Eneaotil

Da vida (dura) de mãe

Para não dizer que só falo coisas boas do Lucas:

Ser mãe, às vezes, é algo totalmente superestimado. É sim a coisa mais bonita do mundo, o momento mágico do ser humano, o presente máximo de Deus para a mulher, o supra-sumo da mãe natureza. Mas aquele papo de que tudo o que o filho faz é bonitinho é BALELA. BA-LE-LA.

Eu até acho que a mãe é o único tipo de ser humano capaz de perdoar tudo. Quer dizer, o Lucas não matou nenhum coleguinha até agora por causa de figurinha, não roubou, não aplicou um golpe no governo, não mexeu no meu dinheiro e não me bateu (ok, um tapinha ou outro quando lhe neguei algum brinquedo aos dois anos e meio de idade). O que eu quero dizer é que ele não cometeu nenhuma atrocidade ainda – e espero que nunca cometa – então é bem fácil perdoar.

Ainda assim, nem tudo o que ele faz é lindo. Nem ele nem qualquer filho de qualquer outra santa mãe. Nem a Virgem Maria achava que tudo o que Jesus fazia era lindo. Aposto que ela preferia que ele estivesse junto da família nos 80 natais seguintes a salvar a humanidade e morrer pregado aos 33 anos (credo, como eu estou religiosa!).

Toda mãe já começa metendo a mão na merda desde o primeiro dia. E espere até seu filho começar a comer alimentos perecíveis e sentar em cima do próprio cocô para ver se aquilo é bonitinho. Aí depois ele passa a se jogar no chão para pedir as coisas. E quando ele aprende a argumentar é bonitinho até que você diga:

– Não ande descalço!

E ele responda:

– Por que? Você está descalça.

Dá vontade de chorar quando ele joga um pote de Toddy no sofá, um pacote de queijo ralado no chão ou quando vem a conta do conserto da televisão que ele derrubou de cima do rack.

Até que chega a pré-adolescência e ele grita contigo, bate a porta na sua cara quando acorda de ovo virado, fica puto com dias quentes e putíssimo com dias frios. O tempo passa, mas agora, na pré-adolescência, o seu filho faz todas as malcriações aprendidas nesses quase nove anos. Se joga no chão, grita e sabe argumentar com muito mais afinco (estou passeando de capacete dentro de casa, esperando o Toddy ser arremessado na minha cara).

Quem escreveu o Estatuto da Criança e do Adolescente não tinha um filho entre 8 e 18 anos. Não é a toa que o A de adolescente forma o ECA. A pré-adolescência não é bonita e creio que é na adolescência que vou descobrir se a mãe realmente é capaz de perdoar tudo.

**

Alguém conhece algum desinibidor hormonal?! SOCORRO!

18 comentários em “Da vida (dura) de mãe

  1. dona Rose,avó e mãe
    14 junho, 2010

    o pior de tudo é qdo ele acorda de ovo virado e a gente tb…muita vontade de guardar ele no armário esó tira lo depois dos 20 anos.Ou então, tomamos a atitude de não usar mais da conversa e partir logo pros psicotapas.Tem dia q tá insuportável….e eu continuo achando muito cedo pra pré adolecencia.

  2. Sut-Mie
    14 junho, 2010

    Adorei a parte de estar andando de capacete em casa…! Como ainda estou lidando com Pimpolha, menor de 3 anos, nem posso falar nada, só fazer uma “mental picture” e temer! Se nos dias de hoje é assim, como será qdo for a hora dela?!…Ai, ai, ai!

  3. Camila
    14 junho, 2010

    Tenho um irmão de oito aninhos. O moleque é o demônio.
    Já combinei que durante a adolescência dele, eu não apareço em casa.

  4. Julie B.
    14 junho, 2010

    quanto a mãe perdoar tudo, eu cresci ouvindo a minha dizer que não tinha vocação pra mãe de interno da FEBEM (sabe quando está tendo uma rebelião, o menino lá dentro tem 5 reféns, está incendiando colchões e armado, e lá fora a mãe dele chorando e dizendo “meu deus, meu deus, essas pessoas querem matar o meu filhinho!”?). mas a gente nunca aprontou nada absurdo, pra testar se ela só dizia isso da boca pra fora…
    conheci o blog recentemente, andei lendo uns posts passados… gostei muito! vootarei sempre aqui.

  5. Mariana
    14 junho, 2010

    O meu irmão aos 12 anos começou a ficar emotivo, a testosterona agindo fazia o moleque gritar por qualquer coisa, e “Dahhhhh” era resposta padrão para quase tudo.

    Ainda bem que passa.

  6. Tay
    14 junho, 2010

    Primeiro, eu concordo com a sua mãe. Segundo, eu concordo com a sabedoria funk que já dizia que “um tapinha não dói”.

  7. Leandro
    14 junho, 2010

    Experiência com sobrinhos: a fase crítica é dos 7 aos 11. Depois melhora um pouco. Depois piora de novo. Depois não sei porque não sou tão velho assim.

  8. piscardeolhos
    14 junho, 2010

    não, não e não.
    eu me recuso!
    o lucas é um santo.
    vc não sai por aí destruindo os sonhos de uma mãe que, por causa do lucas, passou a acreditar na adolescência sem traumas.
    o lucas é a minha única esperança, minha ONG, meu retrato da fé.
    nããããããããããoooooo!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  9. Susan
    15 junho, 2010

    quanto a mãe perdoar tudo, eu cresci ouvindo a minha dizer que não tinha vocação pra mãe de interno da FEBEM (sabe quando está tendo uma rebelião, o menino lá dentro tem 5 reféns, está incendiando colchões e armado, e lá fora a mãe dele chorando e dizendo “meu deus, meu deus, essas pessoas querem matar o meu filhinho!”?). mas a gente nunca aprontou nada absurdo, pra testar se ela só dizia isso da boca pra fora…conheci o blog recentemente, andei lendo uns posts passados… gostei muito! vootarei sempre aqui.
    +1

  10. Aline
    15 junho, 2010

    Ainda está cedo, mas, de verdade, é bom ler essas coisas desde já, só pra ir se acostumando…
    Acho o Lucas uma criança (pré-adolescente já?!) foda! Inteligente, carinhoso e divertido… Mas, tb por conta diss tudo, imagino a canseira que ele não deve dar, srsrsr…

  11. Airo
    15 junho, 2010

    Coloca ele pra trabalhar desde cedo! além de passar menos tempo com ele, ele aprende a lidar com sua montanha russa emocional e ainda descola uma grana e experiência.
    Comigo resolveu começar a trabalhar com 14.

    Boa sorte ai, se pré e adolescente não é fácil pra ninguem: nem mãe, nem filho.

  12. @tiagokoy
    18 junho, 2010

    Você realmente deveria ver este vídeo do Louis C.K.
    Ele explica muito bem porque nunca julga outros pais. =D É sensacional!

  13. @tiagokoy
    18 junho, 2010

  14. Leticia Volponi
    19 junho, 2010

    Eu brinco que quando é bebê, dá vontade de comer. Depois que cresce, você se pergunta: por que foi que eu não comi???

  15. Gisele
    20 junho, 2010

    Bom, sei bem o que vc quiz dizer, me identifico muito com vc, e sua situação, pois tenho um filho com 9 anos e as vezes age igualzinho o seu, pois olhe, me disseram que isso passa, eu só espero que chegue logo…rsrsr.até mas.

  16. putaqueparilbrasil
    21 junho, 2010

    Essa idade é foda!
    Tenho um irmão que acabou de completar 13 anos, ele é terrivel e tem dias que acorda – como vc diz- com o ovo virado…
    Tira a paciência de todo mundo e depois se faz de santo!

  17. Bel
    12 julho, 2010

    Oi, caí de paraquedas por aqui (shares do Inagaki), e estou lendo quase o blog todo – e já te seguindo no twitter (belmasc).

    Ri de quase fazer xixi nas calças com as histórias do Lucas. E chorei por dentro (tenho certeza q vc sabe o que é isso) de lembrar de quando os meus tinham 8 anos. Hoje têm 22 e 19, as preocupações são outras, eles não moram mais comigo, e eu daria TUDO pra poder voltar no tempo só pra poder botá-los no colo, brincar de lego, de guerra de travesseiros, e não pensar se eles estão indo pra facul de moto ou se foram assaltados na volta do shopping de uma cidade grande.

    Desculpa a opinião na contra-mão dos comentários, mas acho que é a diferença de idade, eu já tenho 45, e nessa época de menopausa a gente fica mais sensível do que na TPM.

    Anyway, eu volto. pra rir mais e chorar mais também.

  18. Lê Scalia
    18 setembro, 2010

    Nossa, eu com 8 anos era tão… infantil, haha.
    Mas o texto, como sempre, irretocável.
    E há de se tirar o chapéu pros argumentos da infância atual hahaha.

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Publicado às 14 junho, 2010 por em Sem categoria e marcado .
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