Eneaotil

Entradas do Fevereiro 2009

Gabi Gabriela

27 Fevereiro, 2009 · 39 Comentários

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Todo mundo que entra no Eneaotil e deixa aqui o seu comentário com um link tem sua página visitada. Mesmo que seja uma visitinha de médico, que eu entre correndo e passe os olhos rapidamente, que eu leia um ou dois posts para voltar depois. Assim, quando a Gabriela Barreto me escreveu um e-mail dizendo que era fotógrafa, eu já sabia.

“Leio sempre seu blog e comento algumas vezes. Gosto muito das coisas que você escreve. Sou fotógrafa recém formada em imagem e som pela UFSCAR e moro em Campinas.”

Já tinha entrado no site dela depois de um comentário e devorado todas as fotografias porque, além de eu ter certa fascinação por fotos, as que são captadas pela Gabriela são incríveis.

E ela me escreveu justamente oferecendo todo o seu talento depois de ler no Eneaotil a idéia do livro para e sobre o Luquinhas.

“Lembro de ter lido aquele post seu dizendo que está guardando tudo que escreveu sobre o Lucas para fazer um livro para ele. Quando li, pensei que seria legal se tivesse fotos também. Bom, minha proposta é a seguinte:
vou para Sampa num final de semana e passo o dia fotografando vocês. Não te cobraria nada porque sei bem como é a vida de quem resolve fazer comunicação social (caí nessa besteira também).

(…)

E te dou as fotos pra você guardar. O que você me diz?”

A gente pergunta para o macaco se ele quer banana? Lógico que aceitei. Porque, mesmo nunca tendo visto a Gabriela antes, eu sabia que uma pessoa com a sensibilidade que ela tem para congelar a vida em uma imagem não seria nenhuma maníaca seqüestradora de criancinhas. E; sem contar a minha coleção de armas brancas e o Kung Fu; tenho certeza de que se alguém levar o Luquinhas embora, o devolverá em 20 minutos.

A idéia da Gabriela era a mais legal de todas as idéias que eu já tinha ouvido sobre fotografias de mães e filhos porque não implicava ficar em um fundo branco fazendo poses, colocando dedinho na boca, dando beijo na testa, olhando fixamente para os olhos uns dos outros. Isso não funcionaria comigo e com o Lucas porque nenhum de nós dois (e talvez ninguém em toda a galáxia) se sente confortável quando tem uma câmera apontada para a fuça.

Parece que quando a gente está diante de uma câmera não se lembra daquela fotografia que saiu bonita e que enfeita a mesinha logo na entrada da casa da mãe. Eu, pelo menos, me lembro de todas as vezes que saí mais feia que o Tevez, das fotos da família inteira reunida em que só eu saí de olhos fechados, ou daquelas em que o ângulo desfavorável me deixa mais gorda que a Jô manicure (era esse o nome de uma mulher muito gorda dos anos 80 que só saía de casa com ajuda do Corpo de Bombeiros?).

Fora que se o Lucas percebesse que estava sendo fotografado, faria sua careta clássica em todas as aparições. E não quero que aquele que ler seu livro no futuro pense que ele tem lábios leporinos ou estrabismo.

Enfim, a idéia era que a Gabriela pudesse nos fotografar no dia-a-dia: vendo um jogo do Corinthians em que o resultado era inesperado (amém ganhou!), comendo macarrão e sujando a roupa de molho, tomando um tombo de patins, não cabendo em cima da bicicleta, dando e tomando bronca, conversando em família, recebendo cafuné no sofá, bocejando, espirrando, com olheiras, descabelada, enfim. Sem que a gente nem se desse conta de que ela estava ali.

O caso é que não deu muito certo. Não as fotos, que ficaram lindas, mas o fato de fingir que a Gabriela não estava ali, nos observando e vivendo um domingo conosco. Porque no momento em que passou da porta para dentro do pequeno apartamento de 80m² na Pompéia a Gabriela virou Gabi. Recebeu uma cerveja, comeu o macarrão da Dona Rose, jogou videogame, ensinou o Lucas a andar de bicicleta. Emprestou sua lente para o meu e o olhar do Lucas, nos deu sua simpatia e amizade. Fez o Lucas pedir que eu a contratasse como sua babá, já que ela mora longe e não teria como ser sua amiga todos os dias (e ele até disse que abriria mão de comprar um brinquedo no fim de ano para pagar os serviços da Gabi como babá com a quantia acumulada de R$ 100). Misturou-se e se tornou uma de nós.

Foi assim que eu e o Lucas ganhamos muito mais do que fotos lindas para um livro. Foi assim que eu e o Lucas (e a mamãe e o papai) ganhamos a Gabi para a vida.

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Ela também escreveu sobre nosso encontro em seu blog. Vão lá conferir!

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Algumas das cerca de 500 fotos que nosso domingo rendeu:

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Stefhany ahaza!

20 Fevereiro, 2009 · 22 Comentários

Para o Daygo e para a Érica, especialmente:

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Lucas, os capangas e a minha vontade de socá-los todos

20 Fevereiro, 2009 · 20 Comentários

Parece que André, ex-melhor amigo do Lucas, se tornou seu maior desafeto. Tudo por causa de uma partida de futebol.

- Mãe, nunca mais quero olhar para a cara do André.

- Ué, mas ele não era o teu melhor amigo?

- Acho que nunca foi meu amigo, mãe. Ele me sacaneou na aula de educação física.

- O que ele fez?

- Eu estava jogando futebol e era o goleiro do meu time. Ele estava no outro time. Então ele ficava com a bundona na minha frente para me atrapalhar e não me deixava ver a bola.

Então eu me lembrei que não fazia nem uma semana que o Lucas tinha me dito, todo orgulhoso, ter feito a mesma coisa com outro menino no futebol.

- Ué, você não me disse que fez a mesma coisa com outro menino no futebol, na semana passada? E ainda por cima achou o máximo?

- Mas, mãe, o menino não era meu amigo! E o André dizia que era.

**

Aí ontem eu fui buscar o Lucas na escola e ele me disse:

- Mãe, não tenho mais com o que me preocupar. Contratei três seguranças para bater no André.

- QUE?

- É. Basta ele me encher o saco para o João Gabriel, o Lian e o Rafael entrarem em ação.

- Mas não eram esses três que você odiava?

- É, mas agora eles são meus seguranças.

- Lucas, você precisa parar com isso. O André é super bonzinho e esses três são umas pestes. E a professora disse na reunião que na sua turma só tinha brigão e que ela ia começar a colocar de castigo!

- Ah, ela já começou.

- Já? Você já ficou de castigo?

- Opa se já! – e ele começou a rachar o bico.

- Que beleza, hein?! E você ainda dá risada?

- Mãe, é o maior barato. Eu fiquei sem recreio e todos os meus amigos também ficaram. Aí a gente ficou na sala de aula, todo mundo junto brincando.

Que professora burra, my god.

- Então eu vou escrever um bilhete para a sua professora pensar em outra forma de castigo já que esse você adora.

- Não vai não!

E ele começou a fazer uma espécie de sapateado flamenco na Avenida Pompéia.

- Lucas, pára com esse show. Quando chegar em casa a gente vai conversar.

- Ah não, pelo amor de Deus, odeio conversar!

- Então cala a boca.

Fomos em silêncio o resto do caminho. Entrei no prédio e apertei os botões do elevador com violência. Aí ele resolveu quebrar o silêncio:

- Eita, o que que foi, mãe? Quer um tempinho para esfriar a cabeça? Se precisa de um tempinho para pensar e relaxar é só me pedir. Tudo bem. Quando estiver bem calminha, me chame. Estarei lá na portaria.

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Protegido: Prêmio Pé na Bunda 2009

18 Fevereiro, 2009 · Digite sua senha para ver os comentários

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Cesta básica de cultura para Blumenau

16 Fevereiro, 2009 · 31 Comentários

O leitor 300 mil nasceu com o rabo virado para a lua. Decidi comprar seu presente pelo submarino para evitar a taxa de entrega do correio que seria astronômica. Mas o frete do site era ainda maior (acho que Santa Catarina ainda está sem estradas, não é possível), a não ser que eu gastasse a quantia x, porque então o frete seria gratuito. Eu pensei: “prefiro gastar esse dinheiro em mais produtos do que na taxa de entrega” e foi assim que enviei para o Jaime:

- o filme A pequena loja dos horrores;

- o filme Mamãe é de morte;

- o DVD da Amy Winehouse;

- o CD da Amy Winehouse e

- o livro As boas mulheres da China.

Fui à falência (e vou repensar a promoção dos 400 mil ou torcer para a audiência cair assustadoramente), mas contribuí para aumentar o bom gosto da população brasileira.

Taí a foto e o depoimento do Jaime para provar que toda a minha generosidade é verdadeira. Porque esse lance de que quem faz não se vangloria é balela.

jaime

“Oi Lê, tudo bom??

Recebi os prêmios na segunda-feira (09/02), e só não mandei o email agradecendo por que eu estava doente. Agora como estou um pouco melhor, venho te agradecer.

Fiquei impressionado pelo seu bom gosto para música, cinema e para literatura. Realmente me surpreendeu (tendo em vista que o mesmo bom gosto não se estende ao futebol rsrsr). Ainda não comecei a ler o livro, mas já assisti os dois filmes (muito bons), e o DVD da Amy (cá entre nós, ela realmente ela é um talento).

Obrigado, que você continue sendo essa pessoa querida e carismática;

E que o eneaotil continue sendo esse sucesso de blog!

Beijos.

Jaime”

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Desconfio que a foto com essa camiseta foi pura provocação!

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Feliz aniversário para a minha melhor mãe do mundo

12 Fevereiro, 2009 · 20 Comentários

mamae1

Se mãe é tudo igual e só muda de endereço, eu só posso concluir que o mundo todo (exceto os que são filhos de chocadeira ou foram encontrados em um pé de repolho) é feliz demais, assim como eu, por ter sido criado (e ser criado todos os dias, até o fim da vida) por uma mãe tão fantástica como a Dona Rose.

Parabéns, mamãe. Que a sua data seja comemorada por todos os filhos que se tornaram grandes pessoas graças a mães exatamente como você. Te amo tudo.

Categorias: Família
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Pimenta no fiofó dos outros é refresco

11 Fevereiro, 2009 · 29 Comentários

Um amigo querido leu o texto Mais grosso que um dedo destroncado e me mandou este e-mail com o seguinte relato:

Diálogos surreais – Telefônica

- Telefônica, Edilaine, boa tarde, em que posso ajudá-lo?

- Boa tarde, Edilaine. Meu nome é Alfredo, eu sou assinante. O número do meu telefone foi alterado sem a minha autorização e eu preciso saber o novo número.

- Senhor, as alterações de número só são feitas a pedido do assinante.

- Pois é. Como é mesmo seu nome?

- Edilaine, Senhor.

- Pois é, Edilaine. Só que a minha ex-mulher, que hoje mora na minha casa e utiliza o meu telefone, resolveu mudar o número para que eu não ligasse mais para lá. Ela mudou o número do meu telefone sem a minha autorização, você entende, Edilaine?

- Senhor, as alterações de número só podem ser feitas pelo assinante, mediante a confirmação de dados cadastrais que só são de seu conhecimento.

- Pois é, Edilaine. Mas a minha ex-mulher, que não sou eu, conseguiu trocar o número. E eu nem estou puto com isso. Até deveria, pois a Telefônica fez uma coisa que não poderia ter feito. Mas tudo bem. Edilaine, só me informe o número novo para que eu possa ligar para a minha filha.

- Eu não posso informar o novo número, Senhor.

- Como assim, Edilaine?

- Senhor, o assinante pediu que o novo número não fosse divulgado…
Até então eu estava inacreditavelmente calmo. As patuscadas da minha ex-mulher estavam me tornando uma pessoa mais tolerante. Mas tudo tem limite.

- MINHA FILHA, A PORRA DO ASSINANTE SOU EU. EU NÃO PEDI PARA MUDAR PORRA DE NÚMERO NENHUM, ENTÃO COMO É QUE EU POSSO TER PROIBIDO ALGUMA COISA???

- Entendo, Senhor. Mas não posso fazer nada. São as normas.

- QUE NORMAS O CACETE. SERÁ QUE EU VOU TER QUE PERDER O MEU TEMPO PROCESSANDO ESSA EMPRESA DE MERDA?

Quanto mais eu berrava, mais a Edilaine ficava calma, o que me deixou à beira de um colapso nervoso.

- O Senhor deseja mais alguma informação, Senhor Alfredo?

- NÃO, EDILAINE, SÓ DESEJO A PORRA DO NOVO NÚMERO QUE VOCÊS ALTERARAM SEM A MINHA AUTORIZAÇÃO.

- Como eu já disse, Senhor, não é possível atender à sua solicitação, pois o assinante não permite a divulgação do novo número.

- CRIATURA, O QUE EU PRECISO FAZER PARA QUE VOCÊ ENTENDA QUE O DESGRAÇADO DO ASSINANTE SOU EU? SOU EU, EDILAINE, ENTENDEU?
POR FAVOR, TRANSFIRA A LIGAÇÃO PARA O SEU SUPERIOR. E PELAMORDEDEUS, NEM PENSE EM FAZER A LINHA CAIR, HEIM?

- Perfeitamente, Senhor. Um momento.

Minutos depois, quando eu já estava certo de que a Edilaine derrubaria minha ligação, surge a Gláucia.

- Boa tarde, Senhor. Em que posso ajudá-lo?

- Gláucia, espero que a Edilaine tenha te explicado o meu problema e que você possa me informar o novo número do telefone, cuja alteração eu não solicitei.

- Infelizmente eu não posso, Senhor. O assinante proíbe a divulgação.

- PROÍBE O CACETE, MINHA FILHA. EU SOU O ASSINANTE. EU NÃO AUTORIZEI NADA E NÃO POSSO TER PROIBIDO NADA. VOCÊS ATENDERAM A UM PEDIDO DA LOUCA DA MINHA EX-MULHER E FIZERAM O QUE NÃO DEVERIAM TER FEITO. AGORA, ALÉM DISSO, VOCÊS NÃO VÃO ME DIZER O NÚMERO. EU SOU O ASSINANTE. EU, EU, ENTENDEU, EDILAINE?

- Meu nome é Gláucia, Senhor.

- QUE SE DANE O SEU NOME. QUERO A PORRA DO NÚMERO DO MEU TELEFONE.

- Não será possível, Senhor.

- MINHA FILHA, QUE TAL SE VOCÊ CONFIRMAR OS MEUS DADOS CADASTRAIS? MEU RG É TAL, MEU CPF É TAL, O NÚMERO DA MINHA CUECA É TAL.

- Não adianta. Quem me garante que o Senhor é o Senhor?

Naquele momento eu me senti o próprio Kafka. Não havia mais saída. Um muro intransponível surgiu diante do meu nariz.  Para tornar a situação ainda mais surreal, eis que toca o meu celular. Não reconheço o número, mas atendo. Precisava de alguns instantes para pensar em uma resposta para a Gláucia. Era a minha ex-mulher, ligando do meu novo telefone.

- Gláucia, querida, o novo número é 3831-XPTO?

Sem conseguir disfarçar a surpresa, ela sussurra:

- Isso mesmo, Senhor.

- Ok, então VÁ PARA A PUTAQUEAPARIU E LEVE A EDILAINE JUNTO. O ASSINANTE ESTÁ AUTORIZANDO. Boa tarde!

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Chuvinha de verão

9 Fevereiro, 2009 · 31 Comentários

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***

Essas fotos foram tiradas no sábado pelo fotógrafo Robson Fernandes, da Agência Estado, e são lá da esquina de casa. A quantidade de água molhou até o fiofó da minha vizinha no 5º andar, que estava sentada no sofá vendo televisão. Meu porteiro pôde pescar a mercadoria perdida das Lojas Americanas ali mesmo, da cadeirinha confortavelmente posicionada na encharcada portaria do meu prédio. A classe média do Edifício Ana Capri terá de se contentar em nadar numa piscina de lama nos próximos dias de calor porque a água limpinha e cristalina deu lugar ao barro puro que veio da rua. Alguns carros quase alagados na garagem foram retirados por vizinhos solidários, como o pai do Lucas e a Thaís, enquanto outros moradores assistiam tudo pela televisão, sem nem lembrar das janelas do apartamento.  Era só olhar e estava ali: uma transmissão ao vivo do caos pompeiense. Sem narração, sem apresentador escandaloso pedindo justiça para São Pedro. Só água e lixo. O muro detrás do meu prédio veio abaixo. O Ford Eco Sport não conseguiu ser salvo e foi guinchado pela seguradora. Ninguém conseguiu avisar seu dono, o morador do 2º andar, que dormia pesadamente na hora da enchente. Depois que a água conseguiu ir embora pelos ralos das casas e boeiros entupidos das ruas, foi hora de contar o prejuízo. Mas nem vai dar tempo de contar muito porque a previsão do tempo já avisou: serão 6 dias de chuva. A classe média alta que mora no baixo só se fode mesmo.

***

Meus agradecimentos especiais para a dupla Thaís e Ricardo pelo salvamento do Corsinha 98, meu carro que, igual a mim, não sabe nadar. Eu não estava em casa, mas minha família estava. Todos estão bem, obrigada. Eu sabia que colocar o Lucas na escolinha de natação era um investimento.

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Aleluia!

6 Fevereiro, 2009 · 37 Comentários

Senhor, hoje eu vi um verdadeiro milagre. A Santa não chorou lágrimas de sangue nem apareceu no reflexo do espelho. Não curei minhas chagas do Kung Fu com um simples toque, muito menos fiz um tetraplégico andar com apenas um olhar. Foi ainda melhor. O litro da cerveja belga Stella Artois estava a R$ 1,29 no Makro. Que se foda que vencerá na próxima segunda-feira, comprei 12 litros. E o Seu Makro tem que ser canonizado, Senhor. Amém.

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Mais grosso que um dedo destroncado

4 Fevereiro, 2009 · 42 Comentários

Atenção: essa porra de post é repleta de palavrões

Ontem estava dentro do ônibus, pensando na coisa mais grosseira que já me disseram em toda a minha vida (eu sei, é falta do que fazer, mas tinha esquecido meu livro aqui no trabalho). Lembrei de muitas brigas que tive na adolescência com a Dona Rose, outras tantas que travei com meu irmão já no começo de nossa vida adulta, os insultos que ouvi de ex-namorados, as besteiras que nossos chefes costumam falar todos os dias, os xingamentos do instrutor da auto-escola, as explosões do papai de vez em quando, as pataquadas que nossos amigos deixam escapar e pensei que nada disso vale.

Não vale porque foram ditas no calor da emoção, quase sempre em um momento de irracionalidade. Não que não tenha me magoado, até porque se eu encontrar meu instrutor da auto-escola passo por cima dele com o carro. Mas grosserias deste tipo a gente costuma relevar e até perdoar.

Então fiquei pensando nas que eu jamais consegui superar e nem conseguirei. Estão na categoria das grosserias que a gente leva para casa de graça, que “a gente poderia ter dormido sem”, que chegam quando a gente menos espera. Do tipo que deixa a gente tão desconcertada que fica completamente sem reação, sem saber o que fazer. E, horas depois, fica se lamentando por não ter dado um soco na cara da pessoa. Aquele tipo de grosseria que faz a gente mudar de postura para que nunca aconteça nada de parecido, que nos traumatiza de verdade e que dá vergonha alheia só de lembrar.

**

Tipo aquela vez que liguei na TIM para resolver um problema na minha conta e fui maltratada o tempo todo pelo atendente. Até que resolvi dizer:

- Moço, não vista tanto a camisa da sua empresa assim. Não vale a pena.

E ele soltou a pérola:

- O que eu faço ou deixo de fazer no meu trabalho é um problema só meu.

Aí eu perguntei se não dava para ser atendida pelo funcionário do gerúndio, porque eu preferia, mas deveria tê-lo mandado enfiar um dedo na bunda e outro na boca e ir trocando.

Resultado: eu nunca mais ligo na TIM. Posso me tornar a melhor amiga do dono da empresa, mas eu nunca vou ligar para ele a fim de saber como é que está a vida. Mudei de operadora, escondi o chip antigo em um sarcófago e quando eles me telefonam para saber se quero voltar para a TIM eu começo a tremer.

**

Aí me lembrei de uma vez também que uma mulher de uma empresa de cobrança ligou no telefone do serviço (sim, eu disse TELEFONE DO SERVIÇO) e começou a gritar comigo. Era uma funcionária de empresa contratada pelo Grupo Santander, para quem eu estava devendo certa quantia no cheque especial.

- VOCÊ NÃO TEM PALAVRA. VOCÊ NÃO PAGA SUAS DÍVIDAS EM DIA.

Juro, ela não me disse nada mais nada menos do que isto.

Eu respondi que eu não sabia nem quem ela era para falar comigo daquela maneira, que eu não devia nenhum real para ela e que se ela não calasse a boca eu faria um B.O. porque aquilo era assédio moral. Mas eu deveria mesmo era tê-la mandado tomar no centro social e urbano do seu devido cu.

Aí ela bateu o telefone na minha cara e eu ganhei mais uma úlcera, que batizei carinhosamente de Silvia, o nome da filha da puta.

Quando parei de tremer, liguei para a empresa e gritei uma hora no ouvido do chefe da piranha, para ele ver como é gostoso.

Resultado: eu paguei minhas dívidas e nunca mais fiquei devendo para o banco Eu nunca mais consegui simpatizar com ninguém que tem este nome.

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Mas a campeã da grosseria não foi nenhuma destas. Aquela que eu jamais conseguirei superar aconteceu há 16 anos. Foi também em uma época de mudança de escola, quando passei da quarta série para a quinta e fui estudar no Miss Browne, um colégio estadual ali da Pompéia.

Nesta época eu já tinha vivido três anos de Tenente José Maria Pinto Duarte, então estava um pouco mais delinqüente, mas nada comparada aos internos da Febem que estudavam no Miss Browne em regime semi-aberto.

No meu primeiro dia, ou na minha primeira semana, não lembro bem, eu saí para o recreio sem conhecer ninguém daquela escola. Aí uma menina olhou nos meus olhos e por dois minutos eu achei que ela queria fazer amizade. Esbocei um sorriso e já ia perguntar-lhe o nome quando ela gritou:

- QUE FOI QUE ESTÁ OLHANDO, PORRA? TÔ COM A BUCETA NA CARA???

Juro, eu nunca tinha ouvido ao vivo e a cores  a palavra “buceta”, embora soubesse o que queria dizer. E ela tinha gritado não só para eu ouvir, mas para toda a escola, que por uns 10 minutos ficou me olhando como se eu fosse um extraterrestre. Acho que todo mundo esperava que eu respondesse:

- Considerando o seu cavanhaque e o seu bafo de peixe, acho que está com a buceta na cara sim…

Mas a minha reação foi zero vezes zero. Nenhuma. Nenhuminha.

Resultado: toda vez que fico mais de dois minutos olhando na cara de alguém, vejo uma periquita.

Traumatizante é pouco.

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Feliz

2 Fevereiro, 2009 · 32 Comentários

Vocês se lembram da votação do Tchananã Awards 2008, do site Judão? O Eneaotil tinha sido indicado como melhor blog do ano passado e concorreu com outros 14 blogs nesta categoria. Blogs bem legais, como o Crônico, do amigo Louback; o Olhômetro, da também amiga Ana Freitas; o bonitinho Bichinhos de Jardim; e o divertido Wagner & Beethoven; entre outros.

Pois então, o resultado saiu agora de noite. O Eneaotil não foi vencedor pelo voto popular, mas foi escolhido como o melhor de 2008 entre todas as pessoas da equipe do Judão. E, segundo o Borbs, editor do site, foi quase uma unanimidade.

Eu fico feliz à beça. De verdade. Isto me deixou com um sorriso largo no rosto que não vou perder nem dormindo. O Eneaotil tem recebido cada vez mais comentários, cada vez mais links e eu tenho recebido e-mails carinhosos e divertidos quase todos os dias. Jamais imaginei que chegaria sequer a um terço disto tudo. Só tenho a agradecer todo mundo da equipe do Judão e todos os leitores que entram aqui diariamente e tornam o Eneaotil um dos momentos mais divertidos do meu dia. Um abraço apertado a todos.

judao

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