Eneaotil

Entradas do Novembro 2007

30 Novembro, 2007 · 4 Comentários

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Menino arteiro

29 Novembro, 2007 · 10 Comentários

Desenho do Lucas

Lucas fez esse desenho e veio me dar:

- Quem é essa, filho?
- É você, mamãe. Fiz você por dentro também. Olha o seu coração!
- E o que são essas coisas vermelhas ao lado do coração?
- É sua corrente sanguínea.
- E isso aqui ao lado da mamãe?
- É um formigueiro com escadas, para as formigas construirem o arco-íris.
- E todos esses lugares que você escreveu?
- É para onde quero ir viajar (onde se lê Capão, se quis dizer Japão).
- E isso aqui na mamãe, em cima do coração? São meus peitos?

Aí ele ficou sem-graça.

- Sim, mamãe. Mas se você quiser, pode ser uma camisa com dois botões…

Categorias: Família

Nós e nós

29 Novembro, 2007 · 7 Comentários

A coluna do Contardo Calligaris, da Folha:

Ilhas desconhecidas

O amor e a viagem nos fazem descobrir que há algo, em nós, que não conhecíamos até então

QUANDO ERA criança, um senhor canadense, Mr. Evans, foi contratado por meus pais para “treinar” meu inglês. O método de Mr. Evans consistia em narrar grandes eventos da História (com H maiúsculo) como se ele tivesse sido uma testemunha ocular. Conseqüência: há detalhes íntimos de várias cenas famosas que não sei mais se são fatos ou fantasias de Mr. Evans.

Uma fonte de inspiração de Mr. Evans era a expedição de Lewis e Clark, que, entre 1804 e 1806, abriu o caminho do Oeste americano. Segundo Mr. Evans, em 7 de abril de 1805, deixando Fort Mandan para se aventurar no território desconhecido das grandes planícies, Lewis, pensativo, teria dito a George Gibson (o melhor atirador da expedição): “New land, George” (uma nova terra, George).

Nunca pude confirmar a veracidade da dita conversa. Mas essa frase, aparentemente trivial, foi incorporada no meu léxico familiar. A cada vez que, numa viagem de férias, saíamos do país, meu irmão e eu não parávamos de repetir: “New land, George”. Ainda hoje, quando chego num lugar desconhecido, penso em Lewis e Gibson.

Mais tarde, meu irmão e eu passamos a usar a mesma expressão quando – numa festa, por exemplo – avistávamos mulheres que despertavam nosso interesse. Um dos dois, invariavelmente, levantava a mão espalmada, como se quisesse proteger os olhos do sol, e dizia: “New land, George”.

Na literatura, não é raro que um corpo amado e desejado seja comparado à paisagem de terras incógnitas. John Donne, num de seus mais lindos poemas (do século 17), chamou sua amada de “minha América, minha terra recém-descoberta”. De fato, há mesmo uma relação entre o amor e a verdadeira viagem. Vamos ver qual.

De vez em quando, tenho vontade de viajar. O que chamo de viajar não tem muito a ver com viagens de férias. Tampouco significa necessariamente desbravar terras virgens.

Encontrei a melhor definição do que é viajar numa maravilhosa e breve fábula de José Saramago, que acaba de ser publicada, “O Conto da Ilha Desconhecida” (Companhia das Letras). O protagonista explica assim seu desejo: “Quero encontrar a ilha desconhecida. Quero saber quem eu sou quando nela estiver”.

Viajar é isto: deslocar-se para um lugar onde possamos descobrir que há, em nós, algo que não conhecíamos até então. Sem estragar o prazer dos leitores, só direi que, no fim da fábula de Saramago, talvez o protagonista não encontre sua ilha, mas ele encontra uma mulher. A moral da história é incerta, entre duas leituras opostas.

Primeira leitura: quem casa não viaja (a não ser de férias); casar-se é desistir de viajar. É o que pensam, com freqüência, homens e mulheres casados. E é também o que os leva, às vezes, a se separarem. Quando achamos que o outro nos impede de viajar, ou seja, que ele nos priva da aventura de descobrir o que poderia haver de diferente em nós, o casal se torna nosso inimigo. Claro, na maioria dos casos, acusamos o casal de uma inércia que é só nossa.

Exemplo: anos atrás, na França, um amigo se interessava pelas pessoas que desaparecem sem razão aparente e refazem sua vida alhures, sob outro nome, como se tivessem sido vítimas de uma amnésia repentina. Em todos os casos em que meu amigo conseguira entrevistar esses “desaparecidos”, os mesmos constatavam que, depois de seu sumiço, em poucos anos, eles tinham reconstruído uma situação de vida parecida com aquela que tinha motivado sua fuga.

Segunda leitura: o protagonista descobre que a mulher ao seu lado é a própria ilha desconhecida que ele procurava e que a verdadeira viagem é o encontro com um outro amado. Faz todo sentido, pois o amor e a viagem, em princípio, têm isto em comum: ambos nos fazem descobrir em nós algo que não estava lá antes.

O outro amado nos transforma. Tanto quanto a chegada numa terra incógnita, ele nos revela algo inesperado em nós.

Por isso, aliás, o viajante e o amante podem esbarrar em problemas análogos: às vezes, ao sermos transformados pela viagem ou pelo amor, não gostamos do que encontramos, não gostamos dos efeitos em nós do amor ou da viagem. Essa é, em geral, a única razão séria para se separar ou para voltar da viagem.

Moral dessa coluna (e talvez da fábula de Saramago): os outros não são nenhum inferno, são uma viagem. Agora, para amar, como para viajar, é preciso ter determinação e coragem.

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Lucas e a sexualidade II

23 Novembro, 2007 · 9 Comentários

Aí, então, depois de um novo banho com sabonete, eu fui trocá-lo e lá estava ele mexendo no pingolin, com o danado levantado.

- Lucas, você mexe tanto aí que logo mais vai esfolar ele todinho.
-Vixi, mãe. Daí vou ter que ir no médico arrancar a pelinha né?
- É sim.
- Ai, nunca mais vou mexer nele de novo. Nunca mais!
- Vai sim, mas quando for grandinho e souber controlar ele até com a imaginação.
- Mãe… sua xotinha fica sempre deitada, né?

Vou ali tomar uma aspirina e já volto.

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Lição do dia: É sempre bom supervisionar o banho de sua criança

23 Novembro, 2007 · 1 Comentário

Lucas pisou em uma pedrinha ontem enquanto desobedecia o vovô no caminho da escola, caiu e esfolou todo o joelho. Aí, me mostrou o dodói quando cheguei do trabalho, eu dei beijinho e disse que quando ele casasse, sararia. Coloquei ele no banho e esperei até que ele me chamasse na hora de tirá-lo, porque “menino grande de 6 anos já sabe tomar banho sozinho e até passar shampoo”.

- MANHÊ!!!! Cabei!!!!!!!

E lá fui eu, recolher o meu pimpolho. Saiu mancando do chuveiro e reclamando de dor no machucado.

- Ai ai ai, mamãe. Está doendo muito porque caiu água.
- É assim mesmo, Luquinhas. Amanhã já nem vai doer mais, você vai ver.
- Não? Jura????
- Juro. Só dói na primeira vez que deixamos cair a água em cima. Depois passa.
- Então eu vou poder voltar a passar sabonete no corpo??????
- Como assim? Você não passou sabonete?
- Claro que não, mãe. Eu prometi para mim mesmo que nunca mais ia passar sabonete no corpo todo até sarar o machucado.

Imaginou o fedô do menino até a hora da cerimônia?

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Lucas e a sexualidade I

23 Novembro, 2007 · 2 Comentários

- Lucas, pára de mexer no pipi. Olha como ele já está! Todo de pé!
- Ah, mãe. É que é tão gostoso!

Puta merda.

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E essa foi mais uma festa infantil patrocinada pela família Martin de Macedo

23 Novembro, 2007 · 1 Comentário

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Só amanhã: o resultado dessa pataquada

22 Novembro, 2007 · 1 Comentário

aniversário do Lucas

Categorias: Dia-a-dia · Família
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A Sandra Regina que eu mereço

22 Novembro, 2007 · 5 Comentários

sandra_regina

Atente a essa imagem. É um print do meu e-mail do trabalho, repito DO TRABALHO, tirado agora pouco. Todo mundo na vida tem uma Sandra Regina. Aquela pessoa que quando acorda inspirada, é capaz de lotar a sua caixa em 40 minutos com assuntos que não te interessariam nem se você fosse a própria Sandra Regina. E quando acorda assim, meio borocoxô, cabisbaixa, depressiva, te envia só 60 mensagens no dia.

Aquele tipo de pessoa que não pode ver o botão Forward no computador sem masturbá-lo 100 vezes em 12 segundos para encaminhar tudo quanto é porcaria que lhe enviam também. Do mesmo tipo de gente que quando o elevador está demorando, começa a socar o botão compulsivamente e a apertá-lo de dois em dois segundos, como se ele fosse chegar mais rápido.

Sandra Regina não é do tipo selecionada. Nem sabe o que é isso, nunca foi escolher verdura na feira. Manda dos mais variados assuntos para qualquer tipo de gente. Piada de loira para loira, de negro para negro, de judeu para judeu, de papagaio para papagaio. Te envia power point de Cristo, de Satã, de Jeová, de Ogum, de Babalorixá, do Chico Xavier, da Universal, sem nem saber se você é atéia. O único tipo de seleção que ela faz é te enviar todas mensagens que você jamais leria. Nasceu para ser assessora de imprensa.

Aliás, te conheceu na faculdade de jornalismo. Na época em que fizeram uns trabalhos juntas, antes de ela surtar e mandar todo o grupo para a puta que pariu, sem qualquer motivo, razão ou circunstância. Mas agora ela resolveu esquecer que te odeia, sim, e incluiu sua lista de e-mail na lista dos “queridos amigos de Sandra Regina que recebem entretenimento para um dia todo de ócio”.

Sandra Regina, como toda jornalista, tem certeza que é lida. O pior de tudo é que essas pessoas taradas por inutilidades virtuais formam uma rede de pessoas taradas. Sandra Regina é amiga de outras mil Sandras Reginas, que lhe enviam tudo quanto é merda que já foi inventada virtual e não-virtualmente. Porque essas pessoas escaneiam até caixa de cueca antiga para te enviar em jotapégui.

E quando não há nenhum arquivo novo para enviar, nenhuma piada inédita, Sandra Regina começa a te enviar tudo de novo. Tudo o que está armazenado no e-mail gigante de não sei quantos mil gigabytes do google.

O pior é que não dá para incluir Sandra Regina na lista negra dos e-mails odiáveis porque você tem a certeza de que um dia ela te pedirá socorro, atolada debaixo de uma tonelada de e-mails impressos, porque Sandra Regina também é do tipo que imprime tudo o que recebe na internet para levar para casa.

Hoje é daqueles dias que a Sandra Regina acordou inspirada. O dia que a gente paga mais do speedy por transferência de arquivo, o dia que metade da selva amazônica é timbrada com piadas sem-graça na impressora, o dia em que a menina aqui do trabalho que chama Sandra não pode nem passar na minha frente. Quando a Sandra acorda inspirada, eu acordo bem mais crítica.

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Vida de chefe

22 Novembro, 2007 · 1 Comentário

Recebi esse e-mail agora da coordenadora geral aqui do trabalho:

“Querida equipe da ONG,

O aniversário da gente é dia de comemoração.

Fiquei emocionada com todo carinho que recebi. Este carinho veio com flores, enfeites, vinhos. Estou me deliciando com todo este manancial. Fico sem palavras! É muito puxa-saquismo amor e agradecer é pouco.

Beijos

A chefe”

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Ajudar a filha da chefe na lição de casa é…

22 Novembro, 2007 · Deixe um comentário

… descobrir que uma jarda é a distância da ponta do nariz do Rei Henrique I até seu polegar direito, com o braço esticado. Isso equivale a 91,44 cm.

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Um minuto para os comerciais

21 Novembro, 2007 · 5 Comentários

E para quem não entendeu a mudança do Indecências para o ENE-A-O-TIL, explico: eu estava meio de saco cheio de algumas situações na minha vida e quis sair um pouco da rotina. Aí, como eu não posso pedir demissão, mudar de País, ou pintar o meu cabelo de rosa sem parecer ridícula, deletei o blog e fiz um outro.

Eu gostava muito do Indecências. Assim o apaguei da web, para que nenhum texto ficasse dando sopa por muito mais tempo. A intenção não era montar esse aqui logo de cara, mas ficar um período sem escrever. Só que não agüento. Com um filho como o Lucas, dá para ficar sem ter um espaço para registrar algo como a carne de boiola?

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Temente a Deus

21 Novembro, 2007 · 4 Comentários

Aí a menina que fazia as minhas unhas disse que era temente a Deus. Da Igreja Universal do Reino de Deus. Pagava o dízimo e o escambau. “10% de todo o dinheiro que passa pelas minhas mãos no mês”. E que via o dízimo como um presente para Deus. “Mostro como eu sou fiel a ele e ele se mostra fiel a mim também.”

Depois, enquanto desencravava o meu dedão que ela mesmo tinha feito questão de encravar há duas semanas, contou como tinha brigado com uma manicure lá do salão por causa da marmita. “Ela parecia que ia me bater. Eu peguei uma bíblia e fiquei gritando pro demônio sair.”

E como gosto, futebol ou religião se discute sim, principalmente quando se está na TPM, eu escolhi o esmalte vermelho e não admiti quando ela começou a insinuar que “aquela era uma cor de quem estava com o Satanás nas entranhas”. De quem é das baladas, ela disse. E falou que quem não transa apenas com o marido, só depois do casamento, se prostitui.

- Por isso vou casar com meu marido.
- Para poder transar com ele?
- Para poder ficar bem diante de Jesus Cristo.

Porque ninguém, nem mesmo quem é temente a Deus, é de ferro.

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Lucas e a culinária estrangeira

20 Novembro, 2007 · 4 Comentários

- Mãe, lá na casa do papai eu comi carne de boiola.
- O QUE?

Depois eu me liguei que ele quis dizer Bracciola.

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14 Novembro, 2007 · 2 Comentários

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