Entradas do Setembro 2008
No meu churrasco, só tem lingüiça com trema!
30 Setembro, 2008 · 15 Comentários
Categorias: Dia-a-dia
Etiquetado: unificação da língua portuguesa
Luquinhas no hospital – Parte II
29 Setembro, 2008 · 35 Comentários
Emagreci 3 quilos no tempo em que o Lucas ficou no hospital. Vejam bem: 3 kg em 6 dias. Eu deveria aparecer na capa daquelas revistas Dieta Mais, Boa Forma, dando a receita do meu sucesso: “foi tão simples. Meu filho de 6 anos teve um derrame no pulmão esquerdo e eu fiquei sem comer e sem dormir por alguns dias”. Claro que emagrecer foi a parte boa de tudo isso e eu agradeci muito ao Luquinhas depois, porque juro que estava tentando perder uns quilinhos há uns bons 12 meses.
Mas não comer e não dormir não foram opcionais. Vieram no pacote das preocupações, das angústias, da parte mais difícil de ser mãe. Do nó que fica na garganta, do bolo no estômago, da comida não digerida desde o momento em que a médica anunciou o derrame no pulmão. E das enfermeiras maníacas que te acordam de meia em meia hora na madrugada para a inalação, o antibiótico, o antiinflamatório, o digestivo, o corticóide, bater um papinho, falar da novela, te contar do casamento da Sandy.
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O plano de saúde do Luquinhas é um plano muito bom e justamente por isso arranjaram um quarto para ele na maternidade. Caso contrário, era bem capaz de sermos transferidos de hospital comigo levando o Lucas de cavalinho e o pobre do garoto assoprando dentro de um saquinho de pão para conseguir oxigênio. O seguro nos deu direito a ficarmos em um quarto cujo horário de visita começava às 8h da manhã e terminava às 21h.
Às 8h da manhã do sábado meus pais entraram pela porta daquele quarto carregados de doces, revistinhas, brinquedos, além do videogame do Luquinhas, vários jogos, uma porção de DVDs, roupas limpas, agasalhos, a pantufa de tigrinho do meu filho, enfim. Tudo o que avós como meu pai e minha mãe conseguiriam carregar, além do coração apertado.
Lá pelas 9h, o pai do Lucas chegou com a namorada Thaís, também carregando mais um quilo de chocolate, um super trunfo e ainda mais revistas e mais preocupações. O Lucas fez um tour com todo mundo pelo quarto, apresentou o banheiro chiquérrimo, a geladeirinha, mostrou as funções da cama e disse como estava adorando tudo aquilo e como gostaria de morar no Hospital São Camilo pelos próximos anos.
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Na primeira visita da médica, a previsão de alta ainda era bastante incerta:
- Para sair daqui, o Lucas precisará eliminar todo o líquido do pulmão esquerdo. Até terça-feira, no mínimo.
Longos dias.
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Consegui ligar para meia dúzia de amigos, mandei meia dúzia de mensagens, avisei minha chefe, falei com a família. E concluí que a palavra derrame choca mais do que um palavrão cabeludo pronunciado por um padre durante uma missa.
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Os remédios do Lucas eram todos intravenosos e durante os primeiros dias ele teve de tomar penicilina. Ação: penicilina queima. Reação: Lucas grita.
- Doeu pra cacete!
- LUUUUUUUUUUUUUUUUUCAS!
- Ai, desculpa. Mas é sério, mãe. Doeu pra cacete mesmo.
- Tudo bem…
Bom, se a gente não vai liberar os palavrões para os nossos filhos nessas circunstâncias, quando é que vamos fazê-lo, né?
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Quando a fisioterapeuta entrou no quarto, Lucas olhou para a sua foto do crachá e disparou:
- Nossa, você está muito mais feia hoje do que quando tirou esta foto. O que aconteceu?
Eu queria me enfiar debaixo daquele sofá marrom e nunca mais sair.
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O principal problema de ficar na ala da maternidade foi a falta de tato de algumas enfermeiras para lidar com criança. Elas estão acostumadas a cuidar de mãe, que é o que sobra da mulher depois que ela sai da sala de parto. Mas uma, em especial, merece todo o meu empenho no Kung Fu, rumo à faixa preta. Juro, fiz até respiração cachorrinho para não dar um faca do pé na mulher.
Veja bem, o Lucas estava tomando remédios fortíssimos na veia e doía. Então, bastava uma enfermeira entrar no quarto para que ele entoasse o mantra do Aiai Uiui, seguido de uma manha incrível, mas, assim como o palavrão, as manhas estavam liberadíssimas durante o tempo do hospital. A hora do remédio era o único momento em que Luquinhas lembrava que não estava em um acampamento de férias.
- Aiai, está doendo, está doendo…
- NÃO ESTÁ DOENDO! – disse, delicadamente, a babá do Hitler a enfermeira Mônica.
- Não está doendo porque não é em você – tive de intervir, ué.
- Lucas, com essa manha você vai acordar todos os bebezinhos da maternidade – ela chantageou.
Cadê o palavrão, Luquinhas?
- Nós queríamos uma vaga na pediatria. Foram vocês que nos colocaram aqui na maternidade – respondi pelo Lucas mais uma vez.
- Mas na pediatria também tem bebezinhos – falou a enfermeira.
- Só que o Lucas não seria a única criança a gritar, tenho certeza.
Bom, é claro que quando todos saíram, às 21h, essa mulher me fodeu. Era ela a enfermeira do plantão da madrugada de sábado para domingo e eu não pude pregar os olhos a noite toda. Ela não deixou e sequer teve a dignidade de vir conversar comigo sobre o casamento da Sandy.
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Às 21h30 do sábado, com o Lucas já dormindo, apaguei a luz e capotei. Comecei a sonhar com o Ivan quando, dez minutos depois, a Rebecca de Mornay acendeu uma luz na minha cara. Eu abri os olhos e vi aquela cara em cima da minha dizendo:
- Vou colocar o antibiótico no Lucas e você não vai poder dormir até parar de pingar.
Meu coração saltou pela boca. Nessa cena só faltou a faca na mão direita da enfermeira e ela segurando a cabeça do Lucas com a mão esquerda. Juro que rolou até uma risada malévola no final da frase e eu me belisquei cem vezes para ver se não estava tendo um pesadelo.
Olhei gotinha por gotinha e o remédio parou de pingar lá pela meia noite. Desliguei a luz e consegui dormir por meia hora, mais ou menos. Perto de uma hora da manhã, senti tapinhas em minhas costas. Era a maldita:
- Segura a inalação para o seu filho?
- Segura na minha e balança?
Não, gente, não falei. Eu só pensei.
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Meus amigos são incríveis e o domingo ficou agitadíssimo lá no hospital. Durante o dia todo, ficou um entra-e-sai de gente e de presentes e de chocolates naquele quarto. Se a gente tivesse feito uma pesquisa Ibope para saber quem era o mais prestigiado daquele andar, o Luquinhas teria ganhado disparado de qualquer outra mãe recente e seu pequeno feto.
- Tio, isso aqui está o máximo. É tipo o meu aniversário. Todo mundo que vem aqui me traz um presente – ele contou para o meu irmão pelo telefone.
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Quando avistei pelo hospital uma placa escrita “INTERNET”, dei um twist duplo carpado de tanta felicidade. Eu estava há dois dias sem ver o meu e-mail e precisava urgentemente de algum contato com o mundo exterior para além do as enfermeiras me contavam.
Cheguei naquilo que o Seu São Camilo chamava de internet e eram quatro computadores 386, sem absolutamente nenhum sinal de conexão. Tinha um interfone lá, que parecia ser o tal do contato com o mundo exterior. Fiquei pensando que do outro lado um menino com conexão ia atender, ia perguntar qual site nós queríamos que ele acessasse:
- Por favor, o gmail.
- Qual é seu login e senha?
- Bláblábláblá.
- Você tem 175 novos e-mails.
- Leia para mim os e-mails de números primos, então.
Foi quase isso.
- Bom dia, informática.
- É da informática? Como eu faço para conectar a internet nessa carroça?
- Estamos sem internet desde quinta-feira, minha senhora.
- Tem previsão de quando volta?
- Não temos previsão, senhora.
Meu deus, será que alguém ia conseguir me dar previsão de alguma coisa nesse hospital?
- Então vou perguntar para a médica se ela tem alguma previsão de quando a internet volta. Mas será que você poderia me dizer que dia que meu filho terá alta?
Não perguntei para ele, mas deveria ter perguntado, né?
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No fim da tarde, aproveitei que o quarto ainda estava cheio de amigos e decidi ir para a casa por uma hora, para tomar um banho decente sem nenhuma cortina de plástico escrita São Camilo grudando na minha bunda, conseguir acessar meus e-mails e comer alguma besteira. E o Seu São Camilo tinha me mandado alguma maldição porque em casa também não tinha conexão. Mas tinha água e uma caixa de Chicken Pop Corn. Chupa essa manga, Seu São Camilo!
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Na noite de domingo, Luquinhas foi transferido para um quarto na pediatria. Lindo de verdade, pintadinho em tons pastéis, uma TV de tela plana, um sofá laranja, uma poltrona moderna daquelas que esticam os pés, um banheiro super equipado e até uma varandinha para receber as visitas. Agora quem queria morar ali era eu.
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Lá pelas duas da manhã de domingo para a segunda, eu olhei a mão do Lucas onde estava o catéter e vi que ela tinha se transformado em um panetone, graças a deus sem as frutas cristalizadas. Chamei a enfermeira correndo, que nem nos filmes:
- Somebody help meeeeeeeeeeeeeeeee!
Mostrei a mão do Luquinhas (ambos estavam dormindo) e a reação dela não foi das melhores:
- Minha nossa! Perdemos a mão.
Quase desmaiei.
- Q-QUE????
- Quer dizer que vamos ter que tirar o catéter dessa mão e colocar na outra. Essa veia já não agüenta mais nada.
E eu já pensando em amputação.
- Na hora do antibiótico eu venho para furar a outra veia do seu filho.
Olhei o Lucas ali, dormindo, sem saber o que estava acontecendo, sonhando com alguma coisa boa e nem imaginando que ia ter que furar a outra mão logo mais. Pedi desculpas.
Às 5 da manhã, Luquinhas acordou sobressaltado:
- O que vocês vão fazer?
- Desculpa, filho, mas a enfermeira vai ter que colocar o catéter na sua outra mão.
E foi assim que o Lucas acordou todos os bebezinhos da pediatria e da maternidade também. Chupa essa manga, enfermeira Mônica!
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Durante a semana, as visitas diminuiram porque esse é um país sério e quase ninguém trabalha em ONG. Os dias ficaram mais longos, comigo acessando a internet do celular de cinco em cinco minutos, Luquinhas tentando comprar personagens novos no Lego Star Wars e meus pais tentando achar algum programa decente na TV a cabo.
De segunda à sexta-feira, das 14h30 às 16h, funciona no hospital uma brinquedoteca. Luquinhas ficou sabendo disso e lá pelas 9h da manhã começou:
- Falta muito para as 14h30?
- Sim.
Cinco minutos depois:
- E agora?
- Sim.
Mais cinco minutos depois:
- E agora?
Juro, lá pelas 11h eu estava com vontade de me atirar da varandinha.
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Na terça-feira, eu comecei a arrumar tudo na expectativa de que o Lucas seria liberado, mas a médica disse que ainda havia água em seu pulmão e que teríamos que ficar por mais um tempo. Talvez um dia, talvez mais. Eu quis sentar e chorar. Na hora da brinquedoteca, deixei o Lu com meus pais um pouco e saí pela Alfonso Bovero. Comprei o filme Debi & Lóide e voltei toda empolgada para assistir com meu filho.
- Lucas, comprei um filme para vermos. Mas é de adulto!
- Tem mulher pelada? – os olhinhos dele brilharam.
- Não, acho que não. Não me lembro.
Não tem mulher pelada, mas o fato de eu não lhe dar certeza de que não tinha o encheu de esperança e o fez ficar vidrado no filme do começo ao fim. Já descobri como fazer então da próxima vez.
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- Não quero ir embora, mãe.
- Lucas, você quer ir embora!
- Não quero. Em casa não tem uma brinquedoteca.
- Lucas, em casa tem um trilhão de brinquedos.
- Mas isso não é uma brinquedoteca.
O Lucas, em boa parte do tempo, é muito inteligente. Mas tem vezes que é burrinho demais.
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Na quarta-feira, a médica passou bem cedinho no quarto e deu alta para o Luquinhas. O pulmão ainda tinha água, portanto o tratamento fora do hospital continua. Apesar da brinquedoteca, o Lucas comemorou a alta. Ganhou mais dois dias de folga na escola, o que fez com que os gritos de “VIVA” e “HIPI HIPI HURRA” ficassem ainda mais altos. Eu voltei no dia seguinte para o trabalho, mas dormi a tarde toda de quarta-feira, sem nenhuma enfermeira para me dar tapinha nas costas de meia em meia hora. É bom estar em casa.
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Dia desses, antes de dormir, perguntei para o Lucas:
- Cinco lugares onde você queria estar agora, filho.
- Parque, praia, piscina, shopping e hospital.
Putaquel. Morri.
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Ver o filho doente nunca é fácil, mas em um caso desses é difícil pra caraleo. E, muito provavelmente, eu estaria chorando naquele sofá marrom até agora se não fosse a ajuda de algumas pessoas, além do pensamento positivo, das rezas e da torcida de muita gente. Por isso, agradeço especialmente:
Ao Luquinhas, esse menino forte e corajoso, que me ensina um monte de coisas novas todos os dias, mas a principal delas é saber olhar a vida com olhos cheios de alegria. Tenho muito orgulho em ser a mãe do menino mais legal do mundo.
Aos meus pais, que são os avós que todo mundo deveria ter tido na vida e que estiveram lá comigo todos os dias, das 8h às 21h, no horário que lhes era permitido (e tenho certeza de que se pudessem, eles dormiriam por lá e acordariam todos os dias do meu lado e do lado do Luquinhas, mesmo que tivessem só uma almofadinha laranja para apoiar a cabeça na parede).
Ao meu irmão, que ligou todos os dias, mas tenho certeza que se morasse aqui estaria no hospital o tempo todo também (junto com a Ira).
Ao Ricardo (pai do Lucas) e à Thaís (mãedrasta), que também ficaram por lá pelo tempo que puderam, cuidaram do Lucas e de mim, e fizeram com que o meu carinho pelos dois só aumentasse.
Ao Ivan, namorado lindo que me ligava de cinco em cinco minutos para saber se estava tudo bem. Se preocupou, cuidou de mim e me devolveu a chance de sonhar e planejar um futuro tudo de novo.
Aos meus tios e primos que também estiveram por lá e encheram o Lucas de carinho e chocolate. À Silvia e ao Reinaldo também.
Aos melhores amigos do mundo: Júlio, Silveira, Daygo, Maurício, Elaine e Amber, que jogaram videogame com o Luquinhas, levaram presentes, histórias divertidas, papo furado, colo, cafuné, risadas, livros repetidos (até eu ganhei presente) e trufas.
Ao Gravataí, que também me ligou uma centena de vezes para saber do Luquinhas.
Aos e-mails, ligações e comentários de: Débora, Erika, Teka, Wawa, David, Amanda, Tatá, Laryssa, Ruy, Gabriela Barreto, Adriano, Ju Saad, Nat, Mandioca, Jú, Renata, Filipe, Vanessa, Marília, Bruno, Juju, Wladimir, Ana Carol Moreno, Carol, BZ, Uli, Paula Mirella, Rozzana, Felds, Gisele, Orlando Carvalho, Bruno Ribeiro, Fabrício Vicentim, Andrea Nunes, Ulisses Adirt, Bruno Mazzotti, Eduardo Sena, Leo Giardini, Érica Santos, Aline Cortes, Diego Jock, o pessoal da academia de Kung Fu, ao Gabriel Louback, Marcelo Nóbrega, ao Fabrício Z/S, Mayara, Samuel, Danilo Prates, Leo Godoy, Dani Doduti, Ana Bia, Beth, Pati Carvoeiro, Paulinho, Fábio, Zander, Jô, Carol Canossa, Carol Souza, readymymind (cujo nome eu não sei, desculpe), Adriana, Vinícius, Mawá, Vanessa, Fabrícia, Dede, Rachel Juraski, Doris, Luciana, João Pedro, Bruninha, Emerson, Bia Levischi.
A todas as mensagens que chegaram via twitter (e que foram apagadas pelo tempo).
E a todo mundo que, de alguma forma, torceu a favor. Sem vocês, teria sido mais difícil.
Os malucos de msn voltaram!
26 Setembro, 2008 · 12 Comentários
Quem acompanha meus blogs há um tempo sabe que vira e mexe aparece algum maluco no meu MSN me confundindo com outra Leonor Macedo. Imagina só se eu me chamasse Ana Silva?
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paixão de morena e sol, morena cor de paixão diz:
oie
Leonor Macedo diz:
oi?
Leonor Macedo diz:
tudo bem?
paixão de morena e sol, morena cor de paixão diz:
pois é consegui seu msn, já que vc não tinha me dado
Leonor Macedo diz:
ué, mas quem é você?
paixão de morena e sol, morena cor de paixão diz:
o que está fazendo da vida mulher
Leonor Macedo diz:
e por que eu não tinha te dado meu msn?
paixão de morena e sol, morena cor de paixão diz:
L~e vc está me estranhando, eu sou a Zenaide lembra!
paixão de morena e sol, morena cor de paixão diz:
Zenaide, Vandir lembrou!
Leonor Macedo diz:
da onde, meu pai amado?
paixão de morena e sol, morena cor de paixão diz:
vc não mora no bloco 12
Leonor Macedo diz:
ah, já sei!
Leonor Macedo diz:
me confundiu
paixão de morena e sol, morena cor de paixão diz:
ou existe outra leonor e eu não estou sabendo!
Leonor Macedo diz:
da onde você é?
paixão de morena e sol, morena cor de paixão diz:
Cuiabá, da onde vc está falando?
Leonor Macedo diz:
São Paulo
paixão de morena e sol, morena cor de paixão diz:
Pois é Vc conhece Vandir aires Pinto?
Leonor Macedo diz:
da onde eu conheceria?
paixão de morena e sol, morena cor de paixão diz:
Vc mora a onde
Leonor Macedo diz:
Pompéia
paixão de morena e sol, morena cor de paixão diz:
bom a Leonor q/ eu conheço mora em Varzea Grande MT
Leonor Macedo diz:
então errou!
paixão de morena e sol, morena cor de paixão diz:
Será acho q/ não pois vc está add no msn de Vandir
paixão de morena e sol, morena cor de paixão diz:
sim, acho estranho não ser a mesma, fala sério vai
Leonor Macedo diz:
vai ver ele errou também porque eu nunca falei com nenhum Vandir Aires Pinto, meu deus
paixão de morena e sol, morena cor de paixão diz:
falou se não é a mesma não faz nem uma diferenssa certo, foi bom clicar contingo abraços
Um minuto para os comerciais
25 Setembro, 2008 · 6 Comentários
Escrevi dois parágrafos da continuação da saga do Lucas ontem e me entupiram de coisas pra fazer. Enquanto não termino, fiquem com uma explicação bem didática para a crise americana. Recebi do Alê Isaac, amigo bêbado. Óbvio.
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Seu Biu tem um bar, na Vila Carrapato, e decide que vai vender cachaça “na caderneta” a seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados. Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o sobrepreço que os pinguços pagam pelo crédito).
O gerente do banco do seu Biu, um ousado administrador com curso de MBA, decide que as cadernetas das dívidas do bar constituem, afinal, um ativo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento tendo a pindura dos pinguços como garantia.
Alguns executivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco e os transformam em CCB, CDC, CCD, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro acrônimo financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer.
Esses instrumentos financeiros adicionais alavancam o mercado de capitais e conduzem a operações estruturadas de derivativos, na BM&F, cujo lastro inicial todo mundo desconhece (as tais cadernetas de seu Biu).
Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países.
Até que alguém descobre que os bêbados da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas e o bar do seu Biu vai à falência. E toda a cadeia vai pro brejo.
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Etiquetado: Crise nos EUA
23 Setembro, 2008 · 11 Comentários
(eu sei que muita gente está esperando pela segunda parte da saga do Luquinhas no hospital, mas é óbvio que, depois de tudo o que eu passei com ele, ficaria doente também. Estou com uma dor de garganta tão absurda que mal tenho conseguido beber água. Assim que me recuperar, prometo escrever por aqui decentemente e contar porque, apesar da febre e da saudade, eu também estou extremamente feliz).
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Luquinhas no hospital – Parte I
18 Setembro, 2008 · 43 Comentários
Foram 6 dias no hospital, logo vou dividir a saga médica do Luquinhas em duas partes.
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Quando a médica me disse que o Luquinhas tinha tido um derrame na pleura, eu pensei que fosse derreter bem ali, no meio daquela sala gelada do hospital São Camilo. E daí que eu não sabia muito bem o que era pleura? O nome é feio e a palavra derrame me deu tremedeira.
Como é que o meu pequenino tinha passado de um simples resfriado para um derrame no pulmão? Afora o fato de morarmos em São Paulo e o ar daqui ser transgênico, só podia ser culpa do meu inferno astral. Porque, vejam bem, ele ficou terça e quarta com o nariz escorrendo, como uma criança remelenta absolutamente normal. Na quinta-feira, reclamou de dor de ouvido e eu o deixei faltar na escola, mas pensei que fosse pura pilantragem para não estudar, já que de noite ele estava ótimo e fomos até no shopping pegar um autógrafo do Maurício de Sousa. Na sexta-feira, ele foi para a aula, teve uma febre de 38°, o levamos ao hospital e de lá ele só saiu ontem. Se vivêssemos em um seriado, até o Doutor House teria aceitado o caso, de tão bizarro.
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Enfim, a médica não era tão charmosa quanto o Doutor House, o que tornou tudo ainda pior. Depois de um raio-x do peito do Lucas, ela me disse que ele estava com uma pneumonia forte e com água (pouca) no pulmão, que é o que “derrame na pleura” quer dizer.
- Provavelmente terá que ficar internado, mas vamos repetir o exame.
A palavra “internado” me fez respirar ainda mais fundo porque eu estava a ponto de chorar. Só queria o colo da minha mãe, mas ali a mãe que tinha que dar o colo era eu. Repetimos o raio-x e Luquinhas juntou as mãos em cima da mesa da médica e começou a rezar, pedindo para que não tivesse nada e não ficasse internado. Aí que eu me dei conta: como é que ele sabia rezar o que era “ficar internado”?
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O segundo exame foi pior:
- A pneumonia dele aqui apareceu ainda maior. Vou consultar a minha colega do lado.
E quando ela voltou, anunciou a receita:
- Internação.
- Tudo bem, amanhã volto para casa – disse o Luquinhas, super confiante.
- Amanhã nada, Lucas. Vai ter que ficar uns dias por aqui – respondeu a médica.
- Quantos dias? – perguntei.
- Não sei.
Sem o charme do House, mas com o mesmo coração gelado. Agora sim, parecia grave.
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Lucas foi encaminhado para a sala de observação enquanto checavam em qual quarto nós ficaríamos pelos próximos sei lá quantos dias. Estava lotada de crianças de todas as cores, tamanhos, idades e bactérias, e meu filho foi colocado em um berço, todo espremido. Mas aí ele já estava achando tudo o máximo. Até ter que colocar o catéter nas costas da mão para tomar a penicilina. Meu filho vai ser tenor.
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Quando me chamaram na internação, fui respirando fundo, que nem a gente aprende no Kung Fu para recompor os sentidos:
- Não tem vaga nesse hospital. Ele será transferido de ambulância para algum outro. Só que há uma recomendação médica de sair daqui apenas em uma ambulância com oxigênio.
Ok, foi demais pra mim. Quão grave era aquilo que meu filho só poderia sair do hospital com um tubo de oxigênio do lado? O que é que o Maurício de Sousa tinha passado para ele, meu pai amado?
Nesse minuto, o Ivan me ligou:
- Oi, Lê. Como estão as coisas? Tudo bem?
- Nããããããããããããããããããããão – e desabei, de tanto chorar.
Dei cinco minutos no banheiro para não chegar toda vermelha e inchada na sala de observação e não assustar o Luquinhas, porque quando eu choro fico monstruosa. Ele não percebeu nada, mas a enfermeira fez questão de falar do lado dele:
- Que houve? Estava chorando?
Minha Nossa Senhora dos Estúpidos Profissionais da Saúde.
- Por que está chorando, mãe?
- Tô cansada, filho.
- Ai, tadinha. Você vai dormir sentada aí nessa cadeira de plástico? Vem dormir aqui no berço e eu durmo aí. É mais justo.
Derreti de vez.
**
Cinco minutos. Foi esse o tempo que o Lucas demorou para conquistar todas as enfermeiras da observação e mais uma dúzia de amiguinhos. No berço do lado, estava a Bianca, uma menininha de 5 anos que teve um piriri e foi internada para tomar soro.
- Faz quanto tempo que você está aqui? – perguntou o Lucas.
- MÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃEEEE, há quanto tempo estou aqui?
- Você chegou hoje, filha. Já já vai embora.
- Mãe, quero ir embora hoje também – disse o Luquinhas para mim.
- É que a gente vai para a Disney na segunda-feira – contou a menininha.
- Mãe, eu quero ir para a Disney também.
Quando a Bianca foi embora, eles combinaram de brincar um na casa do outro qualquer dia, se despediram e nunca mais vão se ver. Juro, às vezes eu queria ser criança de novo.
**
- Lucas, talvez você tenha que mudar de hospital.
- Ah, não. Não quero. Quero ficar aqui.
- Mas, Lucas, vai ser demais. Você vai de ambulância! – eu precisava usar algum argumento que parecesse divertido.
- Ambulância? Nem quero.
- Ah, não. Eu nunca andei de ambulância! Me deixa andar, vai? Pelo menos uma vez só. Imagina? Todos os carros te dando passagem e ambulância correndo muito no meio da Avenida Paulista?
- Avenida Paulista?
- ÉÉÉ! A gente pode ficar em um hospital lá.
Pronto. Quem é que nunca quis andar de ambulância pela Avenida Paulista? Meu sonho de infância.
**
Na frente do berço do Lucas tinha uma salinha fechada e lá dentro uma menina gritava muito. Muito mesmo. Toda vez que a portinha se abria, o Lucas tentava olhar lá para dentro para ver porque estavam esquartejando a pobre da garotinha.
De 10 em 10 minutos, a mãe dela saía de dentro da sala segurando uma comadre cheia de xixi e ia esvaziar no banheiro. Então uma médica apareceu, colocou a cara na porta e falou para a menininha:
- Tem que fazer mais xixi. Senão o bicho não vai sair.
Socorro. Lucas arregalou os olhos e eu fiz a mesma coisa. Pelo menos, meu filho nem tentou olhar mais para dentro da portinha.
**
- Lucas, cinco lugares que você queria estar agora?
Sim, estou sob influência de Alta Fidelidade, que terminei de ler na semana passada.
- Minha casa, Rio de Janeiro, Florianópolis, Petrópolis e Paquetá.
Paquetá, gente. Até Paquetá. Realmente, qualquer coisa era melhor do que estar naquele hospital.
**
No fim da sexta-feira, quando eu já estava fazendo o Lucas dormir na sala de observação, me chamaram na internação:
- Conseguimos um quarto na maternidade. Ele ficará por lá até ser transferido para a pediatria.
Eu respirei aliviada porque o Hospital São Camilo fica do lado de casa e seria mais fácil para meus pais irem e voltarem quando quisessem. Mas eu já tinha convencido o Luquinhas de que seria legal demais andar de ambulância. E agora?
- Luquinhas, você vai ficar por aqui e não vai mais andar de ambulância.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! Que saco.
- Mas vai andar de cadeira de rodas! VIVA!
- VIVAAAAAAAAAAAAAAAAAA!
**
- Lucas, você é solteiro? – perguntou a enfermeira preenchendo o prontuário médico e tentando descontrair o ambiente.
- Eu não!
- Como assim você não é solteiro, Lucas? – fiquei indignada.
- Mãe, você que vive me dizendo que eu sou de escorpião.
**
Então, ao ser transferido para o quarto, ele subiu na cadeira de rodas e falou:
- Gente, eu nunca pensei que fosse andar de cadeira de rodas. Eu nem sou velhinho. ACELERA, MÃE!
Ele já estava ótimo.
**
Criança tem uma capacidade de sempre ver o lado bom da coisa e a gente tem muito o que aprender com elas. E o Luquinhas parece que tem essa capacidade redobrada. Ao entrar naquele quarto antigo do hospital, super mequetrefe, ele ficou encantado:
- Gente, que quarto mais chique.
E correu para o banheiro, que mais parecia daqueles hotéis xexelentos de beira de estrada:
-Noooooooooooossa, que chiquérrimo esse banheiro. Vem ver isso, gente.
A cama era daquelas cheias de botõezinhos, que faziam a cabeceira subir e descer. Os olhos dele brilharam:
- Quero morar aqui! Eu sempre quis ter uma cama dessas!
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- Vou dormir. Boa noite, mãe. Te amo.
Apaguei a luz, me espremi naquele sofá duro de plástico e chorei, chorei, chorei, chorei, até às 4h da manhã. De medo, de pavor. Ser mãe é ter mesmo o coração fora do corpo.
zzzzzzzZZZZZZZZZzzzz
17 Setembro, 2008 · 11 Comentários
Voltamos para casa: eu, Luquinhas e a alegria! Obrigada pela força, pessoal. Depois conto tudo, porque agora vou dormir.
Notícias breves, tristes e felizes
15 Setembro, 2008 · 31 Comentários
E daí que o Lucas ainda está morando no hospital depois de ter tido uma pneumonia grave e um derrame na pleura. A boa notícia é que muito provavelmente ele saia amanhã. Conto isso melhor depois. Torçam por aí.
A criança mais legal do mundo
11 Setembro, 2008 · 16 Comentários
Enquanto a inspiração não vem, esse é um post que escrevi no Indecências, quando o Luquinhas tinha 5 anos. Hoje ele está com quase 7 e já faz natação há um ano e meio. Mas ainda não é lá essas coisas…
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Se a natureza me desse a oportunidade de escolher quão legal poderia ser meu filho quando ele viesse ao mundo, certamente eu não teria pedido uma criança como o Lucas. O moleque supera todas as expectativas e jamais eu teria imaginado alguém tão legal quanto ele é. Não é coisa de mãe.
Veja bem: decidi colocar o meu filho na natação e comecei a pesquisar preços e escolas da região. Em bairro de burga, duas vezes por semana para uma criança bater os pezinhos na água não sai por menos de R$ 120,00. Isso se você, mãe de primeira viagem, desconsiderar que meninos e meninas pequenos não fazem uma atividade por muito tempo e resolver fechar um plano anual que te dá um desconto. Lá pelo quinto cheque é dinheiro jogado fora.
Enfim, a mais perto de casa, que evita condução de ida e volta, é a mais cara de todas. E não é que o lugar onde moro é o melhor do bairro burga, nem nada. Aqui até alaga. É a Lei de Murphy. E aceitando que a Lei de Murphy é a única que não dá para ser burlada, resolvi fazer lá a inscrição da criança. A atendente logo me alertou:
- A primeira aula é a aula teste! Só para saber qual é o nível do seu filho.
Se ele realmente puxou à família, o nível é baixíssimo. Na água, deixando bem claro. A herança de nadar como um machado sem cabo passa de geração para geração. Foi assim com a vovó, a mamãe e eu.
- E precisa comprar uma touca! E óculos de piscina! E não pode vir com sunga de outra academia!
Tudo bem, tudo bem… Passei o fim-de-semana lembrando meu filho de que segunda-feira era a aula teste.
- A aula em que você tem que mostrar TUDO o que sabe para a professora.
Afundar a cabeça e bater os pés na água. Foi o que chegou mais longe do clã Martin de Macedo. E eu pilhei o menino o dia todo, o fim-de-semana todo e ele realmente ficou bem empolgado para a primeira aula teste.
O meu castigo foi ser acordada às 6h10 da manhã:
- Está na hora da natação?
- Não…
- Amanhã tem aula de natação também?
- Não…
- Eu posso viver debaixo da água para o resto da vida?
- Não…
E de 5 em 5 minutos, Luquinhas ia ao relógio olhar se já estava na hora marcada. Nove da manhã, nos arrumamos: ele colocou a sunga, o chinelo, o roupão de vaca, a toca de silicone e foi para a academia de mãos dadas, pulando, rindo, gritando e com a cabeça toda esmagada e amassada.
Lá, esperou quinze minutos esmagando o nariz contra o vidro para enxergar mais de pertinho as crianças que estavam em aula. Aí a professora fez um sinal e o chamou lá para dentro. Era chegado o grande momento. E ele pulou na piscina com toda a vontade do mundo…
… para exatos dois minutos depois a professora tirá-lo da piscina, dar dois tapinhas em sua bunda e mandá-lo para mamãe. DOIS MINUTOS! DOIS MINUTOS!!!! Tudo o que ele tinha planejado e imaginado e se entusiasmado foi-se em dois minutos. Mais demorado que um espirro, mais rápido que dor de barriga!
Se eu tivesse a idade do Lucas, com certeza eu teria chorado, gritado, esperneado. Não saberia lidar com essa frustração nem se eu tivesse a idade que tenho hoje, se quer saber. Mas ele saiu firme e forte da piscina. Colocou o roupão, calçou o chinelinho, atravessou a ducha e me disse, com o maior sorriso do mundo:
- Muito legal a aula de natação, mamãe!
Humildade é isso aí.
Desculpa de aleijado é muleta
9 Setembro, 2008 · 14 Comentários
Outro dia Luquinhas aprontou pela manhã e quando fui buscá-lo na escola, minha mãe começou a contar todos os seus podres:
- Porque hoje ele fez isso e aquilo e aquilo outro…
E eu, como mãe responsável e zelosa, comecei a dar-lhe uma bela bronca:
- Poxa, Lucas, não acredito que fez isso. Não quero que isso se repita jamais e…
Então ele me interrompeu e disse:
- Gente, pára. Vamos nos concentrar no futuro!
- Que?
- É, mãe. Isso que eu fiz é passado e o que passou, passou…
Tem jeito, Deus?
3 Setembro, 2008 · 31 Comentários
Vim para o trabalho pensando que as pessoas são perecíveis e deveriam vir com seus prazos de validade estampados atrás da orelha:”válido por três meses”, “válido por uma semana”, “válido por 30 dias”. Ou um até mais detalhado: “válido por dois anos. Após aberto conservar na geladeira e consumir em até 15 dias”.
Mas como é para pessoas também poderia ser ainda mais específico: “válido por dois anos, depois começa a apresentar depressão”; “válido por um ano de namoro e um mês de casamento”; “válido por uma semana, até pegar intimidade”; “válido por 3 meses, depois passa a arrotar e a peidar na sua frente”; “válido por uma vida inteira, embora possa apresentar problemas esporádicos. Nesse caso, deixar isolado por cinco minutos, longe do sol”; “prazo de validade indeterminado”; “prazo de validade indeterminado, mas é egoísta na primeira semana, injusto em dois minutos de conversa; imaturo de fabricação”; “válido pela vida toda como amigo. Só não pode virar chefe”; “não-válido”; “impróprio para consumo”.
Caberia a nós escolher se vamos ou não evitar a dor de barriga futura por consumir gente estragada.
Categorias: Dia-a-dia
Bronze Brasil 2008
2 Setembro, 2008 · 27 Comentários
O comunismo venceu!
Nesse fim-de-semana, fiz duas coisas que jamais achei que conseguiria: cheguei em São Bernardo do Campo sem me perder e corri 10 km sem morrer. Mas uma coisa não tem absolutamente nada a ver com a outra, porque eu não fui para São Bernardo correndo. Só resolvi contar a glória de ir à festa da Bia sem me perder, embora esteja aqui para falar da Nike10k.
É bom contextualizar o outro feito: apesar de praticar Kung Fu e fazer um treino bem pesado pelo menos três vezes por semana, eu não costumo correr nem para pegar o ônibus.
Não sei quem foi o filho da puta que me incluiu nessa história de correr 10 km, mas desconfio que tenha sido o Júlio em um momento de bebedeira. Ou seja, às 10h da manhã de uma segunda-feira. E eu, péssima em matemática, achei que 10km fossem o equivalente a dois quarteirões e topei.
Acontece que a Lilian trabalhou na campanha da corrida e a inscrição saiu de graça. Custaria 70 paus se tivéssemos que pagar e, como jornalistas, eu e Júlio não custamos recusar absolutamente nada gratuito. De assinatura da Revista Seleções a convite para bar mitzvah. E como amigo que é amigo nunca deixa o outro se foder sozinho, a Gabi e o Eric também se inscreveram.
Hoje eu sei que 10km é o equivalente a ir até o Sol. E voltar.
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Na semana passada, comprei um tênis da Adidas (vejam só que ironia fina) próprio para a prática esportiva e preparei no meu celular uma seleção de hits para ouvir e enganar o meu cérebro durante a corrida. A Gabi diz que ela só consegue fazer exercício físico se o seu corpo pensar que está fazendo outra coisa e comigo funciona exatamente da mesma maneira. Lá no Kung Fu, por exemplo, eu me imagino na refilmagem de Operação Dragão.
Meu único treino para a prova foi na quinta-feira, quando combinei com o Júlio de correr na Avenida Sumaré depois de um dia exaustivo de trabalho. Nos dois primeiros metros, ele teve cãimbras. Não, não estou exagerando.
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Ontem, meu celular me despertou às 6h da manhã. Seis da manhã de um domingo. Nem o Padre Marcelo tinha acordado para rezar o terço. Fora do meu edredom fazia 13º graus. Como no folheto explicativo da Nike10k não dizia nada sobre correr com edredons, tive de abandoná-lo e foi, sem dúvida, a parte mais difícil do meu dia.
Mandei uma mensagem para o Júlio: “a gente tem merda na cabeça”, e considerando o tamanho da cabeça dele, tem muita merda. Me troquei e meu celular tocou:
- Olha agora pela sua janela. Tem um homem fantasiado de branca de neve abraçado com um anão.
- Júlio, o que você tomou? Vai ser pego na porra do antidoping.
Mas eu abri a janela e realmente tinha um homem vestido de branca de neve e abraçado com um anão passando bem em frente ao meu prédio. E eu nem moro na ZL.
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A Gabi e o Eric passaram lá na porta do prédio vestidos de branca de neve e de anão em um mau humor completamente compreensível. Paramos para tomar uma cachaça café na padoca e nos atrasamos horrores. A corrida começava às 8h e já eram 7h53. E foi assim que a Nike Corre começou dentro de um Celta.
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Antes da corrida, fizemos um pit stop nos banheiros químicos devidamente instalados na Cidade Universitária. Eu, claro, escolhi a porta errada e não ganhei meu dynavision. No banheiro químico que entrei alguém tinha dado um cagote federal antes. E limpado o rabo nas paredes.
Saí completamente atordoada de lá de dentro e isso influenciou no resultado da corrida, certamente. Só não sei se para melhor ou para pior.
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Já eram 8h28 quando passamos com o chip em cima da largada e começou a contar o tempo da corrida. De umas caixas de som saía um barulho ensurdecedor chamado de música pela organização e eu comecei a correr para me afastar o mais rápido possível dali.
Coloquei o meu fone de ouvido e:
Jet – Are you gonna be my girl…
Acelerei o máximo que pude e quando cheguei a dois kilometros por hora vi que o Júlio ainda estava do meu lado. Era um bom sinal porque ele ainda não tinha tido cãimbras nem um AVC.
… Well, so 1,2,3, take my hand and come with me
Na calçada, centenas de crianças escravas vietnamitas pessoas do Staff aplaudiam e diziam palavras de incentivo: “Liberteeeeeeeeeeeeem-nos, por favor Vamô lá, pessoal. É isso aí. Vocês conseguem” e se não fosse o mico de desistir na frente de um desses eu não teria chegado ao KM 1.
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Tears For Fears – Break Down Again…
Quando passei a placa do KM 1, o Júlio ainda estava do meu lado, o Eric estava no quarteirão detrás e a Gabi estava na padaria. A trajetória do KM 1 para o KM 2 talvez tenha sido a mais difícil porque na corrida você pensa que vai morrer nos dois primeiros quarteirões e depois perde os sentidos e continua correndo. Aí tudo vai na base da inércia.
…When it’s all mixed up better break it down
Eu devia ter ouvido o Tears For Fears e ter acabado logo com tudo, mas quando vi já estava subindo na porcaria da ponte Cidade Universitária e passando em cima do Rio Pinheiros. Para minha surpresa, os atletas de verdade já estavam voltando para cruzar a linha de chegada. Nesse ponto eu quis sentar e chorar segurei a respiração porque eu tenho um problema com cheiros. Meu nariz é extremamente sensível e certos cheiros, como o do cagote federal, me fazem desmaiar. Isto associado a uma embolia cerebral que eu já estava tendo pelo cansaço físico poderia ser fatal, então me recusei a respirar.
Jorge Ben Jor – Cinco Minutos…
Aí você vai dizer: “Por que não respirou pela boca?” e eu te respondo que entre respirar pelo nariz o cheiro do Rio Pinheiros e respirar pela boca, eu prefiro a asfixia. Porque quando eu respiro pela boca eu tenho a sensação de engolir o cheiro e seria a mesma coisa que comer merda.
… Pois você não sabe quanto vale 5 minutos, 5 minutos na vida
Eu sei e já estava ficando roxinha quando a ponte acabou.
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Libertines – Death On The Stairs
Quando eu estava chegando perto do KM 3, vi Jesus Cristo oferecendo água bem na minha direita, porque às vezes Jesus Cristo se disfarça de pessoal do Staff para testar a nossa fé. Rezei por dois minutos para que quando chegasse na barraquinha de água ele já tivesse transformado tudo em vinho, mas nada. E como eu não recuso nada gratuito, peguei três.
… So baby please kill me
O primeiro copo desceu rasgando, um sumiu misteriosamente e o outro eu entreguei para o Júlio, que resistia bravamente do meu lado. Aí acho que ele parou debaixo de um coqueiro para tomar porque não o encontrei mais.
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R.E.M – Everybody Hurts…
Até o KM 4 passei por uma banda que tocava Franz Ferdinand, um grupo de escoteiros e umas velhas na calçada, em plena Praça Panamericana, esperando um milhão de corredores passarem para atravessar a rua.
…Don’t let yourself go ’cause everybody cries and everybody hurts, sometimes
E toda vez que eu pensava em desistir, eu via um gordo gigante correndo na minha frente. “Não, não vou perder para ele”, e dava aquela aceleradinha.
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R.E.M – Is The End Of The World…
Apesar de parecer, o mundo não acaba no KM 5. Aliás, é nele que você percebe que se chegou até a metade viva conseguirá ir até o final. Eu até sorri quando cheguei no KM 5.
… And I feel fine
Mentira.
Dave Matthews Band – Grace is Gone
Contei meu tempo e percebi que estava fazendo um kilometro em pouco mais de cinco minutos. E isso me fez ter vontade de parar um pouco para tirar uma soneca de meia hora porque ainda assim eu chegaria antes do Júlio, se é que ele ainda estava vivo.
… Excuse me, please, one more drink. Could you make it strong cause I dont need think
Aí, já na porta do Parque Villa Lobos, eu aceitei uma água e caminhei para bebê-la, sem pressa. Até ver uma gorda gigante.
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Aretha Franklin – I say a little prayer
Como incentivo, além do Roque e do Liminha animando a platéia, a Nike decidiu colocar uns totens com os outros lugares do mundo onde estavam ocorrendo a Nike10k. Nova Iorque, Japão, China. Tanto lugar para correr e eu estava ali, perto da Marginal Pinheiros.
No KM 6, estava escrito Buenos Aires. Lembrei das carnes, dos vinhos, das pessoas bonitas, de uma vida feliz que parecia tão, tão distante. Pelo menos, mais 4 km.
… I run for the bus, dear
Cala a boca, Aretha.
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Rolling Stones – Let It Loose
O KM 7 era bem em cima da ponte de novo. Lá fui eu ficar roxinha. E foi nesse exato momento que tiraram a única foto minha que está na página da Nike.
- Ai, comi merda…
… Let it all come down tonight
Cala a boca, Mick.
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The Kinks – Strangers
Ah, o doce KM 8 te faz pensar em toda a sua vida. Quais os caminhos que você percorreu para chegar até ali.
…I’ve killed my world and I’ve killed my time
E a resposta é uma só: Cidade Universitária – Ponte – Praça Panamericana – Parque Villa Lobos – Praça Panamericana e Ponte.
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Libertines – Tell The King
O momento crucial é o KM 9, sem dúvida. Porque se você chegou até ali nada mais pode dar errado. Você não pode torcer o pé. Você não pode deslocar o joelho. Você não pode ter um AVC. Você não pode, em hipótese nenhuma, ter um infarto. Não no KM 9. Você ultrapassou todos os gordos gigantes que você pode. E uns 20 mancos. E uns dois cegos. E uma mãe que corria levando um carrinho de bebê. Você até deixou para trás um ou outro magrinho pouco mais inabilidoso que você.
…Tell him you know how I feel
Você sente que vai morrer, mas que se dane. Você só pensa em passar por cima da linha de chegada e registrar no chip que você é melhor do que o Júlio. Você não, eu. Mas isso eu já sabia.
Weezer – The Good Life
Ah, como a vida é boa no KM 10. Principalmente quando ainda não começou o show do Seu Jorge.
… It’s time I got back to the good life
1:03′:44” de sofrimento.
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Liguei para minha mãe assim que terminei e ela ficou bastante surpresa porque achou que só fosse dar notícias dali a 3 dias. Depois ganhei um gatorade, um iogurte, um sanduba de chester, uma maçã e uma banana, mas eu trocaria absolutamente tudo por uma cerveja gelada. Mas eram 9h30 da manhã.
E a organização não foi capaz de nos ceder uma só criança escrava para uma massagem!
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- Júlio, onde você está?
- Terminei agora e você?
- Já acabei tem uns minutos. Te encontro debaixo da garrafa de gatorade gigante!
Juro, foi um alívio falar com ele.
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Encontramos o Eric morto na frente do guarda volumes. E nos restou esperar a Gabi, que chegou pouco menos de uma hora depois. Sim, todos terminamos. E vivos.
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Dentre os amigos, eu fui a que chegou em primeiro, seguida do Júlio, depois do Eric e depois da Gabi, embora a Nike tenha feito confusão e trocado o tempo dela pelo tempo de um atleta de verdade. Na página da Nike, a Gabi conquistou o incrível tempo de 00:58′. E o tal de Osvaldo deve estar bem puto.
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Passei o resto do domingo e toda a segunda-feira sentindo dores em partes do corpo que eu nem sabia que existiam. Não recomendo fazer nada parecido, nem de graça, nem pagando, nem hoje, nem nunca, nem com treino, nem sem treino. Mas no ano que vem juro que faço em menos de uma hora.
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Existem relatos bem mais inteligentes e interessantes nos blogs do Júlio e da Gabi.
Sobre ser Top 10
1 Setembro, 2008 · 20 Comentários
Fosse na década de 90, durante a minha adolescência punk-metaleira-rebelde, eu cuspiria na cara do Gravata só por me convidar para integrar uma lista das dez blogueiras mais bonitas do Brasil. Se me incluísse, então, teria as bolas arrancadas com uma pinça. Porque naquela época ser vista como uma menina bonita era mais ofensivo do que ser chamada de baranga. “Bate na minha mãe, passa a mão na bunda do meu pai, mas não me chama de bonita, afinal, as feministas não lutaram tanto nos anos 70 por direitos iguais para serem só um rostinho bonito e blá blá blá blá.”
Sorte do Gravata que nos anos 90 não existia blog. E se existisse eu não teria nem a pau e boicotaria a internet por ser uma invenção estadunidense para continuar com sua hegemonia diante dos países do terceiro mundo (mesmo que conectasse escondido e desejasse, bem lá no fundinho, ser vista como uma menina bonita – mas eu disfarçava bem debaixo de um coturno sujo).
Com o passar dos anos, a gente começa a ver a vida de uma maneira mais leve. Não deixa de lutar por aquilo que acredita, pelo contrário. Mas aposenta o coturno que machuca e deforma o pé e até arrisca um saltinho, bem pequenininho, de vez em quando. Entende que elogio, seja ele qual for, é sempre o melhor de ouvir. E que é a parte boa de um senso crítico, igual ao que te acompanha desde a adolescência. Aí, minha gente, qualquer paixão diverte e você acha legal integrar as TOP 10, mesmo que tenham sido escritas pela sua mãe: das mais bonitas, das mais engraçadas, dos melhores blogs, das mais simpáticas, das mais divertidas, das melhores companhias, dos amores da vida, das mais inteligentes, das mais irônicas, das mais ácidas, das mais revoltadas, das mais críticas.
Por isso, só tenho a agradecer por ter sido incluída na lista das dez blogueiras mais bonitas do Brasil, ali no blog do Gravata. Obrigada à Gabi, que me indicou; obrigada ao Gravata, que concordou com a indicação; e obrigada ao Doni pelas palavras carinhosas e generosas. De quebra, ainda fiquei amiga do Gravata, que integra o meu TOP 10 de amigos mais legais e talentosos dos últimos tempos.
Para quem discorda da lista, isto é um direito. Para quem acha uma tremenda babaquice, também é um direito, mas fique atento. Só xingar; só ver defeito; só achar que tudo é uma merda; isto é coisa de adolescente. E se você já passou dos 18 anos (tá bom, vai, dos 20), segue a lista dos 10 melhores terapeutas do Brasil.
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Tentando melhorar os meus defeitos e respeitando as minhas qualidades.
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Fodeu, me rendi ao sistema!
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Só um adendo: queria agradecer as indicações do Mark, editor da Paradoxo; da Ana Martins; e da Ana Freitas, para o Eneaotil, no Blogday. Depois vou brincar de fazer a lista dos meus blogs preferidos, mesmo que atrasada.





