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Sobre ser Top 10

1 Setembro, 2008 · 20 Comentários

Fosse na década de 90, durante a minha adolescência punk-metaleira-rebelde, eu cuspiria na cara do Gravata só por me convidar para integrar uma lista das dez blogueiras mais bonitas do Brasil. Se me incluísse, então, teria as bolas arrancadas com uma pinça. Porque naquela época ser vista como uma menina bonita era mais ofensivo do que ser chamada de baranga. “Bate na minha mãe, passa a mão na bunda do meu pai, mas não me chama de bonita, afinal, as feministas não lutaram tanto nos anos 70 por direitos iguais para serem só um rostinho bonito e blá blá blá blá.”

Sorte do Gravata que nos anos 90 não existia blog. E se existisse eu não teria nem a pau e boicotaria a internet por ser uma invenção estadunidense para continuar com sua hegemonia diante dos países do terceiro mundo (mesmo que conectasse escondido e desejasse, bem lá no fundinho, ser vista como uma menina bonita – mas eu disfarçava bem debaixo de um coturno sujo).

Com o passar dos anos, a gente começa a ver a vida de uma maneira mais leve. Não deixa de lutar por aquilo que acredita, pelo contrário. Mas aposenta o coturno que machuca e deforma o pé e até arrisca um saltinho, bem pequenininho, de vez em quando. Entende que elogio, seja ele qual for, é sempre o melhor de ouvir. E que é a parte boa de um senso crítico, igual ao que te acompanha desde a adolescência. Aí, minha gente, qualquer paixão diverte e você acha legal integrar as TOP 10, mesmo que tenham sido escritas pela sua mãe: das mais bonitas, das mais engraçadas, dos melhores blogs, das mais simpáticas, das mais divertidas, das melhores companhias, dos amores da vida, das mais inteligentes, das mais irônicas, das mais ácidas, das mais revoltadas, das mais críticas.

Por isso, só tenho a agradecer por ter sido incluída na lista das dez blogueiras mais bonitas do Brasil, ali no blog do Gravata. Obrigada à Gabi, que me indicou; obrigada ao Gravata, que concordou com a indicação; e obrigada ao Doni pelas palavras carinhosas e generosas. De quebra, ainda fiquei amiga do Gravata, que integra o meu TOP 10 de amigos mais legais e talentosos dos últimos tempos.

Para quem discorda da lista, isto é um direito. Para quem acha uma tremenda babaquice, também é um direito, mas fique atento. Só xingar; só ver defeito; só achar que tudo é uma merda; isto é coisa de adolescente. E se você já passou dos 18 anos (tá bom, vai, dos 20), segue a lista dos 10 melhores terapeutas do Brasil.

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Tentando melhorar os meus defeitos e respeitando as minhas qualidades.

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Fodeu, me rendi ao sistema!

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Só um adendo: queria agradecer as indicações do Mark, editor da Paradoxo; da Ana Martins; e da Ana Freitas, para o Eneaotil, no Blogday. Depois vou brincar de fazer a lista dos meus blogs preferidos, mesmo que atrasada.

Categorias: Amigos
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Nomes e apelidos

28 Agosto, 2008 · 42 Comentários

Texto publicado originalmente em Os Martin e Os Macedo.

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Eu sempre fui a única Leonor da classe porque se esse nome um dia esteve na moda deve ter sido por meados de 189o. Nunca conheci ou soube de uma Leonor que tivesse menos de 80 anos e me acostumei a sempre ouvir um “É o nome de minha tia-avó” toda a vez que contava como me chamava.

No começo não foi nada fácil. Me lembro do trauma que eu tinha toda vez que a professora fazia a chamada ou falava meu nome na brincadeira de roda:

- Se eu fosse um peixinho e soubesse nadar, eu tirava a Leonor do fundo do mar…

E vinha uma dor forte no fundo do peito.

Quando era pequenininha, ainda no pré, eu queria me chamar Ana. Simples, só três letras. Não conseguia entender como a minha mãe podia ter me batizado Leonor se existia A-N-A. A solução era dizer o apelido:

- Pode me chamar de Lelê!

Foi dado pelo meu irmão ainda pequenino. O Rodrigo não tinha nem dois anos quando nasci e mal sabia falar. Então era “nenê” para lá e “nenê” para cá. Minha mãe logo percebeu que isso viraria um apelido e pensou:

- Minha filha ficará velhinha e só será chamada de Dona Nenê. Ri-dí-cu-lo.

Mamãe pensava mesmo na minha velhice, visto que meu nome será perfeito quando eu me tornar uma tia-avó. Aí ensinou meu irmão a me chamar de Lelê e o apelido pegou.

Foi já na adolescência que passei a ouvir meu nome de maneira diferente. Naquela fase umbiguista, onde a gente se sente mais especial do que os outros, únicos. E eu era mesmo a única Leonor, o que fazia todos lembrarem de mim e do meu nome esquisito anos depois.

O nome completo pode parecer pior: Leonor Maria Martin de Macedo. Uma porção de EMES e um Maria ainda por cima. Eu gosto de Maria, mas só Maria. No máximo um Maria Luíza, porque Luíza combina até com paçoca.

O Martin é da família da minha mãe, o Macedo é da família do meu pai. Espanhol com Português, o que me faz ter uma quantidade de pêlos aceitável pela Vigilância Sanitária, porque os espanhóis quase não têm pêlos pelo corpo. Quanto pelo nessa frase, meu deus.

Leonor é o nome da minha avó, mãe da mamãe. Daí que veio a idéia de batizar uma criança com nome de avó. Quando mamãe estava grávida de mim, pensava em me chamar de Juliana, mas com a pronuncia espanhola, o que me renderia um Ruliana. Deve ser desejo de grávida. Só que as pessoas acabariam me chamando de Juliana com jota mesmo porque moramos no Brasil e Juan (Ruan) vira Juão.

Não cheguei a conhecer a vovó Leonor, ela morreu antes do meu nascimento. Ainda nova, por uma barberagem médica. Então mamãe quis fazer uma homenagem, só que meu avô não gostou da idéia:

- Toda vez que olhar para sua filha vou lembrar da minha esposa e chorar de saudade.

Por isso o nome composto, Leonor Maria, já que ele poderia me chamar de Maria. Por coincidência, Maria era o primeiro nome de minha avó paterna. Dona Maria Stela. Aí eu fiquei com o nome das minhas duas avós como herança.

Desde o primeiro dia do meu nascimento, vovô Abdon nunca me chamou de Maria. Era só Leonorzinha, seguido de um sorriso largo no rosto. E eu penso, 24 anos depois – quase 25 -, que eu não poderia ter sido batizada de maneira diferente. Ser Ana seria muito sem-graça.

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Essa é a história original do meu nome, mas para simplificar eu ando contando por aí que a Dona Rose me batizou com o nome da mãe de Miguel de Cervantes (o escritor de Don Quixote). O pai de Cervantes se chamava Rodrigo, nome do meu irmão. Faz todo o sentido.

Categorias: Família
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1985

7 Março, 2008 · 8 Comentários

Consta que sou eu, chorando porque não queria tirar photographia. A foto está amarelada, eu costumava andar mais limpinha.

eu.jpg

Categorias: infância
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