
Todo mundo que entra no Eneaotil e deixa aqui o seu comentário com um link tem sua página visitada. Mesmo que seja uma visitinha de médico, que eu entre correndo e passe os olhos rapidamente, que eu leia um ou dois posts para voltar depois. Assim, quando a Gabriela Barreto me escreveu um e-mail dizendo que era fotógrafa, eu já sabia.
“Leio sempre seu blog e comento algumas vezes. Gosto muito das coisas que você escreve. Sou fotógrafa recém formada em imagem e som pela UFSCAR e moro em Campinas.”
Já tinha entrado no site dela depois de um comentário e devorado todas as fotografias porque, além de eu ter certa fascinação por fotos, as que são captadas pela Gabriela são incríveis.
E ela me escreveu justamente oferecendo todo o seu talento depois de ler no Eneaotil a idéia do livro para e sobre o Luquinhas.
“Lembro de ter lido aquele post seu dizendo que está guardando tudo que escreveu sobre o Lucas para fazer um livro para ele. Quando li, pensei que seria legal se tivesse fotos também. Bom, minha proposta é a seguinte:
vou para Sampa num final de semana e passo o dia fotografando vocês. Não te cobraria nada porque sei bem como é a vida de quem resolve fazer comunicação social (caí nessa besteira também).
(…)
E te dou as fotos pra você guardar. O que você me diz?”
A gente pergunta para o macaco se ele quer banana? Lógico que aceitei. Porque, mesmo nunca tendo visto a Gabriela antes, eu sabia que uma pessoa com a sensibilidade que ela tem para congelar a vida em uma imagem não seria nenhuma maníaca seqüestradora de criancinhas. E; sem contar a minha coleção de armas brancas e o Kung Fu; tenho certeza de que se alguém levar o Luquinhas embora, o devolverá em 20 minutos.
A idéia da Gabriela era a mais legal de todas as idéias que eu já tinha ouvido sobre fotografias de mães e filhos porque não implicava ficar em um fundo branco fazendo poses, colocando dedinho na boca, dando beijo na testa, olhando fixamente para os olhos uns dos outros. Isso não funcionaria comigo e com o Lucas porque nenhum de nós dois (e talvez ninguém em toda a galáxia) se sente confortável quando tem uma câmera apontada para a fuça.
Parece que quando a gente está diante de uma câmera não se lembra daquela fotografia que saiu bonita e que enfeita a mesinha logo na entrada da casa da mãe. Eu, pelo menos, me lembro de todas as vezes que saí mais feia que o Tevez, das fotos da família inteira reunida em que só eu saí de olhos fechados, ou daquelas em que o ângulo desfavorável me deixa mais gorda que a Jô manicure (era esse o nome de uma mulher muito gorda dos anos 80 que só saía de casa com ajuda do Corpo de Bombeiros?).
Fora que se o Lucas percebesse que estava sendo fotografado, faria sua careta clássica em todas as aparições. E não quero que aquele que ler seu livro no futuro pense que ele tem lábios leporinos ou estrabismo.
Enfim, a idéia era que a Gabriela pudesse nos fotografar no dia-a-dia: vendo um jogo do Corinthians em que o resultado era inesperado (amém ganhou!), comendo macarrão e sujando a roupa de molho, tomando um tombo de patins, não cabendo em cima da bicicleta, dando e tomando bronca, conversando em família, recebendo cafuné no sofá, bocejando, espirrando, com olheiras, descabelada, enfim. Sem que a gente nem se desse conta de que ela estava ali.
O caso é que não deu muito certo. Não as fotos, que ficaram lindas, mas o fato de fingir que a Gabriela não estava ali, nos observando e vivendo um domingo conosco. Porque no momento em que passou da porta para dentro do pequeno apartamento de 80m² na Pompéia a Gabriela virou Gabi. Recebeu uma cerveja, comeu o macarrão da Dona Rose, jogou videogame, ensinou o Lucas a andar de bicicleta. Emprestou sua lente para o meu e o olhar do Lucas, nos deu sua simpatia e amizade. Fez o Lucas pedir que eu a contratasse como sua babá, já que ela mora longe e não teria como ser sua amiga todos os dias (e ele até disse que abriria mão de comprar um brinquedo no fim de ano para pagar os serviços da Gabi como babá com a quantia acumulada de R$ 100). Misturou-se e se tornou uma de nós.
Foi assim que eu e o Lucas ganhamos muito mais do que fotos lindas para um livro. Foi assim que eu e o Lucas (e a mamãe e o papai) ganhamos a Gabi para a vida.
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Ela também escreveu sobre nosso encontro em seu blog. Vão lá conferir!
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Algumas das cerca de 500 fotos que nosso domingo rendeu:


























