Eu sempre tive para mim que cabeleireiro bom é cabeleireiro biba. Não pode ser macho, porque macho é relaxado e coça o saco – e ninguém toca nos meus cabelos sedosos depois de colocar as mãos nas partes. Não pode ser mulher, porque mulher nunca quer ver a outra bonita e penteada, a não ser que ela seja sua amiga ou sua mãe. E não pode ser um homossexual discreto, que vai ficar cheio de pudores para fazer um corte super moderno, com medo de ser descoberto e se ver obrigado a sair do armário.
Cabeleireiro tem que ser biba, bichinha, são paulino, baitola e viado. Tudo isso junto. Porque só ele vai querer te ver *L-I-N-D-A*, *A-R-R-A-S-A-N-D-O*, *B-R-I-L-H-A-N-D-O*. E especialidade de cabeleireiro macho é passar a máquina zero na cabeça de outro macho a R$ 5 no Largo da Batata. Não, obrigada, eu sempre preferi gastar um pouco mais.
Também sempre tive para mim que cabeleireiro não é algo que a gente tem para sempre. O bom é sempre trocar, porque senão você vai ficar com a mesma cara dos 6 aos 90 anos. E é capaz de, aos 35, ter de sentar em cima de um monte de listas telefônicas e ganhar um pirulito no final do corte se tiver um bom comportamento.
Eu, por exemplo, se continuasse a ir no Toninho, ia ter até hoje o cabelo do Xororó. Há bem pouco tempo, ele ainda mantinha na parede de seu salão uma fotografia de uma loira com as madeixas semi-raspadas e um topete enoooooooooorme, cheio de gel e glitter, com uma propaganda do Studio Line (esculpa seus cabelos à sua moda – lembram disso?).
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Quando me mudei das Perdizes para a Pompéia, saí em busca de outro cabeleireiro, mas por ali é bastante raro alguém com todas as especificações necessárias. O Adílson é um senhor distinto, casado, com três filhos. O Ronaldo é um homem que arrota enquanto corta o seu cabelo, come frango com farofa dois minutos antes do seu horário e chega palitando os dentes. E por aí vai.
Tentei o Soho, mas saí de lá parecendo a Honolável Senhola Leonô. Decidi, então, romper fronteiras e vim cortar o cabelo bem perto do trabalho, aqui em Pinheiros, no Jean Louis David. Ficou ótimo, mas a Lei de Murphy nunca falha e quando você encontra o cabeleireiro gay perfeito, no mês seguinte quando volta ao salão para dar um tapa na peruca, ele foi tragado pela terra. Sumiu, desapareceu, escafedeu-se, sem deixar um bilhetinho suicida.
Aí eu decidi ligar em um salão moderno lá dos Jardins, na Augusta com a Oscar Freire, em plena Galeria Ouro Fino. E me atendeu um cabeleireiro falando cantado:
- Bah, tchê. Venha sim, guria.
“Perfeito”, pensei. Não dava para ser mais gay. E nem me importei de pagar os R$ 80.
Só que no meio do corte, quando tudo já estava ficando uma bosta, ele começou a falar sobre a namorada, corridas de carros e torcida organizada.
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Se o seu cabelo está uma merda, não importa que roupa de oncinha você coloque, tudo vai parecer uma porcaria. E eu estava me sentindo um bagaço desde que o super hetero gaúcho colocou a mão nos meus cabelos.
Hoje, na hora do almoço, me deu na sapituca e fui em um salão aqui do lado do trabalho, paupérrimo, baratésimo, inspirada pelo nome do lugar: *D.I.V.I.N.A.*. Lavei os cabelos com uma atendente de nome Poliana, ganhei um cafezinho e fiquei na cadeira, esperando o cabeleireiro…
… que era a cara do Sargento Pincel e casado com a proprietária do salão, a dona Divina.
Morri.
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Acordei ainda na cadeira do salão, com um cabelo channel moderno e deslumbrante. É a vida fazendo eu rever meus preconceitos (ou fazendo a dona Divina perder o marido).




16 respostas Até agora ↓
Júlio // 17 Março, 2008 às 5:33 pm
Huahuahauhauahauhauhauah…
Pô, tinha de ser o Dedé Santana o seu cabelereiro, não é?
E cinco paus o corte no Largo da Batata? Pago quatro mangos lá na Lapa…hahahahaha
Leonor // 17 Março, 2008 às 5:34 pm
por isso é que é careca!
Júlio // 17 Março, 2008 às 5:35 pm
Mas tenho bunda…
*declaração sem nexo e que será mal interpretada número 45.326*
Leonor // 17 Março, 2008 às 5:36 pm
HAHHAHAHAHHAHAHA
santini // 17 Março, 2008 às 5:52 pm
Pago R$ 8 no Seu Joaquim, Júlio, mas ele faz a barba também!
Leonor // 17 Março, 2008 às 5:58 pm
por isso é que é careca – parte II
Ricardo Silveira // 17 Março, 2008 às 6:57 pm
Eu corto no de oitenta paus que você detestou.
por isso é que é careca – parte III
Teka // 17 Março, 2008 às 9:05 pm
e kd a foto?
Eu corto em um BAITOLA-VIADÍSSIMO-DE-80-MANGOS e tem ficado bom rs
beijos
david // 18 Março, 2008 às 9:43 am
Leonor, esse adwords do Google é sensacional. Você escreveu um post sobre cabeleireiros e os anúncios, neste momento, tratam de “Tratamento de Calvície” e “Ferro Trabalhado”(!). Não tem preço.
Leonor // 18 Março, 2008 às 10:10 am
Tudo é uma questão de foco, David. É que nem a assessoria do seu time que fica me mandando no e-mail do trabalho (como assim?????) os últimos lançamentos da Boutique do Fla. G-zus.
liz estrela // 18 Março, 2008 às 2:21 pm
adoro a D. Divina! principalmente quando ligo lá para marcar e ela fala: “Divina Cabelelero”
Elaine // 18 Março, 2008 às 3:15 pm
Cade a fotinha Lele?! Quero mudar o meu corte de repente tb!
bjs
Gian // 18 Março, 2008 às 11:11 pm
O corte com máquina no Largo da Batata é R$ 3,00.
Klebão // 19 Março, 2008 às 5:56 pm
Aqui em SSa, tem vários preços…
No 2 irmãos, custa R$ 1,99…um segura e o outro corta…
No Pombo, custa R$ 1,50 se for só máquina, e R$ 2,50 se usar tesoura…
Imagina as belezas que saem de lá…
huahauuhauha
Daygo // 21 Março, 2008 às 11:15 am
eu corto no Daniel, q eh hetero, tem uma filha e não o troco por nada nesse mundo! To meio desesperado pq ele se mudou dos jardins pra ZONA LOST! E pago R$40.
Um Dede quase Zacarias « (di) vagando - um constante brainstorm // 27 Março, 2008 às 12:31 am
[...] março 26, 2008 Confesso que tirei a inspiração para escrever sobre esse assunto em outro blog… mas não vou abordar da mesma forma, afinal, tenho minhas experiências a respeito. E não [...]