Eneaotil

Dezesseis

Filho,

Na semana que antecedeu seus 16 passei os dias pensando em toda essa responsabilidade de criar alguém, sobretudo criar alguém legal igual a você. Nunca tinha pensado tanto nisso: os anos foram passando, as coisas foram acontecendo e nos levando ao lugar onde estamos.

De alguma forma essa sua nova idade expõe cada vez mais meu trabalho como mãe: é agora que todo mundo vai ver, de fato, o cara que você se tornou. É quase como seu primeiro estágio na vida em que teu empregador vai saber se os anos sentado naquele banco duro da faculdade valeram realmente a pena.

Só que nem sempre a gente vai para a aula: tem dia que a gente quer mesmo encher a cara e jogar sinuca. Assim também é a vida de mãe. Alguns dias (vários dias) a gente acorda e não quer ter que ensinar nada para ninguém, não quer ter que corrigir os erros, elogiar os acertos, não quer nada com nada. Criar alguém é também um desafio muito duro.

Aí, quando chega os 16 anos do teu filho, você fica reavaliando se não devia ter se empenhado mais justamente nesses dias. No fim das contas, ser mãe é o tempo todo também precisar confiar no seu próprio trabalho, ainda que a tua autoestima não esteja sempre firme e forte.

E desde sempre: do momento em que te coloquei no berço sozinho e tive que confiar que tudo ia dar certo, quando você andou pela primeira e eu não precisei mais te segurar ou quando foi passar o fim de semana todo com seu pai e voltou vivinho da silva. Ou quando te deixei na porta da escola na tua primeira série e já não podia mais te acompanhar até a sala de aula. Quando foi para um acampamento com a escola, sem pai nem mãe em um lugar que não pegava celular, e, ora, ora, ora… NÃO MORREU! Quando você foi sozinho no mercado e eu já não estava ali para vigiar e também no dia em que voltou sozinho da escola pela primeira vez. Quando tomou o primeiro ônibus, acendeu o fogo no fogão e fez sua comida, quando separou a roupa para colocar na máquina e não deixou todas as peças da mesma cor.

Por esses dias você deu o azar de ser pego contando uma mentirinha para mim, da mesma maneira que eu menti muitas vezes para minha mãe. E eu fiz um duro discurso (nesse dia acordei disposta a te ensinar, mesmo sendo mais fácil ver um seriadinho na Netflix) sobre quebra de confiança e como você teria que reconquistá-la.

Mas a verdade é que todo santo dia, de alguma forma, eu confio demais em tudo aquilo que você faz. Porque eu preciso, claro, mas também porque é você quem me mostra que ficou tudo bem quando chego o fim do dia.

Dos seus 15 para os 16 parece que passaram uns 20 anos. Nesses estirões, as juntas ficam doloridas, mas é a tal dor do crescimento. A gente fala menos que se ama e, na verdade, a gente fala menos, mas nosso amor também está nesses longos silêncios. E é nesse nosso amor que eu confio o tempo todo.

Que teus 16 sejam incríveis, silenciosos ou barulhentos. Que você siga me mostrando que, mesmo com medo, a gente acerta. E sempre se acerta.

Te amo.

Mamãe

2 comentários em “Dezesseis

  1. Vóvis
    10 novembro, 2017

    Sou só sua vóvis , q com o passar dos anos virei só sua vó, mas tudo q sua mãe escreveu pra vc eu tb sinto por vc, pq tb te sinto como muito mais q meu neto e meu amor por vc é infinito! Tenha certeza que serei sempre sua amiga e q pode contar comigo sempre.Beijo com todo meu amor e Parabéns ❤❤❤

  2. Carol
    10 novembro, 2017

    Luquinhas será sempre Luquinhas. Parabéns, Luquinhas!

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Publicado às 10 novembro, 2017 por em Na família e marcado , .

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