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Grão Mala

22 Julho, 2008 · 10 Comentários

Ontem fui na academia assistir a uma palestra dada pelo Grão Mestre do nosso estilo de Kung Fu. Ele será o responsável por disseminar o estilo pelo mundo depois que o mestre do mestre do mestre do mestre do mestre do mestre do mestre do mestre da família Hi Pin Shan Lin Choy Quae Ming morrer.

Foram duas horas e meia de discurso sobre o mestre do mestre do mestre do mestre do mestre do mestre do mestre do filho do mestre do mestre do mestre do Sul da China que foi perseguido pelos romanos? por Adolph Hitler? por Mao Tsé Tung? por Hi Pin Choy Quae Lin Fut Iet Tchek, na dinastia Vader, em 12 mil a.C. Uma história cheia de emoção, angústia e carneirinhos pulando a cerca, contada em inglês com sotaque chinês e traduzida simultaneamente para o português pelo Sifu.

Saudade do Pai Mei…

O caso é que o Grão Mestre é tipo um filho do filho do filho do filho do filho do filho de uma suruba entre a Glória Maria, o Renato Gaúcho e o Fidel Castro. Isso porque o cara fala mais que a boca, nunca revela a idade e se acha o rei da cocada preta. Mas como a gente sempre deve dividir conhecimento, trouxe para vocês as melhores frases da tarde/noite/madrugada:

“Eu sou o máximo”

“Eu sou o melhor”

“Eu fui escolhido para disseminar o Kung Fu pelo mundo porque eu sou um modelo de atleta”

“Vejam meus músculos”

“Toquem nos meus músculos. Ou melhor, não me toquem”

“Eu não vou dizer a minha idade, mas veja como o Kung Fu nos conserva. Eu não sou um sujeito belo?”

“Trouxe fotos autografadas para entregar a vocês no final”

“O Kung Fu nos torna mais bonitos e mais espertos. Eu viajo pelo mundo por causa do Kung Fu. Sou belo e esperto”

“Meu time é uma bosta, fui eu que cheguei na final da Libertadores sozinho”

“Eu como muitas verduras, legumes e peixes, que pesco com minhas poderosas mãos”

“O nosso estilo de Kung Fu é o melhor”

“Eu sou o melhor. Já mencionei isso?”

***

Juro que saí de lá feliz, comendo uma caixa de BIS, pensando nos meus míseros conhecimentos de Kung Fu e na meia dúzia de lugares que já fui. Porque às vezes eu prefiro ser legal, em toda a minha mediocridade.

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Será que escrever tudo isso é considerado falta de respeito pelo mestre do mestre do mestre do mestre do mestre do mestre do mestre do mestre dos magos?

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Vou comprar uma faixa amarela bordada com o nome dela…

1 Julho, 2008 · 25 Comentários

E não é que eu sei fazer um arroz soltinho?

Quem me conhece sabe que a vontade de fazer Kung Fu para aprender a andar no teto vem de longa data. Não sei dizer de quando, mas sei que vem de muito antes daquele quadro do Bruce Lee pendurado na parede do meu quarto. Muito, muito antes de me matricular na academia. Mas um pouquinho depois do Daniel San (até porque o maricas fazia karatê).

Um belo dia, ao saltar do ônibus para trabalhar, dei de cara com uma academia de Kung Fu recém aberta, pertinho aqui da ONG.

- Deve ser cara – pensei.

Aí vi a faixa bem na porta dizendo que por seis semanas eu pagaria R$ 89 com o uniforme incluído.

- Deve ser um sinal.

Me matriculei na academia em uma sexta-feira. Na mesma sexta-feira em que meu namoro terminou. As coisas não estão relacionadas, mas permanecer no Kung Fu tem a ver. No dia seguinte, sábado, seria minha primeira aula experimental. Eu passei a madrugada sem conseguir dormir, sem acreditar em absolutamente nada, completamente vazia. Levantei cedo, toda inchada e pensei em não ir. Tomei coragem, vesti o uniforme, respirei fundo e fui.

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Claro que eu mifu no treino desde o primeiro dia. Chorei escondida no alongamento, mas foi de dor mesmo. Aprendi a socar com força, a chutar com mais força ainda e pensei que tudo tem sua hora certa porque se eu tivesse aprendido algumas coisas um pouquinho antes, o meu ex tinha virado uma paçoca.

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Nesse mesmo sábado, saí do treino feliz por cinco minutos, dei a partida no carro e chorei tanto que tive de parar o meu Corsinha de novo, sob o risco de atropelar uma feira inteira na Mourato Coelho.

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Ainda não aprendi a andar no teto, mas ontem cheguei na 2ª etapa: a faixa amarela. Agora serão cinquenta flexões em punho, mais chutes, mais socos, mais defesas pessoais, kati, mais bloqueios, mais posições, mais alongamentos, mais aberturas, mais sacrifício, mais aulas às 5h30 da matina, mais botecos depois da aula (quando vou treinar à noite), mais doces da doceria em frente, mais amigos, mais risadas.

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Ah, e não vou dar o nome da academia Tat Wong para não parecer post pago.

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Aí sou eu fazendo defesas pessoais com o Thiago (percebam que chamo ele pro pau em determinado momento):

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Aí sou eu, de unhas pintadas na posição de guarda:

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Aí sou eu, equilibrando um bastão nas pernas, na posição do cavalo, com garbo e elegância:

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E a lição do dia é: saca aquele seu sonho infanto-juvenil? Pois bem, vale a pena despendurá-lo da parede (principalmente quando ele custa R$ 89 com uniforme incluído). Mifu, gente. Mas com glamour.

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