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Virada Cultural 2009: eu vou!

28 Abril, 2008 · 35 Comentários

“Puta balada louca!”
Renatinho, mestrando na USP

Faz parte do projeto “Tocando a Vida pra Frente” aceitar diferentes tipos de propostas para sair vindas das mais variadas pessoas. Exatamente por isso que eu me enfiei na Praça da República com o Júlio e o Junior, uma da manhã, para ver o Paul Dianno, na Virada Cultural.

Paul Quem? Dianno. Ex-vocalista do Iron Maiden, que apostou na sua carreira solo e decidiu deixar a banda para o Bruce Dickinson, pouco antes de ela se tornar um dos maiores grupos de Heavy Metal de todos os tempos.

- Ah tá.

E eu não sei o que é mais Putaqueopariu nessa história: se foi a decisão infeliz desse velho rockeiro, se foi ter ido na Praça da República à uma da manhã, ou se foi ter ido na Praça da República à uma da manhã para ver esse velho infeliz que não sabe tomar decisões na vida.

Enfim, eu fui. Não sem antes separar o meu kit sobrevivência: uma touquinha do Timão e um treis-oitão e o meu celular que vale R$ 10. Só que esqueci a touquinha em casa, então tive de contar com meus parcos conhecimentos de três semanas de Kung Fu.

Passamos na Paulista, enchemos a cara de Guinness (porque eu sou fina), encontramos umas pessoas e descemos de metrô para o centro. Três malditas baldeações depois, descemos na Praça. O Paul Dianno já se esgoelava no microfone, mas eu e Júlio precisávamos entrar em algum lugar para fazer xixi.

Paramos em uma pizzaria em frente e o garçom sorriu um sorriso malévolo quando pedimos para usar o toilette:

- Claro! Siga em frente, à direita.

Em frente, à direita, tinha uma fila de semifinal de Libertadores (que foi até onde eu já cheguei), unissex, porque havia um único banheiro para homens e mulheres. E quem já viveu mais de 8 anos sabe o que isso significa: chão e paredes pintados de pelo menos três cores diferentes – vermelho, amarelo e marrom.

Dentro do banheiro, tinha três portas para tentarmos achar o Dynavision escolhermos onde fazer xixi. Atrás da Porta de número um, tinha um sanitário sem privada com a pia vomitada. Atrás da Porta de número dois, tinha uma monga privada cuja descarga não funcionava. E atrás da Porta de número três, tinha umas pessoas presas, porque a fechadura emperrava e não abria mais.

Não sei qual seria a decisão de vocês, mas eu decidi que nunca vou pedir uma pizza nesse lugar.

***

Quem já passou pela Praça da República durante o dia sabe que lá não é um lugar onde se senta para namorar e apreciar a natureza por pelo menos três motivos:

  • os batedores de carteira;
  • o cheiro de cocô e xixi daquele lugar;
  • o cheiro insuportável de cocô e xixi daquele lugar.

Isso quando a Praça só é habitada pelos moradores de rua, então pensem em um lugar assim, de madrugada, com a presença de uns 300 mil metaleiros, que já não são tão cheirosos por natureza. Respirei fundo, derrubei uma lágrima pelo meu sapatinho de cristal all star branco e velho, fiz o sinal da cruz e pisei na República.

Alguns mendigos olhavam tudo do lado de fora, sem entender muito bem o que tinha acontecido com sua casa. Vi uns casais trepando na grama que eu não ousaria sentar nem se tivesse passado o dia em pé e de salto. Vi uma menina com uma tiara de chifrinhos que acendia. Vi o Slash e o Axel Rose, cada um em cima de uma árvore diferente. Vi o Paul Dianno. Enfim, vi tantas coisas em uma só noite que foi difícil dormir quando cheguei em casa e talvez seja difícil dormir pelos próximos meses.

***

- Você é melhor que o Dickinson! – gritou o Júlio.

- Você é pior que o Blaze! – eu fui cruel.

Porque ninguém é pior que o Blaze cantando, nem eu.

***

O show foi até bastante divertido. O som estava uma bosta, mas talvez não fosse o som, fosse o Paul Dianno mesmo. Ele cantou as músicas do Killers, que é um bom álbum, mas não faz parte da trilha sonora da minha vida. E o público só foi ao delírio quando ele tocou Ramones (!!!).

Contando tudo isso, parece que Paul Dianno na República à uma da manhã nem de graça, né? Mas, juro, se tiver de novo, eu volto. Só pelo Ramones.

***

No domingão, depois do almoço, passei na casa do Renatinho, meu amigo sambista, da Ala de Compositores do Camisa, do finado Clube do Dendê, enfim, o Renatinho. Fui dar uma volta com ele pelos palcos montados no Centro.

Às 16h, o Lobão ia tocar também na República e eu queria ver o Ministro de Minas e Energia nematelminto botando pra quebrar. E ele não decepcionou: tocou todos os seus seis clássicos, xingou a minha mãe e agradeceu pela “paudurecência” dos presentes na República.

- Mãe, o que é paudurecência? – perguntou um menininho do meu lado para sua progenitora.

- Pergunta para o papai – ela respondeu.

Ainda bem que o Lucas não foi.

A certa altura do campeonato, Lobão largou a guitarra e fez uma versão acústica de todos os seus quatro maiores sucessos mela-cuecas:

A chuva dá saudades
De um lugar que eu nunca fui
E o vento vai soprando
Um choro tão distante”

- Putaqueopariu!

Aonde está você?
Me telefona
Me Chama! Me Chama!
Me Chama!…”

- Ai, cacete!

Você está me convidando
Menina quer brincar de amar
Você esta me convidando
Menina quer brincar…”

- Vou ali cortar os pulsos, Rê. Me dá uma licença.

E depois,
A luz se apagou
E eu não consigo mais ficar sozinho aqui
Sem você é tão ruim, não tem sentido, prazer
Não há nada
Por favor,
Não me interpreta mal
Eu não queria nem devia te magoar
O vento vem, o tempo vai
Passa por mim meio assim, meio assim devagar

Vou dormir sentindo
O que a solidão pode fazer
A um ser ferido, por saber que o erro era meu (só meu)
Já passou,
Agora já passou
Mas foi tão triste que eu não quero nem lembrar
Ver você, ter você
E querer mais de nós dois não tem nada demais
E pensar
Você aparecer
Pela janela tão bonita de manhã
Vem pra mim e não vai mais
Me abraça, me abraça, me abraça
Por tudo que for…
Ouh ouh ooouuuhhhh”

- Socorro, Dianno!

***

Depois o Lobão teve piedade dos fodidos que terminaram seus relacionamentos há três semanas e tocou Vida Bandida: Sangue e porrada na madrugada!

***

Claro que a organização da Virada Cultural pensa em tudo, até nos fodidos que terminaram seus relacionamentos há três semanas. Em seguida ao Lobão, subiu no palco o Ultraje a Rigor.

Já não sei se quero, acho que não quero, me cansei de namorar”

- Yeah!

Filho da puuuuuuuuuuuuuuuuuuuuta, é tudo filho da puta!”

- Yeahhh!

Eu não sou seu, eu não sou de ninguém, você não é minha, eu não tenho ninguém”

- Yeaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhh!

Bum Bum Bundão!”

- Yeahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!

Nem precisou tocar Eu Me Amo. Saí da Virada Cultural absolutamente de alma lavada (só de alma, gente, porque o resto vai ter que ficar de molho por dez dias na cândida). Feliz demais com a minha paudurecência!

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Mambo Number 666

18 Abril, 2008 · 6 Comentários

Tenho uma amiga jornalista, cujo nome será preservado, que não entende nada de rock e foi mandada para cobrir o show do Iron Maiden. Aí, no dia seguinte, a comunidade metaleira pôde ler em seu jornal: “o público foi ao delírio quando a banda tocou o clássico The Mambo Of The Beast. Isso aconteceu mesmo, juro!

*Sei que isso é um Mariachi, mas eu entendo de photoshop tanto quanto minha amiga entende de rock!

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Juno

3 Março, 2008 · 7 Comentários

juno.jpg


Nem sei se era um filme de chorar ou de rir, mas chorei horrores. E não foi porque fiquei triste vendo a história de uma adolescente que engravida sem querer e quer doar o filho, mas porque, exceto pela parte de doar o filho, Juno me fez lembrar muito da minha experiência. Talvez um dia eu escreva sobre ela, mas não vai virar um roteiro tão legal e premiado quanto o da Diablo Cody.


***


Antes de assistir, li essa crítica publicada no Estadão pelo Rafael Barion na sexta anterior ao Oscar que me ajudou a enxergar Juno de uma maneira especial. A mais legal que li sobre o filme.


Por um par de pernas

JUNO – Mimado: o filme da adolescente que engravida concorre a quatro Oscars. Castigo: muita expectativa pode estragar o que ele tem de divertido

Rafael Barion

Foram as pernas aí ao lado – combinadas a uma poltrona confortável e à gravação certa de Astrud Gilberto – que fizeram Juno perder a virgindade e ganhar a barriga ali de baixo. E são unhas, você vai ver, que farão com que ela leve a gravidez adiante e procure o casal ideal para adotar o bebê.

Juno, a personagem, tem um problema, portanto – mas Juno, o filme, tem um ainda maior. Como uma criança mimada, a história da adolescente bem-humorada que engravida de um colega de classe sofre por excesso de atenção. Desde que estreou nos cinemas americanos, no ano passado, o longa de Jason Reitman (de ‘Obrigado por Fumar’) foi tão comentado – e elogiado – que ganhou uma fama de filme grande que provavelmente não imaginava ter de sustentar.

Assisti-lo, portanto, vai deixar você decepcionado. E isto é uma pena, pois ainda que ‘Juno’ possa não merecer o Oscar de melhor filme a que está concorrendo, também não merece ser uma decepção. Faça, então, um favor a ele (e a você mesmo): trate-o como um filme qualquer.

De início, esqueça todas as páginas de jornal e textos na internet que lhe foram dedicados nos últimos meses – se não os leu, não vá fazê-lo agora. Desconsidere as quatro indicações ao Oscar que recebeu (e principalmente a estatueta que a blogueira Diablo Cody vai ganhar pelo roteiro). Se for difícil recusar os convites para assisti-lo neste fim de semana, antes da premiação, diga que precisa rever ‘Onde os Fracos Não Têm Vez’ ou ‘Sangue Negro’, sob o pretexto de que são eles os favoritos. E dê as costas a quem se importa em discutir se o filme é melhor do que ‘Pequena Miss Sunshine’, a comédia bem-sucedida de 2007.

Depois disto, escolha uma sessão no horário que mais lhe agrade e, por favor, vá assisti-lo. Pois aqui entre nós (e tente não espalhar isto para muita gente), ‘Juno’ é um filme bem simpático. E não é só porque o personagem de Ellen Page é a melhor amiga que todo garoto gostaria de ter tido na escola. O longa tem coadjuvantes com leveza de espírito suficiente para responder à altura a todas as frases sarcásticas da garota. A franqueza destes personagens pode até fazê-lo perdoar o excesso de açúcar das canções da trilha. (E deixá-lo com a estranha impressão de que gravidez na adolescência é, na verdade, algo divertido.)


***


Eu concordo quando ele diz que a trilha tem excesso de açúcar, mas a taxa alterada de glicose no meu sangue já é herança de família. Se quiser baixar a trilha maravilhosa, dá uma passadinha no blog do Daniel onde tem o link e sua opinião sobre ela. A-m-e-i.

Categorias: Cinema
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Parágrafo 4º do artigo 6º da Lei de Murphy

2 Março, 2008 · 9 Comentários

Desde que eu me mudei para esse prédio, em meados do ano 2000, tive de agüentar por muitas e muitas noites a torcida do Palmeiras chafurdando bem aqui ao lado (e esse post se recusa a falar de futebol no dia de hoje). Não que os palmeirenses sejam numerosos a ponto de fazer um barulho ensurdecedor, mas é que o destino é tão traiçoeiro que a janela do meu quarto dá quase para dentro do estádio. Assim, por longos 8 anos eu ouvi a cantoria de meia dúzia de torcedores como se eles estivessem tocando bumbo no pé da minha cama (e esse post também não é sobre dormir e namorar com um palmeirense).

Enfim, quando eu li no jornal que o Parque Antártica seria alugado para uma série de shows internacionais, eu achei que a recompensa por tanto tempo de roncos havia chegado. Não porque o gramado do estádio seria destruído por uma porção de cabeludos metaleiros bêbados, mas porque eu poderia ouvir música por música, de graça, deitada na minha cama e longe de uma porção de cabeludos metaleiros bêbados.

Faz cerca de meia hora que o Iron Maiden está tocando bem aqui ao lado, com suas guitarras elétricas plugadas em  amplificadores com milhões de watts de potência, e eu não escuto N.A.D.A. Porque entre o fim do campeonato brasileiro e o show do Iron Maiden construíram um shopping gigante em frente a janela do meu quarto, que tirou toda a possibilidade de eu ouvir qualquer acorde de The Number Of The Beast.

E não, não me venham falar em lado bom.

Categorias: Dia-a-dia · Futebol
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Colegas de trabalho II

14 Fevereiro, 2008 · 6 Comentários

Entrou um menino novo aqui na ONG e estávamos conversando ontem:

- Eu sou músico! – ele disse.

- Ele toca pandeiro em um grupo de pagode – o Decko sacaneou.

- Que nada. Eu sou guitarrista… – ele respondeu.

E eu já tinha me empolgado para falar de rock, quando ele completou:

- … de um grupo de forró.

- AAAAAAAAAAAAAUUUUUUUUUUU – diria o Frank Aguiar, se ele tivesse participado dessa conversa.

Categorias: A vida como ela é...
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Anyone can cook

22 Janeiro, 2008 · 1 Comentário

Para comemorar as indicações que o Ratatouille recebeu ao Oscar de 2008, inclusive de trilha sonora original, escutem Le Festin, do Michael Giacchino.

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Do Fofão para o Slayer

21 Janeiro, 2008 · 8 Comentários

Tocava um sambinha na sala da casa do meu irmão, quando o Lucas resolveu interferir:

- Tio, troca de música. Coloca aí um rockzinho, vai!
- Eita! Que tipo de rock você quer? Aqui nessas prateleiras tem de todos os tipos.
- Não sei, tio. Não entendo nada de tipo. Eu gosto é de rock!

Então meu irmão trocou o cd e o Lucas respirou fundo, aliviado:

- Ahhhhhhhhhhhhhh, isso sim é música de verdade.

E a gente não deixa de sentir um certo orgulho, né?! Porque na idade dele eu usava bota branca e dançava o ilariê, ô Ô ô.

Categorias: Família
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