Eneaotil

Capítulo 15 – Das noras e das notas

De agosto – quando publiquei o último capítulo das histórias de amor do Lucas – até o começo de dezembro, eu fui sogra de mais umas dez meninas diferentes. Até com a Nicole o Lucas namorou – e em partes foi para me agradar porque nesse meio tempo nós viramos muito amigas. Toda vez que eu chegava na porta da escola para apanhar meu filhote, lá vinha ela toda sorridente para me dar um beijinho.

De uma forma inconsciente, creio eu, a Nicole é muito esperta. Porque tem uma época na vida das mães que elas se sentem felizes apenas com o fato de verem seus filhos agradados. Sabe aquela velha máxima de: “Adoça a boca do meu filho que você adoça a minha boca”? Mas isso é só uma época. Depois chega uma hora que a gente se lembra que não é só mãe e que precisa sim ser agradada também. Deve coincidir com a época que os nossos filhos começam a namorar, porque não basta ser linda, ser inteligente e fazer o seu filho feliz: a namorada dele vai precisar ser legal contigo.

Diferente de todas as outras garotas da escola, a Nicole é legal comigo. Não que as outras meninas me tratem mal ou sejam grosseiras, mas a Nicole tem um jeito natural de ser bacana. O sorriso não é forçado e as palavras não são decoradas. E eu percebi isso antes de qualquer sorriso e de qualquer aceno. Sei que todas as outras garotas ainda vão aprender a ser noras – do mesmo jeito que eu aprenderei a ser sogra de verdade -, mas eu acredito que a gente aprende a tratar as pessoas desde pequenininhas.

Por exemplo, às vezes, em casa, o Lucas é respondão à beça. Faz parte da maldita intimidade de um filho com a mãe, de um neto com os avós. Tem dias que ele acorda de ovo virado e não quer comer tudo, ou tomar banho naquele momento, ou dormir no horário, ou deixar de brincar para estudar. E, como todo ser humano normal, ele responde mal para a gente. Mas na rua é diferente. Por maior que seja o mau humor, ele nunca deixou de responder o “bom dia” das senhorinhas do prédio, nunca deixou de cumprimentar o porteiro, de segurar a porta do elevador para os outros, de tratar bem a quem quer que seja. Por mais merda que estivesse o dia dele. Porque isso não significa ser falso, significa ser educado.

Mas esse é o capítulo de uma história de amor, não o capítulo de um relacionamento cordial entre crianças e porteiros. E em relacionamentos, as coisas funcionam de uma forma diferente. A convivência é maior, é diária – ou quase -, se dá em festas de família, em comemorações de fim de ano. E se você não tem a sorte de o seu filho se apaixonar por uma Nicole, você tá fodida. Ou deve estar. Porque até agora isso é uma coisa que eu ainda não descobri. Eu só estive do outro lado e nem sempre tive a sorte de encontrar uma Leonor como sogra – HAUAHUAHAUAHUAHUA.

De modo geral, minhas sogras foram bem legais. A mãe do Rafa, então, me manda mensagem, me liga, faz torta de banana quando vou lá e conversamos por horas. Mas nem sempre foi assim, já me deparei com situações em que eu não ia com a cara da pessoa, com ou sem motivo, e aí minhas palavras e meus sorrisos não eram tão naturais quanto os que eu recebo da Nicole na porta da escola. E nem por isso eles deixavam de rolar, não por falsidade, repito, mas por educação. Ninguém é obrigado a gostar de ninguém, mas é preciso saber conviver.

Quando a gente se apaixona e pula de cabeça em uma relação – e eu quase sempre pulo de cabeça nas relações (apesar de estatelar o cucuruto no fundo de uma piscina rasa na maior parte das vezes) -, nunca o fazemos pensando em terminar. A gente sonha com viagens, com os filhos, com crediário nas Casas Bahia para comprar os móveis, com uma casinha branca com ou sem varanda. E não ter uma boa relação com a família de quem você ama significa não pagar nem a primeira prestação do seu crediário.

É por isso que eu torço por uma Nicole na vida do Lucas – seja aquela menininha de cabelos longos e sorriso sincero na porta da escola, seja qualquer outra.

7 comentários em “Capítulo 15 – Das noras e das notas

  1. Ândi
    1 dezembro, 2010

    Sinto que o Lucas terá problemas…

  2. L.
    1 dezembro, 2010

    hahahahahha nenhum!

  3. Júlio Augusto
    1 dezembro, 2010

    isso pq o Lucas é novinho haha imagina qdo crescer mais…haha…mas sério mesmo e difícil é o conviver..se com a pessoa q vc ama é difícil imagine com a família dela..depois q casa então meu Deus..se dar bem com a família sogro sogra cunhados e cunhadas é importantíssimo. Difícil e um saco.

  4. Kety
    1 dezembro, 2010

    Virei fã do blog haha..
    Com certeza teu filho vai casar com uma boa garota futuramente..
    Porque ele é educado mesmo qdo tá com o ovo virado como vc disse [com os porteiros/senhorinhas[o]] e etc..
    E creio que quem planta colhe… então vc vai colher frutos bons..
    Porque vc ensinou bem seu garoto!
    Beeeijo @Subversiva rs ;*
    PS. se puder me segue lá
    @ketysarto UAHSAUSHASUA

  5. Roberta Nina
    1 dezembro, 2010

    Lelê, tira uma foto do Luquinhas com a Nicole e posta aqui pq eu tô curiosa.
    Quero ver se o sorriso dela é sincero, genteee!

  6. Táta Louzada
    1 dezembro, 2010

    Adoro as histórias do Luquinhas… Como a Roberta Nina falou… Também estou curiosa para saber quem é a Nicole…
    Beijos!

  7. Wandeko
    1 dezembro, 2010

    Não sei pq, mas lembrei dessa piada:

    A garota chega pra mãe, reclamando do ceticismo do namorado.
    – Mãe, o Mário diz que não acredita em inferno…
    – Case-se com ele, minha filha, e deixe o resto comigo!

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Publicado às 1 dezembro, 2010 por em Sem categoria e marcado .
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