Eneaotil

Como nossos filhos

Foi o primeiro dia do Luquinhas na primeira série. Isso mesmo: primeira série. Dá para acreditar? Nem saiu da minha memória ainda as maria-chiquinhas que eu usava no cabelo enquanto escrevia e pintava um desenho mal traçado no fim da lição. E nem a Vanessa Pasquevitchius, a Ana Elisa, o Rafael Castejani, o Flávio, o Antônio, o Diego, a Mariana Dantas, a Paulinha. Estão todos ali, na minha cabeça, sentados um atrás do outro naquelas cadeiras duras do colégio São Domingos.

Mas hoje, além deles todos e da chata da professora Marta, me lembrei de outra coisa quando vi os olhos grandes e esverdeados do Luquinhas me fitando na porta do colégio. Daquela sensação que me esmagava o peito e tampava a garganta com um nó toda vez que eu mudava de escola. E mudava de amigos, de professora, de hábitos, de geografia, de caminhos. E me via diante de tanta novidade que dava uma vontade de me esconder debaixo da escada e chorar até dormir. Então eu respirava fundo, abanava a mão para a mamãe no portão e seguia em frente. Sempre deu certo.

Quase 20 anos depois, naquela escola da Vila Madalena, vi meu filho fazer exatamente igual. Só que agora eu estava do outro lado. Abanando a mão e sentindo o mesmo nó e o mesmo coração apertado que minha mãe sentia quando me deixava, enquanto o Lucas gritava que ia morrer de saudades subindo a escada, sem conseguir me ver e sem conseguir ser visto. Batendo nos degraus que pareciam infinitos a mochila de rodinhas dos Padrinhos Mágicos.

10 comentários em “Como nossos filhos

  1. Júlio
    11 fevereiro, 2008

    Daqui a pouco está ele lá, subindo os degraus da faculdade. Tomara que não seja a São Judas… hehehehehe

  2. santini
    11 fevereiro, 2008

    linda!

  3. papai
    11 fevereiro, 2008

    Oh dó!

  4. natalia
    11 fevereiro, 2008

    Ah, que dózinha! Deve cortar o coração

  5. Adriana
    11 fevereiro, 2008

    Putz cara, to passando por algo semelhante e igualmente dolorido. Minha filhota estah frequentando o equivalente ao maternal dai, e olha… aquela sensacao de “puta que pariu, daqui a pouco aparece com namorado em casa” me assola todo dia… que caralho ter filhos… eh show de bola!

  6. Daygo
    12 fevereiro, 2008

    Pois é, dona Leloca!
    No sábado ele me disse:
    “Segunda-feira vou pra escola. Eu estou na primeira série e vou aprender a ler e escrever!”
    bjos

  7. Bruno Ribeiro
    12 fevereiro, 2008

    Às vezes você me emociona.

  8. Mariah
    15 fevereiro, 2008

    incrível. eu achava que somente eu lembrava o nome e o sobrenome dos meus amigos de escola…antigamenteeeee…..
    adorei.
    mariah

  9. Pingback: Sete «

  10. Kamilinha
    7 julho, 2010

    Primeiro dia de aula…
    Passei por esse gelo no estômago até no primeiro dia da facul, primeiro dia do trampo, mas aquele medo (quase terror) do primeiro dia na escola qd agente é pqno e não td que se quer é agradar e fazer novos amiguinhos era terrível!!

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Publicado às 11 fevereiro, 2008 por em Sem categoria e marcado , , .
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