Eneaotil

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27 Outubro, 2008 · 4 Comentários

Eu não costumo colocar propaganda de empresas, principalmente as que escravizam crianças vietnamitas na feitura de bolas de capotão para escolas municipais, mas dane-se tudo isso. Esse vídeo mereceu. Porque é maior do que a Nike. É Corinthians!

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Só pra quem é

26 Outubro, 2008 · 9 Comentários

Foto de Daniel Kfouri

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Algumas considerações

13 Junho, 2008 · 21 Comentários

O futebol nos deixa mais reacionários. Eu mesma me vi, diante da televisão, pedindo para os enfermeiros desligarem os aparelhos do Suassuna quando ele apareceu dizendo que o Sport ia ganhar de 3 a 0. Logo eu, que sou fã do Suassuna. E saí do jogo com tanto ódio no coração que se encontrasse o Chico César na rua o esquartejaria só por parecer o Carlinhos Bala.

Claro que há o limite do bom senso, entre outros fatores que salvariam a vida do Chico César em um caso desses. Até porque, apesar do futebol despertar os meus instintos mais primitivos, eu costumo levar a sério o que é para ser levado a sério.

Se a gente gastasse a mesma energia que gasta para responder às brincadeiras com algo realmente importante, a história do futebol seria completamente diferente. Os clubes seriam melhor administrados, os torcedores seriam melhor tratados, as partidas seriam melhor jogadas e todo mundo seria feliz para sempre.

O que fode com o mundo é o politicamente correto. É a gente, por exemplo, [piada] não poder chamar um são-paulino de bambi sem causar uma passeata na Paulista pelos direitos dos homossexuais [/piada]. É não poder chamar um juiz de filho-da-puta durante uma partida sem ser acionado pelos sindicatos das prostitutas. Bem fizeram os palmeirenses que incorporaram o apelido de gosto duvidoso, porque eu aprendi que quando a gente ri de si mesmo não dá chance para o outro rir.

No futebol, juiz é ladrão, são paulino é bambi, corinthiano é gambá e palmeirense é porco. E isso não quer dizer que eu exalo um cheiro repugnante por aí, nem mesmo depois do Kung Fu. Não é homofobia, não é preconceito, não é descrença, não é falta de banho. É PIADA. Não significa que eu saio por aí socando gay na Praça da República com meus amigos skinheads, nem que eu não me sento ao lado de palmeirense no ônibus porque vou ter ansia de vômito. Nem que, por ser corinthiana, sou analfabeta ou bato carteira no centro da cidade.

Dito isto, espero que algumas pessoas consigam ler novamente o e-mail do Gustavo e interpretar de outra forma. Menos séria, menos ofensiva, menos politicamente correta. Afinal, se você prestar atenção, este não é um blog que prima em ser politicamente correto.

E só para lembrar: figuras de linguagem, tal qual a ironia, é conteúdo ensinado no ensino fundamental. E olha que estudei em escola pública.

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Subject: Fazer o que?

12 Junho, 2008 · 38 Comentários

Recebi esse e-mail do leitor Gustavo Jauru. Gostei muito, então vou publicar aqui. Obrigada, Gustavo. Grande beijo aí para os Estados Unidos e força para você também.

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Gostaria de desejar bom dia para você, Leonor, mas infelizmente, devido ao ocorrido com o nosso time e a atuação do homem de preto…não posso.

Leonor, também fiquei triste, mas acho que ficamos mais fortes depois da queda. O que é uma derrota depois da decepção de 2007? Não consigo me lembrar de um dia em que senti tamanho vazio e tristeza, nem mesmo nas 2 eliminações nas Libertadores pra eles (não menciono o nome daquele time de camisa de “cor ecológica” ou do “time do laticínio”…aiaiai..porque isso me faz lembrar o Paulista de 93??) ou na perda de um parente (INSANO ISSO, NÃO???). Não sei você, mas acho que só sentirei o mesmo gosto amargo se perdermos uma Final de Libertadores em nossa casa (Pacaembu)!

Você já percebeu o que esse Time faz com as pessoas? Independente (palavra inapropriada para o momento, eu acho) da idade e da condição social, todos somos, de alguma forma, afetados (palavra derivada do Latim, utilizada para se referir a um pequeno grupo de indivíduos da Vila Sônia mais conhecidos nos inferninhos por Bambis e famosos por seu melindre) por essa entidade chamada SCCP. Um exemplo é meu primo (na casa dos 40 anos, hipertenso por causa do Timão, casado, com um monte de contas pra pagar, pai de uma filha de 12 anos, diabética desde os 4 anos). Ontem liguei pra ele para compartilhar o meu luto e tive que ouví-lo chorar como se fosse um molequinho de 7 anos. E pra aumentar o seu desgosto, foi obrigado a assistir ao jogo “ao nível do mar” (cidade dormitório e local de recreação dos paulistanos nos momentos de folga), na casa da sogra!! E não posso deixar de mencionar o meu exemplo. Estou morando nos EUA, mas ao contrario dos outros “Brasucas” que carregam a bandeira e a camisa do Brasil, eu visto o Manto Sagrado Alvinegro e saio “despeitado”, mostrando para quem estiver na minha frente “o” motivo de orgulho do paulistano. Outro dia, para variar, vesti o Manto e saí pra rua e, numa cidadezinha de 40 mil habitantes no meio do estado de Indiana, encontrei um argentino com a camisa azul da seleção deles com o nome do TEVEZ nas costas! O cidadão ficou me encarando, mas como Corinthiano nao é baba-ovo, nao dei moral pro cara! Acho que ele tava com vontade de propor uma TROCA de camisas! Como Corinthiano também não curte esse tipo de prática (também oriunda da Vila Sônia), não ia rolar se fosse proposta.

Brincadeiras à parte, Leonor, estava ouvindo umas músicas que acho que podem ser bons textos para o seu blog, especialmente numa hora difícil como essa. É uma música do Gilberto Gil (1984) chamada “Corintiá” e a outra é “Meus Vinte anos”, de Paulinho Nogueira.

Leonor, faça uma compilação de todos seus blogs, passe um filtro pra não te comprometer, e publique um livrinho de bolso. Para baratear, faça em papel jornal ou “paperback”, como se vende aqui nos EUA. Eu compraria fácil.

Boa recuperação e muito “saco” aí no Brasil pra aguentar a porcada, a bambizada e o povo do asilo amanhã!

Ah, tá “desculpada” se não tiver inspiração para o ENEAOTIL por uns 2 meses…

ABS

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Amor eterno

29 Maio, 2008 · 29 Comentários

Eu achei que eu fosse morrer solteira, aos 70 anos, chacinada do lado do Júlio em um bar da Zona Leste por não ter pagado a conta. Mas meu destino é outro e já está escrito desde que eu nasci: eu vou ser daquelas velhinhas, torcedoras símbolo do Timão (já tenho até nome bom pra isso: “Lá vai a Dona Leonor da Fiel, corinthiana apaixonada…”). Vou participar de tudo quanto é Mesa Redonda, com um terço enorme no pescoço, vou aparecer todo domingo na televisão. Perder nas minhas pelancas as tatuagens sobre o Corinthians, assistir os jogos de joelhos rezando para São Jorge, com uma vela acesa nas mãos. Usar um chapéu de mosqueteiro, brincos com o escudo, ser filmada pela Globo todo jogo batendo no peito com orgulho de ser Coringão. E um dia o coração vai parar, bem ali, aos 75 anos, na arquibancada do Pacaembu (porque o Corinthians ainda não vai ter estádio). Diante de 40 mil torcedores enlouquecidos e 60 milhões de corinthianos vendo o jogo pela TV, eu vou rolar pelos degraus amarelos até o alambrado. Vou cair de bruços, vou causar comoção, os Gaviões vão fazer um minuto de silêncio. E quando os paramédicos me virarem de frente e eu aparecer na Globo pela última vez, o Galvão vai narrar (caquético, aos 125 anos, mas ainda vivo) o meu sorriso. E todo mundo vai saber que só quem é corinthiano (até depois de morto) é que é feliz.

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Diretas já

24 Março, 2008 · 3 Comentários

Hoje o Conselho do Corinthians votará o novo Estatuto que pede, entre outras questões, eleições diretas no clube. Quem não estiver à beira de uma falência múltipla de órgãos, favor comparecer na porta do Parque São Jorge.

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Pagou peitinho

25 Fevereiro, 2008 · 2 Comentários

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Do Lancenet de ontem. E 12 horas depois ainda está lá.

* Lembrando que o P e o F ficam muito longe um do outro no teclado, o que nos dá a certeza de que o repórter estava fazendo sexo virtual pensando em peitos.

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Melhor universidade de marketing do Brasil: Corinthians

21 Fevereiro, 2008 · 3 Comentários

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Longe de mim puxar a sardinha para aquela ou essa diretoria, porque no dia em que eu virar diretora de algo deixo de gostar de mim mesma. Mas não dá para negar que o Corinthians se transformou no melhor curso à distância de marketing do Brasil (porque basta ler os jornais para aprender um pouquinho).

- Estréia da TV Timão ontem: 1 milhão e cem mil acessos.

- Possibilidade de estádio estampando a capa dos principais jornais e sites de São Paulo.

- Emissoras ficando de cabelo em pé com a grana que o Rosenberg está pedindo para a transmissão dos jogos da série B. E a Globo vai pagar, quem duvida?

- Lançamento do plano da Medial Fiel Torcedor, com boa parte da grana revertida para os cofres do clube.

- Aumento da porcentagem na manga da camisa: de 15% para 35%.

- Rosenberg defendendo a volta das bandeiras e da cervejinha nos estádios.

- Pacotes de ingressos com descontos no Campeonato Paulista.

- Lançamento do plano de sócio-torcedor para os corinthianos.

- Assessoria mandando nota para divulgar até a cor da calcinha da Marlene Matheus no dia.

E a gente só espera que tudo isso não sirva para pagar o tratamento de pele do Andres Sanchez.

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Aí ontem, um amigo* ouvia a rádio Globo depois da vitória do Corinthians, quando um repórter de campo perguntou para o técnico Mano Menezes:

- Devagarzinho, ganhando um jogo aqui, empatando outro ali, o Corinthians vai chegando, né, Mano? Poderia até dizer que de grão em grão a galinha enche o papo.

E o Mano respondeu:

- Os pontos sim, são somados, mas galinha não. Aqui é gavião!

* valeu, Kleber, pela informação.

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Jogo de macho

14 Janeiro, 2008 · 7 Comentários

De uns anos para cá, nem parecia que era jogo de futebol, mas de basquete. E não era por causa de gol de fora da área que valia três pontos, porque mal teve gol, pra falar a verdade. O que me confundia era a numeração das camisas. Por vezes eu me peguei pedindo para o ala-pivô avançar e meter uma caixa.

Sai o Camisa 10, entra o Camisa 47. “Puta merda, é muito loser um sujeito que joga com a Camisa 47″, eu pensava. E deu no que deu: a síndrome de loser era tão grande que o Corinthians foi rebaixado. Porque ninguém me tira da cabeça que um cara entra em campo desmotivado vestindo a Camisa 47, afinal todo pai de filho varão sonha em ver seu mini-craque um dia vestindo a Camisa 10! O 10 de Pelé, de Maradona, de Neto. O DEZ! E os longuissíssimos qua-ren-ta e se-te de quem mesmo?

Mas, enfim, o pesadelo acabou e o Corinthians redefiniu os números das camisas. E entra em campo em 2008, com o time (por favor, reparem na numeração e não nos craques):

1- Felipe
2- Eduardo
3- Chicão
4- William
5- Alessandro
6- Éverton
7- Éverton Santos
8- Perdigão
9- Finazzi
10- Acosta
11- Marcel
12- Weverton
13- Amaral
14- Cristian Suárez
15- Marcelo Oliveira
16- Valença
17- Herrera
18- Lima
19- Lulinha
20- Carlos Alberto
21- Bruno Octávio
22- Júlio César
23- Dinélson
25- Fábio Ferreira
26- Rafinha
27- André Santos
28- Nilton
29- Héverton
30- Carlão
31- Dentinho

Vinte e dois, Vinte e três, vinte e cinco! E me disseram que Camisa 24 é coisa para quem joga de salto alto lá na Zona Sul e é patrocinado por vendedor de kibe.

Eu sei, faz parte do folclore do futebol e eu nem deveria gastar meu olhar crítico. Só que; em um meio onde somando as massas encefálicas (de torcedores, jogadores, administradores e imprensa esportiva) não seria possível nem alimentar uma família de 3 macacos babuínos; essa homofobia é muito perigosa.

‘Bora lá, rapaziada, rumo à Idade da Pedra Lascada, com uma clava na mão e a outra arrastando no chão!

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Aí os jogadores do Corinthians foram fazer exame de sangue nesse fim-de-semana:

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Um ano novo para um novo Corinthians

3 Dezembro, 2007 · 15 Comentários

Aí teve gente que fez promessa, gente que raspou o bolso e foi para o Sul, gente que se reuniu com os amigos em um bar, gente que se trancou sozinho no quarto e até agora não saiu de lá. Gente que nunca acreditou em Deus e passou um mês inteiro indo à missa de domingo, gente que bebia todos os dias e ficou semanas e semanas sem colocar uma gota de álcool na boca. Teve gente que prometeu ser uma pessoa melhor, se dedicar mais a família, reclamar menos do patrão, pagar as dívidas, ser mais educado com o vizinho, dar bom dia para o pessoal no ponto de ônibus, rezar com mais freqüência e agradecer mais ao invés de só pedir para o santo. Espalhados pelo mundo todo, 30 milhões de corinthianos movidos pela esperança.

Então aconteceu aquilo que aconteceu e eu não gosto nem de pensar, de lembrar e não me atrevo a dizer em voz alta. Aquilo que está difícil de acreditar, de engolir e de digerir. E hoje, que por ironia do destino é uma segunda, o dia mais odiado de toda a semana, estou aqui contando meus cacos.

Segunda-feira, 3 de dezembro de 2007, feliz ano-novo. O meu 2008, como corinthiana que sou, começa hoje. E como em todo ano-novo, eu refiz meus planos e decidi pagar minhas promessas. Uma semana inteira, em qualquer ocasião, usando pelo menos uma peça de roupa do Corinthians. Traje obrigatório durante essa semana: preto e branco. Até o sapato. Assim que sobrar um tempinho, vou até o Rio de Janeiro mandar rezar uma missa na igreja de São Jorge e vou subir a igreja da Nossa Senhora da Penna, também no Rio e não é a igreja da Penha, com a minha camiseta do Corinthians, aquela que eu acredito que dá sorte, só pensando em boas coisas. Logo eu que nunca fui nada religiosa.

E vim para o trabalho (trabalhar no primeiro dia do ano é dureza!) fazendo uma listinha do que eu espero para o próximo ano. A primeira coisa é que a minha geração transforme a desgraça em princípio, exatamente como fez a geração dos corinthianos dos quase 23 anos de fila. Que a gente, que se acostumou a ganhar pelo menos um título por ano, entenda que os fins não justificam os meios e que vencer a qualquer custo não vale a pena, porque o custo, no futuro, é sempre grande e dolorido demais. Que a minha geração aprenda que perder com dignidade é muito mais bonito do que, depois de uma vitória, a completa humilhação.

Que a gente não se conforme com o sofrimento, que o nosso povo só se orgulhe de ser um povo sofrido depois de ter lutado e muito.

Que a gente busque a história do Corinthians, leia, entenda, se informe e conheça.

Que a gente aproveite um ano todo na série B para reivindicar horários mais dignos das partidas, para que não obedeçam a programação de nenhuma grande emissora brasileira.

Que a gente reveja as nossas ações, o nosso compromisso e responsabilidade com o futebol, que também está para além do Corinthians.

Que a gente não aceite mais o modelo administrativo que está colocado para os clubes. Que a gente se rebele, que a gente cobre, que a gente fiscalize, que a gente diga não.

Que a gente se associe ao clube, pague a mensalidade, freqüente as dependências, se inteire sobre a política interna do Timão.

Que a gente lute por eleições diretas, que a gente exerça o nosso direito de escolher os dirigentes.

Que a gente olhe as contas do clube, que a gente se reúna, que a gente converse, que a gente discuta, que a gente proponha soluções.

Que a gente lute por uma Copa do Mundo 2014 não elitista, digna, que envolva nas discussões, sobretudo, o direito dos torcedores.

Que a gente não perca a nossa fé, mas que não deixe só nas mãos dos santos para resolverem nossos problemas. Que a gente não queira resolver nossos problemas, não só no futebol, de última hora.

Que a gente também tenha fé no ser humano, em nós mesmos. Que a gente se comprometa conosco, com nossas vidas e que cumpra essas promessas.

Um trabalho longo pela frente, mas sobre outros pilares, com bases mais sólidas e princípios mais dignos. Feliz ano-novo, nação corinthiana!

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