Eneaotil

Lucas no acampamento

Uma das vantagens dos filhos de pais separados é não passar pelo vexame de ver sua mãe na porta da escola se descabelando só porque você vai passar uma noite fora, em um acampamento. Isso porque as mães solteiras se acostumam desde cedo com o fato de não ter seus filhos consigo pelo menos uma vez a cada 15 dias. E chega uma hora que fica um tanto quanto ridículo chorar toda vez que seu filho leva o travesseirinho para dormir na casa do pai.

Hoje pensei que o ônibus do Lucas não conseguiria partir porque alguns pais o cercaram e apertaram seus narizes contra as janelas para um “último adeus”, pelo menos até amanhã, quando as crianças retornarão.

– ME LIGA!!!!!

– ME ESCREVE, FILHO!!!

– MANDA UM POSTAL!!!

– NÃO ESQUECE DA MAMÃE, POR FAVOR!!!

– A MAMÃE TE AMA E VAI TE AMAR PARA SEMPRE, NUNCA ESQUEÇA DISSO!!!

Claro que na hora que o ônibus parte, do mesmo jeito que na hora que a porta se fecha de 15 em 15 dias, dá um aperto no fundo peito, mas daí a achar que seu filho vai esquecer do seu amor só porque ele foi passar meio fim-de-semana em um acampamento já é demais. Fico pensando que é até bom que ele esqueça da mãe em alguns momentos do dia, para evitar anos a fio de culpa e terapia.

Enfim, a preocupação existe, mas se eu chorasse seria muito mais de inveja por ele ir e eu não. E eu bem queria que ele me escrevesse um postal, embora não desse tempo de chegar antes de ele voltar, porque meu filho é semi-alfabetizado (ou seja, semi-analfabeto) e escreve coisas como “Espidi Racer”.

Imaginaram? Na frente, uma foto de um sítio barrento em Mairiporã. Atrás:

“Oi, manhe. Aqui no çitiu istá tudo bem. Istou si divirtinu muintu. Amu vosse. Lucas”

Uma fofura que eu ia guardar para o resto da vida só para zoá-lo diante das novas namoradas.

**

Na verdade, o que tem me preocupado muito é que o Lucas saiu sem deixar nenhum bilhete para a família imaginária. O pior é que eu não sei onde eles estão para tentar avisá-los. Ficarão desesperados quando derem pela ausência do chefe da família e da bebezinha.

15 comentários em “Lucas no acampamento

  1. Uli
    24 outubro, 2008

    Ai mulher, que bom que você se reproduziu e passou essa sua carga genética adiante ;o)
    Definitivamente, o Lucas merece um livro.
    Beijo!

  2. atruculenta
    24 outubro, 2008

    Justo a menor que é mais difícil de cuidar que ele resolve levar. Vai entender, né?
    bjones

  3. Júlio César
    24 outubro, 2008

    Ué, o bilhete não é o texto anterior? :P

  4. Rodrigo
    24 outubro, 2008

    Júlio, o bilhete só é o texto anterior se a família imaginária do Lucas viver no Rio e tiver o acesso imaginário provido pela Telemar…

  5. natália
    24 outubro, 2008

    Todo independentezinho o Lucas! Leve-o para o Paiol Grande, inesquecível! http://www.paiolgrande.com.br

  6. Airo
    24 outubro, 2008

    (sempre leio seu blog)

    o Lucas está na idade de ser semi-analfabeto…o pior é minha irmã de 13 anos que é teoricamente alfabetizada. Ela escreve mais ou menos como seria esse cartão…algo açim.
    triste.

    será que o Lucas não mudou de idéia e levou a familia junto?
    ou será que ele se divorciou?

  7. Thais
    24 outubro, 2008

    Gente…mas num é óbvio??
    A esposa do Lucas deve ter lido no Blog q ele foi viajar e levou a bebezinha né…
    Agora…tem uma pergunta q não quer calar…kem foi o 200.000???????
    Bjs,
    Thá.

  8. Rodogro
    24 outubro, 2008

    Lembro quando minha mãe me obrigava deixava ir para acampamentos. Ah, os traumas. *suspira*

  9. betocoke
    24 outubro, 2008

    Boto fé que esses acampamentos são ótimos. Sou do interior, e por ter trilhões de chácaras por perto, sempre rola uns desses. Tão bons eles (=

    * ah sim, aqui também rola um aperto no coração imaginar que um dia passarei por esses momentos bobos, como o de dar tchau pro meu filho/ filha por um simples fim de semana, quando tiver um.. isso de família é tão bom, e ao mesmo tempo tão preocupante.

  10. dede
    24 outubro, 2008

    o Paiol Grande eh otimo, fui ha uns 14 anos (ai idade).

    ah, ia te zoar perguntando se tem curintiano alfabetizado :P

    hahahah

    beijo

  11. Páua Lima
    25 outubro, 2008

    Já que seqüestro ta na moda, a família imaginária vai chamar a polícia de competencia imaginária que atua em seqüestros. =D

    Lucas é um graça.

  12. BZ
    26 outubro, 2008

    Achei super válido o “espidi racer”. Ele acertou metade – e olha que tá em outra língua!
    Eu acho o Lucar um crânio. Pronto, falei.

  13. Marito
    26 outubro, 2008

    Pô, a minha não se acostumou até hoje…acho que é porque não tinha um pai que de 15 em 15 dias, meses ou anos, viesse me buscar….hahahahahha Fotos com coisas escritas ela não tem, mas tem fitas com minha voz gravada…mas nunca mostrou para as namoradas, só minhas fotos nu….

  14. Teka
    27 outubro, 2008

    Eu tive um amigo imaginário, o Geninho. E ele viveu comigo até os 12 anos. Depois ele foi embora. Mas eu acho que ele era de verdade.

  15. dee
    27 outubro, 2008

    Nós também ficamos.
    Não se esqueça de nos dizer o que aconteceu.
    ;)

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Publicado às 24 outubro, 2008 por em Sem categoria e marcado .
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