
Querido Noel…
Resgatei das minhas memórias minha cartinha pro senhor do ano passado:
Noel, querido…
Faz uma cara que a gente não se fala, mas eu nunca esqueci da vez em que ganhei aquela Cecizinha amarela de cestinha. Tudo bem que, na verdade, eu queria ela rosa, mas tá limpo.
Eu sei que eu não fui uma boa menina durante o ano. Mas o senhor deve levar em consideração que eu não matei ninguém, nem mesmo meu ex-chefe, minha atual chefe, a aspira estagiária aqui do lado, minha mãe, minha irmã, o ex-namorado e a nova namorada do ex-namorado. E esses daí, bem que mereciam. Seria legal se eles ganhassem perebas na cara de presente de Natal, né?
Quer saber? Pensando bem, acho que eu fui uma menininha muito bonitinha – com a ajuda de uma boa maquiagem, cabeleireiro, colorista e terapeuta, claro. É. E por isso que o senhor devia me dar um presente muito legal. Podia ser uma promoção bem gorda; 10 quilos a menos; o campeonato do ano que vem pra Ferrari de novo; um prêmio milionário na loteria; minha formatura; férias em Noronha; um apê só pra mim…
Seria bom também se o senhor pudesse colocar nesse seu saco um remédio pro meu coraçãozinho confuso. Aquele mocinho horroroso lá de cima (sério, poucas vezes eu vi alguém tão feio na vida) anda virando minha cabeça, Noel. Num dia ele me trata igual uma princesa e no outro quase faz de conta que não me conhece! E o outro narigudo? Ele tem medo de mim! O que significa isso?! Isso sem contar com o fofinho… tenho que cair do burro!
Fora isso, queria uns patins ou a Cecizinha mesmo. Mas dessa vez, rosa, hein?
Muito chocolate quente para o Senhor!
Vamos fazer uma retrospectiva desse ano frente aos meus desejos do ano passado:
O ex-namorado e a sua (atual?) namorada não ganharam perebas na cara. Aliás, ele continua bem bonito e ela também. O que ganhou perebas foram as minhas memórias dele/com ele. Obrigada por ter me mandado, no penúltimo dia do ano passado, na praia, a Bá, que me contou a pessoa podre que ele era e jogou um caminhão de areia no resto de sentimento que eu tinha por ele. Virei o ano de 2007 pra 2008 com o coração absolutamente limpo, vazio e muito, muito feliz. Grata por ter me livrado de alguém que só me fazia mal – mesmo quando eu pensava que ele me fazia bem. Na verdade, ele me intoxicava, me prendia, me afogava em mim mesma. Depois que me livrei dele, cresci em todos os sentidos. Em alguns aspectos menos do que eu gostaria, em tantos outros me tornei melhor, mais bem resolvida, mais segura de mim mesma. Por isso tenho que agradecer, Noel. As perebas foram muito bem aplicadas.
A promoção bem gorda eu não recebi, mas consegui um emprego bem bom, onde tô bem feliz, pagando minhas contas e (espero que) crescendo. Aliás, no emprego novo também arrumei um amor novo. Obrigada de novo.
Os 10 kg a menos… Eu ganhei uns quilos A MAIS e devo ganhar mais alguns até dia 01/03. Mas vai valer cada grama, afinal, você, junto com o cara lá de cima, resolveu me fazer mother-to-be esse ano. Meu filhote foi uma susto/surpresa enorme pra mim, virou minha vida de cabeça pra baixo, me fez rever todos os meus planos, reduzir a gandaia e a bebida, cortar o cigarro… Mas tudo isso é nada, Noel, nada perto da felicidade que eu tenho de tê-lo, o pedaço mais bonito de mim (como diz a Lelê), o maior amor que eu tenho por alguém, tudo o que eu posso deixar de bom nesse mundo, mexendo dentro de mim todo dia. Valeu!
A Ferrari não ganhou o campeonato, mas foi por pouco… Tudo bem. Ano que vem tem mais. (E é mais uma desculpa pra eu comprar o casaco da próxima temporada.)
O prêmio milionário na loteria também não rolou, mas compensa-se em outras áreas.
Também não vai ser dessa vez que eu vou ficar livre da faculdade.
Fernando de Noronha vai ter que esperar. O mais perto que eu consegui disso foram 3 dias chuvosos em Porto Seguro…
O apê… O apê não foi meu, mas eu tive a experiência de morar sozinha e… não, não gosto, não dá. As manias do povo lá de casa podem até me incomodar, mas eu prefiro acordar com o falatório da minha mãe no meio da noite do que sozinha no outro dia de manhã. Eu prefiro dividir a minha cama pequena com a Inca folgando no meu pé e com o cagão do Hermes no meu travesseiro do que dormir tranqüila sem o quentinho dos dois, sem o carinho dos dois. Eu prefiro pegar dois ônibus pra ir trabalhar sabendo exatamente de onde ir e onde vou chegar, do que pegar meu carro alugado, na garagem do meu apartamento alugado, colocar um endereço desconhecido num GPS também alugado, que me leva pelos caminhos mais improváveis, menos para onde eu quero, e chegar no escritório, sentar numa mesa emprestada… Sabe? Uma vida longe e que não é minha. Obrigada por me dar essa experiência, Noel. A gente só dá valor ao que tem quando perde mesmo. Ainda bem que estou indo embora a tempo!
E, por último, mas não menos importante, o remédio pro meu coração confuso… Você me deu um amor tão inquieto, Noel… Um amor que escorrega na minha mão feito sabão, que eu nunca sei em que pé que está e o que fazer pra manter e ser eu mesma ao mesmo tempo… Ontem eu tava ouvindo aquela música da Vanessa Da Mata que diz que “tudo o que quer me dar é demais, é pesado, não há paz. Tudo o que quer de mim, irreais expectativas desleais…” Ai, ai… O mesmo tanto que é lindo é turbulento…
De saldo final, eu só tenho a agradecer pelo ano bom, pelas surpresas boas e por ter me preparado pra encarar e superar melhor as feridas inerentes ao meu dia-a-dia.
Bem… de pedidos pro próximo ano, eu tenho uma listinha:
COISAS QUE O DINHEIRO NÃO COMPRA:
Ausência completa de dor no parto do Ian (incluindo o pedaço da anestesia)
Saúde pra dar e vender pra mim e pra ele
Harmonia total no coração
Paz e tranqüilidade
Sabedoria pra criar meu filho
Discernimento e maturidade pra resolver questões conflituosas
Amor, amor, amor e infinitas alegrias no amor
Que o Ian seja fonte de alegria e orgulho infinitos para a minha família e para a família do pai dele
Que o Ian me ame loucamente (hehehe…)
Sucesso triplicado no ano profissional do namorado
Saúde, alegria, paz e bons momentos pra ele e pros filhos dele
Amor, amor, amor pra ex-mulher dele
Todas as realizações do mundo pros meus amigos
Mais tempo com eles
Muitos sorrisos e muitas risadas e muitas fotos lindas
Marcar, oficialmente, meu casamento (será que dessa vez vai?)
A continuidade do meu emprego depois da licença-maternidade
Felicidades mil pra minha família
Saúde pros meus avós
Dinheiro pros meus pais
PARA AS QUAIS EXISTE O MASTERCARD:
O DVD da quinta temporada do Sex And The City
O Box com os 3 DVDs do Piratas do Caribe
Um All Star branco
O SonyEricsson W760
O livro “Vida Modelo” do John Casablancas
O livro novo do Olivetto (aquele cujo marcador é alça do “meu primeiro sutiã”)
Uma semana de férias em qualquer lugar – até na fazenda tá limpo!
Um veículo automotor de 4 rodas
O perfume novo da Clinique, Happy In Blossom
Um iPod
Uma câmera digital pra paparicar meu filho quando ele nascer
Dúzias de sapatos – em especial uma sandália MA-RA-VI da Schutz que eu vi na loja da Oscar Freire
3 meses de malhação na Cia. Athlética no pós-parto
O campeonato do ano que vem pra Ferrari
Camarote pro Trivela do Asa ano que vem
Um cruzeiro inesquecível com o namorado
Tirar o aparelho, fazer clareamento dental e conquistar meu sorriso propaganda de pasta de dente
Acho que é isso… Fui uma boa menina esse ano. Vou tentar ser melhor ainda no ano que vem.
Beijo
Camila
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*Camila Cantoni é mineirinha e lê o blog desde os tempos de Subversiva. Em 2008 veio morar por um tempo em São Paulo e nos conhecemos em um dia de um sol ardido no Ibirapuera. Ela apareceu com uma barriguinha de 3 ou 4 meses, chupando um picolé, para assistir o Sonny Rollins. Foi uma manhã/tarde incrível, com um bom papo, um bom som e um bom sol. Além disso, levo até hoje uma marca da camiseta nas costas. Espero voltar para Belo Horizonte em 2009 para conhecer o Ian e poder dar um beijo estralado na bochecha dessa menina/mulher. Boa sorte como mãe em 2009, Cá. Certamente, o primeiro ano do resto da sua vida.