Eneaotil

Entradas do Março 2008

Histórias dos filhos dos outros

31 Março, 2008 · 11 Comentários

Já faz um tempo que minha chefe quer mudar da Pompéia para Pinheiros porque assim ela ficaria mais perto do trabalho e do colégio de sua filha, de 9 anos. Isso vai foder o meu esquema de carona, já que ela é minha vizinha e venho no seu carro quase todos os dias. Mesmo assim, se eu soubesse que o mau humor era tanto hoje, eu preferia ter vindo esmagada por 6 mil porteiros no busão, com um calor de 60°. Ou a pé, puxando uma carroça de papelão.

**

Mas essas coisas não dá para adivinhar e eu toquei alegremente a campainha do apartamento 33 hoje, às 8h30 da manhã:

- Bom diaaaaaaaaaaaaaaaaa!
- BOM DIA A PUTA QUE TE PARIU!

**

Como eu vi que a vida não seria fácil ao longo das próximas 8 horas, decidi tentar puxar conversa e dar uma amenizada no climão:

- E aí? Como foram de fim-de-semana? Conheceram o shopping novo?
- TÁ LOUCA? ODEIO SHOPPING E ODEIO QUEM GOSTA DE SHOPPING! O TRÂNSITO FICOU INSUPORTÁVEL! EU NUNCA VOU PISAR LÁ. EU QUERO É JOGAR UMA BOMBA NESSE SHOPPING!

Ela parecia falar bem sério e eu já ia pedindo para me avisar o dia do atentado quando ela continuou:

- AGORA QUE EU QUERO MUDAR DAQUI MESMO. VOU DEIXAR ESSE LUGAR PARA ESSES PAULISTANOS IDIOTAS!

E a filha dela, que tomava um café da manhã calmamente e ouvia tudo, respondeu:

- Mãe, quem mora em Pinheiros também é paulistano!

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Protegido: Pensamentos em uma segunda-feira cão

31 Março, 2008 · Digite sua senha para ver os comentários

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Fica-a-dica

28 Março, 2008 · 14 Comentários

Não sou eu que vou avisar para todas as minhas amigas que aderiram a essa moda da franja reta que elas ficaram muito mais parecidas com a Mara Maravilha do que com a Aline Moraes.

180px-maramaravilha.jpg
- Não faz mal, eu tô carente, mas eu tô legal!

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O melhor futebol do mundo

26 Março, 2008 · 5 Comentários

Fui buscar o Lucas no futebol na segunda-feira e no fim da aula sempre tem uma rodada de perguntas. As mães e os pais ficam em seus devidos lugares – debaixo da escada – esperando os filhos enquanto eles repassam o que aprenderam durante a aula.

Então eu ouvi o professor perguntar:

- Quanto foi o jogo do Corinthians ontem?

- 1 a 0!

- E o do São Paulo?

- 1 a 0!

- E o do Santos?

- 1 a 0!

Foi aí que me dei conta de que esse Campeonato Paulista está chato pra caraio.

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Um verdadeiro baile de Rock’N'Roll

26 Março, 2008 · 8 Comentários

Lucas desenhou na escola o que, para ele, é um autêntico baile de rock’n'roll. A arte é dele, as idéias também. Só os garranchos são meus (escrevendo as devidas explicações do meu filhote para cada um de seus traços – mas nem precisava, né?).

lucas_.jpg

* Clique no desenho para ver tudo maior e ser mais feliz

 

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Gripe bizarra

25 Março, 2008 · 3 Comentários

De domingo para a segunda sonhei que estávamos eu, Marta Suplicy e Kassab, tomando um cafezinho no parque do Ibirapuera e falando mal do trânsito de São Paulo.

E essa noite sonhei que o trabalho estava tão, mas tão legal que eu esqueci de buscar o Lucas na escola e saí só às 20h.

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Aprendendo a dividir

25 Março, 2008 · 4 Comentários

- Lucas, você repartiu o ovo de páscoa ontem na escola?

- Reparti sim. Em dois.

- Ah, que bonitinho.

- E comi os dois.

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Diretas já

24 Março, 2008 · 3 Comentários

Hoje o Conselho do Corinthians votará o novo Estatuto que pede, entre outras questões, eleições diretas no clube. Quem não estiver à beira de uma falência múltipla de órgãos, favor comparecer na porta do Parque São Jorge.

popup_novo_estatuto.jpg

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24 Março, 2008 · 3 Comentários

É muita sacanagem ficar com uma gripe tão fodida em plena páscoa, a ponto de não sentir o gosto de nada – incluindo chocolates.

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Saldo do domingo:

- Três Toblerones meio-amargos;

- Duas barras de chocolate Hersheys meio-amargas;

- Um ovo de páscoa meio-amargo.

- Uma caixa de Stikadinhos (que mesmo eu não sentindo o gosto já está dentro do meu estômago, com papelão e tudo).

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A vida anda meio-amarga, mas adoro!

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Sinônimos de felicidade

20 Março, 2008 · 12 Comentários

A época da páscoa é, sem dúvida nenhuma, uma das minhas datas comemorativas preferidas. Junto com natal, aniversário, dia das mães, dia das crianças, carnaval, festa junina, corpus christi, feriado de tiradentes, da independência, dia do trabalho, abolição da escravatura e o dia da secretária.

O Lucas costuma ganhar uns 16 ovos de chocolate (porque ele é filho único, neto único, sobrinho único e a única e mais adorável criança da família em um raio de 500 km) e eu, como boa mãe, insisto para ele não comer tudo de uma vez. Depois ele esquece dos ovos e é pecado estragar, então eu como tudo mesmo. E não, não engordo 300 kg (só uns três), nem fico com a cara cheia de espinha. Morram de inveja.

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Inspirada nas prateleiras das Lojas Americanas, resolvi fazer um Top 10 com meus chocolates preferidos:

prd-trufa.jpgTrufas tradicionais são as coisas mais bonitas que Deus já criou nesse universo. Mas tem que ser a tradicional: não me venha com aquelas sabor brigadeiro, prestígio, amarula, uva verde e o raio que o parta. E, de preferência, tem que ser uma trufa que custe um pouco mais de R$ 1 e não seja vendida dentro de um carro Gol despedaçado, em porta de faculdade (embora eu comesse uma dessas todos os dias nos meus doces anos de São Judas).

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stikadinhothumbnail.jpgTeve um tempo na minha vida que eu vendia doces e salgados na escola para faturar um dinheiro. Mamãe ia naquelas lojas lá da Lapa, comprava por atacado e eu e meu irmão vendíamos na hora do recreio. Foi nessa época que eu viciei em Stikadinho, a ponto de comer uma caixa toda sozinha em 30 trinta minutos. Por isso que eu continuo pobre.

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sensacao.jpgEssa combinação de chocolate com morango sempre me atraiu, tanto é que no sorvete Napolitano lá de casa a fileira do creme é sempre rejeitada. Por isso que o chocolate Sensação é o primeiro a sumir da caixa de Especialidades da Nestlé e o primeiro a entrar no carrinho de compras todo mês. Tudo por conta do morango que, sei lá como, é mantido cremoso dentro do chocolate durante anos. Experimente esquecer um Sensação dentro da gaveta de meias por um ano para você ver a meleca que faz.

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Guarda-chuvinhas de chocolate hidrogenado são muito bons por dois motivos: oguarda-chuva-de-chocolate1.jpg chocolate hidrogenado e o preço. Uma caixa com 100 sai por mais ou menos R$ 2. Nós usamos como enfeite na árvore de natal e eles somem misteriosa mente todos os dias. E me desculpem por essa imagem breguíssima escrita “recordações”, mas foi uma das únicas do google.

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cigarrinhos_ok.jpgA Pan sempre foi uma indústria alimentícia incompreendida e nunca ganhou o seu devido valor. Cigarrinhos de chocolate têm o gosto da minha infância, além de um sabor tremendo de papel alumínio porque o meu sempre derretia na hora de abrir e eu tinha que ficar chupando o papel para poder saborear a iguaria. Cabe um parênteses aqui: você imaginaria hoje um produto estampando uma criança negra na embalagem segurando um cigarro, mesmo de chocolate?

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images.jpg

É caro, derrete na boca e quando começa a deixar a gente feliz já acabou. Mas não é por isso que não vale a pena comprar uma caixinha de Língua de Gato de vez em quando, né? Quando criança, eu seria capaz de sair beijando felinos pela rua só para tentar sentir o gosto. Não que eu tenha feito isso. Er… deixa pra lá.

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choclap.jpg

A Pan de novo. Verdade seja dita: era muito, muito mais gostoso aprender a ler e a escrever nos anos 80. Mas como era difícil abrir esses Chocolápis sem deixar tudo derreter ou quebrar em mil pedacinhos. Putaquel.

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bombom_cherry_unidade_b.jpgUm dia eu vi em uma matéria da televisão que os bombons Cherry, da Kopenhagen, são feitos um a um, manualmente. E que por esse motivo eles custam cerca de R$ 2 milhões o kg. O que custava colocar crianças bolivianas para fazer e sair um pouco mais baratinho?

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lancy.jpgO Lancy é o melhor custo benefício da Lacta. Custa R$ 1,50 até no Pão de Açúcar e vem três bombons. É o único que eu aceito comer com avelãs. Porque cá para nós, eu ODEIO chocolate com pedaço de árvore dentro.

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kri.jpg

Você também não lembrava que o Kri vinha em uma embalagem com as cores dos Estados Unidos? Putaquel.

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Fica-a-dica, então, para quem teve a idéia de me dar uma cesta de bichinhos peludinhos de páscoa. Só não vale a dica do Kri, porque se ele ainda for achado em algum mercadinho perdido em Pirituba está estragado.

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20 Março, 2008 · 7 Comentários

Gente, vem cá: o carnaval foi quase em janeiro, a páscoa vai ser em março, o Corpus Christi em maio. Pelas minhas contas, o Natal vai cair no fim de outubro. É isso mesmo?

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Enquanto isso, na Avenida Rebouças…

19 Março, 2008 · 4 Comentários

reboucas.jpg

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Craque (contundido) da mamãe

18 Março, 2008 · 7 Comentários

Aí eu mandei meu filho [piada sem precedentes racistas] 100% branco [/piada sem precedentes racistas] ontem para a escola e ele voltou com o dedão da mão esquerda preto.

Parece que o futebol começou às 5h40 e às 6h10 ele já estava estrebuchando debaixo do pé de um menininho. Como mãe zelosa que sou, eu estava pelas proximidades da escola, na padaria ao lado da MTV, comendo um pedaço de pizza na mesa em frente ao Sepultura e espantada com o fato da banda ainda existir. Então meu telefone tocou:

- Leonor? É a Jô aqui da escola. É o seguinte: o seu filho é goleiro, né? E aí ele foi lançar a bola quando foi chutado por um menino e agora está com o dedo preto.

Goleiro??? Como assim goleiro??? Então eu tinha que ter ganhado um desconto na hora da matrícula!

**

Cheguei lá e dei de cara com o coordenadora mercadológica pedagógica:

- Ai, que lindo seu cabelo novo, nem te reconheci. Você viu que seu filho se machucou, né?

- Sim, por isso estou aqui mais cedo. Até ia te procurar porque hoje mesmo eu dei seis cheques para o futebol e se ele quebrou o dedo e tiver que ser afastado por um tempo vou querer que ele reponha essas aulas.

- Ah, mas você vai ver que não vai ser nada. Não vai tirar o seu filho do futebol por causa disso.

- Mas não foi isso o que eu disse. Pedi para que, se for o caso, ele possa repor as aulas.

- Ah, imagina. É bom que a criança se machuque um pouco. Essas coisas acontecem.

- Bom porque não foi em você. Deve ter doído pra caralho!

**

Lucas já estava jogando de novo, com o dedo um pouco inchado e a unha toda preta.

- Vamos ao hospital para tirar um raio-X, Lu.

- Ah, não! Não quero! Não quero! Vai doer! Vão me matar! – e começou a chorar.

Os cientistas podiam pesquisar os motivos para a cagalhonice do gênero masculino. Devem estar todos no cromossomo Y.

**

No caminho ao hospital, quando Lucas parou de chorar, ele me disse:

- Puxa, mãe. Se fosse um corinthiano que tivesse feito isso, eu ia ficar muito chateado.

- Quem foi que fez isso, Lucas?

- O Luca. É Palmeirense, mãe. E palmeirense é tudo grosso.

**

Luca Brasi sleeps with the fishes.

**

Já na fila do raio-X, decidi perguntar:

- Filho, quantos gols você tomou até se machucar?

- Dois, mãe!

- Putz, ainda bem que te machucaram porque senão seu time ia perder de goleada…

- Na verdade, mãe, foram três.

- G-zus, Lucas. Você é pior do que eu pensava.

- Quer dizer, foram quatro, mãe.

- Nossa, quem é você? O Rogério Ceni?

- Mãe, tá bom, vou falar a verdade. Eu tinha tomado cinco gols…

**

Então, já na sala da médica:

- Lucas, seu dedo está ótimo, foi só a pancada. É bom você colocar a mão em uma cumbuca cheia de gelo…

- Cumbuca não, peloamordedeus, cumbuca não!!!!!! Eu não quero cumbuca!!!!

- Lucas, você sabe o que é uma cumbuca?

- Não…

- É um pote!

- Ah…

Aí a médica me chamou de lado para contar longe dele que talvez a unha caia nos próximos dias.

Segunda-feira que vem tem mais!

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Sobre cabelos e rabos

17 Março, 2008 · 16 Comentários

Eu sempre tive para mim que cabeleireiro bom é cabeleireiro biba. Não pode ser macho, porque macho é relaxado e coça o saco – e ninguém toca nos meus cabelos sedosos depois de colocar as mãos nas partes. Não pode ser mulher, porque mulher nunca quer ver a outra bonita e penteada, a não ser que ela seja sua amiga ou sua mãe. E não pode ser um homossexual discreto, que vai ficar cheio de pudores para fazer um corte super moderno, com medo de ser descoberto e se ver obrigado a sair do armário.

Cabeleireiro tem que ser biba, bichinha, são paulino, baitola e viado. Tudo isso junto. Porque só ele vai querer te ver *L-I-N-D-A*, *A-R-R-A-S-A-N-D-O*, *B-R-I-L-H-A-N-D-O*. E especialidade de cabeleireiro macho é passar a máquina zero na cabeça de outro macho a R$ 5 no Largo da Batata. Não, obrigada, eu sempre preferi gastar um pouco mais.

Também sempre tive para mim que cabeleireiro não é algo que a gente tem para sempre. O bom é sempre trocar, porque senão você vai ficar com a mesma cara dos 6 aos 90 anos. E é capaz de, aos 35, ter de sentar em cima de um monte de listas telefônicas e ganhar um pirulito no final do corte se tiver um bom comportamento.

Eu, por exemplo, se continuasse a ir no Toninho, ia ter até hoje o cabelo do Xororó. Há bem pouco tempo, ele ainda mantinha na parede de seu salão uma fotografia de uma loira com as madeixas semi-raspadas e um topete enoooooooooorme, cheio de gel e glitter, com uma propaganda do Studio Line (esculpa seus cabelos à sua moda – lembram disso?).

**
Quando me mudei das Perdizes para a Pompéia, saí em busca de outro cabeleireiro, mas por ali é bastante raro alguém com todas as especificações necessárias. O Adílson é um senhor distinto, casado, com três filhos. O Ronaldo é um homem que arrota enquanto corta o seu cabelo, come frango com farofa dois minutos antes do seu horário e chega palitando os dentes. E por aí vai.

Tentei o Soho, mas saí de lá parecendo a Honolável Senhola Leonô. Decidi, então, romper fronteiras e vim cortar o cabelo bem perto do trabalho, aqui em Pinheiros, no Jean Louis David. Ficou ótimo, mas a Lei de Murphy nunca falha e quando você encontra o cabeleireiro gay perfeito, no mês seguinte quando volta ao salão para dar um tapa na peruca, ele foi tragado pela terra. Sumiu, desapareceu, escafedeu-se, sem deixar um bilhetinho suicida.

Aí eu decidi ligar em um salão moderno lá dos Jardins, na Augusta com a Oscar Freire, em plena Galeria Ouro Fino. E me atendeu um cabeleireiro falando cantado:

- Bah, tchê. Venha sim, guria.

“Perfeito”, pensei. Não dava para ser mais gay. E nem me importei de pagar os R$ 80.

Só que no meio do corte, quando tudo já estava ficando uma bosta, ele começou a falar sobre a namorada, corridas de carros e torcida organizada.

**

Se o seu cabelo está uma merda, não importa que roupa de oncinha você coloque, tudo vai parecer uma porcaria. E eu estava me sentindo um bagaço desde que o super hetero gaúcho colocou a mão nos meus cabelos.

Hoje, na hora do almoço, me deu na sapituca e fui em um salão aqui do lado do trabalho, paupérrimo, baratésimo, inspirada pelo nome do lugar: *D.I.V.I.N.A.*. Lavei os cabelos com uma atendente de nome Poliana, ganhei um cafezinho e fiquei na cadeira, esperando o cabeleireiro…

… que era a cara do Sargento Pincel e casado com a proprietária do salão, a dona Divina.

Morri.

**
Acordei ainda na cadeira do salão, com um cabelo channel moderno e deslumbrante. É a vida fazendo eu rever meus preconceitos (ou fazendo a dona Divina perder o marido).

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14 Março, 2008 · 8 Comentários

Lucas chegou da escola me pedindo para ouvir Donga, Chiquinha Gonzaga e Adoniran Barbosa. E agora está lá na sala, cantarolando “Um Samba no Bixiga“. Juro, às vezes fico assustada com o tanto que ele é legal.

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Pena que na hora que as crianças perguntaram para a professora o que era Bracciola, ela disse que era um tipo de queijo italiano. Putaquel.

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Rir para não chorar

13 Março, 2008 · 9 Comentários

Ontem, no mercado, uma mulher encostou do meu lado com o carrinho cheio e segurando um bebezinho de colo:

- Moça, paga as minhas compras?

- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!

Podem me chamar de monstro, mas a pergunta me pegou desprevenida.

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Lição do dia: não nade com os tubarões

12 Março, 2008 · 2 Comentários

Gente, estou sem muito o que escrever hoje, mas vou postar dicas muito importantes do psicanalista Norberto Keppe para evitarmos antecipar nossa viagem para o Além.

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Amo³

11 Março, 2008 · 3 Comentários

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Craque da mamãe

11 Março, 2008 · 8 Comentários

Lá em casa, futebol sempre foi uma coisa de fêmea. Foi por causa da mamãe (embora ela nem ligue muito hoje) que papai começou a ir em estádio para torcer pelo Coringão. Já o meu irmão, um verdadeiro craque nos computadores, não servia nem para goleiro do pior time da Liga Infantil dos Índios Mancos de Cabrobó da Serra. Foi uma vez só comigo em jogo, quando o Timão perdeu para o Santos naquela final do Brasileiro (lembra? Primeiro jogo, um toró horroroso e no segundo, as pedaladas do Robinho).

O meu avô materno achava que eram 22 idiotas correndo atrás de uma bola. E o meu avô paterno gostava mesmo era de corrida de cavalos. Enfim, sobrou a mim saber o que é um impedimento e entender porque é que só aquele homem parado debaixo do gol pode segurar a bola com as mãos.

Apesar da minha pouca habilidade com os pés, no ginásio eu era sempre a terceira a ser escolhida para o time no meio de 20 garotas. Depois da Arilma (que tinha nome de craque) e da Fernanda, uma skatista que fazia gols porque todo mundo morria de medo dela e saía correndo toda vez que ela se aproximava. Até joguei na equipe da Universidade, mas aí eu tenho certeza que era por falta de opção.

Então, quando o Lucas nasceu, vi nele a possibilidade de uma companhia para os jogos no estádio e partidas de domingo na televisão. E o pequeno nasceu corinthiano apaixonado porque com pouco mais de dois anos de idade ele pedia para ligar o rádio, sentava em um banquinho e ficava ali em frente ao aparelho pelos 90 minutos seguintes.

Daí para o Luquinhas começar a ganhar bola de futebol de presente de aniversário não demorou muito. As bolas se acumulavam debaixo das estantes e ele nem aí para o brinquedo, porque, apesar de adorar ir aos jogos comigo, assisti-los e ouvi-los, o Lucas tinha ojeriza a jogar futebol. Nos dois primeiros minutos de uma peladinha, ele se irritava, segurava a bola com as mãos, levava-a até o gol, lançava-a, comemorava e pronto: “vamos para casa!”

Isso porque o DNA nunca falha e o horror a jogar futebol sempre foi proporcional ao amor e a habilidade no computador e no videogame, totalmente dominados pelo Luquinhas. Igualzinho ao titio. Com menos de quatro anos, meu filho já sabia para que funcionavam os botões “Scroll Lock”, “Pause Break”, “Insert”, “Home”, “End”, “Page Up” e “Page Down” de um teclado, coisa que eu não faço a menor idéia.

***

Quando o Luquinhas chegou para mim, na semana passada, e pediu para ser matriculado no futebol, eu quase infartei.

- Alguém te ameaçou, filhote?

Mas não. Era de sua livre e espontânea vontade.

A primeira aula foi ontem, logo após o horário normal da escola. Das 17h40 às 19h10. Uma hora e meia inteirinha para aprender que futebol se joga com os pés.

Cheguei na porta da escola dele às 18h30 para pegá-lo, ansiosa por notícias. Mas a porta para os pais só foi aberta dois minutos antes do horário final, para pegarmos as mochilas enquanto as crianças terminavam a aula.

Pude ouvir o fim de uma roda de conversa do professor com os alunos:

- Então, crianças, vamos retomar o que aprendemos hoje! Quantas vezes o Brasil foi campeão da Copa América?

- Duas!!! – gritou um menino.

- Três!!! – chutou outro.

- Uma!!! – respondeu o Lucas.

- Não, oito! – corrigiu o professor – E quantas vezes o Brasil foi campeão da Copa do Mundo?

- Doooooooooooooooze!!!! – falou um.

- Dezesseeeeeeeeeeeeeeeeete!!! – disse o colega.

- Não, cinco! – não desanimou o professor – E quantos gols o Pelé fez em toda sua carreira?

- Deeeeeeeeeeeeez!!! – exclamou o Lucas.

- Quatro!!! – afirmou o amigo.

- O que é carreira? – perguntou um menininho.

- Não!! Foram 1290 – respondeu o professor.

- NOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOSSAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!

Um timaço.

**

- Lucas, gostou da aula de futebol?

- Adorei, mãe.

- Vai querer vir toda segunda?

- Sim! Mas, mãe, eu sou pééééééééééééééééééssimo no futebol. Péssimo.

- Eu também, pequeno.

E ele me sorriu um sorriso aliviado de quem não precisa ser bom em tudo. Só precisa ser feliz.

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Lei de Freud

10 Março, 2008 · 2 Comentários

 

A Julyana, minha amiga, trocou de emprego. Começou em um novo hoje. Aí chamei ela no msn para perguntar como estava tudo:

Leonor Macedo diz:

e aí?

Leonor Macedo diz:

curtindo?

Julyana diz:

nem consegui usar o telefone ainda

Julyana diz:

Freud!

Julyana diz:

pior é que queria já colocar uma matéria no ar, mas sem telefone não rola

Leonor Macedo diz:

Freud não, Ju

Leonor Macedo diz:

É murphy!

Leonor Macedo diz:

não venha dar uma de intelectualizada

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- Me dá uma meia honestidade, meia safadeza?

10 Março, 2008 · 9 Comentários

Dia de calor é dia também da classe média pompeiense se reunir debaixo dos guarda-sóis da piscina para falar daquela vizinha baranga do 215 que chega todo dia com um namorado diferente ou do vizinho alcóolatra do 67 que bate na mulher. Como ainda não inventaram um sal de frutas sabor coca-cola e eu não me misturo com a minha própria ralé, eu sempre estendo a minha toalhinha a 12 km de distância, no ponto mais isolado da área comum.

Ontem não foi diferente e quando deu meio dia e quinze eu subi para casa porque o sol já castigava o Luquinhas. O clube das desquitadas continuou torrando na outra ponta e foi uma delas que justamente achou o meu pobre celular de número 11 rejeitado, esquecido e solitário.

Lá pelas tantas, me lembrei do aparelho, que já tinha sido entregue ao porteiro. E só de noite pensei em conferir se alguém tinha me ligado durante o tempo em que o celular ficou sumido. Pois bem, as chamadas marcavam não só algumas recebidas e não atendidas, como também diversas feitas. Do meio dia e quinze às 4h30 da tarde, quando ele me foi entregue, vários celulares de São Paulo receberam ligações provenientes do meu aparelho celular. Além disso, recebi duas mensagens que já tinham sido lidas.

Agora me ajudem a desvendar o que já está sendo conhecido como o mistério do celular quem foi o grande filho da puta que me fez uma presepada dessas:

A-) A mal-comida do 75 que precisava urgentemente marcar hora com um garanhão italiano que faz michê para tirar as teias de aranha;

B-) O porteiro que, agraciado com o milagre de deus de um celular pós-pago, resolveu ligar para todos os parentes desejando feliz natal atrasado;

C-) Coronel Mostarda, na sala de estar, com o candelabro.

Tô puta.

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1985

7 Março, 2008 · 8 Comentários

Consta que sou eu, chorando porque não queria tirar photographia. A foto está amarelada, eu costumava andar mais limpinha.

eu.jpg

Categorias: infância
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Romantismo

6 Março, 2008 · 2 Comentários

Bichinhos de pelúcia rosinhas e fofinhos são bem legais. Fica-a-dica? Eu quero sífilis.

Categorias: Amar é...

Bullying e histórias relacionadas

6 Março, 2008 · 2 Comentários

* Enquanto nada de muito interessante acontece na minha vida, aproveito para inaugurar uma nova categoria. Na “Vale a pena ler de novo?” postarei histórias mais antigas já escritas, tanto no finado Subversiva, quanto no finado e enterrado Indecências. Essa debaixo foi escrita em 23 de Agosto de 2007, nem faz tanto tempo assim.

Eu nunca acreditei muito nesse papo de que criança é um bicho puro, indefeso e ingênuo, visto que sempre fui uma criança zoada até aprender a zoar todas as outras. No pré, as menininhas mais patricinhas riam de mim por causa do meu nome ou porque, desde cedo, eu não era fofucha e rosada. Nem tão boa na aula de religião.

Depois eu estiquei demais, emagreci demais, perdi os dois dentes da frente e entrei naquela fase medonha e disforme da pré-adolescência, onde todos merecem ser zoados. Além do que, eu sempre usei roupas de meninos herdadas do meu irmão e do meu primo, nunca quis fazer ballet, era fã de futebol e colocava taturanas na cabeça.

Fui a última da turma a ter peitinhos, vivia com as canelas roxas, usava uma maria chiquinha de lado nos anos oitenta e, já na adolescência, vestia roupas largas e camisetas de banda de rock. Na fase grunge, escondia a falta de bunda com camisas xadrezes de flanela amarradas na cintura e na fase mais punk rock guardava as canelas finas em coturnos pretos que iam até o meio da perna.

Quando fazia muito frio, vestia uma touquinha do Timão e matava a minha mãe de desgosto, que me apelidou carinhosamente, naquela época, de “mulamba girl”.

Aí entrei na minha fase piqueteira-Che-Guevara e eu tinha certeza que a revolução estava próxima. Eu acho que até hoje não sou muito convencional, o que faz as pessoas torcerem um pouco o nariz assim que me conhecem. E todo mundo só não sai correndo de vez porque, no fim das contas, eu sou até divertida.

Por causa de todo esse histórico, eu tive de aprender cedo a técnica do zoe-antes-que-te-zoem, que consiste em achar o ponto fraco alheio e fazer com que ele vire uma piada. E contá-la em público assim que o fulano reparar nas suas canelas finas. É o tal do bullying que, se feito de forma exagerada e humilhante, pode levar o fulano a entrar atirando em repartições públicas ou em salas de aula do ensino médio.

***

Luquinhas, outro dia, contava a mim e ao Daniel que tem um amigo com sobrepeso (vamos usar termos menos agressivos) em sua sala de aula.

- Ele fica bravo quando todo mundo começa a rir e a chamá-lo de bolo de almôndega.

Na hora eu quis rir, mas quando se é mãe tudo muda e é a sua vez de dar o exemplo:

- Que coisa feia, Lucas. Não pode chamá-lo assim. Você gostaria que te chamassem de perninha de sabiá (Lucas é magrinho)? Ou de lobinho (Lucas é peludinho)?

Mas parece que o sermão não adiantou muito. Outro dia fui levá-lo na escola e estávamos esperando o portão abrir quando encostou uma perua escolar:

- É a perua do baleinha!

***

Na sala do Lucas também há um menino que vive fazendo cocô na calça. Não é tão normal nessa idade, afinal, com quase seis anos, as crianças saíram das fraldas faz tempo e já conhecem tudo sobre o vaso sanitário.

Parece que é um trauma que o menino tem de descarga e, ao invés de cagar e não dar descarga, ele se borroca todo, tadinho. E os coleguinhas de classe, ao invés de dizerem que vai ficar tudo bem e fazerem um cafuné em sua cabeça, isolam o menino no canto da sala (deve feder, gente) e cantam músicas como:

“O peido é um aviso
Mandado pelo intestino
Avisando o chefe bunda
Que o trem bosta já vem vindo”

Um bando de canalhinhas. Não foi uma, nem duas vezes que cheguei na escola para buscar o Lucas e encontrei o Thiago chorando, sem amigos. É quase todo dia e nem preciso mais perguntar para o meu filho qual é o motivo:

- Fez cocô na calça, mãe!

E eu explico todos os dias que tem que dar uma força para o Thiago porque quanto mais eles riem, pior fica a situação do menino. O trauma vai aumentando e eu imagino o Thiago chorando no canto do escritório e tendo que passar pelo RH para dar baixa na carteira de trabalho pela centésima quinta vez em menos de um ano, afinal é preciso fazer cocô todos os dias.

Mas a Bia costuma afirmar que a Roda da Fortuna nunca falha, seja lá o que isso quer dizer. Outro dia eu estava no trabalho e minha mãe me chamou no google talk para contar que o Luquinhas tinha feito cocô na calça. Eu fiquei surpresa, mas imaginei que o desenho animado devia estar divertido à beça, que a preguiça foi maior do que a vontade e que isso pode acontecer com todo mundo (não, gente, não acontece comigo. Nem quando vejo Bob Esponja).

Lembrei do Thiago imediatamente e decidi que quando buscasse o Lucas na escola ia usar o episódio da manhã como exemplo para que ele nunca mais zoasse o cagãozinho coleguinha. E também pensei em me redimir de todos os meus pecados, da infância até os dias de hoje, e comprar para o baleinha outro menininho uma daquelas camisetas “Sou gordo e posso emagrecer. E você que é feio?”, mas nenhum deles ainda sabe ler.Só que eu não podia dizer para o Lucas que a mamãe tinha me contado o episódio porque ia soar como fofoca e ele ficaria envergonhado. Precisava arranjar uma maneira de fazer com que ele me contasse.

Quando fui buscá-lo, no fim da tarde, esperei um tempo para ver se me contava espontaneamente e nada. Aí resolvi perguntar sobre o Thiago:

- E aí, Lucas? Como está o Thiago? Ele melhorou ou fez cocô na calça hoje de novo?
- Fiz!

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6 Março, 2008 · Deixe um comentário

Alguém pode avisar para essa cidade que congestionamento não é esporte olímpico e que não estamos concorrendo a uma vaga em Pequim Beijing?

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Sensibilidade?

4 Março, 2008 · 6 Comentários

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- Beijomeliga, Dani.

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Ensinando religião para a criança – II

3 Março, 2008 · 4 Comentários

Outro dia, passei com o Lucas em frente a uma escola de freiras e ele avistou uma delas, apontou e gritou:

- Olha, mããããããããe! Uma padre!

- Não, Lucas. Isso é uma freira.

- O que??? Uma pêra???

Surdez e confusão religiosa são hereditárias.

Categorias: Família
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Juno

3 Março, 2008 · 7 Comentários

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Nem sei se era um filme de chorar ou de rir, mas chorei horrores. E não foi porque fiquei triste vendo a história de uma adolescente que engravida sem querer e quer doar o filho, mas porque, exceto pela parte de doar o filho, Juno me fez lembrar muito da minha experiência. Talvez um dia eu escreva sobre ela, mas não vai virar um roteiro tão legal e premiado quanto o da Diablo Cody.


***


Antes de assistir, li essa crítica publicada no Estadão pelo Rafael Barion na sexta anterior ao Oscar que me ajudou a enxergar Juno de uma maneira especial. A mais legal que li sobre o filme.


Por um par de pernas

JUNO – Mimado: o filme da adolescente que engravida concorre a quatro Oscars. Castigo: muita expectativa pode estragar o que ele tem de divertido

Rafael Barion

Foram as pernas aí ao lado – combinadas a uma poltrona confortável e à gravação certa de Astrud Gilberto – que fizeram Juno perder a virgindade e ganhar a barriga ali de baixo. E são unhas, você vai ver, que farão com que ela leve a gravidez adiante e procure o casal ideal para adotar o bebê.

Juno, a personagem, tem um problema, portanto – mas Juno, o filme, tem um ainda maior. Como uma criança mimada, a história da adolescente bem-humorada que engravida de um colega de classe sofre por excesso de atenção. Desde que estreou nos cinemas americanos, no ano passado, o longa de Jason Reitman (de ‘Obrigado por Fumar’) foi tão comentado – e elogiado – que ganhou uma fama de filme grande que provavelmente não imaginava ter de sustentar.

Assisti-lo, portanto, vai deixar você decepcionado. E isto é uma pena, pois ainda que ‘Juno’ possa não merecer o Oscar de melhor filme a que está concorrendo, também não merece ser uma decepção. Faça, então, um favor a ele (e a você mesmo): trate-o como um filme qualquer.

De início, esqueça todas as páginas de jornal e textos na internet que lhe foram dedicados nos últimos meses – se não os leu, não vá fazê-lo agora. Desconsidere as quatro indicações ao Oscar que recebeu (e principalmente a estatueta que a blogueira Diablo Cody vai ganhar pelo roteiro). Se for difícil recusar os convites para assisti-lo neste fim de semana, antes da premiação, diga que precisa rever ‘Onde os Fracos Não Têm Vez’ ou ‘Sangue Negro’, sob o pretexto de que são eles os favoritos. E dê as costas a quem se importa em discutir se o filme é melhor do que ‘Pequena Miss Sunshine’, a comédia bem-sucedida de 2007.

Depois disto, escolha uma sessão no horário que mais lhe agrade e, por favor, vá assisti-lo. Pois aqui entre nós (e tente não espalhar isto para muita gente), ‘Juno’ é um filme bem simpático. E não é só porque o personagem de Ellen Page é a melhor amiga que todo garoto gostaria de ter tido na escola. O longa tem coadjuvantes com leveza de espírito suficiente para responder à altura a todas as frases sarcásticas da garota. A franqueza destes personagens pode até fazê-lo perdoar o excesso de açúcar das canções da trilha. (E deixá-lo com a estranha impressão de que gravidez na adolescência é, na verdade, algo divertido.)


***


Eu concordo quando ele diz que a trilha tem excesso de açúcar, mas a taxa alterada de glicose no meu sangue já é herança de família. Se quiser baixar a trilha maravilhosa, dá uma passadinha no blog do Daniel onde tem o link e sua opinião sobre ela. A-m-e-i.

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Parágrafo 4º do artigo 6º da Lei de Murphy

2 Março, 2008 · 9 Comentários

Desde que eu me mudei para esse prédio, em meados do ano 2000, tive de agüentar por muitas e muitas noites a torcida do Palmeiras chafurdando bem aqui ao lado (e esse post se recusa a falar de futebol no dia de hoje). Não que os palmeirenses sejam numerosos a ponto de fazer um barulho ensurdecedor, mas é que o destino é tão traiçoeiro que a janela do meu quarto dá quase para dentro do estádio. Assim, por longos 8 anos eu ouvi a cantoria de meia dúzia de torcedores como se eles estivessem tocando bumbo no pé da minha cama (e esse post também não é sobre dormir e namorar com um palmeirense).

Enfim, quando eu li no jornal que o Parque Antártica seria alugado para uma série de shows internacionais, eu achei que a recompensa por tanto tempo de roncos havia chegado. Não porque o gramado do estádio seria destruído por uma porção de cabeludos metaleiros bêbados, mas porque eu poderia ouvir música por música, de graça, deitada na minha cama e longe de uma porção de cabeludos metaleiros bêbados.

Faz cerca de meia hora que o Iron Maiden está tocando bem aqui ao lado, com suas guitarras elétricas plugadas em  amplificadores com milhões de watts de potência, e eu não escuto N.A.D.A. Porque entre o fim do campeonato brasileiro e o show do Iron Maiden construíram um shopping gigante em frente a janela do meu quarto, que tirou toda a possibilidade de eu ouvir qualquer acorde de The Number Of The Beast.

E não, não me venham falar em lado bom.

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