Eneaotil

Entradas do Outubro 2008

Formatura de alfabetização. #q?

31 Outubro, 2008 · 35 Comentários

No sábado que vem é a formatura de alfabetização do Lucas. Alguém já tinha ouvido falar disso? Vejam bem, não é formatura de pré, porque isso já foi no ano passado quando ele saiu do pré. É formatura da primeira para a segunda série. Vou ser antiga agora e dizer que na minha época não tinha nada dessas coisas. Quando saí do Pré III, cantei meia dúzia de músicas para envergonhar a mamãe e só fui fazer isso de novo na 8ª série. Depois no 3º colegial e depois na universidade. Quatro vezes na vida já não eram suficientes?

Mas não. Agora a escola do Lucas inventou que eu tenho que ir no sábado, às 9h da manhã, em um auditório na Rua Augusta ver o meu filho ler “inconstitucionalissimamente” escrito em um pedaço de cartolina. Claro que eu vou me emocionar, vou ficar orgulhosa, vou chorar, abraçar meus parentes e vou gritar para todo mundo ouvir ter você é o meu desejo de viver que o Lucas é a criança mais inteligente do mundo. Mas eu acho essas coisas todos os dias, mesmo quando ele escreve “o omem é çimpáticu”. Ninguém precisava ter me cobrado 300 e tantos dinheiros para isso.

**

Aí chegaram três convites para a formatura e eu fiquei indignada:

- Como assim só três????

Só lá em casa somos em três. E o pai dele? E a Thaís? E a madrinha? E meu primo? E o meu irmão? E minha tia? E meu tio? E os vizinhos todos? E o Tobby?

Liguei na escola com o discurso já na ponta da língua:

- Bom dia, meu nome é Leonor, sou mãe do Lucas do primeiro ano e ele terá a formatura de alfabetização na semana que vem, gente, que que é essa formatura de alfabetização?, e por sinal eu paguei muitos reais pra isso, bem, mas voltando ao assunto, eu só recebi três convites! Três convites!!! Isso é um absurdo. Que modelo é esse de família que vocês estão tentando ensinar para o meu filho? Mamãe, papai e irmãozinho? Isso é coisa do século passado, minha senhora. Ele é criado por mim e pelos avós maternos. Só nós somos em 3. Mas nem por isso o pai deixa de ser presente e deixa de ter o direito de ir na formatura do próprio filho. E ele namora há muitos anos com a Thaís, que também tem o direito de ir na formatura do enteado dela. E meu filho também tem os padrinhos, talvez meu irmão venha do Rio para isso. E se meu namorado estivesse em São Paulo ele ia querer ir também. E o que eu faço com esses míseros 3 convites??? Sorteio entre todo mundo que gosta do meu filho? Eu paguei uma fortuna. Vocês, no mínimo, deveriam ter alugado o Pacaembu para a cerimônia. E agora, minha senhora?

- Oi, Leonor. Bom dia. Esses convites são simbólicos para a senhora guardar como recordação. Pode entrar quem quiser na formatura.

- Ah tá, obrigada.

E desliguei.

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Agradeço a Santo Expedito pela graça alcançada*

28 Outubro, 2008 · 26 Comentários

A minha mais nova mania é tremer horrorosamente antes de algo decisivo. Eu pipoco. Em outras palavras, se eu fosse um jogador do Corinthians, seria o Marcelinho Carioca. Se eu jogasse no Palmeiras, seria o Edmundo. E se eu fosse um jogador do São Paulo, seria viado.

Aí me cabe contar com a generosidade do avaliador. Ou, seguindo a linha de raciocínio, torcer para o juiz dar um pênalti não existente para meu time ser campeão.

Enfim, como eu já disse, é uma nova mania. Passei a vida toda tranqüila quando era testada ou me via diante de alguma novidade. Não me preocupei sequer uma vez com exame escolar, desde o ensino fundamental até a universidade. Estava tão relaxada antes de fazer a Fuvest que dormi, mas nem foi por isso que não passei. Entrevistas de emprego também sempre levei numa boa. Primeiros encontros. Até o parto do meu filho! No dia em que fui ter o Lucas, estava um pouco preocupada, fato. Mas passaram cinco minutos e me vi, aos 19 anos, acalmando mães muito mais experientes na sala pré-parto.

Se eu puxar pela memória, acho que a primeira vez que fiquei realmente nervosa antes de fazer um teste foi para tirar a carteira de motorista. Até hoje não entendo o que aconteceu, porque meus nervos agiam involuntariamente e eu tremia a ponto de achar que o carro ia morrer:

- O carro vai morrer – disse para o examinador.

- Quem vai morrer é você, o carro ainda está desligado.

Foi assim que tudo começou. E eu pipoquei no teste da habilitação: esqueci de dar uma seta, soltei o freio de mão na baliza e quase atropelei o cone, mas passei de primeira e até hoje rezo para aquele velhinho irresponsável piedoso do Detran que se fez de morto.

Então eu entrei no Kung Fu e sempre acreditei que algo que a gente aprende em uma arte marcial é manter a concentração e controlar o nervosismo. Juro, faltei nessa aula. Nessa e na provável aula de reforço que teve também. Porque ontem eu fiz um novo exame para trocar de faixa, da amarela para a laranja, e por vezes achei que fosse estrebuchar em pleno tatame diante de milhares amigos que estiveram lá para me prestigiar com cartazes e gritos de guerra ninguém. Eu tremi, fiz um monte de cagadas, mas no fim deu tudo certo. Sou uma laranja.

Justiça seja feita, vá. Digamos que se eu tivesse sido colocada para bater um pênalti em uma final, eu chutaria na trave e marcaria o gol no rebote. E, no fim das contas, o que importa mesmo é fazer o gol.

Faixa amarela: Odete Roitman te despreza!

**

O Sifu tinha me dito que a meta até março era conquistar, no mínimo, a faixa laranja. Minha ejaculação precoce permitiu que eu colocasse ela na cintura em outubro. Devia ter planejado ficar rica.

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*Hoje é dia de São Judas Tadeu, não de Santo Expedito. Mas os dois cuidam das causas impossíveis e urgentes, então, nesse caso, os dois ganham uma faixa (simbólica) na esquina da Avenida Pompéia com a Rua Turiassu.

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Credo, como estou religiosa!

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27 Outubro, 2008 · 4 Comentários

Eu não costumo colocar propaganda de empresas, principalmente as que escravizam crianças vietnamitas na feitura de bolas de capotão para escolas municipais, mas dane-se tudo isso. Esse vídeo mereceu. Porque é maior do que a Nike. É Corinthians!

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Só pra quem é

26 Outubro, 2008 · 9 Comentários

Foto de Daniel Kfouri

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Lucas no acampamento

24 Outubro, 2008 · 15 Comentários

Uma das vantagens dos filhos de pais separados é não passar pelo vexame de ver sua mãe na porta da escola se descabelando só porque você vai passar uma noite fora, em um acampamento. Isso porque as mães solteiras se acostumam desde cedo com o fato de não ter seus filhos consigo pelo menos uma vez a cada 15 dias. E chega uma hora que fica um tanto quanto ridículo chorar toda vez que seu filho leva o travesseirinho para dormir na casa do pai.

Hoje pensei que o ônibus do Lucas não conseguiria partir porque alguns pais o cercaram e apertaram seus narizes contra as janelas para um “último adeus”, pelo menos até amanhã, quando as crianças retornarão.

- ME LIGA!!!!!

- ME ESCREVE, FILHO!!!

- MANDA UM POSTAL!!!

- NÃO ESQUECE DA MAMÃE, POR FAVOR!!!

- A MAMÃE TE AMA E VAI TE AMAR PARA SEMPRE, NUNCA ESQUEÇA DISSO!!!

Claro que na hora que o ônibus parte, do mesmo jeito que na hora que a porta se fecha de 15 em 15 dias, dá um aperto no fundo peito, mas daí a achar que seu filho vai esquecer do seu amor só porque ele foi passar meio fim-de-semana em um acampamento já é demais. Fico pensando que é até bom que ele esqueça da mãe em alguns momentos do dia, para evitar anos a fio de culpa e terapia.

Enfim, a preocupação existe, mas se eu chorasse seria muito mais de inveja por ele ir e eu não. E eu bem queria que ele me escrevesse um postal, embora não desse tempo de chegar antes de ele voltar, porque meu filho é semi-alfabetizado (ou seja, semi-analfabeto) e escreve coisas como “Espidi Racer”.

Imaginaram? Na frente, uma foto de um sítio barrento em Mairiporã. Atrás:

“Oi, manhe. Aqui no çitiu istá tudo bem. Istou si divirtinu muintu. Amu vosse. Lucas”

Uma fofura que eu ia guardar para o resto da vida só para zoá-lo diante das novas namoradas.

**

Na verdade, o que tem me preocupado muito é que o Lucas saiu sem deixar nenhum bilhete para a família imaginária. O pior é que eu não sei onde eles estão para tentar avisá-los. Ficarão desesperados quando derem pela ausência do chefe da família e da bebezinha.

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“Fui comprar cigarros. Levei a menor”*

23 Outubro, 2008 · 17 Comentários

Lucas vai para um acampamento com a escola amanhã e está incrivelmente empolgado. Faz uma semana que ele só fala nisso. Hoje fui tirá-lo do banho e ele disse:

- Mãe, sabe que todo esse tempo eu fingi que tinha uma família?

- Como assim, Lucas? Durante o banho, você diz?

- Não, mãe. A vida toda. Durante a minha vida toda eu fingi que tenho filhos e uma esposa. Imaginários.

- Ah, sim. E daí?

- E daí que amanhã vou viajar e queria ajuda para escrever um bilhete avisando que eles não vão e que eu só levarei a bebezinha!

*título dado pelo meu irmão quando soube da história

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Celebridades vistas na última ida ao Rio de Janeiro

20 Outubro, 2008 · 10 Comentários

- Matheus Schwarzenegger curtindo uma solidão no Caroline Café.

- Garota de Ipanema comendo um polenguinho em uma clínica de ressonância magnética.

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Leitor 200.000

13 Outubro, 2008 · 30 Comentários

Tomei um susto quando vi o número de hits hoje de manhã: pouco mais de 199 mil. Quase não deu tempo de anunciar a promoção do Leitor 200.000, que é exatamente igual a promoção do Leitor 100.000, porque eu não tenho a menor originalidade. O vencedor daquela vez foi o amigo Bruno Mazzotti e digo já que o prêmio foi entregue porque sou corinthiana, mas sou limpinha. Bruno ganhou o livro As viúvas das quintas-feiras, uma das minhas melhores leituras do ano passado. Apesar de publicitário, Bruno até conseguiu terminar de ler o livro.

Enfim, desta vez estou pensando em presentear o vencedor com um DVD. Para ganhar, basta ter nascido com a bunda virada para a lua e ser o leitor do hit 200.000.

Aí você me pergunta “mas onde é que eu vejo que sou o hit 200.000″? E eu te respondo: “Ali”.

E você me pergunta novamente “Como eu faço para tirar um print screen?” E eu te respondo: “É só apertar ali!”

[faltou uma imagem do meu teclado]

Então, mais uma vez você pergunta “e faço o que?” E eu não respondo nada e fico torcendo para o hit de 200.000 ser de alguém que saiba fazer isso.

Da primeira vez deu certo e eu fiquei R$ 36 mais pobre. Espero que dessa vez não dê também.

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Lucas e a sexualidade XXXIV

13 Outubro, 2008 · 18 Comentários

A última do Lucas foi que eu tive que colocar um filtro no computador porque ele estava perguntando para o google onde é que tinha “jogo que dá para ver mulher pelada sem caucinha e sutian”.

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Biro-Biro é melhor que o Maradona e Ronaldinho

9 Outubro, 2008 · 8 Comentários

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Vinte e seis

8 Outubro, 2008 · 30 Comentários

É hoje. Tô feliz!

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Eu podia tá matanu, eu podia tá robanu, mas tô aqui pedindo honestamente…

2 Outubro, 2008 · 28 Comentários

Se eu tivesse 3 desejos para fazer, eu pediria: que o Ivan aparecesse na minha frente nesse exato momento, que o Luquinhas nunca mais ficasse doente e que eu tivesse minha família sempre comigo. Agora, se eu tivesse direito a 39 desejos possíveis, seriam esses que eu escolhi no submarino para me darem de aniversário.

Ah é! Como ninguém sabe, faço 26 anos no próximo dia 8 de outubro. Mesmo em pleno inferno astral, decidi preparar uma lista de desejos para ver se algum amigo simples de nobre coração que vai todos os dias ao bosque buscar lenha se prontifica a me dar um presentinho.

Agradeço publicamente à mamãe e ao papai, que me fizeram nascer no dia 8 de outubro, começo de mês.

Vão lá, fazendo o favor? (coloquei até uns livrinhos para parecer inteligente).

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“Nossos jedays”: a coisa mais feia do mundo

1 Outubro, 2008 · 23 Comentários

Meu filho tem um amiguinho no prédio chamado Felipe. O Felipe é gente boa, passa a tarde lá em casa vez ou outra. Ele é fã de Star Wars igual ao Luquinhas e os dois lutam com seus sabres, uma graça. O Felipe tem uma mãe que também tem orkut. E ela achou legal pegar uma foto do rosto do Lucas e outra do rosto do Felipe e fazer uma montagem.

Tô indo ali zoar mais duas horas com a cara do Luquinhas e já venho.

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