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Juno

3 Março, 2008 · 7 Comentários

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Nem sei se era um filme de chorar ou de rir, mas chorei horrores. E não foi porque fiquei triste vendo a história de uma adolescente que engravida sem querer e quer doar o filho, mas porque, exceto pela parte de doar o filho, Juno me fez lembrar muito da minha experiência. Talvez um dia eu escreva sobre ela, mas não vai virar um roteiro tão legal e premiado quanto o da Diablo Cody.


***


Antes de assistir, li essa crítica publicada no Estadão pelo Rafael Barion na sexta anterior ao Oscar que me ajudou a enxergar Juno de uma maneira especial. A mais legal que li sobre o filme.


Por um par de pernas

JUNO – Mimado: o filme da adolescente que engravida concorre a quatro Oscars. Castigo: muita expectativa pode estragar o que ele tem de divertido

Rafael Barion

Foram as pernas aí ao lado – combinadas a uma poltrona confortável e à gravação certa de Astrud Gilberto – que fizeram Juno perder a virgindade e ganhar a barriga ali de baixo. E são unhas, você vai ver, que farão com que ela leve a gravidez adiante e procure o casal ideal para adotar o bebê.

Juno, a personagem, tem um problema, portanto – mas Juno, o filme, tem um ainda maior. Como uma criança mimada, a história da adolescente bem-humorada que engravida de um colega de classe sofre por excesso de atenção. Desde que estreou nos cinemas americanos, no ano passado, o longa de Jason Reitman (de ‘Obrigado por Fumar’) foi tão comentado – e elogiado – que ganhou uma fama de filme grande que provavelmente não imaginava ter de sustentar.

Assisti-lo, portanto, vai deixar você decepcionado. E isto é uma pena, pois ainda que ‘Juno’ possa não merecer o Oscar de melhor filme a que está concorrendo, também não merece ser uma decepção. Faça, então, um favor a ele (e a você mesmo): trate-o como um filme qualquer.

De início, esqueça todas as páginas de jornal e textos na internet que lhe foram dedicados nos últimos meses – se não os leu, não vá fazê-lo agora. Desconsidere as quatro indicações ao Oscar que recebeu (e principalmente a estatueta que a blogueira Diablo Cody vai ganhar pelo roteiro). Se for difícil recusar os convites para assisti-lo neste fim de semana, antes da premiação, diga que precisa rever ‘Onde os Fracos Não Têm Vez’ ou ‘Sangue Negro’, sob o pretexto de que são eles os favoritos. E dê as costas a quem se importa em discutir se o filme é melhor do que ‘Pequena Miss Sunshine’, a comédia bem-sucedida de 2007.

Depois disto, escolha uma sessão no horário que mais lhe agrade e, por favor, vá assisti-lo. Pois aqui entre nós (e tente não espalhar isto para muita gente), ‘Juno’ é um filme bem simpático. E não é só porque o personagem de Ellen Page é a melhor amiga que todo garoto gostaria de ter tido na escola. O longa tem coadjuvantes com leveza de espírito suficiente para responder à altura a todas as frases sarcásticas da garota. A franqueza destes personagens pode até fazê-lo perdoar o excesso de açúcar das canções da trilha. (E deixá-lo com a estranha impressão de que gravidez na adolescência é, na verdade, algo divertido.)


***


Eu concordo quando ele diz que a trilha tem excesso de açúcar, mas a taxa alterada de glicose no meu sangue já é herança de família. Se quiser baixar a trilha maravilhosa, dá uma passadinha no blog do Daniel onde tem o link e sua opinião sobre ela. A-m-e-i.

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Dicas de férias

8 Janeiro, 2008 · 1 Comentário

Dois bons filmes que estão em circuito, pelo menos aqui em São Paulo, e que valem a pena a conferida são o Viagem a Darjeeling e A culpa é do Fidel. O primeiro vai na mesma toada de outro filme que eu adorei, o Pequena Miss Sunshine, quando uma família resolve fazer uma viagem e acaba descobrindo quem nem é tão problemática assim. Loucos são os outros.

No filme de Wes Anderson, três irmãos, interpretados pelos ótimos Owen Wilson, Adrien Brody (dá-lhe Silveira!) e Jason Schwartzman, resolvem fazer uma viagem espiritual até a Índia. Cada um por um motivo diferente e com manias diferentes. Mas o ponto forte do filme é a música. Das indianas a The Kinks e Rollings Stones, todas fariam parte da trilha sonora da minha vida, se eu tivesse uma. Procure no uTorrent por Soundtrack The Darjeeling Limited.

Já o segundo filme é francês e foi dirigido por Julie Gravas. Conta como era para a menina Anna ser filha de comunistas na França, em 1971. Antes de famílias aristrocráticas, os pais renunciam, entre outras coisas, ao conforto, para defender causas como o Chile, de Allende, o feminismo e o aborto. Os diálogos são ótimos e, sem querer entrar em nenhuma discussão de trabalho infantil, a atriz-mirim Nina Kervel-Bey e o pequeno Benjamin Feuillet, que interpreta seu irmãozinho, estão sensacionais.

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