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Mães também podem namorar (Special Edition de Dia dos Namorados)

Eu e o pai do Lucas namoramos por quase dois anos. Quando nosso filho era bem pequeno, com uns três meses, a gente se separou. Não chegamos a morar juntos, éramos muito novos, duros, confusos, mas foi como uma separação, e não um término de namoro comum, pois já havia um molequinho na jogada.

Depois disso, ele conheceu a Thaís, namoraram por 8 anos e se casaram, no ano passado. Eu fiz o contrário: namorei vários caras, nunca me casei e acho que nunca vou casar. Calma, isso não é uma queixa desesperada de quem está desistindo da vida porque ainda está encalhada. Não casar é uma opção e estou muito feliz com ela, obrigada.

Parece que quando uma mulher se torna mãe solteira, ela tem a obrigação de passar o resto de seus dias procurando um marido. Um macho provedor que dê conta de gerenciar a família e de ensinar aos pequenos como é que se faz, como é que se vive. E mais: no imaginário coletivo, só um marido seria capaz de devolver a essa mãe solteira o gostinho de ser mulher, de passar pelos carros se olhando nas janelas e se sentir desejada novamente.

Veja, esse também não é um texto de quem tem a convicção de que fez a escolha certa, de quem sataniza casamentos e de quem é uma solteira irremediável. Longe de mim, eu adoro ter alguém.

**

Por esse motivo, eu já namorei muitas vezes, com muitos caras diferentes. Sou praticamente um Martinho da Vila de saias. E todas, absolutamente TODAS as vezes que eu engatava uma relação, eu ouvia a mesma pergunta:

– Mas você vai apresentar o cara para o Lucas? Não tem medo de confundir a cabeça dele?

No começo, batia aquela culpa cristã. Será? Será que é muito cedo para apresentar um novo namorado? E quem determina esse tempo? E depois, se terminar, como é que vai ser para o Lucas?

Como não existe um Manual Básico para Mães Solteiras, tive que ver para crer. Precisei tirar o menino do plástico bolha e deixá-lo viver: conhecer as pessoas, gostar ou não delas e se despedir, mesmo contra a vontade, às vezes. Pois é assim que é a vida, desde o dia em que a gente nasce até o dia em que a gente morre. Em um dia, nós escrevemos nas capas dos cadernos das pessoas que estaremos juntos até morrermos, e bastam alguns meses de férias para você perder totalmente o contato com o aquele amigo inseparável. E sobrevivemos, não?

Desde que me separei do pai do Lucas, meu filho conheceu todos os namorados que eu tive. De alguns ele gostou mais, de outros menos. Alguns viraram seus amigos e até hoje ele conversa, mesmo depois de a relação ter ido à falência.

Luquinhas virou praticamente o meu filtro: só valeria a pena entrar no novo namoro se o cara topasse o fato de que eu sou uma mãe solteira, de que a cicatriz da minha cesariana não sairá com o tempo, de que eu não estou só disponível para cinemas noturnos, trepadas, amassos, bebedeiras, festas, viagens românticas. De que a gente pode fazer tudo isso, mas também tem que ir ao parque, às festinhas de criança, levar ao médico de madrugada, ficar em casa no feriado esperando o pequeno chegar da casa do amiguinho. Só namorei quem entendeu que desde o dia 12/11/2001, eu não sou mais sozinha, nem nunca mais serei.

**

Quando o meu namoro com o Daniel acabou, o mais conturbado de todos eles e a relação em que o Lucas mais esteve envolvido, foi difícil contar ao meu menino. Porque para ele o Daniel significava dias na praia, brincadeiras e ainda tinha a família toda do cara que ele havia conhecido e adorado. Foram dois anos de convivência intensa.

O Lucas tinha 7 anos quando esse meu namoro ruiu, de uma forma terrivelmente dolorida. Lembro-me de ter entrado no quarto dele e, aos prantos, contei que tínhamos terminado. Lucas me fez deitar em seu colo, acarinhou meus cabelos e disse que eu ficaria bem.

Ali eu entendi quem é que eu estava criando: um moleque emocionalmente inteligente que poderia ficar confuso com truques de mágica e ilusionismo, com regras gramaticais, com frações, mas não com a vontade da mãe dele de ser feliz.

40 comentários em “Mães também podem namorar (Special Edition de Dia dos Namorados)

  1. Rodrigo Martin
    12 junho, 2012

    Foda, Lelê. Texto sensacional, como sempre :-)

  2. Maria Laura
    12 junho, 2012

    Le!
    Adorei. Texto leve e especial. Disse muito as minhas perguntas (não chamo de respostas, não procuro respostas. apenas experiências)
    beijo enorme
    Lau

  3. Dani Balan
    12 junho, 2012

    De tirar o folego!

  4. Mônikita
    12 junho, 2012

    Eu sou sua fã.

    Sem, mais!

  5. Debora Bortoleti
    12 junho, 2012

    Oh mulher. Eu tô aqui de novo na frente do teu blog, às lágrimas. É exatamente o que penso. Já se passaram 2 anos e tanto da minha separação, e até hoje não namorei “fixo”. Quer dizer, me enrolei, desenrolei, mas casada mesmo estou com a Clarice, vivendo essa minha vida de mãe solteira/filha-sem-pai-em-casa que não planejei, mas que é a nossa vida, e que de vez em quando a gente conversa sobre isso e eu digo pra ela: mesmo sem eu e seu pai estarmos juntos, vamos ser felizes assim. Ela torce muito pra eu ter um namorado, mas eu ensino que agora só vai entrar na nossa vida um homem que nos faça feliz, não outro que destrua (de novo) o que temos, como já aconteceu, néam… cof cof cof. E acho que é uma grande oportunidade pra nós duas crescermos mais inteligentes (eu principalmente) e sabendo que a vida é esse eterno arriscar, dar certo, dar errado. Texto lindo, lindo. Beijo! Deh

  6. 12 junho, 2012

    Muito amor pra vc e pro Lucas <3

  7. Patrícia
    12 junho, 2012

    Sensacional, como sempre…LIndo texto

  8. Thiago Ghizellini
    12 junho, 2012

    Ler esse seu texto, essa hora da manhã, faz com que o resto todo desse dia dos namorados valha a pena. Obrigado.

  9. Lali Mariáh
    12 junho, 2012

    Seus textos envolvendo o Lucas são ótimos! Que gostoso é ler e chorar acreditando um pouquinho mais nas coisas boas da vida. =)

  10. Natália Soares
    12 junho, 2012

    E vem vc com mais um texto daqueles de tirar o fôlego e deixar a gente com olhos marejadinhos e algumas coisas pra pensar. :) Lê, eu não te conheço e nem conheço o Luquinhas, mas não há a menor dúvida de q vc está criando um ser humano incrível! Vocês dois tem uma relação linda! Admiro demais!
    beijo

  11. Leandro (@lelones)
    12 junho, 2012

    Ótimo o texto, pra variar.

  12. Thais Kusuki
    12 junho, 2012

    Saudades dos seus textos. Tô com a Mônikita: sou sua fã.

  13. Le não dá, chorei de novo. Você pode dizer que “você não vale”, “você chora até em sessão da tarde” mas é verdade, principalmente porque tem Lucas na parada. Sabe eu te amo muito e cada vez mais. Minha familia é tudo o que eu tenho e não foi uma construção de dias, meses mas de trinta e lá vão tantos anos. Aprendi a ver que sem vocês e tua mãe eu não seria nada na vida. Os amo sempre,não apenas em dia de namorados. E outras tantas festividades. Um beijo.

  14. Talita Godoy
    12 junho, 2012

    Seu texto, sensacional como sempre… me emocionou… mas fiquei com os olhos ainda mais marejados com o comentário do seu pai. Família linda, transbordando de amor.

    Um beijo e até breve!

  15. Letícia
    12 junho, 2012

    E continue assim!! Como mulher casada que sou, hoje digo às minhas amigas com convicção que a mulher mais feliz e saudável é a solteira bem resolvida. Pois o que tenho visto nas amigas (e nas amigas das amigas e suas cabelereiras, depiladoras, famílias…) são esposas estressadas e sobrecarregadas desabafando pelos cantos (sim, pq a mulher precisa colocar pra fora de alguma maneira), carregando um relacionamento praticamente nas costas à espera que seu marido cresça (???)…e dá-lhe sangue, suor, cerveja (muita vodka e wisky) e paciência. Ainda mais a gente que já tem um filho, ter que cuidar de outro marmanjo, que muitas vezes vai parecer ter menos idade e te dar mais dor de cabeça do que a pessoa que realmente merece o seu supervisionamento e atenção….não é fácil, na verdade, beira o impossível.
    ps: acredito em excessões porém não as conheço, só as vejo no Facebook!!!!!

  16. Guilherme
    12 junho, 2012

    Êh, Lelê!
    Você faz a galera cada vez mais sermos seu fã! Cada vez mais, porque não é de hoje, nem de ontem…
    Felicidades sempre!

  17. Stella (@giulieta)
    12 junho, 2012

    Lelê, tudo bem que eu sou da turma que chora com sessão da tarde e propaganda de amaciante, mas pqp! Texto pra pensar, aprender, admirar, celebrar! Que beleza esta construção de vocês dois. De vocês todos. Um beijo carinhoso e feliz dia dos namorados!

  18. Camila Santana
    12 junho, 2012

    Lindo! Você tem uma capacidade incrível de fazer a gente entrar na história <3

  19. Fernando Amaral
    12 junho, 2012

    Adoro te ler. Obrigadão.

  20. Waleska
    12 junho, 2012

    Marido lindo esse meu Lucas!!!

  21. Nuna
    12 junho, 2012

    Tô feliz de poder te ler novamente! E é óbvio que chorei qdo o Lucas te botou no colo…ô menino lindo viu! Linda mãe, lindo filho, e só um cara de muita sorte para conquistar os dois como sendo um só…❤

  22. thapolakiewicz
    12 junho, 2012

    Chorei, pra variar. Lindo texto!

  23. Ana Gonçalves
    12 junho, 2012

    amei o texto! Chorei vendo isso, pois passo pelas mesma dúvidas!

  24. Eita…. Que texto! Que texto!
    Adorei!
    =)

  25. Ricardo Icassatti Hermano
    12 junho, 2012

    Muito bom ; )

  26. Fernando Augusto
    12 junho, 2012

    Parabéns por mais este texto tão bacana e tão agradável de ler. Excelente.

  27. cida
    12 junho, 2012

    Parabéns, felicidades pra vc lucas.bjs.

  28. OtimizaDesign
    12 junho, 2012

    Lindo! Vou compartilhar, tá! Beijos Cintia Covre

  29. Carol Ferrara
    13 junho, 2012

    Amei o seu texto… me identifiquei… pois passo pelas mesmas situações… Chorei ao ler… pois enxerguei o rostinho do meu pequeno q hj está com 4 aninhos e é minha fortaleza… Parabéns pelo texto e pelo amadurecimento… Parabéns pela bela criação q vc está dando ao seu filho.
    Bjs!!!!
    Carolina Ferrara

  30. William
    14 junho, 2012

    Pô leonor…não deixa de escrever aqui não….leitura obrigatoriaaa!!Muito bom ver seu texto por aqui novamente…eu entrava todos os dias para ver se voce ja tinha desbloqueado o blog e o colocado na ativa novamente..rsrs

    Parabens…

  31. @SuhRochaa
    19 junho, 2012

    Lindo texto!
    Acho que é isso que todo filho espera, que a sua mãe seja feliz independentemente!

  32. Sandra Cerqueira
    27 junho, 2012

    Obrigada!

  33. Gabriela
    1 agosto, 2012

    Nunca comentei aqui, mas sinto falta dos seus textos. Educar é uma das tarefas mais difíceis da maternidade, mas você faz muito bem.

    Beijo!

  34. Aline Amorim (@amorim_aline)
    13 setembro, 2012

    Primeira vez que visito o blog e já amei. Vou continuar lendo!

  35. Jamila
    13 setembro, 2012

    lindo como sempre.
    eu fui criada assim nessa calma e cuidado por uma mae solteira e te garanto, nao poderia ser melhor, sem menosprezar, mas ter pai em casa nao fez falta alguma.
    e eu q achei q nunca mais ia conseguir ler aqui por causa do blog fechado, foi alivio conseguir acessar (:

    bjoo

  36. Fabiola
    19 outubro, 2012

    muito amor esse blog!

  37. piracetam
    7 novembro, 2012

    Existe vida após o namoro / casamento / relacionamento. Claro que toda relação deixa marcas em nós, temos momentos bons e outros nem tanto, e geralmente saímos magoadas do relacionamento- mesmo que não assumamos isto. Mas é preciso saber aprender a conviver com as cicatrizes que inevitavelmente ficam. Sempre vai existir alguma coisinha que vai nos fazer lembrar de um momento vivido com o outro seja ele bom ou ruim.

  38. silver account
    9 novembro, 2012

    Ela era uma boa mãe. Interessava-se pelo desempenho do filho na escola, ia a todas as reuniões, se esmerava na elaboração de uma dieta equilibrada e saudável, ia às peças de teatro infantil premiadas, a filmes que não subestimavam a inteligência das crianças e lia todas as noites, para embalar o sono de seu pequeno, livros que eram elogiados e recomendados por pedagogos. A rotina de mãe solteira somente às vezes lhe era pesada. Ela havia eleito aquele menininho como o homem de sua vida e assim seria. Quando estava em algum projeto mais difícil (abandonou o emprego de horário integral para trabalhar como designer free-lancer em casa) ela virava noites, se entupia de café com guaraná, maquiava as olheiras, mas não furtava de seu filho seu tempo e atenção.

  39. Blog do Óbvio - Manoel
    25 agosto, 2013

    Lelê, muito legal. Só assim você será sempre feliz e segura da sua felicidade. A autenticidade é muito importante e você tem sido perfeita nisso.
    Fiquei fã do Lucas. Isso é que é um grande amigo e quase perfeito ser humano.
    Valeu, Lelê.
    Bjoss,
    Manoel – Blog do Óbvio

  40. Elba Oliveira
    11 setembro, 2013

    Olá, lindo texto! Tenho um blog de maternidade e gostaria de republica-lo lá como colaboração, topa? Entre em contato!
    elba@conversasaomeiodia.com.br

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Publicado às 12 junho, 2012 por em Sem categoria e marcado .
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