Eneaotil

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Prato do dia

10 Julho, 2008 · 16 Comentários

Por falar em cadarço, outro dia eu fui almoçar aqui perto do trabalho e pedi o prato do dia: filé de frango aos quatro queijos, purê de batata, salada e arroz com cenoura. Aí, quando eu estava no meio da refeição, achei um pedaço de cadarço dentro do meu arroz com cenoura. Daqueles bem encardidos, cadarço de all star. Então eu chamei o garçom:

- Moço, eu pedi arroz com cenoura e só. Aqui está metade do cadarço, a outra deve sair no meu cocô nas próximas horas, mas se quiser eu trago de volta para o dono do tênis.

- Nossa, isso não pode acontecer. Vou falar com a dona do restaurante.

E ele levou para a mulher a metade do cadarço. Depois voltou e disse:

- Na hora de pagar, identifique-se para a dona do restaurante porque ela já sabe o que aconteceu.

Claro que ele não usou o termo “identifique-se”, mas foi isso que eu fiz.

- Boa tarde, eu sou a moça do cadarço – falei no caixa, na intenção de não pagar pela comida mal temperada.

- Cadarço? Que cadarço? – respondeu a proprietária da espelunca, se fazendo de desentendida.

- O que veio no meu arroz com cenoura. Não sabia que hoje era dia de comida indiana aqui.

Aí ela se mostrou um pouco irritada:

- Olha, você vai pagar ou não vai?

- Achei que não fosse precisar, já que não comi. Tenho que pagar a mais pelo cadarço também?

- Moça, paga logo.

- Sua filha da puta do caraleo. Você sabe com quem está falando? – e dei um jab e um direto nela.

Então eu paguei, mas jurei para ela que ia colocar a história aqui no blog. Como ela nunca ouviu falar do Eneaotil, nem ligou.

**

Ah, o nome da espelunca é Reserva Pinheiros e fica na Rua dos Pinheiros, nº 754.

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Almoço desgosto

25 Janeiro, 2008 · 7 Comentários

Subi até o Hortifruti aqui do lado de casa para comprar arroz arborio, com a idéia de fazer um risoto de camarão e outro de funghi. Segundo o Zé, vizinho que também trabalha comigo, o Hortifruti é o lugar mais caro do mundo.

Rodei pelos corredores e nada do tal arroz. Parboilizado, integral, tipo 1, tipo 2, tipo 10, de tudo quanto é tipo, menos o que eu queria.

- Tem arborio? – perguntei para o estoquista.

- Sim, senhora. Só da marca La Pastina.

A La Pastina é aquela marca que serve para enfeitar o supermercado, tipo a Barilla. Você sabe que é uma delícia porque já ouviu falar, mas nunca nem tocou porque tem vergonha na cara o seu salário não permite.

- Está R$ 12,99, senhora!

- Q? R$ 12,99 pra comer arroz? Nem se tivesse um salmão cru em cima, meu filho.

E saí batendo o pé daquele lugar, com o discurso do “não piso mais aqui porque já já vocês estarão cobrando até para respirar”.

O meu plano B foi continuar subindo a ribanceira da Avenida Pompéia até o Pão de Açúcar, o lugar de gente feliz. Por sinal, eu estava com meu chinelo que peida, mas esse detalhe não tem nada a ver com o que eu estou tentando contar. E o que eu estou tentando contar é que eu cheguei na porra do Pão de Açucar, vinte minutos depois, e a merda do arroz arborio estava R$ 20! VIN-TE RE-AIS!

- Putaquel, meu. Só tem esse arroz do tipo assalto? – perguntei para o “gerente do setor”.

- Ah, sim. A gente trabalhava com uma marca mais barata, a La Pastina, conhece? Mas acho que paramos de receber.

Xinguei até a 10ª geração do Seu Abílio, desejei que ele tivesse trombose no saco e voltei na bosta do Hortifruti. Peguei um saquinho com 20g de funghi seco a R$ 10 e o tal arroz de R$ 12,99. Ainda olhei para o estoquista e fiz cara de mulher-fina-que-come-La-Pastina. Porque a gente é trouxa, se fode e fala palavrão pra caraleo. Mas sempre com glamour.

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