Entradas do Julho 2008
Borboletinha pousou
31 Julho, 2008 · 22 Comentários
- ooooooooOOOOOOOOOps!
Se um dia alguém te disser que tatuagem não dói, mande à merda. Dói, dói bastante mesmo. Pelo menos aí onde eu fiz a borboletinha que o Lucas desenhou quando tinha 3 anos pousar. Aliás, quem a fez pousar foi a Jana, mulher de uma paciência incrível com essa bundona que aqui escreve.
A coisa só melhorou depois que o Silveira, companheiro de aventuras que também foi pintar seu coração quadrado ontem, me levou uma cachaça. Mas com ou sem cachaça eu nem chorei. Juro.
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Hoje de manhã, na farmácia, a atendente me perguntou:
- Posso te fazer uma pergunta?
- Já fez! (a gente fica malvado depois de tatuar, gente)
- Então outra: o que significa essa tatuagem?
E eu expliquei, super hiper duper paciente:
- Quando meu filho tinha 3 anos, ele desenhou essa borboletinha e eu guardei.
- Borboletinha?
- É…
- Ah tá… (querendo dizer “que bosta”)
- Mas se você quiser, pode achar que eu desenhei uma ameba para homenagear você!
Mentira. Só pensei, não falei.
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Valeu, Luquinhas, pela arte. Valeu, Jana, por ter feito ela ficar pra sempre em mim. Valeu, Silveira, pela cachaça da boa!
Ninguém respeita o Kung Fu – II
30 Julho, 2008 · 10 Comentários
Aí no Kung Fu você aprende a arrebentar as articulações de alguém com um chute curto. Dar um golpe mortal no pescoço de fulano com a ponta dos dedos. Quebrar a coluna de beltrano em três partes iguais com o nunchako. Partir uma cabeça em duas com a parte interna do punho. Deixar uma pessoa tetraplégica com o polegar.
Então, sai do Kung Fu feliz da vida com suas mãos poderosas e pés destruidores. Satisfeito com a melhora na coordenação e entusiasmado porque já está aprendendo a fazer um kati, muito parecido com o da Uma Thurman no Kill Bill. Você pensa em reunir os amigos em casa, afastar os móveis da sala e fazer umas demonstrações, ignorando o fato de parecer ridículo. E vai pensando tudo isto no caminho do trabalho.
O pensamento vai longe: você lutando com o Bruce Lee em cima da Muralha da China. Você vence, é claro. Enquanto isso, na esquina da Simão Álvares com a Arthur de Azevedo, três moleques cruzam contigo no farol, atravessando a rua. E um deles resolve te empurrar, sem mais nem menos, desrespeitando até a camiseta do Kung Fu que você está usando, toda orgulhosa. Aí você se lembra que nas aulas precisa melhorar o equilíbrio. E naquela esquina também, mas agora é tarde: você já torceu o pé esquerdo e bateu os dois joelhos no asfalto.
Um simples empurrão sem motivo vindo de um maloqueiro que nunca nem ouviu falar em Kung Fu te tira de combate. Te arrebenta mais do que o Bruce Lee jamais ousou fazer nos seus sonhos. E o filho da puta nem sequer te ajuda a levantar. Nem ele, nem ninguém que lotava a rua naquele momento e que te viu cair bem em cima daquela laminha no canto da calçada. Porque a humilhação para um guerreiro das artes marciais nunca pode ser pequena. Você sifu. Aliás, você não. Eu.
Xilonen Sadananda
29 Julho, 2008 · 13 Comentários
Se a sua mãe fosse a Baby Consuelo, qual seria o seu nome? Descubra no gerador de nomes de filhos da Baby Consuelo.
*A dica é do David.
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Sinceridade infantil fode – III
24 Julho, 2008 · 13 Comentários
Chegamos do Rio de domingo para a segunda, depois de uma viagem de 6h em um ônibus da Itapemirim. No mesmo dia, de noite, eu e Lucas voltamos à rodoviária do Tietê para embarcar à Floripanópolis, só que agora em um ônibus da Catarinense.
Na porta do busão, enquanto o motorista recolhia as passagens e conferia os documentos, Lucas percebeu que a Catarinense não tem serviço de bordo, apesar do preço da viagem:
- Vocês não dão lanchinho? – perguntou para o motorista.
- Não, aqui não damos não… – ele respondeu, muito sem-graça.
- Nossa! Ainda bem que eu trouxe comigo meu lanchinho da Itapemirim!
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Aí, lá dentro do ônibus, Lucas continuava inconformado.
- Pega o travesseiro para mim, mãe, por favor.
- Aqui eles não emprestam travesseiro, Lu.
- Como assim????? Então me passa a coberta que eu estou com frio.
- Também não tem coberta.
- ÃHM? Não tem travesseiro, não tem coberta, não tem lanchinho?? Ainda bem que me sobraram umas bolachinhas aqui na mochila.
Então uma mulher que estava sentada no banco da frente virou para ele e disse:
- Não fica divulgando assim suas bolachinhas que todo mundo vai querer.
- Ah é? Quer minhas bolachinhas? Cem paus!
- Que???? Isso está muito caro.
- Então vai de Itapemirim…
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Estou quase vendendo meu filho como garoto propaganda da companhia.
Grão Mala
22 Julho, 2008 · 10 Comentários
Ontem fui na academia assistir a uma palestra dada pelo Grão Mestre do nosso estilo de Kung Fu. Ele será o responsável por disseminar o estilo pelo mundo depois que o mestre do mestre do mestre do mestre do mestre do mestre do mestre do mestre da família Hi Pin Shan Lin Choy Quae Ming morrer.
Foram duas horas e meia de discurso sobre o mestre do mestre do mestre do mestre do mestre do mestre do mestre do filho do mestre do mestre do mestre do Sul da China que foi perseguido pelos romanos? por Adolph Hitler? por Mao Tsé Tung? por Hi Pin Choy Quae Lin Fut Iet Tchek, na dinastia Vader, em 12 mil a.C. Uma história cheia de emoção, angústia e carneirinhos pulando a cerca, contada em inglês com sotaque chinês e traduzida simultaneamente para o português pelo Sifu.
Saudade do Pai Mei…
O caso é que o Grão Mestre é tipo um filho do filho do filho do filho do filho do filho de uma suruba entre a Glória Maria, o Renato Gaúcho e o Fidel Castro. Isso porque o cara fala mais que a boca, nunca revela a idade e se acha o rei da cocada preta. Mas como a gente sempre deve dividir conhecimento, trouxe para vocês as melhores frases da tarde/noite/madrugada:
“Eu sou o máximo”
“Eu sou o melhor”
“Eu fui escolhido para disseminar o Kung Fu pelo mundo porque eu sou um modelo de atleta”
“Vejam meus músculos”
“Toquem nos meus músculos. Ou melhor, não me toquem”
“Eu não vou dizer a minha idade, mas veja como o Kung Fu nos conserva. Eu não sou um sujeito belo?”
“Trouxe fotos autografadas para entregar a vocês no final”
“O Kung Fu nos torna mais bonitos e mais espertos. Eu viajo pelo mundo por causa do Kung Fu. Sou belo e esperto”
“Meu time é uma bosta, fui eu que cheguei na final da Libertadores sozinho”
“Eu como muitas verduras, legumes e peixes, que pesco com minhas poderosas mãos”
“O nosso estilo de Kung Fu é o melhor”
“Eu sou o melhor. Já mencionei isso?”
***
Juro que saí de lá feliz, comendo uma caixa de BIS, pensando nos meus míseros conhecimentos de Kung Fu e na meia dúzia de lugares que já fui. Porque às vezes eu prefiro ser só legal, em toda a minha mediocridade.
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Será que escrever tudo isso é considerado falta de respeito pelo mestre do mestre do mestre do mestre do mestre do mestre do mestre do mestre dos magos?
Sinceridade infantil fode – II
21 Julho, 2008 · 5 Comentários
Na segunda-feira que saí de férias, minha chefe me ligou cerca de sete vezes e eu tive que trabalhar de casa. Claro que falei uma dúzia (e meia) de palavrões e devo ter mudado de cor diversas vezes, mas fiz o que tinha que fazer para poder relaxar em Florianópolis. No fim da tarde, o telefone tocou e o Luquinhas atendeu, pensando que fosse o pai para desejar boa viagem. Mas era a chefia mais uma vez:
- MÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃE, você vai ficar brava de novo, mas é a sua chefe!!!!!! – gritou o Lu. Ainda na linha, claro.
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Etiquetado: filho, Lucas
Férias de mim
10 Julho, 2008 · 12 Comentários
Pessoas, amanhã embarco para o Rio ver a família, depois vou para Floripa ver o Pinduka e depois, provavelmente, vou em Campinas para assistir a um campeonato de Kung Fu. Volto daqui uns 10 dias para Sampa e ao blog, com, também provavelmente, boas histórias. Beijo para quem fica.
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Prato do dia
10 Julho, 2008 · 16 Comentários
Por falar em cadarço, outro dia eu fui almoçar aqui perto do trabalho e pedi o prato do dia: filé de frango aos quatro queijos, purê de batata, salada e arroz com cenoura. Aí, quando eu estava no meio da refeição, achei um pedaço de cadarço dentro do meu arroz com cenoura. Daqueles bem encardidos, cadarço de all star. Então eu chamei o garçom:
- Moço, eu pedi arroz com cenoura e só. Aqui está metade do cadarço, a outra deve sair no meu cocô nas próximas horas, mas se quiser eu trago de volta para o dono do tênis.
- Nossa, isso não pode acontecer. Vou falar com a dona do restaurante.
E ele levou para a mulher a metade do cadarço. Depois voltou e disse:
- Na hora de pagar, identifique-se para a dona do restaurante porque ela já sabe o que aconteceu.
Claro que ele não usou o termo “identifique-se”, mas foi isso que eu fiz.
- Boa tarde, eu sou a moça do cadarço – falei no caixa, na intenção de não pagar pela comida mal temperada.
- Cadarço? Que cadarço? – respondeu a proprietária da espelunca, se fazendo de desentendida.
- O que veio no meu arroz com cenoura. Não sabia que hoje era dia de comida indiana aqui.
Aí ela se mostrou um pouco irritada:
- Olha, você vai pagar ou não vai?
- Achei que não fosse precisar, já que não comi. Tenho que pagar a mais pelo cadarço também?
- Moça, paga logo.
- Sua filha da puta do caraleo. Você sabe com quem está falando? – e dei um jab e um direto nela.
Então eu paguei, mas jurei para ela que ia colocar a história aqui no blog. Como ela nunca ouviu falar do Eneaotil, nem ligou.
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Ah, o nome da espelunca é Reserva Pinheiros e fica na Rua dos Pinheiros, nº 754.
Sinceridade infantil fode
7 Julho, 2008 · 12 Comentários
Dia desses, na festa junina da escola do Lucas, encontrei uma amiga do ex-namorado e começamos a conversar. Ela dá aula para o pré no mesmo colégio, mas quase nunca nos vemos.
- E bliblibli e blábláblá…
- Patati e patatá!
Até que resolvi perguntar se ela já sabia que tínhamos terminado o namoro:
- Já sim. Quer dizer, o Daniel me disse que vocês estavam em crise, mas aí, conversando com a professora do Lucas, eu fiquei sabendo que vocês tinham terminado.
- Como assim “conversando com a professora do Lucas”?
- Parece que o Lucas contou para ela e ela me contou.
Gente, a minha privacidade era mato e o burro comeu.
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Essa história me lembrou uma outra, do tempo em que eu trabalhava em uma ONG no centro da cidade (sim, eu já sofro com isso faz tempo). Nessa época eu era uma adolescente e, junto com um exército uma equipe, cuidava de 250 crianças de 0 a 6 anos. Uma delas, bem pequenininha, acho que com uns 2 anos e meio, chegou um dia para mim e disse:
- Tia Lelê, essa noite a mamãe chupou o pipi do papai igual pirulito.
Que que você diz em uma hora dessas?
a-) Legal…
b-) Pirulito sabor amendoim?
c-) E aí? O que aconteceu depois?
d-) Faça um desenho sobre isso.
Acho que respondi a opção A, nem me lembro. Só sei que quando a mãe da criança chegou para pegá-la na escola e veio me cumprimentar com um beijinho no rosto, eu imediatamente abaixei para amarrar o cadarço.
Vou comprar uma faixa amarela bordada com o nome dela…
1 Julho, 2008 · 25 Comentários
E não é que eu sei fazer um arroz soltinho?
Quem me conhece sabe que a vontade de fazer Kung Fu para aprender a andar no teto vem de longa data. Não sei dizer de quando, mas sei que vem de muito antes daquele quadro do Bruce Lee pendurado na parede do meu quarto. Muito, muito antes de me matricular na academia. Mas um pouquinho depois do Daniel San (até porque o maricas fazia karatê).
Um belo dia, ao saltar do ônibus para trabalhar, dei de cara com uma academia de Kung Fu recém aberta, pertinho aqui da ONG.
- Deve ser cara – pensei.
Aí vi a faixa bem na porta dizendo que por seis semanas eu pagaria R$ 89 com o uniforme incluído.
- Deve ser um sinal.
Me matriculei na academia em uma sexta-feira. Na mesma sexta-feira em que meu namoro terminou. As coisas não estão relacionadas, mas permanecer no Kung Fu tem a ver. No dia seguinte, sábado, seria minha primeira aula experimental. Eu passei a madrugada sem conseguir dormir, sem acreditar em absolutamente nada, completamente vazia. Levantei cedo, toda inchada e pensei em não ir. Tomei coragem, vesti o uniforme, respirei fundo e fui.
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Claro que eu mifu no treino desde o primeiro dia. Chorei escondida no alongamento, mas foi de dor mesmo. Aprendi a socar com força, a chutar com mais força ainda e pensei que tudo tem sua hora certa porque se eu tivesse aprendido algumas coisas um pouquinho antes, o meu ex tinha virado uma paçoca.
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Nesse mesmo sábado, saí do treino feliz por cinco minutos, dei a partida no carro e chorei tanto que tive de parar o meu Corsinha de novo, sob o risco de atropelar uma feira inteira na Mourato Coelho.
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Ainda não aprendi a andar no teto, mas ontem cheguei na 2ª etapa: a faixa amarela. Agora serão cinquenta flexões em punho, mais chutes, mais socos, mais defesas pessoais, kati, mais bloqueios, mais posições, mais alongamentos, mais aberturas, mais sacrifício, mais aulas às 5h30 da matina, mais botecos depois da aula (quando vou treinar à noite), mais doces da doceria em frente, mais amigos, mais risadas.
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Ah, e não vou dar o nome da academia Tat Wong para não parecer post pago.
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Aí sou eu fazendo defesas pessoais com o Thiago (percebam que chamo ele pro pau em determinado momento):
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Aí sou eu, de unhas pintadas na posição de guarda:
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Aí sou eu, equilibrando um bastão nas pernas, na posição do cavalo, com garbo e elegância:
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E a lição do dia é: saca aquele seu sonho infanto-juvenil? Pois bem, vale a pena despendurá-lo da parede (principalmente quando ele custa R$ 89 com uniforme incluído). Mifu, gente. Mas com glamour.
Categorias: Kung fu
Etiquetado: Faixa amarela, Mifu













