o Lucas queria?! Quase 500 pesos! Sim, eu disse 500 pesos. Nem meu rim em uma parrillada valia 500 pesos em Buenos Aires.

Faltando dois dias para a minha volta a São Paulo eu tive uma idéia. Entrei na americanas.com e o Playmobil Jurássico estava por R$ 199, quase metade do preço da Argentina.

- Mãe, compra aí no Brasil e deixa escondido que eu entrego quando chegar.

Porque para o Lucas não faria a menor diferença um playmobil com mullets ou sem mullets. Quando eu cheguei, entreguei os quase 10 presentes que comprei para ele e a caixa do playmobil.

- Trouxe de lá da Argentina!

E o olho dele brilhou como brilharia se eu tivesse trazido o presente da 25 de março. Fosse daqui uns anos, ele teria se ligado que a caixa está todinha escrita em português.

  • *

Desde que voltei para o Brasil, estou achando tudo de graça. Dei risada quando paguei R$ 2,80 por um café (bom!!) no Bourbon. Achei baratíssimo um ovo de páscoa por R$ 28 no supermercado, já que em Buenos Aires um ovo da Nestlé pequenino custava em média 38 pesos. E é capaz de só por isso eu presentear todos os meus amigos com chocolates nesta páscoa.

Ok, 1° de abril.

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Tabela de conversãopara leigos

Quando fui pela primeira vez para a Argentina, o dólar estava R$ 1,95 aqui no Brasil e lá em Buenos Aires ele valia 3,10 pesos. Desta vez, quando saímos daqui o dólar estava R$ 2,40 e poucos e lá valia 3,60 pesos. Eu, como não sou nada boa em matemática, fingi que entendi quando meus amigos disseram que era mais vantajoso levar tudo em real para lá e trocar por peso. Mas fazia sentido não pagar duas taxas de conversão de moeda.

Como chegamos em um sábado e os bancos estavam fechados, tivemos que trocar em uma casa de câmbio no shopping por uma conversão ridícula. R$ 1 era igual a 1,22 peso. Troquei o suficiente para viver durante um fim-de-semana, crente que nos bancos seria mais fácil e mais vantajoso converter real por peso. Seria, mas banco nenhum faz isso.

Na segunda de manhã, Mandioca, Wandeko e eu (o Alê ainda não tinha chegado) fomos até a Avenida Santa Fé em busca de um banco para trocar. Entramos no La Nacion, no Galicia, no Itaú (!!!) e nenhum trocava real por peso. Apenas dólares e euros, por uma cotação muito boa (quando saímos de lá, um euro valia cinco pesos). Então perguntamos em um banco onde tinha uma casa de câmbio nas imediações da Santa Fé e o caixa nos explicou que ali mesmo, na Avenida, tinha uma pequenina.

Quando a achamos, o lugar não parecia nada confiável. Uma casinha dessas em que aqui no Brasil a gente faz aposta de jogo do bicho. Mas pensamos que se o dono do banco indicou é porque o dinheiro não deveria ser falso. Troquei R$ 200 porque se por acaso fosse falso não teria perdido toda a grana e voltaríamos no dia seguinte com a polícia. O atendente não perguntou meu nome, não pediu meu RG e trocou o dinheiro por uma cotação muito boa. Nos primeiros dias, ele nos pagou 1,45 peso por R$ 1. E nos últimos dias, ele nos pagou 1,50 peso. Ah, sim. Nós voltamos lá porque o dinheiro não era falso. Todos os atendentes argentinos conferem até as notas de 2 pesos e nossas notas eram legítimas. Só no La Viruta Tango que o garçom nos devolveu uma nota de 10 pesos e disse que era falsa, mas para falar a verdade eu não vi nenhuma diferença daquela para a verdadeira. Ele ainda alertou:

- Cuidado com os taxistas!

Porque, segundo ele, essa categoria de profissional costuma passar notas falsas (aliás, os taxistas de Buenos Aires renderão um capítulo à parte). Por via das dúvidas, saí do La Viruta, entrei em um táxi e entreguei os 10 pesos, falsos ou verdadeiros. Para não quebrar a tradição.

(continua…)

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Para que? Paraguayyyyyyyyyyyyyyyo* – Parte I

30 março, 2009 · 20 Comentários

*O título é uma piada interna, mas que dividirei com vocês ao longo das postagens.

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Impossível escrever tudo de uma vez só. Então aí vai a parte I.

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Foram 12 dias em Buenos Aires e somente em Buenos Aires. Nos primeiros planos, havia uma bodega em Mendoza, uma escaladinha no Aconcágua, uma esticadinha em Santiago do Chile, uma atravessadinha no Rio da Prata de navio até Montevideo, uma subidinha em Macchu Picchu, uma descansadinha na Cordilheira dos Andes, uma carreirinha na Colômbia e uma tarde em Itapuã. Mas aí a gente chegou a Buenos Aires e não conseguiu sair mais de lá. E desconfio que pelo menos um de nós quatro voltará à capital argentina nos próximos meses com todas as roupas, livros, discos, DVDs e papagaio para passar o resto da vida caminhando 15 quadras por aquelas ruas largas e cheias de merda de cachorro (calma, mãe, pode enxugar as lágrimas porque, infelizmente, não sou eu).

Mas por que Buenos Aires de novo?

Essa é uma pergunta que muita gente me fez antes de eu embarcar no dia 14 para Buenos Aires. Os “UAU, que legal!” ouvidos há dois anos (quando fui pela primeira vez) ao contar que estava indo para a Argentina deram lugar a um “De novo?” seguido de um muxoxo terrível desta vez.

É bem verdade que eu podia ter juntado dinheiro e ter ido para qualquer outro lugar como o Peru, a Bolívia, a Guiana Francesa, Valinhos ou Tocantins. E é bem verdade também que eu tinha ido há muito pouco tempo, fui em 2007 para comemorar um ano de namoro com um cara que já virou ex há mais de um ano. Jesus, como o tempo passa.

Talvez, e muito talvez, isto esteja relacionado ao fato de ter escolhido novamente Buenos Aires como destino. Quando as coisas são mal terminadas, mal resolvidas e mal lembradas é preciso que a gente cuide disso de alguma maneira. Então eu decidi lembrar de Buenos Aires de uma forma diferente toda vez que ouvisse falar no Maradona, no Gardel, na Mafalda e em frente fria. Mas para isso eu precisaria criar melhores ou piores, mais ou menos felizes, mas novas lembranças.

Aí você poderia me dizer: “pô, Leonor, paga uma terapia que é mais barato” e eu diria que dificilmente o terapeuta teria a cara do Gael Garcia Bernal e me ofereceria uma Quilmes acompanhada de uma empanada de Roquefort.

Um outro forte motivo é que o blog, de certa forma, se tornou uma referência para pessoas que procuram no Google dicas sobre Buenos Aires. Muitos acessos diários vêm de lá e eu me sinto um pouco irresponsável ao dar dicas desatualizadas para pessoas. Por exemplo, o busão não está mais 0,80 centavos de peso. Nem os banheiros mais tão sujos. Mas a água continua com gosto e isto será tratado capítulos à frente.

Fora isso o que mais me incomoda em deixar aquilo tudo desatualizado é a quantidade de gente que me escreve mandando beijinho para o falecido: “Leonor, adorei seu blog. Um beijo para você e um beijo para o namorado”. Porque a maior parte dessas pessoas que entra para ler as dicas de Buenos Aires só lê isso e não se interessa pelo resto do blog. Então fica a dica: vou mandar um beijinho é para a concha de tu madre, falô?!

Tá bom, gente. Vou procurar uma terapia.

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Pero, quien somos nosotros?

Então já disse que mudei de parceiro de viagem. E como queria conhecer o Lado B de Buenos Aires (nada tão romântico, sem passeio de barco no Rio Tigre e sem jantar a luz de velas em Puerto Madero) fui logo com três amigos homens para chutar o pau da barraca. Não, não, vocês entenderam errado. Eram apenas 3 amigos homens. Não tem pau e nem barraca nesta história.

Acabou que eu era o elo de ligação entre os três porque o Mandioca não conhecia o Wandeko, que é amigo do Alê, mas não conhecia o Mandioca. Eu conheci o Alê por causa do Wandeko, conheci o Wandeko por causa do Kung Fu e conheci o Mandioca porque gosto de raízes por causa do Corinthians. Mas o Wandeko é palmeirense e o Alê é bambi. Ai, deu pra sacar? Então vou explicar melhor quem é cada um. Se nós fossemos anões da branca-de-neve:

O Wandeko seria o
anao-zangado
Zangado

**

O Mandioca seria o
dunga1
Dunga

**

O Alê seria o
anao_feliz-729902
Feliz

**

E eu seria o
nelson-ned
Ned

Agora sim deu para entender, né?

**

(continua…)

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Ziriguidum-Portenho-Chama-Chuva

27 março, 2009 · 10 Comentários

Tá bom, tá bom. Enquanto organizo fotos, histórias e dicas, fiquem com uma autêntica escola de samba argentina.

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